{"id":9907,"date":"2020-10-30T20:49:36","date_gmt":"2020-10-30T23:49:36","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/conquista-das-seis-horas-na-caixa-completa-35-anos\/"},"modified":"2020-10-30T20:49:36","modified_gmt":"2020-10-30T23:49:36","slug":"conquista-das-seis-horas-na-caixa-completa-35-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/conquista-das-seis-horas-na-caixa-completa-35-anos\/","title":{"rendered":"Conquista das seis horas na Caixa completa 35 anos"},"content":{"rendered":"<p>A greve pela jornada de seis horas, a primeira paraliza\u00e7\u00e3o nacional dos empregados, completa 35 anos, neste dia 30 de outubro. A paralisa\u00e7\u00e3o de 24 horas reuniu os trabalhadores de quase 100% das ag\u00eancias e unidades da Caixa ainda nos anos finais da ditadura militar, com o governo Jo\u00e3o Batista Figueiredo. \u00c9 um legado que entrou para a hist\u00f3ria da Caixa e um marco no calend\u00e1rio de luta dos trabalhadores em busca do direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o e da efetiva\u00e7\u00e3o da jornada de seis horas para todos os empregados do banco.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 jovem na Caixa sente os reflexos do esfor\u00e7o dos trabalhadores que decidiram cruzar os bra\u00e7os em 1985. H\u00e1 13 anos no banco, Josimilson Ferreira Sales, de Roraima, \u00e9 um desses jovens. \u201cS\u00e3o nesses her\u00f3is que precisamos nos inspirar, que precisamos lembrar sempre como s\u00edmbolo de uni\u00e3o e resist\u00eancia contra a precariza\u00e7\u00e3o do nosso trabalho e o desmonte da nossa empresa\u201d, afirmou. Para ele, a greve hist\u00f3rica vai muito al\u00e9m da conquista da jornada de trabalho, mas o direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o. \u201cEm tempos de pandemia percebemos como a atua\u00e7\u00e3o do sindicato est\u00e1 sendo decisiva na implementa\u00e7\u00e3o de medidas de seguran\u00e7a que protegem n\u00e3o s\u00f3 a vida do empregado Caixa, mas principalmente o nosso cliente\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Na Caixa desde 2001 e hoje secret\u00e1ria de Cultura da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e coordenadora da Comiss\u00e3o Executiva dos Empregados (CEE\/Caixa), que assessora o Comando Nacional dos Banc\u00e1rios nas rodadas de negocia\u00e7\u00f5es espec\u00edficas com a dire\u00e7\u00e3o da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, destaca que \u00e9 preciso aprender com o legado que foi deixado pelos colegas. \u201cNunca podemos esquecer o que os colegas daquela \u00e9poca fizeram. Precisamos adquirir o conhecimento e isso tem que servir de recurso para as lutas atuais. Os empregados novos t\u00eam que ter essa percep\u00e7\u00e3o que a vida \u00e9 mais que atender ao que \u00e9 imposto. A luta coletiva precisa de todos os empregados\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Aqueles que estiveram presentes naquele dia 30 de outubro de 1985, se recordam que a paralisa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tinha o foco o reconhecimento dos empregados da Caixa como pertencentes \u00e0 categoria banc\u00e1ria. Antes, os trabalhadores eram conhecidos como economi\u00e1rios, n\u00e3o possu\u00edam a mesma jornada do restante da categoria banc\u00e1ria, nem sequer eram vinculados a sindicatos.<\/p>\n<p>Um deles foi o presidente da Fenae, S\u00e9rgio Takemoto. \u201cSem d\u00favida a greve das seis horas \u00e9 um marco para todos os trabalhadores da Caixa. Mostrou a for\u00e7a dos empregados. Unidos, n\u00f3s conseguimos avan\u00e7ar na conquista dos direitos e na defesa da Caixa 100% p\u00fablica\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m participou da hist\u00f3rica greve foi o vice-presidente da Fenae, Marcos Saraiva. Ele recorda que a paralisa\u00e7\u00e3o iniciou com a for\u00e7a da juventude, com os auxiliares de escrit\u00f3rio \u201cN\u00f3s demos um recado muito claro: queremos ser reconhecidos junto \u00e0 CLT como banc\u00e1rios e com direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o \u201c, recordou-se Saraiva, que cruzou os bra\u00e7os no Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Hoje dirigente da Fenae, Saraiva ressalta que a juventude precisa se unir novamente. \u201cAcredito que a mentalidade do jovem da Caixa mudou muito. Precisamos repensar e reconstruir a unidade do ponto de vista da solidariedade e uni\u00e3o. Repensar com uma vis\u00e3o de coletivo e n\u00e3o individualista\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Para o diretor de Forma\u00e7\u00e3o da Fenae, Jair Pedro Ferreira, \u00e9 preciso lembrar da hist\u00f3ria, do que fizeram os trabalhadores em 1985, para que em 2020, os empregados possam continuar lutando. \u201cEsse per\u00edodo foi um divisor de \u00e1guas que envolveu associa\u00e7\u00f5es, federa\u00e7\u00f5es, sindicatos. A gente se juntou na categoria banc\u00e1ria. Fizemos o livro Tijolo por Tijolo, para lembrar essa hist\u00f3ria para os jovens. Precisamos falar sempre dessa hist\u00f3ria e fazer isso constantemente\u201d, avaliou.<\/p>\n<p><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o de todos, e o apoio da Fenae e Apcefs<\/strong><\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7ou pela primeira vez todo o pa\u00eds contou com uma participa\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel: a da Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Associa\u00e7\u00f5es do Pessoal da Caixa (Fenae). A Federa\u00e7\u00e3o estabeleceu definitivamente o movimento organizado dos empregados.<\/p>\n<p>A Diretora de Rela\u00e7\u00f5es do Trabalho, Rita Lima, participou da greve no Esp\u00edrito Santo. Ela contou que a Associa\u00e7\u00e3o do Pessoal da Caixa (Apcef) e a Fenae formaram uma base fundamental para quem decidiu apoiar a paralisa\u00e7\u00e3o. \u201cO apoio foi fundamental. Como n\u00e3o \u00e9ramos sindicalizados, era plena ditadura e essa organiza\u00e7\u00e3o era dif\u00edcil. Esse espa\u00e7o foi fundamental para construir a greve\u201d, lembra. Para Rita, a greve n\u00e3o s\u00f3 transformou os empregados da Caixa em trabalhadores com direitos \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o, mas fortaleceu os sindicatos dos banc\u00e1rios. \u201c\u00c9 uma mem\u00f3ria que os trabalhadores de hoje n\u00e3o t\u00eam dimens\u00e3o do que seja\u201d, finalizou.<\/p>\n<p>A greve tamb\u00e9m resultou em mudan\u00e7as fundamentais para a categoria. No Congresso Nacional, o Projeto de Lei 4.111-4, do ent\u00e3o deputado L\u00e9o Sim\u00f5es, estabelecia a jornada de seis horas di\u00e1rias para os empregados da Caixa. A lei foi sancionada logo depois, em 17 de dezembro de 1985, pelo presidente Jos\u00e9 Sarney.<\/p>\n<p>Conselheiro Fiscal da Fenae, Emanoel Souza relembra que a decis\u00e3o de apoiar o PL de L\u00e9o Sim\u00f5es veio ap\u00f3s o Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econ\u00f4mica Federal (Conecef). \u201cEsse 1\u00ba Conecef foi que colocou no centro da quest\u00e3o a luta das seis horas. E o pessoal do Rio de Janeiro conseguiu que o deputado L\u00e9o Sim\u00f5es colocasse o projeto\u201d. A lembran\u00e7a do \u00f4nibus saindo de Salvador cheio de empregados da Caixa em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Bras\u00edlia para participar do Conecef ainda est\u00e1 clara na mem\u00f3ria do dirigente. \u201cN\u00f3s organizamos uma caravana daqui da Bahia para Bras\u00edlia para participar do 1\u00ba Conecef. E, na segunda-feira, t\u00ednhamos que trabalhar. Foi uma aventura\u201d, contou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a publica\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o trazia uma mudan\u00e7a importante, a garantia do direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o a todos os empregados da Caixa, viabilizada com a altera\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 556 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT).<\/p>\n<p><strong>Algumas datas importantes de 1985<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 6 de agosto<\/strong>: Dia Nacional de Luta. Empregados da Caixa distribuem cartas abertas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e enviam telegramas ao Minist\u00e9rio da Fazenda.<br \/><strong>\u2013 11 de agosto<\/strong>: Paralisa\u00e7\u00f5es de duas horas realizadas em ag\u00eancias de Bras\u00edlia (DF) e do Cear\u00e1.<br \/><strong>\u2013 11 de setembro<\/strong>: Presidente da Fenae, Jos\u00e9 Gabrielense, recebe mensagem informando que o ministro da Fazenda havia se manifestado contr\u00e1rio \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es da categoria.<br \/><strong>\u2013 13 de setembro<\/strong>: Cerca de 800 empregados da Caixa protestam e realizam uma passeata na Avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo (SP).<br \/><strong>\u2013 19 e 20 de outubro<\/strong>: Realiza\u00e7\u00e3o do 1\u00ba Conecef, em Bras\u00edlia (DF), no qual mais de 500 pessoas aprovam a data de 30 de outubro para a greve de 24 horas.<br \/><strong>\u2013 30 de outubro<\/strong>: Greve hist\u00f3rica, quando todas as unidades da Caixa s\u00e3o fechadas Brasil afora.<br \/><strong>\u2013 4 de novembro<\/strong>: Caravanas de empregados da Caixa ocupam Bras\u00edlia (DF). Pressionado, o deputado federal Pimenta da Veiga d\u00e1 aval para o regime de urg\u00eancia ao projeto de lei que estabelece a jornada de seis horas para a categoria.<br \/><strong>\u2013 28 de novembro<\/strong>: Projeto das seis horas \u00e9 aprovado na C\u00e2mara dos Deputados. No m\u00eas seguinte, a proposta tamb\u00e9m passa pelo Senado Federal.<br \/><strong>\u2013 17 de dezembro<\/strong>: Presidente da Rep\u00fablica, Jos\u00e9 Sarney, sanciona a lei que garante a condi\u00e7\u00e3o de banc\u00e1rio aos empregados da Caixa.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Fonte:\u00a0Fenae, com edi\u00e7\u00f5es da Contraf-CUT<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A greve pela jornada de seis horas, a primeira paraliza\u00e7\u00e3o nacional dos empregados, completa 35 anos, neste dia 30 de outubro. 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