{"id":9336,"date":"2020-07-31T04:20:09","date_gmt":"2020-07-31T07:20:09","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/uni-financas-cplp-vai-intensificar-relacoes-entre-sindicatos\/"},"modified":"2020-07-31T04:20:09","modified_gmt":"2020-07-31T07:20:09","slug":"uni-financas-cplp-vai-intensificar-relacoes-entre-sindicatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/uni-financas-cplp-vai-intensificar-relacoes-entre-sindicatos\/","title":{"rendered":"Uni Finan\u00e7as CPLP vai intensificar rela\u00e7\u00f5es entre sindicatos"},"content":{"rendered":"<ul>\n<li>F\u00f3rum discutiu impacto da pandemia nos pa\u00edses e efeitos do teletrabalho<\/li>\n<li>Participaram representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Mo\u00e7ambique, Portugal e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe<\/li>\n<li>Pandemia afeta banc\u00e1ri@s\u00a0em tr\u00eas continentes<\/li>\n<li>Nova coordena\u00e7\u00e3o do f\u00f3rum foi escolhida nesta quinta-feira<\/li>\n<\/ul>\n<p>Terminou nesta quinta-feira (30) o 3\u00ba F\u00f3rum da rede de sindicatos UNI Finan\u00e7as da Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP). O encontro discutiu a digitaliza\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, teletrabalho, futuro do trabalho na categoria e estrat\u00e9gia para o per\u00edodo p\u00f3s-pandemia. O f\u00f3rum reuniu representantes da Angola, Brasil, Cabo Verde, Mo\u00e7ambique, Portugal e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe. Realizado por videoconfer\u00eancia, tamb\u00e9m elegeu a nova coordena\u00e7\u00e3o da UNI para os pa\u00edses de fala portuguesa.<br \/>O encontro avaliou a necessidade de as entidades sindicais banc\u00e1rias da CPLP estreitarem rela\u00e7\u00f5es diante do agravamento da crise sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica mundial. Decidiu-se que as reuni\u00f5es desse f\u00f3rum ser\u00e3o mais frequentes.<br \/>\u201cEstou vendo o impacto da pandemia na \u00c1frica. As pessoas j\u00e1 est\u00e3o querendo voltar para os escrit\u00f3rios. Essa quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas africana, mas sim de todos\u201d, afirmou a diretora regional da UNI Finan\u00e7as \u00c1frica, Lebogang Keabetswe. Felipe Makengo, do Sindicato dos Banc\u00e1rios de Angola, deu um panorama da situa\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds. \u201cAngola vive uma crise economia desde o segundo semestre de 2014. Com o surgimento da pandemia e a queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, vivemos uma situa\u00e7\u00e3o com perda de empregos e postos de trabalho. At\u00e9 ontem, havia 48 casos de \u00f3bito em Angola. A introdu\u00e7\u00e3o do teletrabalho tem criado dificuldades. Trabalhar em casa n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que trabalhar no local de trabalho. Em Angola, temos bancos p\u00fablicos com problemas. Um vai ser privatizado e outro, que tem 4 mil funcion\u00e1rios, anunciou a dispensa de 1.600 trabalhadores\u201d, falou Makengo.<\/p>\n<h2>Brasil<\/h2>\n<p>Gustavo Tabatinga, secret\u00e1rio-geral da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), falou sobre a situa\u00e7\u00e3o da categoria no Brasil. \u201cA gente entrou nesse per\u00edodo de pandemia com um pouco de surpresa porque o governo n\u00e3o divulgou as informa\u00e7\u00f5es no tempo correto e incentivou que as pessoas fossem contaminadas pelo v\u00edrus. Os trabalhadores banc\u00e1rios se viram em uma situa\u00e7\u00e3o emergencial e deveriam continuar atendendo ao p\u00fablico todos os dias de forma normal. Negociamos diversos acordos para minimizar os impactos da pandemia e colocamos quase 300 mil banc\u00e1rios em teletrabalho\u201d. Gustavo tamb\u00e9m denunciou o Banco Santander, que, no Brasil, descumpriu o acordo firmado e demitiu trabalhadores durante o per\u00edodo da pandemia.<br \/>Quem tamb\u00e9m relatou a situa\u00e7\u00e3o brasileira foi o secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, que lembrou que o Brasil j\u00e1 acumula 90 mil mortes por causa da pandemia. \u201cTivemos 30 banc\u00e1rios mortos pela doen\u00e7a, entre eles, tr\u00eas dirigentes sindicais\u201d, disse.<br \/>Anibal Borges, do Sindicato dos Banc\u00e1rios do Cabo Verde, explicou que seu pa\u00eds tem o turismo como base da economia. \u201cDa\u00ed d\u00e1 para fazer ideia de como est\u00e1 sendo o impacto na economia caboverdiana\u201d, disse. Mais de 60% da categoria banc\u00e1ria foram para o teletrabalho e outro impacto foi o corte de metade dos sal\u00e1rios diante das dificuldades econ\u00f4micas. \u201cO pr\u00f3prio setor empresarial est\u00e1 deixando de pagar essa parte restante dos sal\u00e1rios por causa da crise econ\u00f4mica, revelou Anibal Borges.<br \/>Ramiro Zeca Simbe, diretor do Sindicato dos Banc\u00e1rios de Mo\u00e7ambique, falou sobre a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. \u201cO setor financeiro est\u00e1 em pleno movimento em nosso pa\u00eds. Mas temos muitos colegas que est\u00e3o trabalhando de casa. Temos cinco colegas infectados, alguns em vias de recupera\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>Fernando Trovoada, do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, contou como foi o impacto da pandemia em seu pa\u00eds, um arquip\u00e9lago de 10 ilhas no Oceano Atl\u00e2ntico. \u201cSomos um sindicato pequeno, com 400 associados. Com a pandemia, tivemos que trabalhar em per\u00edodos revezados, para n\u00e3o haver aglomera\u00e7\u00e3o. Por agora, as regras obrigat\u00f3rias, como o uso de m\u00e1scara, deixaram a popula\u00e7\u00e3o farta. Fartos com o confinamento, porque os africanos gostam de festas e quando o governo imp\u00f5e regras, ficam fartos\u201d.<br \/>As negocia\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram afetadas pelo isolamento social e exigiram inova\u00e7\u00f5es por parte dos sindicatos. M\u00e1rio Mour\u00e3o, do Sindicato do Norte de Portugal, falou sobre as mudan\u00e7as que adotaram. \u201cMantemos contatos pr\u00f3ximos em reuni\u00f5es de videoconfer\u00eancia, para acompanhar como os bancos iriam cumprir as regras de combate \u00e0 pandemia. Notamos algumas dificuldades em algumas ag\u00eancias para que as medidas de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid-19 chegassem o mais rapidamente poss\u00edvel\u201d, afirmou. Fernando Pereira, do Sindicato dos Banc\u00e1rios do Centro de Portugal, falou na mesma linha. \u201cO sindicato teve que se modernizar. Conseguimos a parceria com os sindicatos de banc\u00e1rios do Sul e do Norte em negocia\u00e7\u00e3o coletiva para garantir os empregos\u201d, relatou.<\/p>\n<h2>Mulheres<\/h2>\n<p>Guillermo Mateo, diretor regional da UNI Finan\u00e7as Am\u00e9rica, destacou a situa\u00e7\u00e3o das mulheres durante a pandemia. \u201cNossa responsabilidade \u00e9 tornar vis\u00edvel a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e vulnerabilidade que as trabalhadoras sofrem durante a Covid-19. As mulheres s\u00e3o as maiores v\u00edtimas de um modelo machista que temos de combater. assumimos esse compromisso\u201d, afirmou.<br \/>Ao final do encontro, foi escolhida a nova coordena\u00e7\u00e3o da Uni Finan\u00e7as para a CPLO. O novo coordenador \u00e9 o An\u00edbal Borges, de Cabo Verde, e o coordenador-adjunto, Ramiro Zeca Simbe, de Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<h2>Declara\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m foi aprovada uma declara\u00e7\u00e3o do f\u00f3rum, cuja \u00edntegra segue abaixo:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2 class=\"has-text-align-center\"><em>Queremos um mundo melhor p\u00f3s pandemia!<\/em><\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vivemos num mundo atingido por fen\u00f4menos que modificaram radicalmente e rapidamente as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, os direitos humanos e a vida dos trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de riquezas, o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, a redu\u00e7\u00e3o de direitos laborais, o desemprego estrutural e a exclus\u00e3o das camadas mais pobres v\u00eam criando uma dist\u00e2ncia muito grande entre as elites econ\u00f4micas e o resto da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>A sociedade do emprego formal est\u00e1 declinando e no seu lugar surgem e imperam os servi\u00e7os de plataformas e aplicativos.<\/p>\n<p>O capitalismo ultraliberal, que desde a segunda metade do s\u00e9culo passado cresceu alardeando o fim da interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia planet\u00e1ria, construiu lentamente as premissas para este modelo de sociedade excludente e exploradora.<\/p>\n<p>Em nome da liberdade, os te\u00f3ricos liberais afirmaram que tudo deve ser entregue \u00e0 iniciativa privada: a \u00e1gua, a sa\u00fade, os recursos minerais, o meio ambiente, a educa\u00e7\u00e3o, os transportes, a energia, as comunica\u00e7\u00f5es, o cr\u00e9dito para o desenvolvimento, pois, segundo eles, tudo \u00e9 mercadoria. E diziam que quem iria ordenar as rela\u00e7\u00f5es entre a oferta de bens e servi\u00e7os e os consumidores seria a m\u00e3o invis\u00edvel do mercado. Quanto menos Estado, mais o pa\u00eds ser\u00e1 rico e poderoso. Muitos acreditaram nestas narrativas.<\/p>\n<p>Muitas leis foram aprovadas nos pa\u00edses para privatizar as empresas p\u00fablicas e transferir o patrim\u00f3nio do povo para uns poucos. Outras leis foram aprovadas para reduzir direitos dos trabalhadores supostamente para facilitar contrata\u00e7\u00f5es e melhorar a concorr\u00eancia entre empresas, mas que na verdade funcionaram para gerar um estoque barato de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Estruturaram ataques \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sociais e aos sindicatos para enfraquecer as resist\u00eancias e a oposi\u00e7\u00e3o aos projetos das elites.<\/p>\n<p>Paralelamente a isso, uma grande guerra de realinhamento comercial mundial entrou no cen\u00e1rio, principalmente entre os Estados Unidos e a China, revitalizando as instabilidades pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais nos pa\u00edses democraticamente mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>Uma nova era neoliberal e de intoler\u00e2ncia ressurgiu se impondo pela for\u00e7a e pela propaganda, trazendo de volta a sombra dos movimentos ultradireitistas fascistas e do militarismo.<\/p>\n<p>A crise mundial COVID19 mostrou os engodos e as mentiras deste modelo de mundo desigual que a sociedade mundial vinha reproduzindo.<\/p>\n<p>Sem o atendimento feito pelos Estados nacionais na pandemia, as pessoas teriam sido destru\u00eddas pelo v\u00edrus, pela fome e pela mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Pa\u00edses fortemente liberais tiveram que dobrar-se e oferecer ajuda tanto para conter a pandemia quanto para evitar um desastre econ\u00f4mico e social causados pelo necess\u00e1rio isolamento social e desativa\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, ind\u00fastria e servi\u00e7os, bloqueando acesso a sal\u00e1rios e rendas pelas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>AS m\u00e1scaras ca\u00edram e o mundo viu claramente que n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas, insumos ou capital que produzem bens e servi\u00e7os. S\u00e3o os trabalhadores. Isso foi importante para que se reflita sobre o mundo que vir\u00e1.<\/p>\n<p>O mundo que esperamos reconstruir ap\u00f3s esta pandemia n\u00e3o poder\u00e1 ser como era antes: desigual e sem esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos voltar a uma normalidade que explora os trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p>Queremos oferecer um mundo melhor \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Vivemos uma rara oportunidade para elevar a qualidade de vida mundial erradicando a mis\u00e9ria, a fome, a explora\u00e7\u00e3o e o desemprego<\/p>\n<p>Precisamos um mundo que tenha bancos p\u00fablicos que ofere\u00e7am pol\u00edticas antic\u00edclicas para a sociedade prosperar.<\/p>\n<p>E de bancos privados com responsabilidade social e respeito pelos nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Permaneceremos coerentes com os compromissos e objetivos que nortearam nossa organiza\u00e7\u00e3o desde o primeiro F\u00f3rum em Luanda, Angola.<\/p>\n<p>Reafirmamos a necessidade de dar continuidade aos temas discutidos em S\u00e3o Paulo, Brasil no nosso 2\u00ba F\u00f3rum pertinentes \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o, Informa\u00e7\u00e3o, Forma\u00e7\u00e3o e funcionamento da nossa estrutura.<\/p>\n<p>O 3\u00ba F\u00f3rum se solidariza e homenageia a todos os trabalhadores e trabalhadoras que estiveram e ainda est\u00e3o na linha de frente de apoio \u00e0s popula\u00e7\u00f5es atingidas pela pandemia \u2013\u00a0 com destaque aos das \u00e1reas da sa\u00fade \u2013\u00a0\u00a0 e principalmente sa\u00fada aos trabalhadores e trabalhadoras banc\u00e1rias pelos quais temos envidado esfor\u00e7os sindicais de defesa dos empregos, sal\u00e1rios e direitos, pela sua coragem em n\u00e3o deixar faltar o essencial servi\u00e7o banc\u00e1rio de apoio \u00e0s economias.<\/p>\n<p>O 3\u00ba F\u00f3rum lamenta as mortes de trabalhadores e trabalhadoras de todos os pa\u00edses na crise COVID19 e se solidariza com as suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Por eles e por todos n\u00f3s, continuaremos caminhando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um mundo fraterno, igualit\u00e1rio e justo.<\/p>\n<p>S\u00f3 a luta nos garante!<\/p>\n<p>Uni Finan\u00e7as<br \/>Uni Finan\u00e7asAm\u00e9ricas<br \/>Uni Finan\u00e7as \u00c1frica<br \/>Uni Finan\u00e7as Europa<br \/>Angola \u2013 Sindicato Nacional dos Empregados Banc\u00e1rios de Angola \u2013 SNEBA<br \/>Brasil \u2013 Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro \u2013 CONTRAF CUT<br \/>Cabo Verde \u2013 Sindicato dos Trabalhadores das Institui\u00e7\u00f5es Financeiras \u2013 STIF<br \/>Mo\u00e7ambique \u2013 Sindicato Nacional dos Empregados Banc\u00e1rios \u2013 SNEB<br \/>Portugal \u2013 Sindicato dos Banc\u00e1rios do Centro \u2013 SBC<br \/>Portugal \u2013 Sindicato dos Banc\u00e1rios do Norte \u2013 SBN<br \/>Portugal \u2013 Sindicato dos Banc\u00e1rios do Sul e Ilhas \u2013 SBSI<br \/>S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe \u2013 Sindicato dos Trabalhadores Banc\u00e1rios e Parabanc\u00e1rios de S\u00e3o 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