{"id":919,"date":"2014-03-28T00:00:00","date_gmt":"2014-03-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/encontro-nacional-de-comunicacao-da-cut-discute-atuacao-em-rede\/"},"modified":"2014-03-28T00:00:00","modified_gmt":"2014-03-28T03:00:00","slug":"encontro-nacional-de-comunicacao-da-cut-discute-atuacao-em-rede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/encontro-nacional-de-comunicacao-da-cut-discute-atuacao-em-rede\/","title":{"rendered":"Encontro Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o da CUT discute atua\u00e7\u00e3o em rede"},"content":{"rendered":"<p>A necessidade de unificar os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e investir na forma\u00e7\u00e3o dos comunicadores do movimento sindical n\u00e3o \u00e9 recente, mas ainda permanecem como desafio, conforme destacaram os debates que abriram o 7\u00ba Encontro Nacional Comunica\u00e7\u00e3o da CUT (Enacom), nesta quarta-feira (26), em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Durante a mesa que tratou do papel da comunica\u00e7\u00e3o nos grandes eventos, o jornalista Leandro Fortes destacou como a internet gerou interatividade e interferiu no modelo em que os monop\u00f3lios de m\u00eddia eram os respons\u00e1veis exclusivos pela intermedia\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ele, as redes digitais s\u00e3o uma forma de enfrentamento mal utilizadas pelas entidades sindicais por ainda n\u00e3o possu\u00edrem organiza\u00e7\u00e3o para fazer o enfrentamento. \u201cSomos fragmentados nessa discuss\u00e3o, estamos muitos bem organizados sindicalmente, mas a comunica\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um problema. Encaramos comunica\u00e7\u00e3o ainda como paralela \u00e0 atividade pol\u00edtica, apenas como suporte e n\u00e3o \u00e9 verdade, \u00e9 um pilar de qualquer estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia. Temos meios, instrumentos e somos muito. Falta discutir como ser\u00e1 feita essa organiza\u00e7\u00e3o\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Fortes lembrou que mesmo os governos progressistas eleitos na \u00faltima d\u00e9cada n\u00e3o tiveram coragem de entrar nesse debate e apontou que isso acontecer\u00e1 apenas se houver press\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Entre o lucro e a manipula\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O jornalista avalia que os monop\u00f3lios de comunica\u00e7\u00e3o vivem um sentimento amb\u00edguo: ao mesmo tempo em que tentam suprir a incapacidade da direita em mobilizar e instrumentalizar um sentimento anti-Copa para prejudicar o governo Dilma, eles amenizam a dose para n\u00e3o desvalorizar os patrocinadores.<\/p>\n<p>\u201cTemos que utilizar essa confus\u00e3o e resgatar a fun\u00e7\u00e3o social da m\u00eddia no Brasil. Temos que nos preparar para cobrir a Copa, porque vai deixar legado de infraestrutura, comercial, financeira e de mobilidade. Precisamos resgatar o papel de dar dimens\u00e3o real dos fatos para as pessoas comuns. Elas leem sobre um pa\u00eds que n\u00e3o existe, n\u00e3o sabem o que acontece na rua deles. Tem bombardeamento de doutrina e n\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mas para fazer com que isso seja colocado em pr\u00e1tica, Leandro Fortes afirmou que o movimento sindical precisa investir na produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e fugir da mera divulga\u00e7\u00e3o da agenda sindical e do achismo para fornecer argumentos aos que querem rebater a manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse processo, aponta, depende do investimento em profissionais de comunica\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel modernizar a comunica\u00e7\u00e3o se voc\u00ea n\u00e3o der a prioridade que ela precisa.\u201d<\/p>\n<p><strong>Copa e pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Ainda sobre a Copa do Mundo no Brasil, a secret\u00e1ria de Comunica\u00e7\u00e3o da CUT, Rosane Bertotti, acrescentou que um dos legados do torneio no pa\u00eds deve ser discutir o futebol como patrim\u00f4nio nacional em contraponto ao monop\u00f3lio na transmiss\u00e3o. \u201cA EBC (Empresa Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o) sequer vai poder mostrar um gol da sele\u00e7\u00e3o, caso queira, porque o direito exclusivo de exibi\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 Globo\u201d, criticou.<\/p>\n<p>Representante do Centro de Estudos Bar\u00e3o de Itarar\u00e9, Altamiro Borges, apontou que os meios de comunica\u00e7\u00e3o tentar\u00e3o utilizar o discurso da Copa para descontruir a imagem que eles mesmos constru\u00edram de gestora competente.<\/p>\n<p>\u201cFalam de est\u00e1dio atrasado, mas na Copa da Alemanha (2002), de 12 est\u00e1dios para os jogos, sete atrasaram. O gasto foi maior que no Brasil. O editorial da Folha exaltou as Olimp\u00edadas no Jap\u00e3o, porque vai alavancar e ajudar a popularizar o pa\u00eds. Por que l\u00e1 os jogos s\u00e3o importantes, aumenta a auto-estima do povo, alavancagem da economia e por aqui n\u00e3o?\u201d, disse Miro.<\/p>\n<p>Para ele, por\u00e9m, os grandes jogos do ano ser\u00e3o mesmo as elei\u00e7\u00f5es, que ter\u00e1 o time da direita refor\u00e7ado, segundo ele, por um m\u00eddia capaz de jogar uma partida mais suja desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o. \u201cO papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 pior do que nos outros anos, porque est\u00e1 em jogo a continuidade de um ciclo pol\u00edtico. Al\u00e9m da reelei\u00e7\u00e3o da Dilma, a quarta derrota presidencial para eles, e a possibilidade da volta do Lula em 2018, os estados onde imperam o tucanato correm risco de mudar de dire\u00e7\u00e3o. O PSDB pode perder S\u00e3o Paulo ap\u00f3s 20 anos, Minas Gerais, Paran\u00e1, pode haver mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no Rio de Janeiro e Congresso Nacional. Essa elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas para presidente e o partido midi\u00e1tico est\u00e1 fazendo c\u00e1lculo. Eles brigam pela audi\u00eancia, pela publicidade, mas na pol\u00edtica a unidade \u00e9 de a\u00e7o. Esses caras v\u00e3o vir com tudo\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Miro explicou que a t\u00e1tica da m\u00eddia aliada \u00e0 direita ser\u00e1 tentar criar um clima de p\u00e2nico na economia e pegar carona nas manifesta\u00e7\u00f5es que j\u00e1 existem, j\u00e1 que os conservadores s\u00e3o incapazes de mobilizar as ruas.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos criar mais polos de contato e intensificar muito a luta de ideias. Esse ano \u00e9 um ano para coletar assinaturas para projeto de lei iniciativa popular e debater comunica\u00e7\u00e3o, porque vai ficar escancarada o papel que a m\u00eddia exerce\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o e luta de classes\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>o movimento sindical da CUT j\u00e1 re\u00fane as condi\u00e7\u00f5es materiais, as ferramentas, para desenvolver uma comunica\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com a juventude. Mas precisa aprender a us\u00e1-las.<\/p>\n<p>\u201cPara se comunicar com os jovens, \u00e9 preciso n\u00e3o subestim\u00e1-lo\u201d, disse Pablo Capil\u00e9, um dos criadores do projeto Fora do Eixo e da M\u00eddia Ninja, protagonistas das mobiliza\u00e7\u00f5es de junho do ano passado. Capil\u00e9 foi um dos participantes da mesa realizada \u00e0 tarde, sobre \u201cComunica\u00e7\u00e3o e Luta de Classes\u201d. \u201cPor vezes os movimentos sociais tradicionais t\u00eam preconceitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 juventude, assim como a classe A tem da classe C\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, ele prop\u00f4s que a CUT e suas entidades filiadas coloquem sua rede, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, para que se expressem atrav\u00e9s dos meios e espa\u00e7os j\u00e1 constru\u00eddos pela Central. Assim, acredita, pode-se criar um modelo semelhante ao modo de opera\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Fora do Eixo, que tem n\u00facleos de comunica\u00e7\u00e3o on line espalhados pelo Pa\u00eds, descentralizados, por\u00e9m interligados em uma s\u00f3 rede de distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. \u201cN\u00e3o se deve tentar pautar a juventude, catequiz\u00e1-la, mas colocar-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dela\u201d, sugeriu.<\/p>\n<p>Capil\u00e9 nega que existam pautas \u201cchatas\u201d. \u201cSe n\u00f3s n\u00e3o nos esfor\u00e7armos para ressignificar as pautas, criar novos campos narrativos, a\u00ed fica chato mesmo\u201d. Portanto, com criatividade, segundo ele, a juventude vai aderir \u00e0 pauta da classe trabalhadora. \u201cInclusive porque essa \u00e9 a pauta dela, tem tudo a ver com seus anseios\u201d.<\/p>\n<p>Preto Zez\u00e9, presidente da CUFA (Central \u00danica de Favelas), outro participante da mesa, prop\u00f4s que a CUT e seus sindicatos invistam em a\u00e7\u00f5es sociais, culturais e assistenciais junto a suas bases. \u201cN\u00e3o tenham medo de parecer assistencialistas. O mundo do trabalho mudou. A CUT n\u00e3o \u00e9 um pr\u00e9dio, uma estrutura. A CUT s\u00e3o pessoas. Se o seu representado n\u00e3o puder ser acolhido pela Central e pelos seus sindicatos em seus momentos de conviv\u00eancia e sociabilidade, como poder\u00e1 acreditar nela politicamente\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Ele sugeriu, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o de um grande festival de cultura da CUT, abarcando todas as express\u00f5es art\u00edsticas, para trazer as fam\u00edlias dos associados e, junto, o pr\u00f3prio associado. \u201cO representado deixa assim de ser um n\u00famero na planilha do excel e passa a ser um rosto, uma pessoa\u201d, disse.<\/p>\n<p>A CUFA tem na a\u00e7\u00e3o social e em projetos culturais suas principais ferramentas para empoderar a popula\u00e7\u00e3o que mora em favelas, em todos os estados do Pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Dogmas e preconceitos\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular, apresentou diversos dados que mostram a incompreens\u00e3o e os preconceitos da classe A e B em rela\u00e7\u00e3o as classes mais baixas. \u201cO preconceito da elite est\u00e1 presente no cotidiano e precisa ser mascarado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Meirelles destacou que o aumento do emprego formal \u2013 20 milh\u00f5es na \u00faltima d\u00e9cada \u2013 e a pol\u00edtica de aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo desencadearam numa s\u00e9rie de fatores positivos.<\/p>\n<p>A renda familiar da classe m\u00e9dia entre 2002 e 2012, por exemplo, cresceu tr\u00eas vezes mais do que renda da classe alta. \u201cA elite brasileira est\u00e1 incomodada com a democratiza\u00e7\u00e3o do consumo. Espa\u00e7os que antes eram exclusivos da elite passaram a seres utilizados por pessoas de outras classes\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mesmo com estes avan\u00e7os, permanece a desigualdade social. Metade dos brasileiros possui renda domiciliar per capita de at\u00e9 R$513. J\u00e1 os 5% mais ricos tem renda domiciliar per capita de R$2.450 . \u201cAs pesquisas tem um papel fundamental para entendermos as transforma\u00e7\u00f5es no Pa\u00eds\u201d, disse. \u201cE o movimento sindical que possui uma pauta diversificada precisa aproveitar esta campo de atua\u00e7\u00e3o para expandir sua produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e se posicionar diante de temas relevantes para a sociedade e para a classe trabalhadora\u201d, completou.<\/p>\n<p><strong>Participa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Participam do Enacom mais de 60 dirigentes e profissionais de comunica\u00e7\u00e3o das CUTs estaduais e dos ramos. Entre eles est\u00e3o Ademir Wiederkehr, secret\u00e1rio de imprensa da Contraf-CUT, e Nilma Padilha, jornalista da Contraf-CUT. O encontro termina nesta sexta-feira (28).<\/p>\n<p>Fonte: Luiz Carvalho, Isa\u00edas Dalle e William Pedreira\/CUT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A necessidade de unificar os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e investir na forma\u00e7\u00e3o dos comunicadores do movimento sindical n\u00e3o \u00e9 recente, mas ainda permanecem como desafio, conforme destacaram os debates que abriram o 7\u00ba Encontro Nacional Comunica\u00e7\u00e3o da CUT (Enacom), nesta quarta-feira (26), em S\u00e3o Paulo. 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