{"id":9078,"date":"2020-06-15T04:27:01","date_gmt":"2020-06-15T07:27:01","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/coronavirus-e-aceleracao-da-economia-digital\/"},"modified":"2020-06-15T04:27:01","modified_gmt":"2020-06-15T07:27:01","slug":"coronavirus-e-aceleracao-da-economia-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/coronavirus-e-aceleracao-da-economia-digital\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus e acelera\u00e7\u00e3o da economia digital"},"content":{"rendered":"<p>De acordo com estimativas, aproximadamente 25% dos neg\u00f3cios no mundo j\u00e1 acontecem por meio da chamada economia digital. Calcula-se que ela vai movimentar US$ 100 trilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos 10 anos em todos os segmentos produtivos (\u2026) e que a quase totalidade dos empregos atuais dever\u00e1 sofrer mudan\u00e7as em virtude dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Essa transforma\u00e7\u00e3o implica uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as em termos de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e venda de produtos e servi\u00e7os. Surgem novos modelos de neg\u00f3cios e h\u00e1bitos de consumo.<\/p>\n<p>As \u00faltimas d\u00e9cadas vivenciaram a passagem de uma economia de dom\u00ednio f\u00edsico (manufatureira) para uma economia digital. No topo do ranking das 10 maiores empresas, ao longo do s\u00e9culo XX, estavam empresas como US Steel, Standard Oil, International Harvester, General Motors, General Eletric, American Telephone &amp; Telegrafh, Polaroid e Sears. Hoje, est\u00e3o Apple, Google, Alphabet, Microsoft, Amazon e Facebook, entre outras das \u00e1reas de entretenimento, informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"redeb-1553071461\" class=\"redeb-conteudo\">\u00a0<\/div>\n<p>As novas empresas do s\u00e9culo XXI n\u00e3o seguem os par\u00e2metros das antigas empresas. Elas possuem modelos h\u00edbridos e escal\u00e1veis de neg\u00f3cios (isto \u00e9, com praticamente o mesmo volume de recursos conseguem incrementar exponencialmente os seus neg\u00f3cios). O uso intenso de tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o (internet e aplicativos) \u00e9 uma de suas principais caracter\u00edsticas. As\u00a0<em>startups\u00a0<\/em>est\u00e3o entre estes novos formatos de neg\u00f3cios.<\/p>\n<div id=\"redeb-1370846483\" class=\"redeb-content-placement-after-3rd-paragraph\">\u00a0<\/div>\n<p>Um exemplo claro da influ\u00eancia da tecnologia e da digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o setor financeiro. Os bancos digitais e as fintechs t\u00eam promovido mudan\u00e7as importantes no setor, com a expans\u00e3o do\u00a0<em>mobile banking<\/em>\u00a0e da\u00a0<em>internet banking.<\/em><\/p>\n<p>Mais: a economia digital tem nas moedas virtuais, como o\u00a0<em>bitcoin<\/em>, uma forte alavanca de impulso. E esta alavanca torna-se ainda mais poderosa quando, em meados de 2019, o Facebook anunciou sua inten\u00e7\u00e3o de criar uma moeda digital, a libra. Esta moeda permitiria transfer\u00eancias instant\u00e2neas e gratuitas, servindo de meio de pagamento universal e forma de reserva de riqueza. O Facebook chegou inclusive a anunciar tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Libra, que reuniria parceiros como Mastercard, Visa, Paypal, Uber e Spotify.<\/p>\n<h2>Novos neg\u00f3cios<\/h2>\n<p>Mesmo no caso do setor manufatureiro, quando se olha para as tend\u00eancias do futuro, por meio de projetos como a chamada Ind\u00fastria 4.0, nota-se tamb\u00e9m o papel decisivo jogado pelas ferramentas digitais. Alguns autores defendem que a Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, em curso desde 2010, incorpora tecnologias da terceira fase da revolu\u00e7\u00e3o industrial, ocorrida na segunda metade do s\u00e9culo XX (como o computador, o fax, a engenharia gen\u00e9tica, o celular, entre outros), mas agrega acentuadamente as tecnologias digitais, f\u00edsicas e biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Isto permite o surgimento de novas empresas, linguagens, profiss\u00f5es (assim como conduz a extin\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de outras). A Ind\u00fastria 4.0 tamb\u00e9m altera as rela\u00e7\u00f5es entre as m\u00e1quinas sobretudopor meio da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Nestas novas economia e sociedade, verificam-se novos formatos de consumo, de empresas, hospitais, escolas e cidades, que passam a ser \u2018inteligentes\u2019 e conectadas. Entretanto, isso requer um alto n\u00edvel de desenvolvimento tecnol\u00f3gico, seguran\u00e7a de dados e internet de alta velocidade, entre outros.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses centrais, como os Estados Unidos, os pa\u00edses europeus (Inglaterra, Alemanha, Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Holanda, Espanha e It\u00e1lia, principalmente) e o Jap\u00e3o, possuem tecnologia de ponta que os colocam \u00e0 frente neste novo mundo. A China, que disputa a hegemonia mundial com os EUA, tem feito investimentos massivos em tecnologias de ponta.<\/p>\n<p>J\u00e1 os pa\u00edses emergentes perif\u00e9ricos, como o Brasil, est\u00e3o atrasados nesta transi\u00e7\u00e3o para a economia digital. Entre as barreiras est\u00e3o o alto valor dos\u00a0<em>royalties\u00a0<\/em>e de registro de patentes e o baixo investimento no desenvolvimento de pesquisas na \u00e1rea de Desenvolvimento e Inova\u00e7\u00e3o, em especial na \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Desiguais<\/h2>\n<p>H\u00e1 aqueles que apontam que as novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o (TIC\u2019s) t\u00eam contribu\u00eddo para o aumento da assimetria e a exclus\u00e3o no processo de globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, na medida em que a desigualdade impede o acesso e a cria\u00e7\u00e3o de oportunidades iguais entre os indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Muitos entendem que a inclus\u00e3o digital imp\u00f5e uma s\u00e9rie de desafios \u00e0 sociedade. Para que o processo de exclus\u00e3o digital no pa\u00eds diminua, s\u00e3o necess\u00e1rias que as pol\u00edticas p\u00fablicas sejam norteadas pelos seguintes fatores:<\/p>\n<ul>\n<li>Inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e gera\u00e7\u00e3o de renda;<\/li>\n<li>Melhorar relacionamento entre cidad\u00e3os e poderes p\u00fablicos;<\/li>\n<li>Melhorar e facilitar tarefas cotidianas das pessoas, o que pode incluir aspectos do item anterior;<\/li>\n<li>Incrementar valores culturais e sociais e aprimorar a cidadania;<\/li>\n<li>Difundir conhecimento tecnol\u00f3gico.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Alguns n\u00fameros que ilustram a influ\u00eancia crescente da economia digital dos brasileiros:<\/p>\n<p>As compras\u00a0<em>on-line<\/em>\u00a0est\u00e3o cada vez mais presentes na vida dos brasileiros. O Sebrae, em parceria com a Consultoria IDC Brasil e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Software, destacam que, em 2017, o mercado mundial de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e telecomunica\u00e7\u00f5es (TIC: TI + Telecom) totalizou US$ 3,55 trilh\u00f5es, sendo US$ 2,07 trilh\u00f5es (58%) relativos ao mercado de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, como hardwares, softwares e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio do NeoTrust (E- commerce Brasil, 2020), o faturamenteo do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico no pa\u00eds, em 2019, foi de R$ 75,1 bilh\u00f5es, o que significou um crescimento de 22,7% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2018. Estimativas feitas pela empresa Huawei apontam que a economia digital no mundo ter\u00e1 o valor de US$ 23 trilh\u00f5es daqui a cinco anos, em 2025.<\/p>\n<p>Levantamento do relat\u00f3rio Neotrust, que analisa as informa\u00e7\u00f5es coletadas pela Compre&amp;Confie, indica que, antes da chegada do coronav\u00edrus, havia no Brasil uma expectativa de faturamento de R$ 90,7 bilh\u00f5es em 2020, um crescimento de 21% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2019.<\/p>\n<p>Apesar do avan\u00e7o da economia digital nos \u00faltimos anos e da tend\u00eancia \u00e0 sua expans\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos, a ainda baixa conectividade dos brasileiros traz preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo dados da TIinside (2018), apenas 66% da popula\u00e7\u00e3o possui acesso \u00e0 internet. Um contingente de 58% das pessoas entrevistadas acredita que as novas tecnologias oferecem mais oportunidades que riscos. Isto, apesar de aproximadamente 85% das pessoas que acessam a internet fazerem a conex\u00e3o diariamente e 84% acharem que \u00e9 importante proteger os dados e rede. A maioria dos acessos\u00a0<em>on-line<\/em>\u00a0ocorre via smartphone (cerca de 60%).<\/p>\n<h3>Efeitos do isolamento social<\/h3>\n<p>O mundo tem se esfor\u00e7ado pelo controle e diminui\u00e7\u00e3o da pandemia do novo coronav\u00edrus. Para evitar o aumento da velocidade da difus\u00e3o da doen\u00e7a, tem-se recomendado \u2013 e eventualmente at\u00e9 tornado obrigat\u00f3rio \u2013 o distanciamento social. Desde ent\u00e3o, v\u00e1rios pa\u00edses t\u00eam decretado o isolamento social, objetivando o \u201cachatamento da curva de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a\u201d para evitar a sobrecarga de demanda, considerando a restrita oferta dos servi\u00e7os p\u00fablicos e privados de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A rigor, ante o cen\u00e1rio brasileiro atual, somente as \u00e1reas essenciais deveriam estar em funcionamento. As atividades econ\u00f4micas n\u00e3o essenciais praticamente pararam ou tiveram reduzidas suas opera\u00e7\u00f5es. Os trabalhadores e trabalhadoras, cujas fun\u00e7\u00f5es e tarefas podem ser executadas de casa, por meio do home office, tiveram que faz\u00ea-lo. Empresas afetadas buscam incrementar suas vendas e neg\u00f3cios online.<\/p>\n<p>O distanciamento social imp\u00f5e uma s\u00e9rie de desafios e mudan\u00e7as na vida das pessoas, principalmente no que tange \u00e0 conectividade digital. Os compromissos banc\u00e1rios, como as idas \u00e0s ag\u00eancias banc\u00e1rias, que j\u00e1 vinham diminuindo com o acesso \u00e0 internet, foram trocados pelo uso do\u00a0<em>internet banking<\/em>\u00a0ou pelo uso dos aplicativos de bancos nos aparelhos smartphones. As idas \u00e0s lojas e aos supermercados para compras de produtos est\u00e3o sendo trocadas pelas visitas e compras via internet. Os servi\u00e7os de entrega de produtos, que j\u00e1 vinham num ritmo expressivo de crescimento, tendem a aumentar com a crise pand\u00eamica do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>O setor da educa\u00e7\u00e3o no Brasil (ensino fundamental, m\u00e9dio, superior, entre outros) j\u00e1 vinha apresentando crescimento no n\u00famero de cursos e alunos na modalidade \u201censino \u00e0 dist\u00e2ncia \u2013 EAD\u201d. Com a pandemia do coronav\u00edrus, muitas institui\u00e7\u00f5es tiveram que disponibilizar os conte\u00fados das aulas no formato em EAD (educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia) para os alunos do ensino presencial.<\/p>\n<p>Entretanto, esse setor ainda sofre com a dificuldade de conectividade (nem todos os alunos possuem o acesso \u00e0 internet, baixa velocidade de conex\u00e3o, entre outros). O segmento esbarra ainda com a falta de experi\u00eancia de professores e alunos.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds com v\u00e1rios problemas estruturais. Um deles \u00e9 a elevada desigualdade social. A m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda e de riqueza se reproduz na economia digital, por meio da exclus\u00e3o digital. Este \u00e9 um dos maiores desafios a ser enfrentados pelo pa\u00eds neste novo campo da economia.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p><em><strong>Jefferson Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2013 Professor e Coordenador do Observat\u00f3rio de Pol\u00edticas P\u00fablicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS. Autor do livro \u201cEntre a m\u00e3o invis\u00edvel e o Leviat\u00e3: contribui\u00e7\u00f5es heterodoxas \u00e0 economia brasileira\u201d. Editora Didakt, 2019 (407 p\u00e1gs.). Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.estantevirtual.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.estantevirtual.com.br<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Gisele Yamauchi<\/strong>\u00a0\u2013 Economista.Turism\u00f3loga. MBA Empresarial e Industrial pela USCS. Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela USJT. Pesquisadora do Observat\u00f3rio de Pol\u00edticas P\u00fablicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS \u2013 CONJUSCS.<\/em><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Fonte: Rede Brasil Atual<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com estimativas, aproximadamente 25% dos neg\u00f3cios no mundo j\u00e1 acontecem por meio da chamada economia digital. Calcula-se que ela vai movimentar US$ 100 trilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos 10 anos em todos os segmentos produtivos (\u2026) e que a quase totalidade dos empregos atuais dever\u00e1 sofrer mudan\u00e7as em virtude dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. 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