{"id":8609,"date":"2020-04-06T04:00:34","date_gmt":"2020-04-06T07:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/somos-iguais-em-que-dados-sociais-mostram-que-negro-continua-na-inferioridade\/"},"modified":"2020-04-06T04:00:34","modified_gmt":"2020-04-06T07:00:34","slug":"somos-iguais-em-que-dados-sociais-mostram-que-negro-continua-na-inferioridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/somos-iguais-em-que-dados-sociais-mostram-que-negro-continua-na-inferioridade\/","title":{"rendered":"Somos iguais em qu\u00ea? Dados sociais mostram que negro continua na inferioridade"},"content":{"rendered":"<div class=\"the-content\">\n<p>\u00c9 inquestion\u00e1vel que o <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/blogs\/blog-na-rede\/2020\/03\/combate-ao-racismo-comeca-por-reconhecer-que-somos-todos-racistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">racismo em nossa sociedade<\/a> figure como um problema urgente a ser combatido. Hoje, mesmo ap\u00f3s mais de cem anos dos movimentos abolicionistas e do pr\u00f3prio fim da escravid\u00e3o, \u00e9 comum encontrarmos atos racistas e preconceituosos, os quais constrangem o indiv\u00edduo em rela\u00e7\u00e3o a seu semelhante \u2013 o que resulta do arcaico legado racista que herdamos e perpetuamos em nosso processo de forma\u00e7\u00e3o social. O negro figura-se sempre como inferior.<\/p>\n<p>No Brasil, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas foi necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos jur\u00eddicos para assegurar a igualdade entre todos os brasileiros. A Lei n\u00ba 7.716\/1989 (Lei Ca\u00f3), fruto da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, passou a ser um marco importante nesse sentido, ao tratar dos <a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/lei-7-71689-lei-cao-25-anos-combate-ao-racismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">crimes de racismo<\/a>.<\/p>\n<p>Embora esses mecanismos legislativos tenham surgido como mais uma ferramenta na tentativa acabar com o racismo vigente no pa\u00eds, percebe-se que poucos foram os avan\u00e7os nesse campo, uma vez que ainda \u00e9 frequente e constante a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Embora hoje perceba-se mais abertamente a ideia de <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/blogs\/blog-na-rede\/2020\/03\/mulheres-negras-relegadas-a-postos-de-submissao-ate-quando\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">discrimina\u00e7\u00e3o racial no pa\u00eds<\/a>, ainda assim o racismo se apresenta de forma estruturada, velada, mascarada (e em algumas ocasi\u00f5es, escancarada), fazendo com que os negros ainda ocupem destaque nos baixos indicadores sociais do pa\u00eds. E mesmo com a popula\u00e7\u00e3o brasileira sendo formada majoritariamente por 53,9% de pessoas negras.<\/p>\n<p>Dados recentes do <a href=\"https:\/\/ibge.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">IBGE<\/a> apontaram que existe uma grande diferen\u00e7a no acesso a n\u00edveis de ensino pela popula\u00e7\u00e3o negra: das pessoas na faixa et\u00e1ria entre 15 e 24 anos que frequentavam o n\u00edvel superior, 31,1% dos estudantes eram brancos, enquanto apenas 12,8% eram negros e 13,4% pardos. Esse levantamento ainda aponta que enquanto para o total da popula\u00e7\u00e3o a taxa de analfabetismo \u00e9 de 9,6%, entre os brancos esse \u00edndice cai para 5,9%; e entre pardos e pretos a taxa sobe para 13% e 14,4%, respectivamente.<\/p>\n<p>O desemprego apontando como um dos maiores problemas enfrentados pelo pa\u00eds na atualidade, apresentou dados desiguais. Quando comparado a vari\u00e1vel cor da pele, a taxa de desemprego entre os que se declararam brancos (10,2%) ficou abaixo da m\u00e9dia nacional (12,7%) no primeiro trimestre de 2019. Enquanto isso, as taxas entre pretos (16%) e pardos (14,5%) ficaram acima da media.<\/p>\n<p>Segundo dados do <a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ipea<\/a>, no Brasil o rendimento m\u00e9dio mensal dos brancos chegou a (R$ 1.780,60), quase o dobro do valor relativo aos grupos de negros (R$ 1.012,76).<\/p>\n<p>A disparidade de renda entre negros e brancos reflete, entre outras coisas, a desigualdade no trabalho. De acordo com o <a href=\"https:\/\/www.ethos.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instituto Ethos<\/a>, em 2017, nas 500 maiores empresas com opera\u00e7\u00e3o no Brasil, menos dos cargos executivos s\u00e3o ocupados pela popula\u00e7\u00e3o negra, e apenas 6,3% nos cargos de ger\u00eancia.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea da sa\u00fade a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente, a an\u00e1lise do <em><a href=\"http:\/\/www.palmares.gov.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/desigualdades_raciais_2009-2010.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Relat\u00f3rio Anual das Desigualdades Raciais no Brasil<\/a><\/em> aponta que nas consultas do SUS os negros e pardos s\u00e3o minoria, como, por exemplo, mostram os dados sobre o exame de pr\u00e9-natal, no qual 71% das m\u00e3es de filhos brancos fizeram mais de sete consultas; j\u00e1 o n\u00famero de m\u00e3es de filhos pretos e pardos que passaram pelos mesmos exames foi 28,6% inferior. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Doen\u00e7a de Chagas, 86% da popula\u00e7\u00e3o que notifica a doen\u00e7a \u00e9 composta por negros (quase sempre diagnosticada tardiamente). Sobre a percep\u00e7\u00e3o de sa\u00fade: 37,8% da popula\u00e7\u00e3o adulta preta ou parda avaliou sua sa\u00fade entre regular e muito ruim, j\u00e1 o \u00edndice fica em 29,7% entre as pessoas brancas. Os dados preocupam pelo fato de que muitas vezes a popula\u00e7\u00e3o negra tem no servi\u00e7o p\u00fablico a \u00fanica fonte de melhoria de sua sa\u00fade e cada vez mais esse sistema apresenta-se burocratizado, mecanizado e insens\u00edvel, mostrando o andamento do desmonte do Estado de bem-estar social.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise das religi\u00f5es cultuadas no Brasil, verifica-se um aumento nos casos de intoler\u00e2ncia e viol\u00eancia, principalmente contra as religi\u00f5es de matrizes africanas. Agress\u00f5es f\u00edsicas e verbais a membros dessas religi\u00f5es, destrui\u00e7\u00e3o de terreiros, queima de imagens sagradas t\u00eam sido frequentes nos notici\u00e1rios, e os n\u00fameros de den\u00fancias crescem a cada ano. S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro lideram o <em>ranking<\/em>.<\/p>\n<p>Quando analisados outros crit\u00e9rios para o entendimento das rela\u00e7\u00f5es raciais no Brasil, observamos as mesmas disparidades hist\u00f3ricas entre brancos e pretos. De acordo com o <a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mapa da Viol\u00eancia<\/a>, as mortes por assassinato entre os jovens negros no pa\u00eds s\u00e3o, proporcionalmente, duas vezes e meia maior do que entre os jovens brancos.<\/p>\n<p>De um lado, se houve queda de 25,5% dos homic\u00eddios da popula\u00e7\u00e3o branca; em contrapartida, houve aumento de 29,8% dos assassinatos na popula\u00e7\u00e3o negra. Ao longo dos anos permanece alto o \u00edndice de viol\u00eancia sofrida pela popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Diante desses dados, nota-se que em v\u00e1rias \u00e1reas ainda n\u00e3o se fez valer o direito de igualdade entre negros e brancos. E ai nos perguntamos, somos iguais em qu\u00ea?<\/p>\n<p><em>O autor \u00e9 doutorando do programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais na PUC-SP e membro do Observat\u00f3rio do Racismo<\/em><\/p>\n<p><strong>Fonte: Rede Brasil Atual<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 inquestion\u00e1vel que o racismo em nossa sociedade figure como um problema urgente a ser combatido. Hoje, mesmo ap\u00f3s mais de cem anos dos movimentos abolicionistas e do pr\u00f3prio fim da escravid\u00e3o, \u00e9 comum encontrarmos atos racistas e preconceituosos, os quais constrangem o indiv\u00edduo em rela\u00e7\u00e3o a seu semelhante \u2013 o que resulta do arcaico [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8608,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-8609","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8609"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8609\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}