{"id":8184,"date":"2020-01-10T13:31:14","date_gmt":"2020-01-10T16:31:14","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/situacao-da-industria-brasileira-nunca-foi-tao-grave-diz-economista-marco-antonio-rocha\/"},"modified":"2020-01-10T13:31:14","modified_gmt":"2020-01-10T16:31:14","slug":"situacao-da-industria-brasileira-nunca-foi-tao-grave-diz-economista-marco-antonio-rocha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/situacao-da-industria-brasileira-nunca-foi-tao-grave-diz-economista-marco-antonio-rocha\/","title":{"rendered":"\u2018Situa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira nunca foi t\u00e3o grave\u2019, diz economista Marco Antonio Rocha"},"content":{"rendered":"<p>Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/tag\/ibge\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">(IBGE)<\/a>, a produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira caiu 1,2% em novembro, configurando o pior resultado para o m\u00eas de novembro desde 2015. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9). A retra\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria n\u00e3o \u00e9 apenas epis\u00f3dica, apesar de o resultado interromper uma sequ\u00eancia de tr\u00eas altas seguidas, em agosto, setembro e outubro. A produ\u00e7\u00e3o recuou 1,1% de janeiro a novembro; 1,3% em 12 meses; e 1,7% na compara\u00e7\u00e3o com novembro de 2018.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de outubro a novembro de 2019, os dados indicam queda em importantes segmentos industriais. Bens de consumo dur\u00e1veis (-2,4%), bens intermedi\u00e1rios (-1,5%), bens de capital (-1,3%) e bens de consumo semi e n\u00e3o dur\u00e1veis (-0,5%).<\/p>\n<p>Das dezesseis categorias <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/26582-producao-industrial-cai-1-2-em-novembro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisadas<\/a>, dez apresentaram queda, entre as quais se destacam ve\u00edculos automotores (-4,4%), produtos aliment\u00edcios (-3,3%), ind\u00fastria extrativa e m\u00e1quinas e equipamentos (-1,6%). Tiveram desempenho positivo seis categorias, entre as quais impress\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00f5es (24%), derivados de petr\u00f3leo e biocombust\u00edveis (1,6%) \u00a0e produtos de borracha e material pl\u00e1stico (2,5%).<\/p>\n<p>Para Marco Antonio Rocha, do Instituto de Economia da Unicamp, \u00e9 preocupante o fato de a taxa de c\u00e2mbio ter apresentado uma tend\u00eancia a desvaloriza\u00e7\u00e3o durante todo o ano 2019, o que poderia ter fornecido algum alento para a produ\u00e7\u00e3o industrial. Entretanto, isto n\u00e3o ocorreu. \u201cPortanto, os dados preocupam, em primeiro lugar, porque sugerem certa incapacidade de rea\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria nacional a uma mudan\u00e7a positiva nos pre\u00e7os relativos.\u201d<\/p>\n<p>Outras caracter\u00edsticas dessa retra\u00e7\u00e3o chamam a aten\u00e7\u00e3o. \u201cPrimeiramente, a retra\u00e7\u00e3o foi bem mais intensa nos setores importantes como bens de consumo dur\u00e1veis, indicando, pelo menos, uma disposi\u00e7\u00e3o menor das fam\u00edlias em consumir.\u201d<\/p>\n<p>Para Rocha, isto \u00e9 sintom\u00e1tico do <a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/economia\/2019\/12\/taxa-de-desemprego-estaciona-no-pais-do-trabalho-informal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estado do mercado de trabalho<\/a>. \u201cA maior gera\u00e7\u00e3o de empregos prec\u00e1rios tamb\u00e9m se reflete em uma menor capacidade em comprometer renda com o financiamento de bens dur\u00e1veis e, portanto, com certa incapacidade de recupera\u00e7\u00e3o do mercado dom\u00e9stico.\u201d<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, a queda acentuada em bens de capital e bens intermedi\u00e1rios, dado que \u201crepresenta a queda da demanda intraindustrial, isto \u00e9, uma queda na propens\u00e3o da ind\u00fastria em investir e adquirir insumos produtivos\u201d.<\/p>\n<p>Rocha destaca que esse dado \u00e9 preocupante porque, geralmente, sugere uma continua\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia de queda da produ\u00e7\u00e3o industrial. \u201cTudo isso indica a continua\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio de semiestagna\u00e7\u00e3o pelo menos para o curto e m\u00e9dio prazo na economia brasileira.\u201d<\/p>\n<h5>Crise cr\u00f4nica<\/h5>\n<p>A crise industrial brasileira n\u00e3o passa por momento dif\u00edcil apenas recentemente. \u201cA crise \u00e9 cr\u00f4nica desde a d\u00e9cada de 1990\u201d, diz. Segundo ele, essa crise se relaciona com a incapacidade do pa\u00eds de \u201cassimilar o paradigma da microeletr\u00f4nica e os efeitos decorrentes disso em termos de assimila\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o das novas tecnologias, al\u00e9m da incapacidade do Estado brasileiro em reorganizar um projeto industrialista para al\u00e9m do modelo esgotado na d\u00e9cada de 1970\u201d.<\/p>\n<p>Para piorar o quadro, em sua an\u00e1lise, \u201cos poucos mecanismos de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria nacional reativados nos anos 2000 foram praticamente desmontados ou demonizados a partir do governo de Michel Temer e, depois, na rec\u00e9m-iniciada era Bolsonaro\u201d.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o Brasil est\u00e1 cada vez mais distante da conjuntura internacional, aponta o economista da Unicamp. \u201cHoje, \u00e9 ponto pac\u00edfico que as economias desenvolvidas est\u00e3o retomando as pol\u00edticas industriais de grande porte. Enquanto isso, desmontamos nossos mecanismos de fomento.\u201d<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o tem sequer empresas preparadas \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo paradigma tecnol\u00f3gico: a ind\u00fastria 4.0.\u00a0 \u201cA situa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira nunca foi t\u00e3o grave.\u201d<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, avalia Marco Antonio Rocha, a perspectiva de revers\u00e3o do quadro \u00e9 muito dif\u00edcil, mesmo se houver uma mudan\u00e7a significativa da conjuntura econ\u00f4mica internacional, cen\u00e1rio que, segundo ele, n\u00e3o parece muito prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Assim, o esvaziamento da industrial nacional deixou o complexo industrial brasileiro com pouca capacidade de sustentar um ciclo de crescimento. \u201cQualquer retomada do crescimento econ\u00f4mico, nessa situa\u00e7\u00e3o, teria como paralelo o ressurgimento de d\u00e9ficits comerciais. Tudo vai depender muito da conjuntura internacional durante 2020.\u201d<\/p>\n<p>Para o economista, pode haver outras fontes de crescimento para a economia brasileira durante 2020, como o investimento em constru\u00e7\u00e3o civil, por exemplo, mas h\u00e1 uma quest\u00e3o importante: \u201ccomo um impulso de demanda poder\u00e1 se sustentar diante de um processo adiantado de desindustrializa\u00e7\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>\u201cCaso o c\u00e2mbio continue nesse patamar (hoje, o d\u00f3lar oscila pouco acima de R$ 4), a ind\u00fastria pode at\u00e9 reagir, mas acho dif\u00edcil que, sem a mudan\u00e7a da conjuntura internacional, est\u00edmulos internos e demanda possam garantir um ciclo de crescimento a partir do que sobrou da ind\u00fastria nacional.\u201d<\/p>\n<p><strong>Fonte: Rede Brasil Atual<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira caiu 1,2% em novembro, configurando o pior resultado para o m\u00eas de novembro desde 2015. 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