{"id":736,"date":"2013-03-06T00:00:00","date_gmt":"2013-03-06T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/cut-e-lilas-em-marco-e-questiona-o-capitalismo-a-partir-do-feminismo\/"},"modified":"2013-03-06T00:00:00","modified_gmt":"2013-03-06T03:00:00","slug":"cut-e-lilas-em-marco-e-questiona-o-capitalismo-a-partir-do-feminismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/cut-e-lilas-em-marco-e-questiona-o-capitalismo-a-partir-do-feminismo\/","title":{"rendered":"CUT \u00e9 lil\u00e1s em mar\u00e7o e questiona o capitalismo a partir do feminismo"},"content":{"rendered":"<p><em>Rosane Silva<br \/>Secret\u00e1ria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Aproveitamos o m\u00eas de mar\u00e7o para aprofundar nossas reflex\u00f5es e luta diante das desigualdades que nos atingem no dia a dia. Questionar o capitalismo a partir do feminismo tem como um de seus elementos centrais a compreens\u00e3o de que a opress\u00e3o e mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida das mulheres estruturam o modelo atual.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o marcadas pela l\u00f3gica de que tudo \u00e9 mercadoria, as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas tornam-se uma rela\u00e7\u00e3o entre coisas. E n\u00f3s mulheres percebemos que esse modelo nos coloca numa posi\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade, n\u00e3o ganhamos com o capitalismo, tampouco com a globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Assistimos a reprodu\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a opress\u00e3o machista que nos torna mais vulner\u00e1veis, permitindo ao capitalismo explorar a m\u00e3o de obra das mulheres em empregos prec\u00e1rios e informais. Nesse aspecto, queremos questionar e desconstruir os mecanismos do mercado e as press\u00f5es da m\u00eddia para controlar nossos corpos e nossas vidas. Refor\u00e7amos nossa cr\u00edtica ao livre mercado, pois ele reduz ao terreno das coisas o que \u00e9 central para nossas vidas: a autonomia das mulheres.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio muitas vezes nos vemos acreditando que ter boa apar\u00eancia seria algo importante para se conseguir um emprego. Significa que os crit\u00e9rios do que \u00e9 ser uma boa trabalhadora est\u00e1 sendo ditado pelo mercado, pela ind\u00fastria da beleza. Poucas vezes refletimos sobre os padr\u00f5es que nos s\u00e3o impostos e que acabamos adotando em nosso dia- a \u2013 dia, sem nos dar conta de que ele est\u00e1 conectado com aquilo que o capitalismo espera de n\u00f3s. O mercado se apropria da constru\u00e7\u00e3o social sobre o que \u00e9 ser mulher e refor\u00e7a este estere\u00f3tipo: discreta, silenciosa, bonita, maquiada e multifuncional.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com essa ideia as mulheres devem se manter em seu lugar de submiss\u00e3o e inferioridade, um objeto que n\u00e3o age de acordo com sua vontade. Nas diversas propagandas percebemos em qual lugar o sistema capitalista coloca as mulheres. Temos que ser bonitas dentro de um padr\u00e3o estabelecido pelo mercado, logo \u00e9 necess\u00e1rio consumir todos os produtos que garantam que atenderemos a esse perfil: para o cabelo ficar liso, ou crespo, ou loiro (de acordo com a tend\u00eancia), para sermos sempre jovens, ent\u00e3o devemos usar cremes, para o rosto, m\u00e3os, corpo e p\u00e9s! S\u00f3 sendo bela e esbelta seremos felizes, e para tanto, temos que consumir os produtos que nos oferecem.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O mercado tamb\u00e9m se apropria da separa\u00e7\u00e3o entre os espa\u00e7os p\u00fablico e privado e refor\u00e7a o local onde as mulheres devem permanecer: no lar, ao lado dos filhos e da fam\u00edlia. Por isso, tantas propagandas de produtos de limpeza destinados a facilitar nossa vida, para cumprirmos com o ideal de mulher eficiente, m\u00e3e zelosa e esposa submissa, com o intuito de conseguirmos deixar nossa fam\u00edlia mais feliz. E se algum dia estamos cansadas com o tr\u00e2nsito, preocupadas com as press\u00f5es do trabalho ou com as notas escolares dos filhos, a ind\u00fastria farmac\u00eautica oferece a solu\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea para esses problemas: basta uma p\u00edlula para a dor de cabe\u00e7a, para dormir ou para relaxar.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O capitalismo nos coloca numa condi\u00e7\u00e3o de permanente inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao nosso corpo, pois sempre precisamos de algum item a mais para sermos desejadas, queridas e felizes: silhueta fina, seios redondos, pele lisa, etc. Al\u00e9m disso, devemos atingir tal padr\u00e3o de feminilidade, a fim de estarmos sempre dispon\u00edveis, agrad\u00e1veis e atraentes, cumprindo o papel de atender o que se sup\u00f5e serem as expectativas masculinas (reais ou imaginadas). O capitalismo explora essa depend\u00eancia e oferece produtos e servi\u00e7os que naturalizam tal condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Dentro dessa imposi\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o de sexualidade e feminilidade a fim de atender aos desejos dos homens \u00e9 que o mercado forja uma naturaliza\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos em nossa sociedade como a prostitui\u00e7\u00e3o e a pornografia. Devemos estar atentas aos projetos que prop\u00f5em a legaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o sob o falso argumento da garantia de mais direitos \u00e0 mulheres. Esses projetos at\u00e9 o momento n\u00e3o trazem nenhuma proposta que rompa com o ciclo de submiss\u00e3o das mulheres aos desejos masculinos, ao contr\u00e1rio mant\u00e9m a l\u00f3gica de transformar nossos corpos e sexualidade em mercadoria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No neoliberalismo, a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida passa por diversos setores e sua expans\u00e3o atinge o espa\u00e7o que antes era regulado pelo Estado, como a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguridade social, energia, \u00e1gua, alimenta\u00e7\u00e3o e a criatividade das pessoas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos tem seus efeitos nefastos especialmente sobre as mulheres. Na aus\u00eancia desses servi\u00e7os s\u00e3o as mulheres as principais respons\u00e1veis em garantir o bem- estar de todos: a socializa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, o cuidado com os doentes, a busca por alimentos. A preocupa\u00e7\u00e3o e garantia com o bem \u2013 estar das pessoas \u00e9 abandonado pelo Estado e o capital repassa para o espa\u00e7o privado essas tarefas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Diante do desemprego e da responsabilidade assumida com a fam\u00edlia, s\u00e3o oferecidas \u00e0s mulheres sa\u00eddas individuais e privadas como a procura por trabalhos prec\u00e1rios, sem garantias, informais e em domic\u00edlio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 no caminho oposto que n\u00f3s, cutistas e feministas, devemos reivindicar um mundo melhor para as mulheres: com servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, por moradia digna e trabalho decente. Seja na forma de cooperativas, sindicatos e movimentos sociais, devemos incluir mais mulheres para atuarem de forma participativa e coletiva.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nossos corpos n\u00e3o s\u00e3o uma mercadoria e n\u00f3s exigimos sermos tratadas como sujeitos com autonomia, que por meio de nossas pr\u00e1ticas e ocupando o espa\u00e7o p\u00fablico seguiremos em nossa luta cotidiana dizendo \u201cN\u00e3o\u201d ao livre mercado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Fonte: CUT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosane SilvaSecret\u00e1ria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT \u00a0 Aproveitamos o m\u00eas de mar\u00e7o para aprofundar nossas reflex\u00f5es e luta diante das desigualdades que nos atingem no dia a dia. 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