{"id":7276,"date":"2019-08-05T03:18:04","date_gmt":"2019-08-05T06:18:04","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mudancas-tecnologicas-reduzem-postos-de-trabalho-e-obrigam-trabalhadores-a-se-adequarem\/"},"modified":"2019-08-05T03:18:04","modified_gmt":"2019-08-05T06:18:04","slug":"mudancas-tecnologicas-reduzem-postos-de-trabalho-e-obrigam-trabalhadores-a-se-adequarem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mudancas-tecnologicas-reduzem-postos-de-trabalho-e-obrigam-trabalhadores-a-se-adequarem\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas reduzem postos de trabalho e obrigam trabalhadores a se adequarem"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-194680ec elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"194680ec\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>O economista e professor da Universidade Estadual de Campinas, Marcio Pochmann, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, abriu a primeira mesa de debates deste domingo (4) na 21\u00aa Confer\u00eancia Nacional dos Banc\u00e1rios, sobre \u201cfuturo do trabalho, impactos e organiza\u00e7\u00e3o sindical\u201d. Para ele, o capitalismo n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela concentra\u00e7\u00e3o de renda, redu\u00e7\u00e3o de empregos e aumento da desigualdade, como foi atribu\u00eddo durante o \u00faltimo For\u00fam Econ\u00f4mico Mundial. \u201cA desigualdade n\u00e3o \u00e9 uma responsabilidade do desenvolvimento capitalista, esta \u00e9 uma responsabilidade do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. Estamos diante de uma mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica muito profunda, que inclui redu\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho e obriga os trabalhadores a se adequarem aos postos existentes\u201d, disse o economista.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, de acordo com Pochmann, o mercado e a economia determinam se h\u00e1 ou n\u00e3o empregos.<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica est\u00e1 associada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de tempo de trabalho e \u00e9 preciso aten\u00e7\u00e3o \u00e0 disputa dos bens de produtividade. \u201cAs tecnologias nos possibilitam trabalhar de qualquer lugar e sem limite de jornada de trabalho. N\u00f3s estamos sendo mais explorados, tendo mais doen\u00e7as ocupacionais, porque h\u00e1 mais tempo de trabalho e menos ganho. O movimento sindical precisa se organizar para reduzir o hor\u00e1rio de trabalho e lutar pela tributa\u00e7\u00e3o dos ganhos por produtividade, que nos ajudaria a ampliar o fundo p\u00fablico e alterar a idade de ingresso das pessoas no mercado de trabalho\u201d, observou o economista.<\/p>\n<p>Pochmann fez um comparativo entre a idade que os trabalhadores da chamada \u201cclasse baixa\u201d e os da \u201cclasse alta\u201d entram no mercado de trabalho. \u201cO ideal seria que todos iniciassem a carreira aos 24 anos. Mas, sabemos, os filhos de rico n\u00e3o come\u00e7am a trabalhar antes de terminar a faculdade e estudar no exterior, por isso est\u00e3o mais preparados. J\u00e1 os pobres, come\u00e7am a trabalhar mais cedo e t\u00eam que trabalhar e estudar ao mesmo tempo, logo n\u00e3o conseguem competir com os mais preparados\u201d, observou.<\/p>\n<h3><strong>Luta contra a precariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Para Marcio Pochmann, \u00e9 fundamental que o movimento sindical tenha um olhar estrat\u00e9gico com maior qualifica\u00e7\u00e3o sobre o futuro e renove sua atua\u00e7\u00e3o sindical para lutar contra a precariza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e as desigualdades. \u201cOs sindicatos atuam de forma contempor\u00e2nea com a sociedade urbana e social, mas essa atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a realidade tecnol\u00f3gica. Os sindicatos representam apenas enquanto os trabalhadores est\u00e3o no local de trabalho. O que vemos hoje \u00e9 o ressurgimento de institui\u00e7\u00f5es totalizadoras, que re\u00fanem milhares de pessoas. Precisamos repensar a nossa forma de atua\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tenho d\u00favidas de que eventos como esse, que re\u00fanem banc\u00e1rios de todo o pa\u00eds, pode propor uma agenda de resultados que dialogue com esse novo mercado de trabalho\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em sua <a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/3-dr-eymard-conferencia-bancarios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">explana\u00e7\u00e3o<\/a>, o advogado Jos\u00e9 Eymard Loguercio, da LBS advogados, disse que os trabalhadores precisam se organizar para combater a ofensiva contra a organiza\u00e7\u00e3o sindical que o governo federal prepara para o segundo semestre. Ele se refere \u00e0 <a href=\"https:\/\/outline.com\/HeFag5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entrevista<\/a> do secret\u00e1rio de Trabalho do Minist\u00e9rio da Economia, Bruno Dalcolmo, publicada neste domingo (4), pelo jornal Folha de S. Paulo.<\/p>\n<p>Para Loguercio, essa ser\u00e1 mais uma etapa do projeto de desconstru\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora que come\u00e7ou com a Reforma Trabalhista. \u201cOs principais objetivos eram levar toda l\u00f3gica da rela\u00e7\u00e3o do trabalho para a rela\u00e7\u00e3o individual, criar novas formas de contratos de trabalho e liberar a organiza\u00e7\u00e3o produtiva.\u201d<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, a <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2019\/Mpv\/mpv881.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MP 881<\/a> transformou toda l\u00f3gica de interpreta\u00e7\u00e3o do direito. \u201cVamos passar a ler o direito pela l\u00f3gica de econ\u00f4mica de mercado\u201d, explicou o advogado. \u201cN\u00e3o bastasse a desregula\u00e7\u00e3o, a MP 881 ainda pode liberar o trabalho aos finais de semana, sem necessidade de contrata\u00e7\u00e3o coletiva para isso.\u201d<\/p>\n<p>Agora, tem essa nova amea\u00e7a, prometida neste domingo pelo secret\u00e1rio do governo. \u201cDo ponto de vista sindical, at\u00e9 ent\u00e3o, o ataque veio pelas formas de financiamento. Na reforma trabalhista e depois pela MP 873. Agora, o ataque vir\u00e1 de outras formas\u201d, acredita Loguercio.<\/p>\n<p>De acordo com ele, a mudan\u00e7a tem a ver com as novas formas do capital se organizar. \u201cAssim como j\u00e1 foi feita na ditadura militar, eles vendem a mudan\u00e7a como forma de modernizar as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas. O que se avizinha \u00e9 a troca da unicidade sindical por uma pluralidade sindical\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s defendemos a liberdade sindical, mas liberdade sindical n\u00e3o \u00e9 aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma s\u00e9rie garantias para organiza\u00e7\u00e3o sindical, como a liberdade de auto regular-se\u201d, elucidou Logu\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Como o sistema de pluralidade \u00e9 extremamente complexo \u2013 justifica o advogado \u2013 os crit\u00e9rios devem estar em lei, para garantir a a\u00e7\u00e3o sindical. \u201cOs pa\u00edses que passaram por mudan\u00e7as como a nossa, fizeram isso em per\u00edodos democr\u00e1ticos, em que foi poss\u00edvel negociar praticas sindicais. Se n\u00f3s estamos em \u00e9pocas como a nossa, vamos ter mais dificuldade, o que exige de todos n\u00f3s mais conhecimento da mat\u00e9ria, para disputar esse espa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o advogado, os pr\u00f3ximos meses v\u00e3o exigir muita unidade das centrais sindicais. \u201cA organiza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 fundamental para pensar na autonomia das entidades sindicais e enfrentar essa ideia neoliberal de que o sindicato serve para atrapalhar. N\u00f3s temos uma enorme tarefa, neste momento, que ser\u00e1 encarar um segundo semestre focado na defesa com ataques do governo, que tem como objetivo a desconstru\u00e7\u00e3o do movimento sindical.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Tecnologia banc\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n<p>Dados da <a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/tecnologia-bancaria-conferencia-nacional\/\">apresentados<\/a> pela economista Vivian Machado, do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), ao realizar uma exposi\u00e7\u00e3o sobre \u201cA Ind\u00fastria 4.0 nos bancos\u201d, mostram que os bancos investiram R$ 97,7 bilh\u00f5es em tecnologia desde 2014. \u201cS\u00f3 o governo investe mais em tecnologia do que os bancos. Tanto no Brasil quanto no mundo\u201d, destacou a economista.<\/p>\n<p>De acordo com pesquisa realizada pela Federa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Bancos (Febraban), as tecnologias que mais receberam investimentos em 2019 foram o BIG Data \/ Analitics (80%) e intelig\u00eancia artificial (73%). \u201cAs tecnologias de an\u00e1lise de dados e de atendimento aos clientes sem a intermedia\u00e7\u00e3o humana s\u00e3o as prioridades de investimentos pelos bancos na \u00e1rea de tecnologia\u201d, disse a economista.<\/p>\n<p>Com isso, tem crescido o volume de transa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias realizadas por meio tecnol\u00f3gico. As transa\u00e7\u00f5es por celulares de pagamento de conta, por exemplo, cresceram 80%. Os dados apontam que, no total, 40% das transa\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas por celular e 20% pela internet. Apenas 5% das transa\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas nas ag\u00eancias. \u201cE as transa\u00e7\u00f5es por meio tecnol\u00f3gico vem crescendo ano a ano. S\u00e3o transa\u00e7\u00f5es sem qualquer intermedia\u00e7\u00e3o humana. E os clientes pagam cada vez mais caro por servi\u00e7os que eles mesmos realizam\u201d, observou Vivian.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-273096 lazyloaded\" src=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/tecnologia-bancaria-conferencia-nacional-1.jpg?x98855\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" srcset=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/tecnologia-bancaria-conferencia-nacional-1.jpg 960w, https:\/\/contrafcut.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/tecnologia-bancaria-conferencia-nacional-1-307x230.jpg 307w, https:\/\/contrafcut.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/tecnologia-bancaria-conferencia-nacional-1-768x576.jpg 768w\" alt=\"\" data-lazy-srcset=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/tecnologia-bancaria-conferencia-nacional-1.jpg 960w, https:\/\/contrafcut.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/tecnologia-bancaria-conferencia-nacional-1-307x230.jpg 307w, https:\/\/contrafcut.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/tecnologia-bancaria-conferencia-nacional-1-768x576.jpg 768w\" data-lazy-sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" data-lazy-src=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/tecnologia-bancaria-conferencia-nacional-1.jpg?x98855\" data-was-processed=\"true\" \/><\/figure>\n<h3><strong>Fintechs<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo a economista do Dieese, o Brasil tem hoje 529 fintechs. S\u00e3o Paulo sozinho possui 58% delas. Somadas \u00e0s que est\u00e3o nos outros tr\u00eas estados da regi\u00e3o Sudeste, s\u00e3o 74,5%. Outras 17,9% est\u00e3o no Sul do pa\u00eds. Estas empresas possuem 28 mil trabalhadores.<\/p>\n<p> \u201cO movimento sindical brasileiro est\u00e1 preparado para esse novo contexto tecnol\u00f3gico? Como ser\u00e1 a representa\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o sindical para esses trabalhadores nos seus locais de trabalho?\u201d questionou a economista no final de sua explana\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Emprego e sindicalismo banc\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n<p>Coube ao tamb\u00e9m economista do Dieese, Gustavo Machado Caversan, falar sobre o <a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/apresentacao-emprego-conferencia-nacional-gustavo-dieese\/\">\u201cfuturo do emprego e do sindicalismo no segmento banc\u00e1rio\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>Caversan observou que hoje, existem 60 mil postos de trabalho a menos nos bancos do que existiam em 2012. \u201cIsso representa mais de 11% de redu\u00e7\u00e3o da categoria em um curto espa\u00e7o de tempo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Com base em informa\u00e7\u00f5es da Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (Rais), o economista do Dieese, disse que das cinco principais ocupa\u00e7\u00f5es nos bancos, em 2003, 20,4% dos postos de trabalho da categoria nos bancos privados era de caixa de banco. A segunda maior ocupa\u00e7\u00e3o era de escritur\u00e1rio, com 8,9% dos postos. Apenas um dos postos era na \u00e1rea ger\u00eancia, o terceiro, com 8,3% dos postos de trabalho. As outras duas eram chefes de servi\u00e7os banc\u00e1rios (7,1%) e de assistente administrativo (6,8%).<\/p>\n<p>Em 2017, esse quadro era totalmente diferente. Entre as cinco principais ocupa\u00e7\u00f5es, tr\u00eas eram na \u00e1rea de ger\u00eancia. Gerente de contas (16%), gerente administrativo (10%) e gerente de ag\u00eancia (5%). Os caixas eram apenas 13% e escritur\u00e1rios 4%.<\/p>\n<p>\u201cOu seja, a maior queda foi nas ocupa\u00e7\u00f5es da base da pir\u00e2mide: escritur\u00e1rios e caixas. Temos que estar atentos, pois tem sobrado apenas trabalhadores com os quais temos dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os dados do mercado de trabalho no ramo financeiro mostram os banc\u00e1rios tem perdido peso. \u201cMas, trabalhadores que n\u00e3o s\u00e3o representados pelos nossos sindicatos, fazem parte do quadro de funcion\u00e1rios dos bancos\u201d, observou.<\/p>\n<p>Caversan disse que dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) mostram que tem ca\u00eddo a taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o no mercado financeiro. \u201cO n\u00famero de associados dos sindicatos tem se mantido, mas o emprego tem crescido entre trabalhadores n\u00e3o representados pelos sindicatos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos ter em mente que n\u00facleo duro de trabalhadores que representamos que no qual h\u00e1 a maior taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 se reduzindo e que um novo grupo, n\u00e3o representado pelos nossos sindicatos, que est\u00e1 crescendo. Diante disso, o que acontecer\u00e1 com o n\u00famero de s\u00f3cios e com a taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o? O que acontecer\u00e1 com o perfil dos s\u00f3cios? Como fica o poder de barganha nas campanhas salariais? Qual a efetividade dos instrumentos de luta como greves e paralisa\u00e7\u00f5es? Qual a capacidade de o sindicato se manter relevante enquanto ator social, n\u00e3o s\u00f3 nas lutas da categoria, mas nas lutas pol\u00edticas mais gerais?\u201d, concluiu Caversan.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <strong>Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O economista e professor da Universidade Estadual de Campinas, Marcio Pochmann, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, abriu a primeira mesa de debates deste domingo (4) na 21\u00aa Confer\u00eancia Nacional dos Banc\u00e1rios, sobre \u201cfuturo do trabalho, impactos e organiza\u00e7\u00e3o sindical\u201d. 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