{"id":5843,"date":"2019-01-03T15:23:57","date_gmt":"2019-01-03T17:23:57","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/um-em-cada-dois-negros-esta-no-mercado-informal-e-vai-piorar\/"},"modified":"2019-01-03T15:23:57","modified_gmt":"2019-01-03T17:23:57","slug":"um-em-cada-dois-negros-esta-no-mercado-informal-e-vai-piorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/um-em-cada-dois-negros-esta-no-mercado-informal-e-vai-piorar\/","title":{"rendered":"Um em cada dois negros est\u00e1 no mercado informal. E vai piorar"},"content":{"rendered":"<p>A crise no\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/economia\/IBGE-desemprego-medio-2017-atinge-127-o-maior-desde-2012\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mercado de trabalho<\/a>, exposta pelo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), revela que os arrochos feitos ao trabalhador nos \u00faltimos anos pioraram especialmente a vida de segmentos da sociedade que na \u00faltima d\u00e9cada haviam conquistado mais espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Quase metade (46,9%) da popula\u00e7\u00e3o preta ou parda est\u00e1 na informalidade. O percentual entre brancos \u00e9 33,7%.\u00a0Um trabalhador branco recebeu, em m\u00e9dia, 72,5% a mais do que um profissional preto ou pardo em 2017. Enquanto uma pessoa branca teve rendimento m\u00e9dio de R$ 2.615 no ano passado, um negro (soma da popula\u00e7\u00e3o preta e parda) recebeu R$ 1.516.<\/p>\n<p>\u201cAo longo da d\u00e9cada tivemos uma melhora para a popula\u00e7\u00e3o negra e para as mulheres de forma geral. De 2012 a 2014 eles tiveram conquistas importantes, e agora eles se reposicionam ao lugar onde estavam antes, e que \u00e9 feito da estrutura hist\u00f3rica das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida no Brasil, calcado no racismo e no machismo\u201d, explica a pesquisadora do\u00a0Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (DIEESE), Lucia Garcia.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/><em><strong><a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/diversidade\/diversidade-e-ter-na-empresa-a-representatividade-da-demografia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u2018Diversidade \u00e9 ter na empresa a representatividade da demografia\u2019<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>No total,\u00a0O Brasil perdeu\u00a0 mais de 2,3 milh\u00f5es de postos de trabalho formal em dois anos. Os dados analisados fazem refer\u00eancia at\u00e9 dezembro de 2017.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento, o Pa\u00eds encerrou 2017 com 54,2 milh\u00f5es de trabalhadores formais. Em 2015, eram 56,5 milh\u00f5es. J\u00e1 o trabalho informal aumentou em 1,2 milh\u00e3o.\u00a0Em 2015, havia no Brasil 36,1 milh\u00f5es de trabalhadores informais. Esse n\u00famero chegou a 37,3 milh\u00f5es em 2017<\/p>\n<p>O IBGE considera como trabalho formal aquele com carteira de trabalho assinada, inclusive do empregado dom\u00e9stico, assim como o trabalhador por conta pr\u00f3pria e o empregador que sejam contribuintes da\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/blogs\/brasil-debate\/5-medidas-mais-eficazes-para-a-saude-da-previdencia-do-que-a-reforma\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">previd\u00eancia social<\/a>.<\/p>\n<p>J\u00e1 o trabalho informal engloba os trabalhadores, incluindo os dom\u00e9sticos, que n\u00e3o possuem carteira assinada, bem como trabalhador por conta pr\u00f3pria e empregador que n\u00e3o contribuem com a previd\u00eancia, al\u00e9m do\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/mulheres-dedicam-o-dobro-de-horas-a-afazeres-domesticos-que-os-homens\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">trabalhador familiar auxiliar<\/a>, composto majoritariamente por mulheres.<\/p>\n<p>Conforme o levantamento, em 2015, 61% dos trabalhadores ocupados no Pa\u00eds estavam em postos formais. Em 2017, esse percentual caiu para 59,2%. J\u00e1 o trabalho informal saltou de 39% para 40,8% no mesmo per\u00edodo, o que representa 2 em cada 5 trabalhadores do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise por sexo, o IBGE destacou que \u201ca propor\u00e7\u00e3o de homens e mulheres em trabalhos formais e informais \u00e9 semelhante\u201d, embora varie de acordo com a categoria de ocupa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Entre os trabalhadores informais os homens s\u00e3o maioria quando considerados somente os empregados sem carteira assinada e os trabalhadores por conta pr\u00f3pria. J\u00e1 as mulheres s\u00e3o maioria entre os trabalhadores familiares auxiliares \u201ce comp\u00f5em quase que integralmente o trabalho dom\u00e9stico sem carteira\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA crise elimina empregos no centro econ\u00f4mico industrial e puxa toda a diminui\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, e que se manifesta atrav\u00e9s da renda, na queda da massa salarial, e por consequ\u00eancia afeta o setor de servi\u00e7os e com\u00e9rcio. O homem branco \u00e9 o primeiro a ser afetado, porque ela j\u00e1 est\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es, e ele puxa todo o resto para baixo\u201d, afirma a especialista.<\/p>\n<p><em><strong>\u27a4\u00a0Leia tamb\u00e9m:\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/economia\/a-reinvencao-dos-sindicatos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A reinven\u00e7\u00e3o dos sindicatos<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<h3><strong>Regi\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>Regionalmente, a informalidade estava mais presente nas Regi\u00f5es Norte e Nordeste, onde os trabalhadores informais representavam, respectivamente, 59,5% e 56,2% da popula\u00e7\u00e3o ocupada.\u00a0<\/p>\n<p>Sudeste e Sul tinham a menor propor\u00e7\u00e3o de informalidade, 33,8% e 29,1%, respectivamente. No Centro-Oeste, os informais representavam 39,1% dos trabalhadores informais.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o IBGE, as atividades que mais concentram o trabalho informal s\u00e3o as de servi\u00e7os dom\u00e9sticos e agropecu\u00e1ria. Nestas duas atividades, mais de 2\/3 do pessoal ocupado era informal.<\/p>\n<h3><strong>Sal\u00e1rios\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>O IBGE mostrou que a diferen\u00e7a entre os sal\u00e1rios pagos ao trabalhador com carteira assinada \u00e9, na m\u00e9dia nacional, 76% maior que daquele que n\u00e3o tem registro formal.<\/p>\n<p>O rendimento m\u00e9dio mensal do trabalhador brasileiro em 2017 foi de R$ 2.039. Para o empregado com carteira assinada, o sal\u00e1rio m\u00e9dio era de R$ 2.038, enquanto para o sem carteira foi de R$ 1.158<\/p>\n<p>A pesquisadora afirma que os dados do IBGE demonstram uma acentuada\u00a0deteriora\u00e7\u00e3o\u00a0das condi\u00e7\u00f5es de trabalho em rela\u00e7\u00e3o a 2014 \u2013 momento em que a crise se abate sobre as estruturas de trabalho e rendimento -, mas que n\u00e3o capta como a perda de direitos est\u00e1 afetando a vida do trabalhador.<\/p>\n<p>\u201cDe 2012 a 2014 n\u00f3s tivemos uma melhoria do mercado de trabalho e do quadro social nacional, e a partir 2014 uma piora bastante consider\u00e1vel. A tendencia dos dados futuros do instituto \u00e9 de piora ainda mais acentuada, pois os efeitos da\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/blogs\/brasil-debate\/livro-mostra-a-perversidade-da-reforma-trabalhista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Reforma Trabalhista<\/a>\u00a0e da terceiriza\u00e7\u00e3o irrestrita estar\u00e3o neles\u201d, assegura Lucia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"rp-de-texto\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Fonte: Carta Capital<\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise no\u00a0mercado de trabalho, exposta pelo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), revela que os arrochos feitos ao trabalhador nos \u00faltimos anos pioraram especialmente a vida de segmentos da sociedade que na \u00faltima d\u00e9cada haviam conquistado mais espa\u00e7o. 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