{"id":4963,"date":"2018-08-03T16:59:25","date_gmt":"2018-08-03T19:59:25","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/crise-economica-e-politicas-de-austeridade-tem-efeitos-perversos-para-mulheres\/"},"modified":"2018-08-03T16:59:25","modified_gmt":"2018-08-03T19:59:25","slug":"crise-economica-e-politicas-de-austeridade-tem-efeitos-perversos-para-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/crise-economica-e-politicas-de-austeridade-tem-efeitos-perversos-para-mulheres\/","title":{"rendered":"Crise econ\u00f4mica e pol\u00edticas de austeridade t\u00eam efeitos perversos para mulheres"},"content":{"rendered":"<div class=\"content\">\n<p>As pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o no Brasil em pouco mais de uma d\u00e9cada promoveram mudan\u00e7as significativas na realidade da popula\u00e7\u00e3o brasileira. A vida de mulheres e homens em situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o quanto ao acesso a bens e servi\u00e7os no pa\u00eds melhorou. Mas, na contram\u00e3o desses avan\u00e7os, as pol\u00edticas de austeridade fiscal implementadas a partir de um novo contexto pol\u00edtico alteraram a condi\u00e7\u00e3o de vida do povo brasileiro, impactando de forma mais perversa as mulheres \u2013 especialmente as negras.<\/p>\n<p>Esta foi a avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora e doutora em Economia, Marilane Teixeira, nesta quinta-feira (2), durante o Encontro de Mulheres Sindicalistas, organizado pela Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT S\u00e3o Paulo, no centro da capital paulista. Na ocasi\u00e3o, ela lan\u00e7ou o livro \u201cEconomia Para Poucos: impactos sociais da austeridade e alternativas para o Brasil\u201d, da editora Autonomia Liter\u00e1ria, organizado por Pedro Rossi, Esther Dweck e Ana Lu\u00edza, no qual \u00e9 uma das autoras.<\/p>\n<p>\u201cQuando se compara o or\u00e7amento p\u00fablico de 2014 ao de 2018, percebemos que algumas pol\u00edticas praticamente desapareceram. No caso das pol\u00edticas para as mulheres houve uma queda de mais 80%, em a\u00e7\u00f5es que envolvem, por exemplo, o combate \u00e0 viol\u00eancia, que \u00e9 uma pol\u00edtica importante e que costuma ter resultados efetivos\u201d, afirma a economista.<\/p>\n<p>As decis\u00f5es governamentais atingem tanto mulheres urbanas como mulheres rurais. \u201cO or\u00e7amento do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio despencou de R$ 9 bilh\u00f5es para R$ 1 bilh\u00e3o. Al\u00e9m disso, os recursos para as pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o infantil, que envolvem tamb\u00e9m as creches, foram reduzidos em 17% com rela\u00e7\u00e3o ao que era destinado para esta \u00e1rea em 2014\u201d.<\/p>\n<p>Diante disso, o cen\u00e1rio \u00e9 de terra arrasada, avalia Marilane. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso, observa, ter maior aten\u00e7\u00e3o na retomada da atividade econ\u00f4mica daqui alguns anos no Brasil. \u201cEm algum momento isso ir\u00e1 acontecer. E o aumento de receita que adv\u00e9m justamente da amplia\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria em decorr\u00eancia do crescimento econ\u00f4mico acabar\u00e1 sendo gasto para as despesas da d\u00edvida p\u00fablica. E n\u00e3o se poder\u00e1 usar nem um centavo deste dinheiro para as pol\u00edticas sociais\u201d, diz.<\/p>\n<p>A nova regra fiscal, explica, imp\u00f5e a redu\u00e7\u00e3o do tamanho do gasto do governo central na economia, que pode passar de 19,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 para 12,4% em 2037. \u201cSe formos por este caminho, estaremos entre os pa\u00edses do mundo que menos investe em pol\u00edticas sociais. Isso inviabiliza qualquer plano de consolida\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do acesso a direitos sociais, al\u00e9m comprometer os investimentos e o pr\u00f3prio funcionamento da m\u00e1quina p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>A economista defende que o papel do Estado seja refor\u00e7ado e o do mercado seja reduzido. Para ela, abrir m\u00e3o do papel do Estado significa ampliar as desigualdades de classe, ra\u00e7a e g\u00eanero. \u201cSe os cortes nas pol\u00edticas sociais continuarem acontecendo, num contexto de economia em crescimento, o cen\u00e1rio de mis\u00e9ria, de pobreza e de desigualdades ir\u00e1 piorar, principalmente para as mulheres negras que s\u00e3o as mais afetadas j\u00e1 que figuram entre os que t\u00eam o menor n\u00edvel de emprego e est\u00e3o entre as maiores taxas de desemprego em nossa economia\u201d.<\/p>\n<p>Para Marilane, o Brasil sair\u00e1 deste cen\u00e1rio de retrocessos se algumas medidas foram tomadas, como a revoga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional (EC) 95, medida adotada pelo governo ileg\u00edtimo de Michel Temer (MDB) que limita investimentos p\u00fablicos por 20 anos no Brasil. \u201cPrecisamos, ao contr\u00e1rio, de uma pol\u00edtica de eleva\u00e7\u00e3o dos gastos sociais para ampliar os investimentos p\u00fablicos e retomar a atividade econ\u00f4mica\u201d, aponta a economista, que, ao falar sobre o cen\u00e1rio de elei\u00e7\u00f5es, defende tamb\u00e9m a mudan\u00e7a imediata do governo e de parlamentares que apoiaram n\u00e3o apenas a EC 95, como a reforma trabalhista e outras retiradas de direitos.<\/p>\n<p><strong>Interc\u00e2mbio no Jap\u00e3o<\/strong><br \/> Em outro momento do encontro, a secret\u00e1ria de Comunica\u00e7\u00e3o da CUT S\u00e3o Paulo, Adriana Magalh\u00e3es, apresentou os resultados de sua experi\u00eancia no Jap\u00e3o, em interc\u00e2mbio envolvendo o Brasil e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina entre os dias 13 e 20 de julho.<\/p>\n<p>Um dos aspectos relacionados ao mundo do trabalho que ela abordou foi a realidade das trabalhadoras japonesas. Em 2016, o Jap\u00e3o tinha 28,8 milh\u00f5es de mulheres trabalhando, o equivalente a 44,3% da popula\u00e7\u00e3o feminina, segundo dados divulgados pelo governo japon\u00eas em novembro de 2017. Por\u00e9m, essas trabalhadoras, da mesma forma que no Brasil, n\u00e3o est\u00e3o em sua maioria nos espa\u00e7os de poder.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a dirigente relatou que uma das situa\u00e7\u00f5es que hoje preocupa o movimento sindical japon\u00eas \u00e9 o n\u00famero de trabalhadores n\u00e3o regulares. Dados do Minist\u00e9rio dos Assuntos Gerais do Jap\u00e3o, de 2016, mostram que existem 20,2 milh\u00f5es de trabalhadores nesta situa\u00e7\u00e3o, ocupando 37,5% do total de trabalhadores formais. As mulheres representam 13,7 milh\u00f5es neste universo de trabalho informal.<\/p>\n<p>\u201cApesar de o Brasil e o Jap\u00e3o terem uma cultura e hist\u00f3ria diferentes, temos lutas em comum em defesa da classe trabalhadora. Neste interc\u00e2mbio, n\u00e3o trocamos apenas experi\u00eancias com o movimento sindical do Jap\u00e3o, mas sa\u00edmos mais fortalecidos para nossa luta no Brasil neste cen\u00e1rio perverso de golpe\u201d, conclui a dirigente.<\/p>\n<\/div>\n<p id=\"page-author\"><strong>Fonte: CUT-SP<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o no Brasil em pouco mais de uma d\u00e9cada promoveram mudan\u00e7as significativas na realidade da popula\u00e7\u00e3o brasileira. A vida de mulheres e homens em situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o quanto ao acesso a bens e servi\u00e7os no pa\u00eds melhorou. 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