{"id":4831,"date":"2018-07-18T14:04:42","date_gmt":"2018-07-18T17:04:42","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/icone-da-luta-pela-liberdade-mandela-inspira-jovens-africanos\/"},"modified":"2018-07-18T14:04:42","modified_gmt":"2018-07-18T17:04:42","slug":"icone-da-luta-pela-liberdade-mandela-inspira-jovens-africanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/icone-da-luta-pela-liberdade-mandela-inspira-jovens-africanos\/","title":{"rendered":"\u00cdcone da luta pela liberdade, Mandela inspira jovens africanos"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Ludger Schadomsky e Philipp Sandner<\/em><\/p>\n<p>&#8220;<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/cartacapital.com.br\/revista\/779\/nelson-mandela-de-corpo-inteiro-8130.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Falar do Mandela \u00e9 falar de luta. \u00c9 falar de uma causa<\/a>&#8220;, diz o rapper, estudante e ativista mo\u00e7ambicano Andr\u00e9 Cardoso, de 22 anos. Ele \u00e9 um dos 15 jovens africanos que contaram a correspondentes da DW em todo o continente como Mandela os inspirou. &#8220;\u00c9 ser contra a opress\u00e3o e ser contra o medo&#8221;, define.<\/p>\n<p>Nelson Rolihlahla Dalibhunga Mandela nasceu no dia 18 de julho de 1918. Quando seu pai o batizou de Rolihlahla\u00a0provavelmente n\u00e3o desconfiava do quanto o filho honraria o nome. Na l\u00edngua do povo xhosa (seu pai era chefe da tribo Thembu), Rolihlahla\u00a0quer dizer &#8220;aquele que quebra galhos&#8221;, ou, em tradu\u00e7\u00e3o mais livre, &#8220;encrenqueiro&#8221;, &#8220;causador de problemas&#8221;. Talvez tenha sido um pressentimento adiantado de sua capacidade de instigar mudan\u00e7as.\u00a0<\/p>\n<p>Madiba, o nome de cl\u00e3 adotado por todo o povo sul-africano para se referir a ele, causou v\u00e1rios problemas ao regime do pa\u00eds. Em 1944, ele se filiou ao Congresso Nacional Africano (ANC). Em 1948, o Partido Nacional da \u00c1frica do Sul ganhou as elei\u00e7\u00f5es e institucionalizou o racismo no pa\u00eds. Quatro anos mais tarde, Mandela, que tinha feito algum sucesso como assistente jur\u00eddico num escrit\u00f3rio de advocacia judeu, criou o primeiro gabinete administrado por negros em Johannesburgo.<\/p>\n<p><em><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/em><br \/><em><strong><a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/cartacapital.com.br\/revista\/779\/nelson-mandela-de-corpo-inteiro-8130.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nelson Mandela de corpo inteiro<\/a><\/strong><\/em><br \/><em><strong><a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/cartacapital.com.br\/internacional\/veja-imagens-da-vida-de-mandela-232.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Veja imagens da vida de Mandela<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>Essa foi a \u00e9poca dos protestos de massa e campanhas de desobedi\u00eancia civil do ANC contra o apartheid, nos quais Mandela desempenhou papel central.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o do ANC em 1961, ele fundou com outros pugilistas amadores a ala militante\u00a0<em>Umkhonto we Sizwe<\/em>\u00a0(Lan\u00e7a da Na\u00e7\u00e3o) e, na qualidade de comandante da organiza\u00e7\u00e3o clandestina, ordenou opera\u00e7\u00f5es de guerrilha contra institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. No ano seguinte, viajou secretamente para o exterior, a fim de angariar apoio financeiro para a forma\u00e7\u00e3o dos quadros do ANC. Ao retornar, foi preso e mais tarde condenado no processo diante do tribunal de Rivonia.<\/p>\n<p><strong>Ideal de uma sociedade livre e democr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Os procuradores pediram a senten\u00e7a de morte. Mandela considerou uma fuga, assim como v\u00e1rios de seus coacusados, mas, no final, decidiu ficar na \u00c1frica do Sul. O famoso discurso que pronunciou em sua pr\u00f3pria defesa terminou numa forte declara\u00e7\u00e3o: &#8220;Eu lutei contra a domina\u00e7\u00e3o branca e eu lutei contra a domina\u00e7\u00e3o negra. Eu acalentei a ideia de uma sociedade democr\u00e1tica e livre em que todos vivam juntos em harmonia e com oportunidades iguais. \u00c9 um ideal para o qual eu espero viver e que espero alcan\u00e7ar. Mas, se for necess\u00e1rio, \u00e9 um ideal pelo qual eu estou disposto a morrer.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ele era um homem de princ\u00edpios, um homem que cumpria sua palavra&#8221;, constata o jornalista zimbabueano Mlondolozi Ndlovu, de 30 anos, ao\u00a0falar\u00a0do homem que, mais tarde, como o primeiro presidente negro da \u00c1frica do Sul, incorporaria o respeito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra e branca na mesma medida.<\/p>\n<p>Mandela foi condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua. Cumpriu 17 anos de sua senten\u00e7a na Ilha de Robben (Robben Island), a cerca de 11 km da capital legislativa sul-africana, a Cidade do Cabo. Hoje, a cela n\u00famero 5 da ilha, Patrim\u00f4nio da Humanidade da Unesco, \u00e9 um dos pontos tur\u00edsticos mais visitados na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Em 1988, Mandela come\u00e7ou a ser preparado para a liberta\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas anos antes, ele recusara um perd\u00e3o da pena em troca do abandono da viol\u00eancia por parte do ANC. Seguiram-se negocia\u00e7\u00f5es secretas com as autoridades, e em 11 de fevereiro de 1990, ap\u00f3s 27 anos de pris\u00e3o, Nelson Mandela, o \u00edcone da liberdade sul-africana, foi libertado.<\/p>\n<p>Sua vontade de protagonizar mudan\u00e7as sempre foi acompanhada de grande humildade. Suas primeiras palavras pronunciadas em p\u00fablico foram, novamente, uma confiss\u00e3o: &#8220;Estou aqui diante de voc\u00eas n\u00e3o como um profeta, mas como um servo do povo&#8221;.<\/p>\n<p>Essa postura inspirou David Noah, estudante de jornalismo da G\u00e2mbia. &#8220;Acredito que, como indiv\u00edduo, sempre dever\u00edamos ter essa atitude altru\u00edsta dentro de n\u00f3s mesmos. Dever\u00edamos nos sacrificar pelos outros, fazer as coisas acontecer por outras pessoas \u2013 e n\u00e3o sempre ser ego\u00edstas e dizer &#8216;sou somente eu, eu, eu&#8217;. Novamente: o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo por outras pessoas para garantir que as vidas de outras pessoas melhorem e para colocar um sorriso na cara dos outros?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sua liberta\u00e7\u00e3o, Mandela pressionou pelo fim da segrega\u00e7\u00e3o racial, o que levaria \u00e0s primeiras elei\u00e7\u00f5es livres de seu pa\u00eds, em abril de 1994. Em 10 de maio daquele ano, ele foi empossado, como primeiro negro, presidente da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned\">\n<dt><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" lazyloaded\" title=\"dw 1.jpg\" src=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/cultura\/icone-da-luta-pela-liberdade-mandela-inspira-jovens-africanos\/dw%201.jpg\/image\" alt=\"dw 1.jpg\" width=\"1200\" height=\"800\" data-src=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/cultura\/icone-da-luta-pela-liberdade-mandela-inspira-jovens-africanos\/dw%201.jpg\/image\" \/><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Mural mostra Nelson Mandela pr\u00f3ximo \u00e0 sua antiga casa no bairro de Alexandra, em Johannesburgo (A.Joe\/Picture Alliance)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>A partir da\u00ed, concentrou-se sobretudo na reconcilia\u00e7\u00e3o entre as ra\u00e7as. Juntamente com o arcebispo Desmond Tutu, da Cidade do Cabo, impulsionou a revis\u00e3o dos crimes do apartheid na Comiss\u00e3o da Verdade e da Reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s encerrar o mandato presidencial e despedir-se da pol\u00edtica ativa, em 1999, Madiba\u00a0dedicou-se \u00e0s fun\u00e7\u00f5es sociais de sua funda\u00e7\u00e3o. O trabalho \u00e9 voltado principalmente \u00e0s crian\u00e7as especiais e aos portadores de aids. &#8220;Os sul-africanos travaram uma nobre luta contra o apartheid. Hoje\u00a0est\u00e3o diante de uma amea\u00e7a muito maior&#8221;, declarou Mandela, cujo segundo filho, Makgatho, morreu da doen\u00e7a em 2005.<\/p>\n<p>Entre todos os louros que colheu na carreira pol\u00edtica, Mandela sabia que n\u00e3o era perfeito, chegando a admitir que n\u00e3o tinha feito o suficiente para impedir a epidemia de aids de se alastrar durante seu governo.<\/p>\n<p><em><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/cartacapital.com.br\/internacional\/a-razao-de-mandela-ter-entrado-para-a-historia-5406.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A raz\u00e3o de Mandela ter entrado para a hist\u00f3ria<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Valores claros<\/strong><\/p>\n<p>O fracasso na luta contra a pobreza na \u00c1frica do Sul tamb\u00e9m mancha o legado de Mandela. Jovens sul-africanos, como Ghamolelo Thobile Masweu, de 17 anos, o culpam por n\u00e3o ter feito o suficiente para acabar com a injusti\u00e7a social e a desigualdade no pa\u00eds. &#8220;N\u00e3o foi nada satisfat\u00f3rio para n\u00f3s, o povo pelo qual ele declarou lutar&#8221;, avalia Masweu.<\/p>\n<p>Mas, apesar das cr\u00edticas, muitos o admiram como um homem fiel aos pr\u00f3prios valores. &#8220;Sua imparcialidade, seu combate por direitos iguais e justi\u00e7a s\u00e3o fundamentais para mim e s\u00e3o um guia para a minha vis\u00e3o de mundo&#8221;, diz Pamela Getcheu, de 33 anos, dos Camar\u00f5es. &#8220;A associa\u00e7\u00e3o Coeur d&#8217;Enfance\u00a0(Cora\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia), que eu cofundei, \u00e9 o meu jeito de n\u00e3o ignorar as desigualdades na nossa sociedade, mas de lutar pelos direitos das crian\u00e7as&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Mandela passou os \u00faltimos anos de sua vida longe da vida p\u00fablica em seu povoado natal, Qunu, dedicando mais tempo \u00e0 fam\u00edlia. Quando faleceu, no dia 5 de dezembro de 2013, l\u00edderes pol\u00edticos africanos e mundiais expressaram seu luto. Mas muitos jovens sul-africanos destacam que a lideran\u00e7a de Mandela era especial e que os encarregados do poder no continente hoje em dia est\u00e3o longe de alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>&#8220;Mandela representa um desafio para a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de l\u00edderes africanos: eles deveriam concentrar todos os seus esfor\u00e7os no povo&#8221;, diz a empreendedora e ex-Miss Lib\u00e9ria, Patrice Juah. J\u00e1 o queniano Don Adrian Ingutia, de 26 anos, de Nair\u00f3bi, acredita: &#8220;Se nossos l\u00edderes africanos fossem como Mandela, a \u00c1frica poderia mudar&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>FONTE: Carta Capital<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Ludger Schadomsky e Philipp Sandner &#8220;Falar do Mandela \u00e9 falar de luta. \u00c9 falar de uma causa&#8220;, diz o rapper, estudante e ativista mo\u00e7ambicano Andr\u00e9 Cardoso, de 22 anos. 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