{"id":4501,"date":"2018-06-05T17:44:22","date_gmt":"2018-06-05T20:44:22","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/no-brasil-71-5-das-vitimas-de-assassinato-por-ano-sao-pretos-ou-pardos\/"},"modified":"2018-06-05T17:44:22","modified_gmt":"2018-06-05T20:44:22","slug":"no-brasil-71-5-das-vitimas-de-assassinato-por-ano-sao-pretos-ou-pardos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/no-brasil-71-5-das-vitimas-de-assassinato-por-ano-sao-pretos-ou-pardos\/","title":{"rendered":"No Brasil, 71,5% das v\u00edtimas de assassinato por ano s\u00e3o pretos ou pardos"},"content":{"rendered":"<p>Negros e brancos no Brasil vivem em realidades distintas no que se refere \u00e0 viol\u00eancia. Em 2016, a taxa de homic\u00eddios de negros foi de 40,2 por 100 mil habitantes, duas vezes e meia maior \u00e0 de n\u00e3o negros, que ficou em 16. Quando se analisa o per\u00edodo entre 2006 e 2016, enquanto a taxa de homic\u00eddios de negros aumentou 23,1%, a de brancos diminuiu 6,8%. Na pr\u00e1tica, 71,5% dos brasileiros assassinados por ano s\u00e3o pretos ou pardos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como se, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia letal, negros e n\u00e3o negros vivessem em pa\u00edses completamente distintos\u201d, diz trecho do\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/images\/stories\/PDFs\/relatorio_institucional\/180604_atlas_da_violencia_2018.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Atlas da Viol\u00eancia 2018<\/a>, lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (5) no Rio de Janeiro, pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP).<\/p>\n<p>O estado de Alagoas \u00e9 o exemplo perfeito da disparidade em que vivem negros e brancos no Brasil. Ao mesmo tempo em que teve a terceira maior taxa de homic\u00eddios de negros, com 69,7 por cem mil habitantes, Alagoas apresentou tamb\u00e9m a menor taxa de homic\u00eddios de n\u00e3o negros, com 4,1. Para os analistas do Atlas, \u201c\u00e9 como se os n\u00e3o negros alagoanos vivessem nos Estados Unidos, que em 2016 registrou uma taxa de 5,3 homic\u00eddios para cada 100 mil habitantes, e os negros alagoanos vivessem em El Salvador, cuja taxa de homic\u00eddios alcan\u00e7ou 60,1 por 100 mil habitantes em 2017\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Alagoas, outros seis estados registraram taxas de homic\u00eddios de brancos de apenas um d\u00edgito \u2013 exce\u00e7\u00e3o num pa\u00eds que, em 2016, teve a taxa de 30,3 homic\u00eddios para cada 100 mil habitantes. S\u00e3o eles: Para\u00edba (5,8), Piau\u00ed (7,0), Amap\u00e1 (7,8), Cear\u00e1 (8,3), S\u00e3o Paulo (9,1) e Esp\u00edrito Santo (9,3).<\/p>\n<p>Quando o recorte da pesquisa \u00e9 por g\u00eanero, a desigualdade se mant\u00e9m: a taxa de homic\u00eddios de mulheres negras foi 71% superior \u00e0 de mulheres n\u00e3o negras.<\/p>\n<p>Apesar do abismo na exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia entre brancos e negros em Alagoas, as maiores taxas de homic\u00eddios de negros, no Brasil, est\u00e3o em outros dois estados nordestinos: Sergipe, com 79 por 100 mil; e Rio Grande do Norte, com 70,5. Em sentido oposto, as menores taxas de assassinatos de negros no pa\u00eds est\u00e3o em Santa Catarina (22,4), Paran\u00e1 (19) e S\u00e3o Paulo (13,5), os tr\u00eas estados do pa\u00eds com maior porcentagem de popula\u00e7\u00e3o branca,\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lista_de_unidades_federativas_do_Brasil_por_porcentagem_de_ra%C3%A7a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">segundo o IBGE<\/a>. O Paran\u00e1, inclusive, \u00e9 o \u00fanico estado do Brasil onde a taxa de homic\u00eddio de brancos \u00e9 superior \u00e0 de negros: 30,6 por 100 mil habitantes e 19, respectivamente.<\/p>\n<p>\u201cA conclus\u00e3o \u00e9 que a desigualdade racial no Brasil se expressa de modo cristalino no que se refere \u00e0 viol\u00eancia letal e \u00e0s pol\u00edticas de seguran\u00e7a. Os negros, especialmente os homens jovens negros, s\u00e3o o perfil mais frequente do homic\u00eddio no Brasil, sendo muito mais vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia do que os jovens n\u00e3o negros. Por sua vez, os negros s\u00e3o tamb\u00e9m as principais v\u00edtimas da a\u00e7\u00e3o letal das pol\u00edcias e o perfil predominante da popula\u00e7\u00e3o prisional do Brasil. Para que possamos reduzir a viol\u00eancia letal no pa\u00eds, \u00e9 necess\u00e1rio que esses dados sejam levados em considera\u00e7\u00e3o e alvo de profunda reflex\u00e3o. \u00c9 com base em evid\u00eancias como essas que pol\u00edticas eficientes de preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia devem ser desenhadas e focalizadas, garantindo o efetivo direito \u00e0 vida e \u00e0 seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil\u201d, destaca o Atlas da Viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao todo, o Brasil registrou em 2016 a marca hist\u00f3rica de 62.517 homic\u00eddios, de acordo com informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Essa quantidade representa uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes \u2013 30 vezes superior \u00e0 taxa da Europa. De acordo com o estudo divulgado, 553 mil pessoas foram assassinadas no Brasil nos \u00faltimos 10 anos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>FONTE: Rede Brasil Atual<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Negros e brancos no Brasil vivem em realidades distintas no que se refere \u00e0 viol\u00eancia. Em 2016, a taxa de homic\u00eddios de negros foi de 40,2 por 100 mil habitantes, duas vezes e meia maior \u00e0 de n\u00e3o negros, que ficou em 16. 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