{"id":4247,"date":"2018-04-25T16:01:38","date_gmt":"2018-04-25T19:01:38","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/dieese-pais-precisa-de-mudanca-radical-para-estimular-crescimento\/"},"modified":"2018-04-25T16:01:38","modified_gmt":"2018-04-25T19:01:38","slug":"dieese-pais-precisa-de-mudanca-radical-para-estimular-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/dieese-pais-precisa-de-mudanca-radical-para-estimular-crescimento\/","title":{"rendered":"Dieese: pa\u00eds precisa de &#8216;mudan\u00e7a radical&#8217; para estimular crescimento"},"content":{"rendered":"<div class=\"content\">\n<p>Para o Dieese, apenas uma &#8220;mudan\u00e7a radical da atual pol\u00edtica econ\u00f4mica&#8221; seria capaz de criar um ambiente de crescimento, al\u00e9m de fazer com que os bancos p\u00fablicos voltassem a atuar como financiadores de setores e projetos estrat\u00e9gicos, &#8220;para retomar uma din\u00e2mica de amplia\u00e7\u00e3o da demanda agregada da economia&#8221;. A an\u00e1lise consta de nota t\u00e9cnica do instituto, que em manifesta\u00e7\u00f5es anteriores j\u00e1 destacava a import\u00e2ncia do cr\u00e9dito para o pa\u00eds no per\u00edodo de crise internacional, de 2008 a 2013, e o papel do setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>Em dezembro do ano passado, o\u00a0saldo total das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito no Brasil foi de R$ 3,086 trilh\u00f5es, sendo 53,4% para pessoas f\u00edsicas e 46,6% a jur\u00eddicas, segundo o Dieese. Na compara\u00e7\u00e3o com janeiro de 2014, houve queda de 11,3%, em termos reais, &#8220;resultado principalmente da redu\u00e7\u00e3o dos financiamentos para as empresas, que apresentaram queda real de 22,8% no per\u00edodo, enquanto o cr\u00e9dito para as fam\u00edlias manteve-se praticamente est\u00e1vel, com leve eleva\u00e7\u00e3o real de 2,1%&#8221;.<\/p>\n<p>Foi um comportamento bem diferente do observado no per\u00edodo imediatamente anterior. De 2008 e 2013, o cr\u00e9dito teve expans\u00e3o acumulada de 105%, aumentando tanto para pessoas f\u00edsicas (104,4%) como para jur\u00eddicas (105,5%). &#8220;Naquele per\u00edodo, o cr\u00e9dito foi parte da engrenagem que garantiu a r\u00e1pida retomada da economia brasileira ap\u00f3s o in\u00edcio da crise econ\u00f4mica internacional e um n\u00edvel relativamente elevado de crescimento do PIB at\u00e9 2013. Isso se deu notadamente em fun\u00e7\u00e3o da determina\u00e7\u00e3o do governo federal, em 2008, de utilizar os bancos p\u00fablicos para elevar cr\u00e9dito e, assim, aquecer o mercado interno, determinante para a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, do emprego e da renda.&#8221; Mas a pol\u00edtica mudou. A Caixa Econ\u00f4mica Federal, lembra o Dieese, &#8220;vem reduzindo drasticamente a concess\u00e3o de empr\u00e9stimos&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>No caso das fam\u00edlias, o Dieese aponta &#8220;o decl\u00ednio intenso de diversos indicadores econ\u00f4micos e sociais&#8221; para um menor ritmo de concess\u00e3o de cr\u00e9dito. Em 2014, por exemplo, a taxa de desemprego era de 6,8%, subindo para 12,7% no ano passado, com 6,5 milh\u00f5es de desempregados a mais (dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua, do IBGE).\u00a0&#8220;Do ponto de vista da demanda de cr\u00e9dito, a alta no desemprego e a queda do rendimento m\u00e9dio real dos trabalhadores, juntamente com altos n\u00edveis inflacion\u00e1rios em 2015 e 2016, reduziram o consumo das fam\u00edlias e, consequentemente, a procura por empr\u00e9stimos no setor financeiro.&#8221;<\/p>\n<p>Se pelo Indicador Serasa Experian de Demanda do Consumidor por Cr\u00e9dito, de 2008 a 2011, com exce\u00e7\u00e3o de 2009, houve crescimento do n\u00famero de pessoas em busca de cr\u00e9dito, a partir de 2012 as taxas foram &#8220;bem mais modestas, pelo menos at\u00e9 2016&#8221;, quando come\u00e7ou uma pequena retomada, com eleva\u00e7\u00e3o de 3,7% \u2013 e 4,9% no ano seguinte. &#8220;No entanto, sem uma mudan\u00e7a profunda na atual pol\u00edtica econ\u00f4mica, essa retomada n\u00e3o deve se mostrar sustent\u00e1vel, principalmente em contexto de restri\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos, com a Emenda Constitucional n\u00ba 95, de 2016, que congelou, em termos reais, os gastos n\u00e3o financeiros da Uni\u00e3o por 20 anos; e, com a aprova\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista, que dever\u00e1 generalizar formas prec\u00e1rias de emprego, com padr\u00f5es rebaixados e inst\u00e1veis de contrata\u00e7\u00e3o, remunera\u00e7\u00e3o e jornada de trabalho&#8221;,pondera o Dieese.<\/p>\n<p>O instituto questiona: sem com redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), queda da infla\u00e7\u00e3o, pequeno crescimento e bancos p\u00fablicos com capacidade de cr\u00e9dito reduzida, &#8220;ser\u00e1 que os bancos privados conceder\u00e3o cr\u00e9dito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a um custo menor, j\u00e1 que as taxas de juros banc\u00e1rias ainda est\u00e3o elevadas? Fomentar\u00e3o a atividade industrial? Conceder\u00e3o cr\u00e9dito de longo prazo no intuito de aumentar os investimentos, gerar emprego e renda e fortalecer o mercado interno, em busca de um crescimento mais sustentado para o pa\u00eds?&#8221;. E responde na sequ\u00eancia: &#8220;A l\u00f3gica de funcionamento do setor financeiro privado brasileiro, observada ao longo da hist\u00f3ria, n\u00e3o indica que tais quest\u00f5es ser\u00e3o respondidas de maneira afirmativa&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que o Dieese fala em &#8220;mudan\u00e7a radical&#8221; da pol\u00edtica econ\u00f4mica, com retomada do papel estrat\u00e9gico do setor financeiro p\u00fablico na economia. &#8220;Assim, os bancos privados poderiam ser estimulados a se inserir, de alguma forma, nesse contexto e o sistema financeiro poderia vir a cumprir o que define o artigo 192 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, de 1988, quer dizer, atuaria para \u201cpromover o desenvolvimento equilibrado do Pa\u00eds e servir aos interesses da coletividade\u201d.<\/p>\n<p>Confira\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/notatecnica\/2018\/notaTecCredito2014a2017.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>\u00a0a \u00edntegra da nota t\u00e9cnica do Dieese.<\/p>\n<h3>Emprego cai<\/h3>\n<p>Os bancos brasileiros fecharam 2.226 postos de trabalho no primeiro trimestre, sendo 1.836 apenas em mar\u00e7o. Os dados, divulgados pelo Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, s\u00e3o do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/p>\n<p>S\u00f3 a Caixa federal,\u00a0&#8220;maior banco totalmente p\u00fablico do pa\u00eds&#8221;, lembra o sindicato, eliminou 1.268 vagas de janeiro a mar\u00e7o, com concentra\u00e7\u00e3o neste \u00faltimo m\u00eas (1.255).<\/p>\n<p>&#8220;Apenas em 2017, os cinco maiores bancos que atuam no pa\u00eds (Ita\u00fa, Bradesco, Caixa Econ\u00f4mica Federal, Banco do Brasil e Santander) lucraram R$ 77,342 bilh\u00f5es (33,5% a mais em rela\u00e7\u00e3o a 2016). Somente com a receita total de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e tarifas cobradas dos clientes, esses bancos obtiveram R$ 126,423 bilh\u00f5es (10,1% a mais em rela\u00e7\u00e3o a 2016). O valor cobre toda a folha salarial dessas empresas e ainda sobram R$ 28 bilh\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<p id=\"page-author\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Fonte: Rede Brasil Atual<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o Dieese, apenas uma &#8220;mudan\u00e7a radical da atual pol\u00edtica econ\u00f4mica&#8221; seria capaz de criar um ambiente de crescimento, al\u00e9m de fazer com que os bancos p\u00fablicos voltassem a atuar como financiadores de setores e projetos estrat\u00e9gicos, &#8220;para retomar uma din\u00e2mica de amplia\u00e7\u00e3o da demanda agregada da economia&#8221;. 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