{"id":4071,"date":"2018-03-27T14:02:51","date_gmt":"2018-03-27T17:02:51","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/folha-descobre-que-reforma-trabalhista-esta-afundando-a-economia\/"},"modified":"2018-03-27T14:02:51","modified_gmt":"2018-03-27T17:02:51","slug":"folha-descobre-que-reforma-trabalhista-esta-afundando-a-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/folha-descobre-que-reforma-trabalhista-esta-afundando-a-economia\/","title":{"rendered":"Folha descobre que reforma trabalhista est\u00e1 afundando a economia"},"content":{"rendered":"<p>Manchete de primeira p\u00e1gina na Folha de hoje revela\u00a0 que um dos jornais que mais tem defendido a \u201cdesregulamenta\u00e7\u00e3o\u201d do mercado de trabalho que est\u00e1 na ess\u00eancia da reforma trabalhista levada a cabo no ano passado, est\u00e1 afundando a economia.\u00a0 Conforme o Blog da Cidadania tem dito reiteradamente, o povo brasileiro est\u00e1 empobrecendo rapidamente.<\/p>\n<p>A filosofia por tr\u00e1s da \u201creforma trabalhista\u201d \u00e9 uma s\u00f3, a de \u201cdesregulamentar\u201d o mercado de trabalho, ou seja, torn\u00e1-lo mais informal, extinguindo regras, sob aquela hist\u00f3ria hip\u00f3crita e criminosa de que se deve deixar patr\u00f5es e empregados em uma \u201clivre negocia\u00e7\u00e3o\u201d imposs\u00edvel em situa\u00e7\u00e3o em que um dos lados, o dos patr\u00f5es, \u00e9 muito mais forte \u2013 devido \u00e0 falta de empregos \u2013 e pode, assim, impor seus desejos.<\/p>\n<p>A reportagem de capa do jornal revela que \u00e9 justamente a informalidade que est\u00e1 reduzindo a \u201crenda das fam\u00edlias\u201d ao ter, como consequ\u00eancia, sal\u00e1rios mais baixos, com menos direitos, pois \u00e9 justamente isso que a reforma em quest\u00e3o gera ao estimular o empresariado a entender que est\u00e1 liberado para pagar sal\u00e1rios menores \u00e0 custa de n\u00e3o pagar todos os direitos do trabalhador.<\/p>\n<p>Se o pr\u00f3prio governo estimula a informalidade com suas declara\u00e7\u00f5es e leis exterminadoras de direitos, eis que o patr\u00e3o j\u00e1 acaba com todos esses direitos apostando em menor fiscaliza\u00e7\u00e3o aliada a uma lei que passou a dificultar as a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a, chegando a imp\u00f4r que o trabalhador que tenha seus direitos negados pelo patr\u00e3o tenha dificuldade de fazer reclama\u00e7\u00e3o trabalhista.<\/p>\n<p>O resultado disso, est\u00e1 a\u00ed. Empobrecimento da sociedade. Leia a mat\u00e9ria da Folha.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>FOLHA DE S\u00c3O PAULO<\/p>\n<p>26 mar\u00e7o de 2016<\/p>\n<p>Emprego informal tira for\u00e7a da retomada<\/p>\n<p>Especialistas atribuem consumo abaixo do projetado \u00e0s mudan\u00e7as no mercado de trabalho<\/p>\n<p>Estudo indica que propens\u00e3o a consumir de empregado formal \u00e9 maior que a de informal<\/p>\n<p>Robson Ventura\/Folhapress<\/p>\n<p>26.mar.2018 \u00e0s 2h00<\/p>\n<p>EDI\u00c7\u00c3O IMPRESSA<\/p>\n<p>Diminuir fonte Aumentar fonte<\/p>\n<p>Flavia Lima<\/p>\n<p>S\u00c3O PAULO<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho puxada pelo emprego informal, sem carteira assinada, n\u00e3o d\u00e1 seguran\u00e7a para as fam\u00edlias voltarem a consumir com for\u00e7a e pode comprometer a retomada.<\/p>\n<p>Para especialistas, a conclus\u00e3o se ancora no cruzamento de dados. Em 2017, foram criadas 1,8 milh\u00e3o de vagas\u2014 todas no setor informal. Com carteira, 685 mil vagas foram perdidas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conta a renda m\u00e9dia dos sem carteira e de pequenos empreendedores, metade da renda dos formais, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA propens\u00e3o a consumir de um empregado formal, que tem mais seguran\u00e7a e acesso ao cr\u00e9dito, \u00e9 maior do que a de um informal\u201d, diz Marcelo Gazzano, economista da consultoria AC Pastore.<\/p>\n<p>Estudo da consultoria de Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, busca entender por que proje\u00e7\u00f5es de consumo vinham negligenciando esse efeito.<\/p>\n<p>A sugest\u00e3o \u00e9 que, envolvidos pelo cen\u00e1rio de juros mais baixos e melhora, ainda que incipiente, de sal\u00e1rios e cr\u00e9dito, analistas menosprezaram o peso da carteira de trabalho em decis\u00f5es de consumo \u2014o que tamb\u00e9m explicaria a trajet\u00f3ria surpreendentemente err\u00e1tica do varejo nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>A equipe de Pastore considera revisar a proje\u00e7\u00e3o de crescimento para 2018, ainda em 3%. A expectativa \u00e9 que fique pr\u00f3xima de 2,5%.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para dizer: n\u00e3o haver\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pelo consumo. Ela vir\u00e1. Mas menos robusta do que se imaginava em raz\u00e3o da profunda altera\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho\u201d, diz Marcelo Gazzano, respons\u00e1vel pelo estudo.<\/p>\n<p>Um bom exerc\u00edcio, diz ele, \u00e9 olhar para o consumo das fam\u00edlias e para o mercado de trabalho num per\u00edodo maior.<\/p>\n<p>O consumo atingiu o pico da s\u00e9rie hist\u00f3rica, iniciada em 1996, entre 2011 e 2014. Nesse momento, a propor\u00e7\u00e3o de trabalhadores com carteira assinada na popula\u00e7\u00e3o ocupada tamb\u00e9m esteve no teto hist\u00f3rico, ao redor de 45%.<\/p>\n<p>Em apenas tr\u00eas anos, esse percentual foi para 42%, mas o consumo n\u00e3o teve o mesmo comportamento, em especial no ano passado. A trajet\u00f3ria positiva do varejo em 2017 tirou as aten\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho nessa correla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E a oferta de vagas piorou muito. No fim de 2011, eram 39,9 milh\u00f5es de trabalhadores com carteira. No fim de 2017, 38,4 milh\u00f5es. No mesmo per\u00edodo, o pa\u00eds saiu do pleno emprego para uma situa\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 12,3 milh\u00f5es de desempregados, 26,4 milh\u00f5es de subempregados e 4,4 milh\u00f5es que desistiram de buscar trabalho.<\/p>\n<p>O melhor comportamento do varejo em 2017, avalia-se hoje, pode ter sido provocado pela libera\u00e7\u00e3o de R$ 44 bilh\u00f5es do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o), pois parte foi para compras.<\/p>\n<p>ALERTA<\/p>\n<p>O sinal de alerta veio com o desempenho p\u00edfio do consumo das fam\u00edlias nos \u00faltimos tr\u00eas meses do ano. Com 65% do PIB (Produto Interno Bruto), o consumo determina o que ocorre na economia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s alta de 1% no segundo e terceiro trimestres de 2017, o consumo quase n\u00e3o se moveu entre outubro e dezembro. No per\u00edodo, as proje\u00e7\u00f5es da AC Pastore, pareciam muito otimistas e passaram a se descolar dos dados.<\/p>\n<p>A equipe deu, ent\u00e3o, um peso maior ao consumo dos formais para explicar vendas mais modestas e as previs\u00f5es voltaram a aderir \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Com carteira, a gente sente estabilidade, diz ex-CLT que virou empreendedora<\/p>\n<p>Confeiteira diz que n\u00e3o faz d\u00edvida no longo prazo e compra apenas quando tem dinheiro<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/03\/25\/15220279315ab84d9b31586_1522027931_3x2_md.jpg\" sizes=\"(min-width: 1024px) 68vw, 100vw\" srcset=\" https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/03\/25\/15220279315ab84d9b31586_1522027931_3x2_th.jpg 100w,                                    https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/03\/25\/15220279315ab84d9b31586_1522027931_3x2_sm.jpg 480w,                   https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/03\/25\/15220279315ab84d9b31586_1522027931_3x2_md.jpg 768w,                   https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/03\/25\/15220279315ab84d9b31586_1522027931_3x2_lg.jpg 1024w,                   https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/03\/25\/15220279315ab84d9b31586_1522027931_3x2_xl.jpg 1200w,                   https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2018\/03\/25\/15220279315ab84d9b31586_1522027931_3x2_rt.jpg 2400w \" alt=\"Elisa Betty, dona de confeitaria que era CLT\" \/><\/p>\n<p>Elisa Betty, dona de confeitaria que era CLT \u2013\u00a0<span class=\"widget-image__credits\">Thiago Bernardes\/ Folhapress<\/span><\/p>\n<p>Flavia Lima<\/p>\n<p>S\u00c3O PAULO<\/p>\n<p>\u201cCom carteira assinada, a gente sente estabilidade, sabe que, mesmo se for despedido, tem a rescis\u00e3o\u201d, diz Elisa Betty Costa, 45.<\/p>\n<p>A comerciante explica de forma clara o que estudos sugerem: a din\u00e2mica do consumo muda na informalidade.<\/p>\n<p>Costa atuou por 25 anos no ramo da nutri\u00e7\u00e3o, revezando-se entre cozinhas industriais e hospitais. Em mar\u00e7o de 2017, deixou o emprego em uma padaria. Pensou que voltaria logo ao mercado formal de trabalho, o que n\u00e3o ocorreu. Abriu uma pequena confeitaria no fim de 2017.<\/p>\n<p>\u201cCortei gastos e n\u00e3o fa\u00e7o d\u00edvida de longo prazo porque a batalha na conquista do cliente \u00e9 di\u00e1ria. Ou junto dinheiro e compro ou n\u00e3o compro\u201d.<\/p>\n<p>Para Thiago Xavier, economista da Tend\u00eancias Consultoria, a expectativa \u00e9 que a alta informalidade no mercado de trabalho se mantenha.<\/p>\n<p>\u201cQuando se olha o padr\u00e3o de outras crises, a recupera\u00e7\u00e3o da contrata\u00e7\u00e3o formal demora um pouco mais\u201d, diz.<\/p>\n<p>Em suas contas, o estoque de empregados deve crescer 2,2 milh\u00f5es neste ano, mas boa parte disso continuar\u00e1 vindo do mercado informal.<\/p>\n<p>Como exemplo, cita a proje\u00e7\u00e3o para o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o balan\u00e7o de empregos formais, que deve ficar ao redor de 900 mil.<\/p>\n<p>REAJUSTE MENOR<\/p>\n<p>Mesmo em n\u00edveis muito diferentes, a renda m\u00e9dia real de formais e informais mostrou discreta melhora em 2017. Neste ano, ela d\u00e1 sinais de fraqueza inclusive entre os empregados com carteira, o que pode ser mais um fator a abalar o poder de compra.<\/p>\n<p>Entre os com carteira, o reajuste real dos sal\u00e1rios ficou em 0,6%, em fevereiro, ante 0,9% em janeiro e 1% em dezembro, segundo boletim da Fipe (Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas).<\/p>\n<p>Xavier, da Tend\u00eancias, adiciona outro ponto de preocupa\u00e7\u00e3o: a reforma trabalhista deve elevar as vagas formais de trabalho, mas a qualidade delas pode ser inferior.<\/p>\n<p>A possibilidade de contrata\u00e7\u00e3o por hora trabalhada reduz o custo do trabalho, com efeito sobre a contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMas n\u00e3o \u00e9 uma entrada ideal no mercado de trabalho. O trabalhador pode ter carteira assinada, mas trabalhar uma hora ou duas horas na semana. Qual a qualidade disso?\u201d, questiona Xavier.<\/p>\n<p>Para ele, s\u00f3 a reforma trabalhista n\u00e3o garante a qualidade das vagas. A economia precisa crescer, diz.<\/p>\n<p>Bruno Ottoni, pesquisador do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, pondera que o informal tamb\u00e9m consome. Al\u00e9m disso, h\u00e1 trabalhadores sem carteira que n\u00e3o est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, como os \u2018PJ\u2019 (pessoa jur\u00eddica).<\/p>\n<p>Para Ottoni, a informalidade deve seguir em n\u00edveis elevados, seja em raz\u00e3o das incertezas eleitorais seja pelo pre\u00e7o alto do trabalho.<\/p>\n<p>Como ficar\u00e1 o consumo nesse cen\u00e1rio \u00e9 resumido pela confeiteira Elisa Betty Costa. \u201cSem carteira, a realidade de consumir \u00e9 outra\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manchete de primeira p\u00e1gina na Folha de hoje revela\u00a0 que um dos jornais que mais tem defendido a \u201cdesregulamenta\u00e7\u00e3o\u201d do mercado de trabalho que est\u00e1 na ess\u00eancia da reforma trabalhista levada a cabo no ano passado, est\u00e1 afundando a economia.\u00a0 Conforme o Blog da Cidadania tem dito reiteradamente, o povo brasileiro est\u00e1 empobrecendo rapidamente. 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