{"id":4069,"date":"2018-03-26T14:28:12","date_gmt":"2018-03-26T17:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/temer-e-a-producao-da-mao-de-obra-para-atender-a-acumulacao-de-capital\/"},"modified":"2018-03-26T14:28:12","modified_gmt":"2018-03-26T17:28:12","slug":"temer-e-a-producao-da-mao-de-obra-para-atender-a-acumulacao-de-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/temer-e-a-producao-da-mao-de-obra-para-atender-a-acumulacao-de-capital\/","title":{"rendered":"Temer e a produ\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra para atender \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de capital"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>A recess\u00e3o econ\u00f4mica desde 2015 trouxe consigo a ado\u00e7\u00e3o do receitu\u00e1rio neoliberal no Brasil. Com isso, a gera\u00e7\u00e3o de uma enorme parcela da for\u00e7a de trabalho submetida \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de supranumer\u00e1rios, ou seja, o excedente de m\u00e3o de obra \u00e0s necessidades econ\u00f4micas do processo de acumula\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n<p>Como supranumer\u00e1rio, consideram-se os trabalhadores que constituem o desempregado t\u00edpico e o disfar\u00e7ado pela subocupa\u00e7\u00e3o e inatividade for\u00e7ada. O desempregado t\u00edpico \u00e9 aquele que n\u00e3o consegue nenhuma possibilidade de ocupa\u00e7\u00e3o, por mais prec\u00e1ria que seja, o que o leva a permanecer dispon\u00edvel e na situa\u00e7\u00e3o de procura permanente por trabalho.<\/p>\n<p>J\u00e1 o desempregado disfar\u00e7ado resulta, por um lado, daqueles trabalhadores que encontram alguma forma de subocupa\u00e7\u00e3o, insuficiente em termos de jornada de trabalho ou de rendimento, o que o faz manter-se ativo na procura por trabalho e, por isso, pressionando constantemente a oferta de m\u00e3o de obra no interior do mercado de trabalho. Por outro lado, o desemprego disfar\u00e7ado pela inatividade deriva dos trabalhadores, em geral, na condi\u00e7\u00e3o do desemprego de longa dura\u00e7\u00e3o, cujo desest\u00edmulo pela procura por trabalho se apresenta diante da aus\u00eancia de oportunidade de trabalho, dos custos da atividade de busca e inconformidade com os requisitos de contrata\u00e7\u00e3o laboral.<\/p>\n<p>Tomando-se como refer\u00eancia as informa\u00e7\u00f5es geradas pelo IBGE, por meio da Pnad cont\u00ednua para o \u00faltimo trimestre de 2017, o Brasil teria registrado o contingente de 26,4 milh\u00f5es de trabalhadores supranumer\u00e1rios, o que equivaleria a 23,6% da Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa (PEA) composta por pessoas com 14 anos de mais de idade. No mesmo per\u00edodo de tempo anterior a recess\u00e3o (\u00faltimo trimestre de 2014), o conjunto de supranumer\u00e1rios era de 15,4 milh\u00f5es (14,9% da PEA), o que equivaleu ao aumento de 58,4% na parcela de trabalhadores excedente \u00e0s necessidades da economia brasileira nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o mais expressiva no conjunto de supranumer\u00e1rios entre o ultimo trimestre de 2014 e o \u00faltimo trimestre de 2017 ocorreu nas grandes regi\u00f5es geogr\u00e1ficas mais ricas do pa\u00eds. Isto \u00e9, o crescimento acumulado no per\u00edodo em foco de 73,9% na regi\u00e3o Sudeste (de 11,9% para 20,7%), seguido de 69,8% na regi\u00e3o Sul (de 8,6% para 14,6%), de 63,2% no Centro Oeste (de 10,6% para 17,3%), de 53,1% no Norte (de 17,5% para 26,8%) e de 44,2% no Nordeste (de 24% para 34,6%).<\/p>\n<p>Durante a recess\u00e3o, que produziu a redu\u00e7\u00e3o de 7,3% no n\u00edvel de atividade da economia brasileira, o contingente de supranumer\u00e1rios no Brasil aumentou 49% entre o \u00faltimo trimestre de 2014 e o \u00faltimo trimestre de 2016. Em s\u00edntese, para a queda de 1% no PIB brasileiro, o aumento, em consequ\u00eancia, de 6,7% no total de trabalhadores excedentes.<\/p>\n<p>Se considerado o comportamento positivo do Produto Interno Bruto (PIB) observado no ano de 2017, conforme estima\u00e7\u00e3o de 1% pelo IBGE, percebe-se a incapacidade de revers\u00e3o do coletivo de supranumer\u00e1rios, pois passou de 22,2% da for\u00e7a de trabalho no ultimo trimestre de 2016 para 23,6% no \u00faltimo trimestre de 2017. Ou seja, o crescimento de 6,3% na parcela de trabalhadores excedente \u00e0s necessidades da economia, apesar do indicador de 1% positivo na recupera\u00e7\u00e3o do PIB no ano passado.<\/p>\n<p>Diante disso, percebe-se que a condu\u00e7\u00e3o neoliberal da pol\u00edtica econ\u00f4mica pelo governo Temer mostra-se nefasta \u00e0 classe trabalhadora. As medidas de redu\u00e7\u00e3o no custo de contrata\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, com a retirada de parcela dos direitos sociais e trabalhistas, n\u00e3o se mostra suficiente para reverter \u00e0 tend\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o do excedente de m\u00e3o de obra \u00e0s necessidades da economia nacional.<\/p>\n<p><em>*Marcio Pochmann \u00e9 professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A recess\u00e3o econ\u00f4mica desde 2015 trouxe consigo a ado\u00e7\u00e3o do receitu\u00e1rio neoliberal no Brasil. Com isso, a gera\u00e7\u00e3o de uma enorme parcela da for\u00e7a de trabalho submetida \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de supranumer\u00e1rios, ou seja, o excedente de m\u00e3o de obra \u00e0s necessidades econ\u00f4micas do processo de acumula\u00e7\u00e3o de capital. 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