{"id":4047,"date":"2018-03-21T13:21:55","date_gmt":"2018-03-21T16:21:55","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/21-de-marco-dia-internacional-contra-a-discriminacao-racial\/"},"modified":"2018-03-21T13:21:55","modified_gmt":"2018-03-21T16:21:55","slug":"21-de-marco-dia-internacional-contra-a-discriminacao-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/21-de-marco-dia-internacional-contra-a-discriminacao-racial\/","title":{"rendered":"21 de Mar\u00e7o: Dia Internacional Contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial"},"content":{"rendered":"<div class=\"content\">\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Almir Aguiar*<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Era dia 21 de mar\u00e7o de 1960. Mais de 20 mil ativistas protestavam pacificamente na cidade de Johanesburgo, \u00c1frica do Sul, contra a \u201cLei do Passe\u201d, uma das arbitrariedades do regime de apartheid. A lei obrigava a popula\u00e7\u00e3o negra a usar um cart\u00e3o que determinava os lugares onde poderiam circular na cidade.<\/p>\n<p>Mesmo vendo que era uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, a pol\u00edcia racista disparou contra a multid\u00e3o, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. A barbaridade ficou conhecida como o Massacre de Sharpeville. O apartheid foi um regime de segrega\u00e7\u00e3o racial adotado na \u00c1frica do Sul at\u00e9 1994. Os direitos da maioria dos habitantes, negros, eram praticamente inexistentes e controlados pela minoria branca.<\/p>\n<p>Em 1976, ap\u00f3s muita press\u00e3o dos movimentos de luta contra o racismo em todo mundo, a ONU instituiu o dia 21 de mar\u00e7o como Dia Internacional de Luta pela elimina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial ao condenar o regime racista da \u00c1frica do Sul. Que s\u00f3 teve fim com a chegada de Nelson Mandela ao poder.<\/p>\n<p>No Brasil, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 determinou que a pr\u00e1tica de atos de racismo seja considerada crime imprescrit\u00edvel e inafian\u00e7\u00e1vel, sujeitando o criminoso \u00e0 pena de reclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, a realidade da popula\u00e7\u00e3o negra ainda \u00e9 alarmante. Entre 100 v\u00edtimas de homic\u00eddio, 71 s\u00e3o negras. Os cidad\u00e3os negros t\u00eam 23,5% mais de chance de serem assassinados em rela\u00e7\u00e3o a outras ra\u00e7as, isso independente de sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (Atlas da Viol\u00eancia 2017, Ipea).<\/p>\n<p>O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, na noite de quarta-feira (14\/03) \u00e9 um exemplo claro dessa viol\u00eancia. A vereadora expressava a luta de todos n\u00f3s, mulheres e homens que necessitam todos os dias afirmar seus direitos e reivindicar sua amplia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 preciso todos os esfor\u00e7os para manter e fazer avan\u00e7ar as pol\u00edticas afirmativas no Brasil para que possamos dar fim \u00e0s desigualdades sofridas pela popula\u00e7\u00e3o negra, <strong>que representa 54% da popula\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong>. As cotas no ensino superior e na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a inclus\u00e3o de conte\u00fados ligados \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es culturais africanas nas escolas e o combate \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o do racismo, pol\u00edticas que foram iniciadas no governo petista com o presidente Lula e continuadas pela presidenta Dilma s\u00e3o avan\u00e7os que ajudaram em parte na repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica devida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>H\u00e1 15 anos, o presidente Lula, neste Dia Internacional contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, instalou a Secretaria Especial de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (SEPPIR) com o objetivo de promover as pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o negra e combater a desigualdade racial.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto Lula, o n\u00famero de estudantes negros no ensino superior triplicou de 2003 a 2012. Em 2001, apenas 10,2% deles estavam na universidade. Em 2012 o percentual chegou a 37,4%. Gra\u00e7as a a\u00e7\u00f5es como o ProUni, \u00e0 expans\u00e3o da rede federal de ensino superior e \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de vagas nas universidades j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p>Entre outras conquistas desse per\u00edodo, temos a san\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 10.639\/03, que tornou obrigat\u00f3rio o ensino de hist\u00f3ria e cultura afro-brasileiras na grade curricular das escolas de todo o pa\u00eds. Em seguida, sancionada por Dilma, em 2011, outro importante avan\u00e7o na valoriza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra: a Lei n\u00ba 12.519\/11, que instituiu o dia 20 de novembro como o Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra. Ainda no governo Dilma, foram sancionadas mais duas leis que devem ser comemoradas: as que estabeleceram cotas para negros no ensino superior e nos concursos p\u00fablicos federais.<\/p>\n<p>Outro dado important\u00edssimo que refor\u00e7a a urgente e necess\u00e1ria volta de Lula \u00e0 presid\u00eancia \u00e9 que, entre 2003 e 2013, a renda da popula\u00e7\u00e3o negra cresceu 51,4% (IBGE). Mesmo assim, a renda dos negros ainda corresponde a apenas 57,4% da dos brancos.<\/p>\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) tem buscado negociar com os bancos para avan\u00e7ar nas pol\u00edticas contra o preconceito e a discrimina\u00e7\u00e3o no sistema financeiro. S\u00e3o mais 500 mil banc\u00e1rios em todo pa\u00eds, mas infelizmente, s\u00f3 24,7% destes trabalhadores s\u00e3o negros. Em cargos de dire\u00e7\u00e3o, praticamente inexistem negros, o que mostra que a cor da pele ainda \u00e9 um impeditivo para ascens\u00e3o profissional. Precisamos avan\u00e7ar no empoderamento do povo negro, sem discrimina\u00e7\u00e3o salarial e com igualdade de oportunidades.<\/p>\n<p>Vamos \u00e0 luta e viva zumbi dos palmares!<\/p>\n<\/div>\n<p id=\"page-author\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Fonte: *Secret\u00e1rio de Combate ao Racismo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Almir Aguiar* Era dia 21 de mar\u00e7o de 1960. Mais de 20 mil ativistas protestavam pacificamente na cidade de Johanesburgo, \u00c1frica do Sul, contra a \u201cLei do Passe\u201d, uma das arbitrariedades do regime de apartheid. A lei obrigava a popula\u00e7\u00e3o negra a usar um cart\u00e3o que determinava os lugares onde poderiam circular na cidade. 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