{"id":4035,"date":"2018-03-20T13:40:43","date_gmt":"2018-03-20T16:40:43","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/gerente-condenado-por-assedio-sexual\/"},"modified":"2018-03-20T13:40:43","modified_gmt":"2018-03-20T16:40:43","slug":"gerente-condenado-por-assedio-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/gerente-condenado-por-assedio-sexual\/","title":{"rendered":"Gerente condenado por ass\u00e9dio sexual"},"content":{"rendered":"<div class=\"content\">\n<p>Durante mais de dois anos, trabalhadoras de uma ag\u00eancia banc\u00e1ria em S\u00e3o Paulo sofreram terror f\u00edsico e psicol\u00f3gico, sendo molestadas pelo gerente-geral da unidade. Em todo esse per\u00edodo n\u00e3o conseguiram, da chefia imediata, nenhuma provid\u00eancia que alterasse a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica de ass\u00e9dio sexual imposta pelo superior hier\u00e1rquico.<\/p>\n<p>Tr\u00eas mulheres, cansadas da humilha\u00e7\u00e3o, encheram-se de coragem e\u00a0procuraram o Sindicato. S\u00f3 a partir da\u00ed pararam de sofrer.<\/p>\n<p>&gt; Com apoio do Sindicato,\u00a0<a href=\"http:\/\/spbancarios.com.br\/03\/2018\/meu-principe-virou-um-monstro-conta-bancaria-vitima-de-violencia-domestica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">banc\u00e1ria tenta dar a volta por cima\u00a0ap\u00f3s sofrer viol\u00eancia dom\u00e9stica\u00a0<\/a><\/p>\n<p>A ag\u00eancia foi fechada por dias, at\u00e9 que o banco tomasse provid\u00eancias. Incentivadas pelo departamento jur\u00eddico do Sindicato \u2013 que acompanhou todo o processo \u2013 o gerente foi denunciado \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o do boletim de ocorr\u00eancia, lavrado em agosto de 2015, o banco instaurou procedimento interno, que levou \u00e0 dispensa por justa causa do gestor.\u00a0<\/p>\n<p>Em 26 de fevereiro de 2018 saiu a senten\u00e7a que o condenou \u201cpor tr\u00eas vezes, cada uma das vezes relativa a uma v\u00edtima, em continuidade delitiva, artigo 71, na forma do artigo 69, todos do C\u00f3digo Penal, \u00e0 pena de nove anos de deten\u00e7\u00e3o, em regime inicial semiaberto\u201d, conforme assinado pela ju\u00edza Cec\u00edlia Pinheiro da Fonseca.<\/p>\n<p>\u201cA coragem dessas trabalhadoras \u00e9 um exemplo para todas as mulheres. E ilustra a for\u00e7a que tem a uni\u00e3o entre Sindicato e a categoria. A pr\u00e1tica de ass\u00e9dio sexual e moral \u00e9 comum no sistema financeiro, atingindo principalmente as trabalhadoras. Juntos e juntas somos mais fortes e s\u00f3 assim podemos resolver situa\u00e7\u00f5es absurdas como essas!\u201d, afirma a presidenta do Sindicato, Ivone Silva. E destaca a import\u00e2ncia de as mulheres n\u00e3o se calarem: \u201c\u00c9 importante que outras trabalhadoras que estejam passando pela mesma situa\u00e7\u00e3o deem um basta e n\u00e3o se calem diante dessa viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A dirigente lembra que, em 2016, em consulta realizada pelo Sindicato, 12% das banc\u00e1rias afirmaram j\u00e1 ter sofrido ass\u00e9dio sexual. \u201cNo ano anterior o n\u00famero havia sido de 1%, o que nos faz pensar que ou os casos est\u00e3o aumentando ou as mulheres est\u00e3o tomando mais consci\u00eancia e se posicionando contra o machismo e o ass\u00e9dio inaceit\u00e1veis. E n\u00f3s estamos ao lado delas para acabar com isso de vez.\u201d<\/p>\n<p>&gt; Fortale\u00e7a a luta da categoria,\u00a0<a href=\"http:\/\/spbancarios.com.br\/sindicalize-se\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">seja um sindicalizado<\/a><\/p>\n<h3><strong>Omiss\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Desde 2013 as trabalhadoras conviviam com a press\u00e3o do ass\u00e9dio sexual do gerente-geral que s\u00f3 foi encerrada em agosto de 2015, quando o Sindicato fechou a unidade por dias, em protesto contra a situa\u00e7\u00e3o e cobrando provid\u00eancias da institui\u00e7\u00e3o financeira. T\u00e3o logo recebeu o boletim de ocorr\u00eancia com a den\u00fancia formal das banc\u00e1rias, o banco afastou o gerente-geral para averigua\u00e7\u00e3o. E elas decidiram fazer a den\u00fancia \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA leitura do BO causa n\u00e1useas s\u00f3 de imaginar o que essas meninas passaram\u201d, relata Ivone.<\/p>\n<p>Durante tempos elas buscaram ajuda da gerente administrativa e foram desprezadas. Al\u00e9m de se omitir, essa foi a \u00fanica mulher em toda a ag\u00eancia que se disp\u00f4s a defender o assediador, chegando a dizer a uma das banc\u00e1rias que \u201cquem ele come ou deixa de comer \u00e9 problema dele\u201d.<\/p>\n<p>Todas as demais trabalhadoras da unidade informaram ter passado por situa\u00e7\u00f5es semelhantes nas m\u00e3os do chefe.<\/p>\n<h3><strong>Almo\u00e7o no motel<\/strong><\/h3>\n<p>Uma das banc\u00e1rias relatou que era chamada de palavras que faziam refer\u00eancia ao seu corpo. O gerente-geral, que prometia almo\u00e7os para quem batesse metas de venda, insinuava em p\u00fablico que se fosse ela, o almo\u00e7o seria num motel. E pressionava com amea\u00e7as de demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante das recusas da banc\u00e1ria, ele passou a bloquear com o carro a sa\u00edda dela do estacionamento, ocasi\u00f5es em que chegou a toc\u00e1-la. Ela passou a ficar trancada no carro at\u00e9 que ele desistisse e, por fim, come\u00e7ou a se deslocar de transporte p\u00fablico para evitar esse contato. Chegou a se afastar em fun\u00e7\u00e3o da sa\u00fade abalada.\u00a0<\/p>\n<p>Quando voltou, passou pelo programa de reabilita\u00e7\u00e3o do banco e informou sobre o ass\u00e9dio sexual. A \u00fanica recomenda\u00e7\u00e3o da empresa: mudar de ag\u00eancia, o que ela tentou, sem sucesso. As transfer\u00eancias eram analisadas pelo pr\u00f3prio gerente-geral, que as barrava criticando falsamente a qualidade do trabalho da banc\u00e1ria.<\/p>\n<h3><strong>&#8220;Pre\u00e7o&#8221;<\/strong><\/h3>\n<p>O mesmo aconteceu com outra denunciante que tentou transfer\u00eancia e chegou a passar em entrevista, mas foi negada ap\u00f3s a respons\u00e1vel pela outra ag\u00eancia entrar em contato com o gerente assediador.<\/p>\n<p>Para essa banc\u00e1ria, o ass\u00e9dio come\u00e7ou ao ter um problema no caixa solucionado pelo gestor. Em fun\u00e7\u00e3o disso, ele come\u00e7ou a assedi\u00e1-la, dizendo que \u201ctudo na vida tem um pre\u00e7o\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Tentava beij\u00e1-la e a seguia at\u00e9 o banheiro, tentando agarrar a trabalhadora. Tamb\u00e9m enviava mensagens de cunho sexual no telefone celular pessoal da banc\u00e1ria e cobrava em p\u00fablico respostas, dizendo que \u201cafinal de contas \u00e9 o chefe\u201d.<\/p>\n<p>Assim como sua colega, ela s\u00f3 ficou livre da viol\u00eancia quando decidiu procurar o Sindicato que deu a ela todo o amparo psicol\u00f3gico e legal.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Beijo for\u00e7ado<\/strong><\/h3>\n<p>A outra trabalhadora come\u00e7ou a ser assediada ap\u00f3s tr\u00eas meses de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o na unidade. O gerente-geral disse que ela deveria se reportar a ele diariamente com um beijo, j\u00e1 que era o chefe. E foi se tornando cada vez mais agressivo, for\u00e7ando contatos f\u00edsicos, perseguindo-a at\u00e9 o banheiro, insinuando convites a motel.<\/p>\n<p>Um dia, almo\u00e7ando no refeit\u00f3rio da ag\u00eancia com um colega, foi pressionada na parede pelo assediador. O colega repudiou a atitude, mas foi amea\u00e7ado pelo gestor, dizendo que ele era o chefe e mandava ali. Da mesma forma que as outras, s\u00f3 teve paz com a atua\u00e7\u00e3o do Sindicato e o afastamento do agressor.<\/p>\n<h3><strong>Senten\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>Durante o julgamento, a gerente administrativa que se omitiu na defesa de suas colegas e se prestou ao papel de defender o gerente-geral, tentou diminuir a gravidade da conduta tratando-o como \u201cmuito brincalh\u00e3o\u201d. Mas foi for\u00e7ada a reconhecer que \u201cviu o r\u00e9u beliscando as n\u00e1degas de uma funcion\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Quando interrogado, o acusado s\u00f3 conseguiu negar os fatos genericamente, \u201cmas n\u00e3o apresentou qualquer explica\u00e7\u00e3o nem vers\u00e3o minimamente plaus\u00edveis\u201d, informa a senten\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cAssim, os elementos de prova presentes nos autos demonstram, de forma cristalina, o dolo do r\u00e9u, ele que, visando exclusivamente satisfazer sua lasc\u00edvia, perseguiu as ofendidas por v\u00e1rios meses, molestando-as diariamente, valendo-se, para tal, de sua posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica superior\u201d, continua.<\/p>\n<p>\u201cAinda, ressalto as consequ\u00eancias dos fatos para as v\u00edtimas, que foram submetidas a verdadeira tortura psicol\u00f3gica di\u00e1ria pelo acusado, com imenso reflexo no cotidiano pessoal, chegando [uma delas] a relatar que bateu o carro devido aos transtornos causados pela conduta do r\u00e9u, que beirou o atentado violento ao pudor, superando, em muito, as elementares do tipo penal. Assim fixo as penas-bases no patamar m\u00e1ximo legal\u201d, finalizou a ju\u00edza.<\/p>\n<h3><strong>Sigilo<\/strong><\/h3>\n<p>O Sindicato n\u00e3o divulgar\u00e1 banco ou nomes para preservar o sigilo da a\u00e7\u00e3o e a dignidade das trabalhadoras. O terror a que foram submetidas foi tamanho que at\u00e9 a estrutura familiar de algumas delas sofreu abalos.<\/p>\n<p>O gerente-geral ainda pode entrar com recurso.<\/p>\n<\/div>\n<p id=\"page-author\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Fonte: Seeb SP<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante mais de dois anos, trabalhadoras de uma ag\u00eancia banc\u00e1ria em S\u00e3o Paulo sofreram terror f\u00edsico e psicol\u00f3gico, sendo molestadas pelo gerente-geral da unidade. 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