{"id":4013,"date":"2018-03-15T19:16:46","date_gmt":"2018-03-15T22:16:46","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/democracia-nao-e-so-por-o-voto-na-urna-e-igualdade\/"},"modified":"2018-03-15T19:16:46","modified_gmt":"2018-03-15T22:16:46","slug":"democracia-nao-e-so-por-o-voto-na-urna-e-igualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/democracia-nao-e-so-por-o-voto-na-urna-e-igualdade\/","title":{"rendered":"&#8216;Democracia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 p\u00f4r o voto na urna. \u00c9 igualdade&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 muita gan\u00e2ncia os argentinos terem Messi e o Papa ao mesmo tempo?&#8221;, pergunta Juca Kfouri a seu convidado, o argentino Adolfo P\u00e9rez Esquivel, que abre os bra\u00e7os e esbo\u00e7a um sorriso, dizendo: &#8220;H\u00e1 que aceitar as coisas. Creio que ningu\u00e9m escolhe essas coisas, e a vida \u00e9 feita de surpresas&#8230;&#8221; O craque Lionel Messi, que atua no Barcelona da Espanha (e jogar\u00e1 na Copa em junho), e o Papa Francisco s\u00e3o compatriotas de Esquivel.\u00a0Em seguida, o jornalista quer saber ele \u00e9\u00a0<em>hincha<\/em>\u00a0do Boca Juniors ou do River Plate, os eternos rivais do pa\u00eds vizinho, mas ele se declara torcedor do Independiente,\u00a0<em>el diablo de Avellaneda,\u00a0<\/em>e lembra de um amigo eterno, o escritor uruguaio Eduardo Galeano.\u00a0Este talvez seja o \u00fanico momento mais descontra\u00eddo da conversa para o programa\u00a0<em>Entre Vistas<\/em>, da\u00a0<strong>TVT<\/strong>, exibido na noite desta ter\u00e7a-feira (13).\u00a0<\/p>\n<p><em>Entre Vistas<\/em>\u00a0pode ser visto no canal digital 44.1, al\u00e9m dos canais da\u00a0<strong>TVT<\/strong>\u00a0no\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/user\/redetvt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Youtube<\/a>\u00a0e no\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/redetvt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a>. A \u00edntegra tamb\u00e9m \u00e9 publicada pela\u00a0<strong>RBA<\/strong>. O programa foi exibido na TV Bahia, na Rede Minas e na TV Universidade Federal de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Com a presen\u00e7a da professora de Direito Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carol Proner, organizadora de um livro com textos de juristas sobre o impeachment (<a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/politica\/2016\/06\/livro-a-resistencia-ao-golpe-de-2016-e-lancado-hoje-em-sao-paulo-2356.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>A Resist\u00eancia ao Golpe de 2016<\/em><\/a>), o\u00a0<em>Entre Vistas<\/em>\u00a0teve muito debate sobre Am\u00e9rica Latina, democracia e direitos humanos. Al\u00e9m do processo contra o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, a quem Esquivel visitou durante sua passagem pelo Brasil, duas semanas atr\u00e1s. O Nobel da Paz de 1980 defendeu a indica\u00e7\u00e3o de Lula para o pr\u00eamio, por suas a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 pobreza (&#8220;A fome \u00e9 um crime&#8221;), e disse que querem tirar o ex-presidente da disputa eleitoral &#8220;acusando-o de um delito inexistente&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Democracia \u00e9 igualdade para todos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 p\u00f4r o voto na urna&#8221;, afirmou Esquivel. &#8220;Para mim, democracia significa direitos iguais. N\u00e3o se ganha, se constr\u00f3i&#8221;, diz o escultor, artista pl\u00e1stico e ativista, apontando uma &#8220;viol\u00eancia estrutural&#8221; na regi\u00e3o, simbolizada pela pobreza, e defendendo a democracia participativa. &#8220;Estamos nesta luta permanente.&#8221;<\/p>\n<h3>Aliados? Nunca<\/h3>\n<p class=\" \">\u00c9, de novo, como nos anos 1960, a &#8220;m\u00e3o grande&#8221; dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina?, quer saber Juca.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Devemos levar em conta que os Estados Unidos implementaram bases militares em todo o continente.\u00a0Eles n\u00e3o est\u00e3o a\u00ed para cuidar de n\u00f3s, est\u00e3o a\u00ed para dominar. Por isso eu insisto que os Estados Unidos nunca ser\u00e3o aliados e solid\u00e1rios com a Am\u00e9rica Latina. Nunca&#8221;, enfatiza. Nem com Barack Obama. &#8220;Muito menos&#8221;, diz Esquivel, contando que recebeu uma &#8220;carta extensa, quase tr\u00eas p\u00e1ginas&#8221;, do ex-presidente norte-americano, em que o mandat\u00e1rio dizia concordar com v\u00e1rios pontos, como fechar a pris\u00e3o de Guant\u00e1namo, levantar o bloqueio a Cuba, aproximar-se com a Am\u00e9rica Latina. Mas, na correspond\u00eancia, afirma tamb\u00e9m que n\u00e3o podia fazer certas coisas, que dependeriam do Congresso dos Estados Unidos. E depois veio Donald Trump, que est\u00e1 levantando o &#8220;muro da inf\u00e2mia&#8221;, querendo separar os povos.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A Am\u00e9rica Latina \u00e9 um continente diverso, de muitos contrastes, de lutas sociais. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um continente dominado pelas grandes pot\u00eancias, principalmente pelos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m pelo grande capital&#8221;, diz Esquivel. &#8220;\u00c9 um continente riqu\u00edssimo, de recursos\u00a0naturais e humanos, por\u00e9m violentado. H\u00e1 uma viol\u00eancia social e estrutural, e isso viola os direitos dos povos.\u00a0 Depois das ditaduras, entramos em processos democr\u00e1ticos, mais formais do que reais. Devemos compreender que as democracias n\u00e3o s\u00e3o dadas. N\u00e3o basta colocar o voto numa urna e dizer que vivemos em uma democracia. Democracia \u00e9 direito e igualdade para todos e todos. Esse \u00e9 o espa\u00e7o que temos de gerar.&#8221;<\/p>\n<p>Ele fala das v\u00e1rias viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na regi\u00e3o \u2013 e direitos dos povos. &#8220;Muitas vezes em que se fala de direitos humanos, fazem unicamente refer\u00eancia a uma pessoa, o que tamb\u00e9m \u00e9 importante, mas se esquecem dos direitos da popula\u00e7\u00e3o. Direito ao meio ambiente, a uma vida digna, ao trabalho.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 isso que se passa atualmente na Am\u00e9rica Latina, acrescenta Esquivel, respondendo \u00e0 pergunta inicial de Juca. &#8220;Tivemos uma for\u00e7a muito importante, de governos democr\u00e1ticos, que foi se perdendo, como o de Hugo Ch\u00e1vez, o caso de Cuba, Brasil com Lula, Correa no Equador, na Argentina dos Kirchner, Pepe Mujica no Uruguai, Fernando Lugo no Paraguai. Depois veio uma avalanche de imposi\u00e7\u00f5es de golpes de Estado mascarados, aos moldes de ditaduras militares, apenas para citar o golpe em Honduras, que retira Manuel Zelaya e pratica muitas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e direitos dos povos. O assassinato de (Berta) C\u00e1ceres e de muitos outros l\u00edderes dos agricultores, mais de 100 jornalistas exilados, presos ou assassinados. Parece que o problema em Honduras n\u00e3o foi mostrado pela grande m\u00eddia. Fica mais centrado na Venezuela, em o que foi com Hugo Ch\u00e1vez e o que \u00e9 com Maduro. E no caso do Brasil, como voc\u00eas bem sabem, o golpe de Estado contra Dilma Rousseff, e agora toda essa campanha, essa situa\u00e7\u00e3o, na qual todo o continente fica preocupado com o fato de tentarem impedir a participa\u00e7\u00e3o de Lula nas elei\u00e7\u00f5es, acusando-o de um delito inexistente, de setores que querem impedir que o Brasil seja fonte de inspira\u00e7\u00e3o e trabalho social.&#8221;<\/p>\n<h3>Pris\u00e3o e solidariedade<\/h3>\n<p>Sobre o Nobel recebido em 1980, ele lembra que tinha acabado de sair da pris\u00e3o e recebeu a not\u00edcia com surpresa. &#8220;Meu trabalho n\u00e3o \u00e9 de uma pessoa, \u00e9 compartilhado por milhares de ind\u00edgenas, de camponeses, homens e mulheres, favelados.&#8221; Homens e mulheres pobres, que lutam por um mundo melhor, e em nome dessas pessoas Esquivel diz tentar manter a coer\u00eancia at\u00e9 hoje. Ele conta que, juntamente com a Universidade de Buenos Aires, est\u00e1 formando a Casa dos Pr\u00eamios Nobel Latino-americanos.<\/p>\n<p>Ele fala do movimento Clamor, um grupo criado no final dos anos 1970 para ajudar perseguidos pol\u00edticos do Cone Sul e que ajudou a recuperar, no Chile, as duas primeiras crian\u00e7as argentinas sequestradas durante a ditadura.<\/p>\n<p>Esquivel recorda a conviv\u00eancia com &#8220;muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s solid\u00e1rios com a vida do povo&#8221;, como Dom Paulo Evaristo Arns, que sempre recebia refugiados de pa\u00edses do continente. Lembra de um encontro &#8220;tenso, doloroso, duro&#8221;, no ano da morte sob tortura do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, em 1975. Naquele ano, ele e outros estavam organizando um encontro de bispos latino-americanos. O argentino foi preso ainda no aeroporto. &#8220;Ent\u00e3o me levaram, me encapuzaram, puseram grava\u00e7\u00f5es com gritos de torturados, n\u00e3o nos permitem nem encostar na parede&#8230;&#8221;\u00a0Queriam que ele denunciasse opositores do regime. Foi tirado da pris\u00e3o por Dom Paulo.<\/p>\n<p>Em 1981, nova pris\u00e3o no Brasil. Ele iria participar de uma palestra na se\u00e7\u00e3o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro. &#8220;Falei sobre impunidade e mandaram me prender. Mas eu havia mudado minha passagem de avi\u00e3o, eles foram me prender no aeroporto do Rio e me encontrei com Leonardo Boff, que disse que iria naquele voo, e pediu que mudasse o meu para viajarmos juntos. E eu fiz isso. Ent\u00e3o, como n\u00e3o puderam me prender no Rio, foram me prender em S\u00e3o Paulo.&#8221; Novamente, Dom Paulo promoveu uma manifesta\u00e7\u00e3o e foi libert\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8220;Havia um senador&#8230; Passarinho&#8230;&#8221;, diz, ao que Carol e Juca exclamam &#8220;Jarbas Passarinho!&#8221;, citando um dos expoente pol\u00edticos do regime autorit\u00e1rio. &#8220;Dom Paulo disse que a democracia no Brasil era apenas para um passarinho&#8221;, diz o argentino, recordando um trocadilho do religioso brasileiro. &#8220;N\u00f3s trabalhamos muito, ficamos muito pr\u00f3ximos.&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned\">\n<dt><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" lazyloaded\" title=\"Entrevista com Esquivel\" src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/politica\/2018\/03\/esquivel-democracia-nao-e-so-por-o-voto-na-urna-e-igualdade\/entrevista-com-esquivel\/image\" alt=\"Entrevista com Esquivel\" width=\"780\" height=\"490\" data-src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/politica\/2018\/03\/esquivel-democracia-nao-e-so-por-o-voto-na-urna-e-igualdade\/entrevista-com-esquivel\/image\" \/><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\"><\/dd>\n<dd class=\"image-caption\"><\/dd>\n<dd class=\"image-caption\">\n<h3>Pol\u00edtico, n\u00e3o partid\u00e1rio<\/h3>\n<\/dd>\n<\/dl>\n<p>Criado pelos franciscanos, ele lembra que at\u00e9 usa a sauda\u00e7\u00e3o dessa ordem:\u00a0<em>Paz e bem<\/em>. E diz que o\u00a0Evangelho tem de ser &#8220;concreto&#8221;, voltado para o povo, para o amor ao pr\u00f3ximo, \u00e0 humanidade, \u00e0 m\u00e3e Terra. &#8220;A partir da\u00ed, sempre busquei de participar nos bairros, nas organiza\u00e7\u00f5es populares, nas par\u00f3quias, um trabalho essencialmente pol\u00edtico. &#8220;Nunca militei em partido pol\u00edtico&#8221;, observa Esquivel, que enfatiza a &#8220;atividade pol\u00edtica, n\u00e3o partid\u00e1ria, justamente para ter liberdade para poder atuar nos momentos que julgamos necess\u00e1rio&#8221;. E recorda a amizade com &#8220;um homem maravilhoso&#8221;, Dom H\u00e9lder C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Juca pergunta sobre a rela\u00e7\u00e3o com o Papa e cita acusa\u00e7\u00f5es de que o pont\u00edfice teria sido complacente com a ditadura argentina. &#8220;Sim, houve muitos ataques&#8221;, lembra Esquivel, contando que estava na It\u00e1lia quando Francisco foi escolhido Papa. &#8220;Foi quando a BBC ligou e eu neguei isso, que Francisco sempre foi um homem solid\u00e1rio, trabalhava com os mais pobres, nas favelas, no trabalho social. Ajudou gente durante a ditadura. Mas houve um problema com dois sacerdotes (<em>Francisco Jalics e Orlando Yorio<\/em>), que diziam em uma carta que as a\u00e7\u00f5es do Papa n\u00e3o haviam sido suficientes. Mas eles conseguiram ser retirados da pris\u00e3o em cinco meses. Fiquei preso por mais de dois anos, e ningu\u00e9m conseguiu me tirar da pris\u00e3o. Passei por tortura, pelos chamados &#8216;voos da morte&#8217;, sou um sobrevivente dessa \u00e9poca. Francisco ainda n\u00e3o era bispo, era um superior na comunidade jesu\u00edta, e tratou de ajudar-nos nisso. E podemos ver no mundo a obra que est\u00e1 fazendo como Papa. Ele tem tamb\u00e9m uma vis\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 religiosa do Evangelho, mas pol\u00edtica, assim como Dom Paulo Evaristo Arns, Fragoso, Dom H\u00e9lder C\u00e2mara.&#8221;<\/p>\n<p>A professora e jurista Carol Proner quer saber de Esquivel como o Papa percebe o momento de retrocesso na Am\u00e9rica Latina e como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com o governo Macri, na Argentina.\u00a0<\/p>\n<p>Ele conta que tem uma &#8220;comunica\u00e7\u00e3o regular&#8221; com Francisco. &#8220;Sempre que viajo a Roma, nos encontramos numa salinha e falamos de muitos assuntos. H\u00e1 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o latino-americana, a situa\u00e7\u00e3o mundial, com a situa\u00e7\u00e3o de pobreza, mis\u00e9ria e dor.&#8221;<\/p>\n<p>Juca lembra dos protestos frequentes contra o governo Macri. &#8220;Sim, h\u00e1 uma resist\u00eancia, principalmente pelas demiss\u00f5es. H\u00e1 um crescente n\u00famero de demiss\u00f5es,\u00a0fechamento de escolas, de hospitais. Acontece que esse sistema neoliberal que foi proposto privilegia o\u00a0capital financeiro, acima das necessidades do povo.&#8221; Ele fala do assassinato de Rafael Nahuel, um jovem mapuche baleado pelas costas por for\u00e7as de seguran\u00e7a. &#8220;H\u00e1 o caso de um policial que foi felicitado por Macri (na Casa Rosada, sede do governo) por ter assassinado um jovem. Isso deixa claro que as pessoas est\u00e3o reagindo. H\u00e1 protestos nos est\u00e1dios de futebol, nas ruas h\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o muito forte, com uma repress\u00e3o brutal, por n\u00e3o se aceitar as respostas que Macri queria impor. Ent\u00e3o, essa resist\u00eancia vai crescendo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;No caso do Brasil, n\u00f3s sofremos a interrup\u00e7\u00e3o do mandato presidencial por um impeachment sem crime. Portanto, um golpe, em 2016, enquanto na Argentina n\u00f3s tivemos uma elei\u00e7\u00e3o institucional&#8221;, compara Carol, que v\u00ea uma &#8220;pequena vantagem pol\u00edtico-moral, &#8220;porque fomos golpeados&#8221;. Macri faz reformas sob grande resist\u00eancia, mas sob um marco institucional, enquanto no Brasil o governo tenta impor mudan\u00e7as em um v\u00e1cuo de legitimidade institucional.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, questiona Juca, como falar em uma\u00a0verdadeira democracia quando as nossas elei\u00e7\u00f5es, na Am\u00e9rica Latina, s\u00e3o &#8220;contaminadas&#8221; pelo capital, que elege seus candidatos? Esquivel observa que, muitas vezes, os dirigentes pol\u00edticos partem das diverg\u00eancias em vez das concord\u00e2ncias. &#8220;Que tipo de programas? Para qu\u00ea? Porque se forem pessoais, n\u00e3o servem. O problema est\u00e1 em ver que tipo de pa\u00eds querem. A busca do bem comum para uma sociedade. Creio que a\u00ed est\u00e1 o problema. Quais s\u00e3o os projetos alternativos? Por que Macri ganha as elei\u00e7\u00f5es na Argentina? Como se produz o golpe de Estado no Brasil que tirou Dilma Rousseff. Voc\u00eas t\u00eam um governo de fato e n\u00e3o um governo democr\u00e1tico. Temos um governo eleito pelo povo, que tampouco \u00e9 democr\u00e1tico.&#8221;<\/p>\n<p>A for\u00e7a vem de todos, n\u00e3o \u00e9 de uma pessoa, insiste Esquivel, citando tamb\u00e9m a &#8220;resist\u00eancia cultural&#8221; em artistas como Chico Buarque, Mario Benedetti (<em>escritor uruguaio<\/em>), Le\u00f3n Gieco (<em>m\u00fasico argentino<\/em>). Mas, para mim, o importante \u00e9 a vida espiritual. N\u00e3o sou apenas um homem social, pol\u00edtico. E isso me anima permanentemente. Sempre digo: n\u00e3o se pode perder o sorriso da vida. Quando deixamos de sorrir \u00e9 porque nos venceram&#8221;.\u00a0<\/p>\n<h3>Lula e o Nobel<\/h3>\n<p>E ele volta a citar o ex-presidente. &#8220;Que apesar de tantos ataques, de tantas coisas&#8230; Vou indicar Lula ao Pr\u00eamio Nobel da Paz. Penso que ele merece por todo seu trabalho contra a pobreza e a fome. A fome \u00e9 um crime.&#8221;<\/p>\n<p>Carol ressalta a import\u00e2ncia da presen\u00e7a de Esquivel no Brasil, em especial em um momento como o atual, e quer saber como \u00e9 o trabalho dele como professor. &#8220;J\u00e1 dei aulas na Faculdade de Arquitetura, nas escolas de Artes, na Faculdade de Ci\u00eancias Sociais&#8221;, conta, esperando ajudar os jovens a pensar de outras maneira. &#8220;Pois neste mundo t\u00e3o concentrado, da mesma forma que h\u00e1 monocultura, o mesmo cultivo de soja, eucalipto, milho, o cultivo mais perigoso \u00e9 a monocultura de mentes. A diversidade \u00e9 a grande riqueza dos povos Temos que trabalhar sobre isso, sobre a diversidade, a consci\u00eancia cr\u00edtica. Temos de transmitir, temos de acompanhar a nova gera\u00e7\u00e3o. Creio que a\u00ed est\u00e1 a semente do pensamento filos\u00f3fico, \u00e9tico, de valores.&#8221;<\/p>\n<p>Ao citar o F\u00f3rum Social Mundial, ele diz que outro mundo s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se houver capacidade de se unir e buscar um novo pensamento. &#8220;O povo n\u00e3o se deu por vencido, tem a capacidade de resist\u00eancia. E os jovens, aqueles que nos escutam, t\u00eam de compartilhar, saber se aproximar do outro,\u00a0 saber que o problema do outro \u00e9 tamb\u00e9m o nosso. Essa \u00e9 a forma de construir.&#8221; Esquivel observa ainda que &#8220;a paz n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de conflito&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"text-decoration: underline;\">FONTE: Rede Brasil Atual\u00a0<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 muita gan\u00e2ncia os argentinos terem Messi e o Papa ao mesmo tempo?&#8221;, pergunta Juca Kfouri a seu convidado, o argentino Adolfo P\u00e9rez Esquivel, que abre os bra\u00e7os e esbo\u00e7a um sorriso, dizendo: &#8220;H\u00e1 que aceitar as coisas. 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