{"id":4011,"date":"2018-03-15T19:14:17","date_gmt":"2018-03-15T22:14:17","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/agua-mais-cara-escassez-desastre-ambiental-impunidade-e-a-privatizacao\/"},"modified":"2018-03-15T19:14:17","modified_gmt":"2018-03-15T22:14:17","slug":"agua-mais-cara-escassez-desastre-ambiental-impunidade-e-a-privatizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/agua-mais-cara-escassez-desastre-ambiental-impunidade-e-a-privatizacao\/","title":{"rendered":"\u00c1gua mais cara, escassez, desastre ambiental, impunidade. \u00c9 a privatiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Se o mercado continuar mandando nas pol\u00edticas e nos padr\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de bens, as perspectivas em termos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e escassez de \u00e1gua no planeta s\u00e3o as piores poss\u00edveis. O alerta \u00e9 do planejador ambiental Renato Tagnin.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Segundo cientistas, a pior hip\u00f3tese para o meio ambiente \u00e9 o\u00a0<a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/economia\/2017\/09\/controle-da-agua-e-efeito-colateral-da-privatizacao-da-eletrobras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mercado tomar conta<\/a>. Evid\u00eancias, pesquisas e proje\u00e7\u00f5es mostram que esse formato de explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais para a reprodu\u00e7\u00e3o do capital, da \u00e1gua principalmente, vai deixar um grande preju\u00edzo, o chamado passivo ambiental, para esta e futuras gera\u00e7\u00f5es.\u00a0Quando uma corpora\u00e7\u00e3o se apropria de um recurso natural, seja qual for, n\u00e3o se preocupa com o que decorrer\u00e1 dessa apropria\u00e7\u00e3o. Insere esse recurso em uma estrat\u00e9gia, na produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de bens, e deixa para a sociedade o passivo. Vai ficar pra algu\u00e9m resolver os problemas deixados por atividades econ\u00f4micas&#8221;, alertou.<\/p>\n<p>Integrante da comiss\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica do Movimento em Defesa da Vida do ABC e\u00a0consultor do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente para a elabora\u00e7\u00e3o da Estrat\u00e9gia Federal de Gest\u00e3o Ambiental Urbana, Tagnin participou da\u00a0mesa-redonda em defesa da \u00e1gua realizada na noite de ontem (14) pela Frente Parlamentar em Defesa da Billings, na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O debate marcou a semana em que ter\u00e3o in\u00edcio dois grandes eventos internacionais para debater o tema. No s\u00e1bado (17), ter\u00e1 in\u00edcio o\u00a0F\u00f3rum Alternativo Mundial da \u00c1gua (Fama 2018).\u00a0Com o tema\u00a0<em>\u00c1gua \u00e9 um Direito e n\u00e3o Mercadoria<\/em>, o evento realizados por movimentos e sindicatos\u00a0visam a constru\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a de resist\u00eancia e uma agenda de lutas contra as privatiza\u00e7\u00f5es e a mercantiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. E no domingo (18) come\u00e7a o 9\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, que re\u00fane representantes de governos e empresas \u2013 da\u00ed estar sendo chamado de &#8220;balc\u00e3o de neg\u00f3cios&#8221; do setor, de olho no mercado e nos recursos h\u00eddricos do Brasil. Os dois encontros ser\u00e3o em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Tagnin lembrou que sempre que o assunto \u00e9 escassez e a desigualdade no acesso \u00e0 \u00e1gua,\u00a0o mercado logo se apresenta como &#8220;a solu\u00e7\u00e3o que conseguir\u00e1 regular e racionalizar o uso&#8221;, o que \u00e9 uma fal\u00e1cia, segundo ele. &#8220;A escassez e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o iniciativas planejadas pelo pr\u00f3prio modus operandi das empresas e das grandes corpora\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>E destacou a impunidade que beneficia o setor empresarial, que teria de\u00a0vender seus produtos por pre\u00e7os &#8220;inimagin\u00e1veis&#8221; e abrir m\u00e3o de lucros para pagar multas relativas aos danos que causa. E que, ao contr\u00e1rio disso disso, al\u00e9m de n\u00e3o reconhecer o passivo social e ambiental, ficam com o &#8220;fil\u00e9 da lucratividade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Levantamentos em diversas partes do mundo mostram que, em geral, \u00e9 muito mais compensador correr o risco de ser multado por uma inadequa\u00e7\u00e3o, um problema, ou mesmo uma trag\u00e9dia como a de Mariana ou de Barcarena, do que incluir no processo produtivo os cuidados para preven\u00e7\u00e3o, as chamadas externalidades, que exigem mudan\u00e7as nas margens de lucro. Preferem correr o risco de uma eventualidade, de uma multa, cujo valor comparado com os preju\u00edzos causados \u00e9 rid\u00edculo. Correr o risco e infringir a lei valem a pena e por isso se tornou regra&#8221;.<\/p>\n<p>Conforme lembrou o especialista, a concentra\u00e7\u00e3o empresarial em todas as atividades que exploram os recursos naturais, com forte presen\u00e7a do capital financeiro, torna essas corpora\u00e7\u00f5es ainda mais fortes e imunes.<\/p>\n<p>&#8220;Temos hoje em dia em torno de 60 empresas que det\u00eam a maior parte dos recursos. Uma concentra\u00e7\u00e3o de renda, de poder, diante da qual os governos podem muito pouco em termos de regula\u00e7\u00e3o. Tanto que na crise de 2008, ningu\u00e9m foi preso naquele grande estelionato financeiro. Os grupos s\u00e3o muito grandes para falhar e para botar na cadeia, alegam eles. Por isso, quando a Justi\u00e7a e o estado reconhecem a impossibilidade de controlar, imaginem como ser\u00e1 com nossos recursos essenciais, como a \u00e1gua, que mant\u00e9m a vida, serem apropriados por essas corpora\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma temeridade que esse poder de controle seja transferido a quem tem as pr\u00e1ticas que tem, que est\u00e3o documentadas e alertadas por cientistas h\u00e1 tempos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Tognin lembrou ainda que, ao considerar a iniciativa privada na regula\u00e7\u00e3o do chamado mercado da \u00e1gua, como defende o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) em seu\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/legis.senado.leg.br\/sdleg-getter\/documento?dm=7331679&amp;disposition=inline\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Projeto de Lei do Senado (PLS) 495, de 2017<\/a>, que altera a Lei n\u00ba 9.433, de 8 de janeiro de 1997, para introduzir os mercados de \u00e1gua &#8220;como instrumento destinado a promover aloca\u00e7\u00e3o mais eficiente dos recursos h\u00eddricos&#8221;. Isso\u00a0significa negar trag\u00e9dias ambientais, como fontes exploradas at\u00e9 secar pela Nestl\u00e9, em S\u00e3o Louren\u00e7o, no sul de Minas Gerais, entre outras abafadas pela m\u00eddia comercial e pelos milh\u00f5es que essas empresas investem em publicidade e propaganda.\u00a0<\/p>\n<h3>M\u00e1 gest\u00e3o<\/h3>\n<p>&#8220;Estamos em um momento decisivo no pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o a seus recursos h\u00eddricos. Em 2014 e 2015 sofremos os efeitos da crise h\u00eddrica com a aus\u00eancia de chuvas e o descaso com o que s\u00e3o tratadas quest\u00f5es relacionadas \u00e0 \u00e1gua, que deveria ser tratada como direito e n\u00e3o como mercadoria&#8221;, disse o diretor de rela\u00e7\u00f5es externas da Associa\u00e7\u00e3o dos Profissionais Universit\u00e1rios da Sabesp, Amauri Pollachi.\u00a0<\/p>\n<p>Ele lembrou que a falta de investimentos na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos do governo de Geraldo Alckmin, que praticamente secou reservat\u00f3rios que ainda n\u00e3o se recompuseram e exp\u00f4s a insuficiente disponibilidade de \u00e1gua \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, em torno de 130 metros c\u00fabicos por habitante por ano. &#8220;Uma disponibilidade t\u00e3o pequena que para continuar o abastecimento \u00e9 necess\u00e1rio importar \u00e1gua de outras bacias.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 projetos para trazer \u00e1gua da represa Jurumirim, em Avar\u00e9, do rio Itapanha\u00fa, em Bertioga, al\u00e9m de outros, que enfrenta resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es locais, que com raz\u00e3o temem o desabastecimento. Mas h\u00e1 dez anos se espera a regulamenta\u00e7\u00e3o do uso da \u00e1gua pela agricultura, falta incentivo para outras formas de irriga\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Pollachi alertou ainda para retrocessos com a\u00a0reforma regulat\u00f3ria do setor de saneamento, em que o governo de Michel Temer pretende alterar a lei de cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) e o Marco Regulat\u00f3rio de Saneamento. A ideia \u00e9 para trazer o setor privado para o controle do setor, que vir\u00e1 por meio de medida provis\u00f3ria. O temor \u00e9 que o saneamento, e o tratamento de \u00e1gua, sejam priorizados por essas empresas apenas em regi\u00f5es mais lucrativas.\u00a0<\/p>\n<p>O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em \u00c1gua, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de S\u00e3o Paulo (Sintaema) Jos\u00e9 Mairton Pereira Barreto criticou sobretudo a gest\u00e3o estadual, que sem consultar a popula\u00e7\u00e3o, prioriza grandes projetos de transposi\u00e7\u00e3o. &#8220;Para evitar &#8216;problemas futuros&#8217;, busca-se trazer \u00e1gua do Para\u00edba do Sul, do S\u00e3o Louren\u00e7o, retirando \u00e1gua de outras bacias, com todo o impacto ambiental, social, quando se perde muita \u00e1gua com fissuras e vazamentos&#8221;.<\/p>\n<p>Ele destacou experi\u00eancias de re-estatiza\u00e7\u00e3o do setor. &#8220;No mundo todo s\u00e3o mais comuns casos de volta do controle estatal da \u00e1gua, 267 casos no total. S\u00f3 na Fran\u00e7a foram 106 casos recentes, e nos Estados Unidos,\u00a051. Com essas experi\u00eancias frustradas, que pioraram os servi\u00e7os e aumentaram as tarifas, as empresas v\u00eam para o nosso pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Participaram ainda do debate o integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Frente Brasil Popular Gabriel Gon\u00e7alves, o presidente da CUT S\u00e3o Paulo, Douglas Izzo, e os deputados da bancada do PT Luiz Fernando, Teon\u00edlio Barba, Marcos Martins e Ana do Carmo, coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa da Billing, que presidiu a mesa.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>FONTE: Rede Brasil Atual<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o mercado continuar mandando nas pol\u00edticas e nos padr\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de bens, as perspectivas em termos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e escassez de \u00e1gua no planeta s\u00e3o as piores poss\u00edveis. 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