{"id":3961,"date":"2018-03-09T12:43:30","date_gmt":"2018-03-09T15:43:30","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/como-o-machismo-violenta-a-vida-das-mulheres\/"},"modified":"2018-03-09T12:43:30","modified_gmt":"2018-03-09T15:43:30","slug":"como-o-machismo-violenta-a-vida-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/como-o-machismo-violenta-a-vida-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Como o machismo violenta a vida das mulheres"},"content":{"rendered":"<div class=\"content\">\n<p>Nilza Silva, 35 anos, foi morta em casa com golpes de machado na cidade de Atibaia. Elizabeth Aparecida Ribeiro, 36 anos, professora, foi morta a facadas em seu apartamento, em Mar\u00edlia. Wilce Helena Oliveira Machado, 49 anos, foi encontrada morta em sua casa com sinais de estrangulamento, em Paragua\u00e7u Paulista.<\/p>\n<p>As tr\u00eas mulheres t\u00eam em comum, al\u00e9m do destino tr\u00e1gico, o fato de terem sido assassinadas pelos parceiros com os quais conviviam. Um tipo de brutalidade que se enquadra no chamado feminic\u00eddio, o assassinato de uma mulher pelo simples fato de ela ser mulher.<\/p>\n<p>Nesses casos, o \u00f3dio, o desprezo e o sentimento de perda de controle sobre a mulher s\u00e3o justificativas comuns para esse tipo de atrocidade. As tr\u00eas foram mortas no dia 10 de janeiro de 2018 em cidades do interior paulista.<\/p>\n<p>Secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT S\u00e3o Paulo, M\u00e1rcia Viana lamenta que o machismo e o feminic\u00eddio estejam impregnados na sociedade brasileira. \u201cO machismo mata e precisamos acabar com isso\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>M\u00e1rcia defende a intensifica\u00e7\u00e3o da luta, ainda mais, segundo ela, em tempos de golpe. \u201cCom este governo golpista, que acabou com as pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher, s\u00f3 nos resta a resist\u00eancia. \u00c9 necess\u00e1rio alterar de uma vez por todas essa cultura do machismo. N\u00e3o \u00e9 e n\u00e3o pode ser visto por ningu\u00e9m como algo natural no cotidiano da vida das mulheres.\u201d<\/p>\n<p>No estado de S\u00e3o Paulo, de janeiro a outubro de 2017, a Justi\u00e7a instaurou 175 processos por feminic\u00eddio.<\/p>\n<p>Dados da Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica paulista apontam que SP registra um feminic\u00eddio a cada quatro dias. Os n\u00fameros s\u00e3o resultado do levantamento dos boletins de ocorr\u00eancia do primeiro semestre de 2017.<\/p>\n<p>A realidade paulista, contudo, n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. O Brasil tem a quinta maior taxa de feminic\u00eddio do mundo, de acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>E n\u00e3o para por a\u00ed: a viol\u00eancia tamb\u00e9m tem cor no Pa\u00eds. Pesquisas apontam que as viol\u00eancias racista, sexista e institucional atingem principalmente as mulheres negras.<\/p>\n<p>Levantamento do Mapa da Viol\u00eancia 2015, produzido pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais, mostra que o n\u00famero de mulheres negras assassinadas entre 2003 e 2013 cresceu 54%, enquanto o \u00edndice de feminic\u00eddio de mulheres brancas caiu, no mesmo per\u00edodo, 10%.<\/p>\n<p>Para M\u00e1rcia Viana, as mulheres negras s\u00e3o as que mais sofrem. \u201cElas est\u00e3o entre as que ganham menos, as que ocupam os postos de trabalhos mais precarizados e tamb\u00e9m s\u00e3o as maiores v\u00edtimas de seus companheiros\u201d, lamenta, ressaltando a import\u00e2ncia de a luta feminista ter o olhar direcionado \u00e0s mulheres negras.<\/p>\n<p><strong>Aumento dos estupros e jornada das mulheres<\/strong><br \/> Al\u00e9m do feminic\u00eddio, a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo (SSP-SP) divulgou em fevereiro deste ano o aumento de 15,5% no n\u00famero de estupros em janeiro de 2018, em compara\u00e7\u00e3o com janeiro de 2017, segundo o balan\u00e7o mensal da criminalidade.<\/p>\n<p>\u00c9 contra essas v\u00e1rias formas de viol\u00eancia, lembra M\u00e1rcia, que a <ins><a href=\"http:\/\/cutsp.org.br\/noticias\/confira-agenda-da-jornada-das-mulheres-em-defesa-da-democracia-e-dos-direitos-0a4c\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Jornada de Luta das Mulheres em Defesa da Democracia e dos Direitos<\/strong><\/a><\/ins>, organizada pela CUT S\u00e3o Paulo, em parceria com a CUT nacional e movimentos de mulheres, ocorre no estado de S\u00e3o Paulo at\u00e9 o dia 1\u00ba de maio.<\/p>\n<p>Durante a jornada, as mulheres debater\u00e3o tamb\u00e9m a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) n\u00ba181, de 2015. Adiada no ano passado ap\u00f3s press\u00e3o popular, ela pode voltar \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados em 2018.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, a lei tratava da extens\u00e3o da licen\u00e7a-maternidade para o caso de beb\u00eas nascidos prematuros. Mas, os deputados homens da comiss\u00e3o votaram pela inclus\u00e3o de uma altera\u00e7\u00e3o no artigo primeiro da Constitui\u00e7\u00e3o, destacando \u201ca dignidade da pessoa humana, desde a concep\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 que a manobra dos parlamentares abriu brechas para aumentar a criminaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de aborto, mesmo em casos de estupro, risco de morte da m\u00e3e ou doen\u00e7a como a anencefalia &#8211; aus\u00eancia parcial ou total de c\u00e9rebro no feto, que hoje s\u00e3o permitidos pelo C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>\u201cMedidas como essa, se aprovadas, representam uma viol\u00eancia e ser\u00e3o ainda piores \u00e0s mulheres negras, pobres e jovens em situa\u00e7\u00e3o de aborto inseguro. Esta proposta retira o direito das mulheres sobre seus corpos e sequer faz o di\u00e1logo sobre a quest\u00e3o de sa\u00fade, que est\u00e1 ligada ao tema\u201d, conclui a banc\u00e1ria e secret\u00e1ria de Comunica\u00e7\u00e3o da CUT S\u00e3o Paulo, Adriana Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>Perda de direitos<\/strong><br \/> Diante do cen\u00e1rio de viol\u00eancia contra as mulheres, em 2015, a presidenta eleita Dilma Rousseff sancionou a Lei n\u00ba 13.104, que tornou hediondo o crime de feminic\u00eddio.<\/p>\n<p>O dossi\u00ea \u201cViol\u00eancia contra as mulheres\u201d, da Ag\u00eancia Patr\u00edcia Galv\u00e3o, mostra que o principal ganho desta lei foi justamente tirar o problema da invisibilidade.<\/p>\n<p>\u201cA tipifica\u00e7\u00e3o \u00e9 vista por especialistas como uma oportunidade para dimensionar a viol\u00eancia contra as mulheres no Pa\u00eds, quando ela chega ao desfecho extremo do assassinato, permitindo, assim, o aprimoramento das pol\u00edticas p\u00fablicas para coibi-la e preveni-la\u201d, diz trecho do documento.<\/p>\n<p>A medida fortaleceu a Lei Maria da Penha, sancionada pelo ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>Reconhecida mundialmente como um grande instrumento de combate \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres, a Lei Maria da Penha providenciou as medidas protetivas de urg\u00eancia, mas a Lei do Feminic\u00eddio ajudou a endurecer as penas de homic\u00eddios praticados contra mulheres por raz\u00f5es de g\u00eanero, estabelecendo, inclusive crime inafian\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mas, logo ap\u00f3s o golpe de Estado que colocou o ileg\u00edtimo Michel Temer (MDB-SP) no poder, tudo come\u00e7ou a piorar. O golpista Temer cortou 61% das verbas destinadas ao atendimento de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia de 2016 para 2017.<\/p>\n<p>De 42,9 milh\u00f5es previstos para o setor, em 2016, o or\u00e7amento caiu para 16,6 milh\u00f5es, em 2017, segundo dados do Portal do Or\u00e7amento do Senado Federal. Tamb\u00e9m houve redu\u00e7\u00e3o de 54% do or\u00e7amento para pol\u00edticas de incentivo \u00e0 autonomia das mulheres, diminuindo de R$ 11,5 milh\u00f5es para R$ 5,3 milh\u00f5es, no mesmo per\u00edodo, afetando, por exemplo, programas como o \u2018Mulher, Viver sem Viol\u00eancia\u2019.<\/p>\n<p>Para a ex-ministra da Secretaria de Pol\u00edticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, a conjuntura n\u00e3o surpreende, j\u00e1 que o golpe \u00e9 perverso, neoliberal e mis\u00f3gino, como classifica. Segundo ela, isso demonstra o descaso de um governo ileg\u00edtimo a servi\u00e7o das classes dominantes.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres ser\u00e3o as mais afetadas com medidas como a do congelamento dos gastos p\u00fablicos por 20 anos, aprovado por maioria no Congresso Nacional. Elas s\u00e3o as maiores usu\u00e1rias dos servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o\u201d, denuncia a ex-ministra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo ela, a reforma Trabalhista, que flexibiliza os direitos hist\u00f3ricos da classe trabalhadora, atinge, sobretudo, as mulheres. \u201cElas j\u00e1 recebem menores sal\u00e1rios e agora ter\u00e3o de se deparar com o fato de que gestantes poder\u00e3o trabalhar em lugares insalubres\u201d, critica.<\/p>\n<p>Secret\u00e1ria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Jun\u00e9ia Batista ressalta, por\u00e9m, que, mesmo diante de um cen\u00e1rio de retirada de direitos, o movimento sindical, ao lado dos movimentos populares, tem cumprido papel fundamental na luta de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cA press\u00e3o das trabalhadoras e dos trabalhadores tem barrado in\u00fameros retrocessos no Brasil, mas ainda temos muitas lutas pela frente para combater o golpe e o machismo e barrar medidas como a reforma da Previd\u00eancia, que hoje est\u00e1 suspensa, mas pode voltar a qualquer momento\u201d, diz.<\/p>\n<\/div>\n<p id=\"page-author\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Fonte: CUT-SP<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nilza Silva, 35 anos, foi morta em casa com golpes de machado na cidade de Atibaia. 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