{"id":3917,"date":"2018-03-05T18:14:14","date_gmt":"2018-03-05T21:14:14","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mulheres-contra-os-retrocessos-nos-tempos-de-golpe\/"},"modified":"2018-03-05T18:14:14","modified_gmt":"2018-03-05T21:14:14","slug":"mulheres-contra-os-retrocessos-nos-tempos-de-golpe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mulheres-contra-os-retrocessos-nos-tempos-de-golpe\/","title":{"rendered":"Mulheres contra os retrocessos nos tempos de golpe"},"content":{"rendered":"<div class=\"content\">\n<p>Desde que assumiu o poder ap\u00f3s o golpe, o governo ileg\u00edtimo e golpista de Michel Temer (MDB-SP), tem promovido um ataque sistem\u00e1tico aos direitos sociais e trabalhistas, atingindo principalmente as mulheres. Por isso, em mar\u00e7o, a luta e a resist\u00eancia contra o retrocesso ser\u00e3o intensificadas pela CUT e movimentos sociais e feministas.<\/p>\n<p>A soci\u00f3loga e formadora da Escola Sindical S\u00e3o Paulo, Juliana Furno, afirma que as reformas propostas por Temer, como a Trabalhista e previdenci\u00e1ria; e o congelamento dos gastos p\u00fablicos por 20 anos, recolocam a mulher em uma condi\u00e7\u00e3o de desigualdade acentuada, que vinha sendo combatida durante os \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A limita\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos por 20 anos impacta toda a sociedade, mas s\u00e3o os mais pobres, especialmente as mulheres, que efetivamente sentem os efeitos em suas vidas. A soci\u00f3loga explica que o Estado \u00e9 o principal empregador das mulheres, j\u00e1 que 30% dos cargos p\u00fablicos s\u00e3o ocupados por elas. \u00c0 medida em que o Estado diminui de tamanho, provavelmente as mulheres perdem empregos no setor.<\/p>\n<p>Por outro lado, a limita\u00e7\u00e3o dos gastos diminui tamb\u00e9m a oferta do servi\u00e7o p\u00fablico e s\u00e3o as mulheres mais pobres e as que perderam seus empregos que mais utilizam servi\u00e7os como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e creches.<\/p>\n<p>J\u00e1 a reforma da Previd\u00eancia, que por press\u00e3o do movimento sindical foi suspensa no dia 19 de fevereiro, aumentaria a desigualdade entre os g\u00eaneros. A proposta desconsidera as diferentes realidades entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>Juliana Furno lembra que \u00e9 \u201ca mulher quem geralmente cuida da casa, dos filhos, da economia dom\u00e9stica e, por isso, exerce dupla, \u00e0s vezes tripla jornada de trabalho\u201d. Por esse conceito, a Previd\u00eancia Social ainda se mant\u00e9m como \u201c\u00fanica pol\u00edtica que contempla as mulheres em quest\u00e3o de combate \u00e0 desigualdade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAo equiparar a idade de aposentadoria de homens e mulheres, o texto ignora a realidade das mulheres\u201d, diz Juliana.<\/p>\n<p>Ela explica que \u201cna vida profissional, elas t\u00eam uma trajet\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 regular, acabam tendo que parar para cuidar dos filhos, dos idosos, ent\u00e3o a exig\u00eancia m\u00ednima de 25 anos de contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 quase imposs\u00edvel para as mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Juliana, se a reforma proposta j\u00e1 estivesse em vigor, somente 56% das mulheres que se aposentaram em 2016, conseguiriam se aposentar.<\/p>\n<p>J\u00e1 reforma Trabalhista (Lei 13.467\/2017) permite novas e perversas formas de contrata\u00e7\u00e3o como o trabalho intermitente (por hora ou apenas em alguns dias da semana), o parcial, o tempor\u00e1rio e o trabalho terceirizado. De acordo com a soci\u00f3loga, o retrocesso ser\u00e1 sentido principalmente em setores onde h\u00e1 hor\u00e1rios de pico, como o de com\u00e9rcio e servi\u00e7os, que justamente emprega mais mulheres do que homens. \u201cA possibilidade de n\u00e3o haver hor\u00e1rio fixo, extens\u00e3o de jornada de trabalho desorganiza a vida do trabalhador em geral, mas principalmente delas, que ainda t\u00eam que cuidar dos afazeres da casa. Vai dificultar para que a mulher conquiste ou mantenha sua autonomia\u201d, diz Juliana Furno.<\/p>\n<p><strong>Sal\u00e1rios mais baixos<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1990, a \u00fanica forma que mulheres mais pobres, as negras principalmente, tinham para ingressar na vida profissional era como empregadas dom\u00e9sticas. Naquele per\u00edodo, do total de mulheres no mercado de trabalho, 20% desempenhavam essa atividade. Do in\u00edcio dos anos 2000 at\u00e9 2016, elas deixaram de ser maioria no trabalho dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>A soci\u00f3loga Juliana Furno lembra que o crescimento econ\u00f4mico e a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas como a valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo durante os governos de Lula e Dilma, fez com que o mercado de trabalho absorvesse a m\u00e3o-de-obra feminina. Com a cria\u00e7\u00e3o de mais postos de trabalho e a inser\u00e7\u00e3o da mulher, a desigualdade de g\u00eanero caiu.<\/p>\n<p>Apesar disso, as mulheres continuam ocupando a menor fatia do mercado de trabalho, ainda que formem a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira e em idade para trabalhar, elas t\u00eam sal\u00e1rios m\u00e9dios inferiores aos dos homens.<\/p>\n<p>Segundo os dados da PNAD Cont\u00ednua (Pesquisa Nacional por Amostra de Dom\u00edcilios) do IBGE, no quarto trimestre de 2017, o sal\u00e1rio m\u00e9dio das mulheres brancas era de R$ 2.209,00, enquanto o dos homens brancos era de R$ 3.090,00. J\u00e1 a m\u00e9dia salarial das mulheres negras, no mesmo per\u00edodo, era de R$ 1.332,00, enquanto dos homens negros era de R$ 1.690,00.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o, o sal\u00e1rio das mulheres corresponde a 75% dos sal\u00e1rios dos homens.<\/p>\n<p>Clique <a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/mulheres-contra-os-retrocessos-nos-tempos-de-golpe-9152\">aqui <\/a>e leia a mat\u00e9ria completa.<\/p>\n<\/div>\n<p id=\"page-author\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Fonte: CUT Nacional\/Andr\u00e9 Accarini<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que assumiu o poder ap\u00f3s o golpe, o governo ileg\u00edtimo e golpista de Michel Temer (MDB-SP), tem promovido um ataque sistem\u00e1tico aos direitos sociais e trabalhistas, atingindo principalmente as mulheres. Por isso, em mar\u00e7o, a luta e a resist\u00eancia contra o retrocesso ser\u00e3o intensificadas pela CUT e movimentos sociais e feministas. 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