{"id":3813,"date":"2018-02-16T10:33:28","date_gmt":"2018-02-16T12:33:28","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/carnaval-festa-popular-e-palco-de-manifestacoes\/"},"modified":"2018-02-16T10:33:28","modified_gmt":"2018-02-16T12:33:28","slug":"carnaval-festa-popular-e-palco-de-manifestacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/carnaval-festa-popular-e-palco-de-manifestacoes\/","title":{"rendered":"Carnaval, festa popular e palco de manifesta\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div class=\"content\">\n<p>Afirmar que o carnaval \u00e9 a festa popular mais celebrada pelos brasileiros n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m, nem que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional. Mas, o carnaval de 2018 escreveu um novo cap\u00edtulo nesta rica hist\u00f3ria. Agora, carnaval tamb\u00e9m \u00e9 palco de manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O que se iniciou nas ruas, antes mesmo do feriado, quando com in\u00fameros bloquinhos entoavam o grito: \u201cFora Temer!\u201d pelo Brasil afora, conquistou um vulto internacional com manifesta\u00e7\u00f5es nos samb\u00f3dromos do Rio e de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Pecado \u00e9 n\u00e3o pular o Carnaval&#8221;, provocou a Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira, numa refer\u00eancia ao prefeito do Rio de Janeiro e pastor evang\u00e9lico, Marcelo Crivella. &#8220;Desobedecer para pacificar&#8221;, cantou a Mocidade Independente de Padre Miguel. &#8220;Liberte o cativeiro social&#8221;, pediu o coro do Para\u00edso do Tuiuti. &#8220;Salve a imigra\u00e7\u00e3o&#8221;, saudou a Portela.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, a Imp\u00e9rio da Casa Verde usou a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa para falar do caos na pol\u00edtica brasileira, com guilhotina e tudo. Ser\u00e1 que o brasileiro decidiu levar a revolta para o Samb\u00f3dromo?<\/p>\n<p>&#8220;O Carnaval de certa forma revela o fundo da sociedade brasileira&#8221;, analisa o antrop\u00f3logo Roberto DaMatta, autor do livro &#8220;Carnavais, Malandros e Her\u00f3is&#8221;, em entrevista \u00e0 Carta Capital. &#8220;Ele inverte, traz o fundo do po\u00e7o para cima, como virar uma bolsa de cabe\u00e7a para baixo ou uma roupa do avesso. Numa sociedade brasileira, onde tudo \u00e9 proibido, uma sociedade que teve tamb\u00e9m reis, imperadores, que teve uma aristocracia pesad\u00edssima com escravid\u00e3o negra, uma sociedade que \u00e9 patronal, famil\u00edstica, e que, como em quase todas as sociedades tradicionais (como no caso romano ou na Fran\u00e7a pr\u00e9-revolu\u00e7\u00e3o Francesa), estavam inscritos na din\u00e2mica destas sociedades determinados momentos orgi\u00e1sticos, onde se podia fazer tudo&#8221;, diz DaMatta. &#8220;Evidentemente est\u00e1 acontecendo uma mudan\u00e7a, \u00e9 popular. E popular no Brasil n\u00e3o tem a ver com cidadania, como no caso franc\u00eas \u2013 foi o povo quem fez a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><em><strong>Para\u00edso do Tuit\u00ed<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a class=\"has-subtitle img\" style=\"float: left; height: 233px; width: 400px;\" title=\"\" href=\"http:\/\/admin.contrafcut.com.br\/system\/uploads\/ck\/images\/WhatsApp%20Image%202018-02-14%20at%2016_01_10.jpeg\" data-lightbox=\"lightbox\" data-title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"float: left; height: 233px; width: 400px;\" src=\"http:\/\/www.contrafcut.org.br\/images\/_39dbea00b957204ba81c30454f93a7a0.jpeg\" alt=\"\" \/><\/a>O desfile da Para\u00edso do Tuiuti merece destaque. A agremia\u00e7\u00e3o, nascida no morro de mesmo nome, em S\u00e3o Cristov\u00e3o, no Rio de Janeiro, que surpreendeu o p\u00fablico durante o desfile de domingo \u00e0 noite e conseguiu enorme repercuss\u00e3o nas redes sociais. Com o samba enredo \u201cMeu Deus, Meu Deus, Est\u00e1 Extinta a Escravid\u00e3o?\u201d, a escola criticou as condi\u00e7\u00f5es de trabalho no pa\u00eds e, de quebra, o atual Governo, respons\u00e1vel pela reforma trabalhista aprovada no ano passado.<\/p>\n<p>Se a comiss\u00e3o de frente da escola trouxe O grito da liberdade, mostrando escravos sa\u00eddos da senzala a\u00e7oitados, o \u00faltimo carro veio com um vampiro vestido com a faixa presidencial, que lembrava Michel Temer. Ele estava em cima do carro chamado neo tumbeiro, ou seja, um navio negreiro dos tempos atuais. Na avenida foram ouvidos gritos de &#8220;Fora, Temer&#8221;, relatou o jornal O Globo. Entre o \u00faltimo e o primeiro carro, o desfile de 29 alas e 3.100 componentes ainda trouxe os manifestoches, integrantes vestidos de verde e amarelo, cor que marcou os protestos a favor do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, sendo manipulados por uma m\u00e3o invis\u00edvel e encaixados em patos amarelos, s\u00edmbolo das reclama\u00e7\u00f5es contra o antigo Governo feitas pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (FIESP). Eles carregavam nas m\u00e3os panelas, outro s\u00edmbolo dos protestos.<\/p>\n<p>\u201cComo fal\u00e1vamos da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem quer\u00edamos incluir a mitiga\u00e7\u00e3o dos direitos sociais. Atrav\u00e9s dos patinhos voc\u00ea representa uma situa\u00e7\u00e3o anterior na qual os direitos eram bem protegidos e a partir do momento em que uma nova ordem pol\u00edtica toma o pa\u00eds voc\u00ea tem novas reformas que, na \u00f3tica da escola, tiram direitos sociais de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o. A escola quis questionar se quem pediu essa mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m v\u00edtima. Essa pessoa que foi para a rua n\u00e3o tem esses direitos cortados tamb\u00e9m?\u201d, explicou Thiago Monteiro, diretor de Carnaval da escola, em entrevista ao EL PA\u00cdS.<\/p>\n<p>Outro respons\u00e1vel pelo desfile foi al\u00e9m. O Carnavalesco Jack Vasconcelos fez uma defesa enf\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, em entrevista ao jornal O Dia; &#8220;Sou formado pelo ensino p\u00fablico, fui uma crian\u00e7a de escola p\u00fablica, me formei em uma federal, em Belas Artes. Ent\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o ajudou a me formar, foi dinheiro p\u00fablico que ajudou a pagar meus estudos e a manter as institui\u00e7\u00f5es em que me formei. Preciso de alguma forma retribuir para a popula\u00e7\u00e3o esse investimento. \u00c9 a maneira que eu posso prestar o servi\u00e7o a ela (\u00e0 sociedade), atrav\u00e9s da minha arte&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p><strong>Cobertura da m\u00eddia golpista<\/strong><\/p>\n<p>As cr\u00edticas expl\u00edcitas da Para\u00edso do Tuiuti deixaram em sil\u00eancio os comentaristas da TV Globo, que transmite ao vivo os desfiles de Carnaval. Enquanto as alas anteriores eram explicadas em detalhes, a dos manifestoches recebeu um r\u00e1pido e \u00fanico coment\u00e1rio de &#8220;manipulados, fantoches&#8221;, logo cortado para um &#8220;J\u00fa, 120 [cent\u00edmetros] de quadril&#8221;, em refer\u00eancia \u00e0 passista mostrada em seguida na imagem. Nas redes sociais, a escola foi louvada pela &#8220;coragem&#8221; das cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Para o jornalista Florestan Fernandes J\u00fanior, nada \u00e9 mais revelador da escravid\u00e3o do jornalismo brasileiro que o sil\u00eancio ensurdecedor no momento em que a \u00faltima ala da Para\u00edso do Tuiuti entrou na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed. \u201cNingu\u00e9m no est\u00fadio da Globo se atreveu a narrar o que via. Uma cena pat\u00e9tica e constrangedora. Durante longos minutos as imagens mostravam uma plateia vibrando com o carro aleg\u00f3rico que trazia em destaque um Temer Vampirizado. S\u00f3 faltou a Tuiuti mostrar os rep\u00f3rteres escravos dos senhores da comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o t\u00eam liberdade sequer para dizer o que todos viram em cores e ao vivo.\u201d<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, jornal norte-americano New York Times publicou sobre o Carnaval do Rio de Janeiro, dando um destaque especial pra escola Para\u00edso do Tuiuti; &#8220;A Para\u00edso do Tuiuti mostrou patos de pl\u00e1stico manipulados por marionetes, em uma refer\u00eancia a um pato de pl\u00e1stico gigante usado pelos brasileiros conservadores para se queixar dos altos impostos do pa\u00eds em manifesta\u00e7\u00f5es que ganharam destaque h\u00e1 dois anos. O pedestal da escola tamb\u00e9m trouxe um vampiro vestindo a faixa presidencial com v\u00e1rias notas falsas de d\u00f3lares&#8221;, disse o jornal.<\/p>\n<\/div>\n<p id=\"page-author\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afirmar que o carnaval \u00e9 a festa popular mais celebrada pelos brasileiros n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m, nem que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional. Mas, o carnaval de 2018 escreveu um novo cap\u00edtulo nesta rica hist\u00f3ria. Agora, carnaval tamb\u00e9m \u00e9 palco de manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. 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