{"id":359,"date":"2011-12-28T00:00:00","date_gmt":"2011-12-28T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/unidade-e-mobilizacao-garantirao-novas-conquistas-em-2012-diz-contraf-cut\/"},"modified":"2011-12-28T00:00:00","modified_gmt":"2011-12-28T02:00:00","slug":"unidade-e-mobilizacao-garantirao-novas-conquistas-em-2012-diz-contraf-cut","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/unidade-e-mobilizacao-garantirao-novas-conquistas-em-2012-diz-contraf-cut\/","title":{"rendered":"Unidade e mobiliza\u00e7\u00e3o garantir\u00e3o novas conquistas em 2012, diz Contraf-CUT"},"content":{"rendered":"<p>O funcion\u00e1rio do Ita\u00fa Unibanco e presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, o Carl\u00e3o, concedeu uma entrevista exclusiva neste final de ano, fazendo um balan\u00e7o das lutas e conquistas dos banc\u00e1rios em 2011 e projetando desafios e novas jornadas para 2012. Ele destacou a import\u00e2ncia da unidade nacional e da mobiliza\u00e7\u00e3o da categoria para garantir novos avan\u00e7os para os trabalhadores.Carl\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 coordenador do Comando Nacional dos Banc\u00e1rios e presidente da UNI Am\u00e9ricas Finan\u00e7as, chamou aten\u00e7\u00e3o para o problema do emprego, diante da pol\u00edtica de rotatividade dos bancos, a necessidade de debater o sistema financeiro com a sociedade e o valor da sa\u00fade dos trabalhadores.<br \/>O sindicalista ressaltou ainda o papel dos dirigentes sindicais. \u201cEles precisam se tornar refer\u00eancia para os trabalhadores nas principais quest\u00f5es, como as reformas tribut\u00e1ria, pol\u00edtica e do sistema financeiro\u201d, apontou. \u201cA Contraf-CUT tem a responsabilidade de auxiliar nessa tarefa, qualificando-os para interven\u00e7\u00f5es cada vez mais decisivas no debate social\u201d, disse.<\/p>\n<p>Leia os principais trechos da entrevista concedida aos jornalistas Nicolau Soares e Renata Bessi na tarde da \u00faltima quarta-feira (21), na sala da presid\u00eancia da Contraf-CUT, no centro de S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>Que balan\u00e7o voc\u00ea faz da Campanha Nacional dos Banc\u00e1rios de 2011?<\/p>\n<p>Conseguimos avan\u00e7ar e consolidar conquistas na quest\u00e3o econ\u00f4mica, como o aumento real de salario, importante para a amplia\u00e7\u00e3o do poder de compra da sociedade, e melhorias na PLR. Mas avan\u00e7amos tamb\u00e9m em outros pontos, especialmente sa\u00fade e seguran\u00e7a banc\u00e1ria, com a n\u00e3o publica\u00e7\u00e3o dos rankings individuais de metas, a possibilidade de o banc\u00e1rio avaliar o profissional que aplica o exame m\u00e9dico peri\u00f3dico e os avan\u00e7os, mesmo que pequenos, na seguran\u00e7a bancaria.<\/p>\n<p>Foi a consolida\u00e7\u00e3o de um modelo de negocia\u00e7\u00e3o que conseguiu conquistas econ\u00f4micas e sociais da nossa pauta de reivindica\u00e7\u00f5es, bem como vit\u00f3rias pol\u00edticas, quando desmontamos a tese equivocada de que a amea\u00e7a de infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite aumento real de sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quais as principais barreiras derrubadas?<\/p>\n<p>A grande barreira que derrubamos, e que foi o maior destaque da campanha, foi sair com aumento real de sal\u00e1rio numa situa\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o considerada alta. Isso foi fundamental n\u00e3o s\u00f3 neste momento, mas para campanhas futuras. O argumento central para essa campanha, falado desde o come\u00e7o do ano, era o de que n\u00e3o poder\u00edamos ter aumento real porque isso alimentaria a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se os trabalhadores do setor financeiro \u2013 o mais lucrativo da economia brasileira \u2013 n\u00e3o tivessem conquistado aumento real, isso teria impacto em todas as outras categorias. \u00c9ramos a bola da vez. Houve toda uma atua\u00e7\u00e3o do governo federal, do Banco Central e dos bancos, atrav\u00e9s da Fenaban, com press\u00e3o junto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica nesse sentido, de que n\u00e3o poder\u00edamos ter aumento real.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 consolidamos o aumento real para os banc\u00e1rios, como ficou a<br \/>refer\u00eancia para as outras categorias e a sociedade de que precisamos de aumento real nos sal\u00e1rios para o Brasil crescer com distribui\u00e7\u00e3o de<br \/>renda. Esse era o grande desafio colocado. Se n\u00e3o venc\u00eassemos, teria impacto inclusive nas campanhas futuras.<\/p>\n<p>Qual o papel da mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nesse contexto?<\/p>\n<p>Se n\u00f3s avan\u00e7amos na parte econ\u00f4mica, nas quest\u00f5es de sa\u00fade, na conquista de mais contrata\u00e7\u00f5es na Caixa, na seguran\u00e7a e na quest\u00e3o pol\u00edtica, com a<br \/>consolida\u00e7\u00e3o do aumento real, isso tudo s\u00f3 foi poss\u00edvel por dois fatores: a<br \/>unidade nacional, fundamental para consolidar esse modelo de campanha, e o aumento do grau de mobiliza\u00e7\u00e3o da categoria. Dessa forma, fizemos a maior greve dos \u00faltimos 20 anos, com quase 10 mil ag\u00eancias fechadas em todo o pa\u00eds. A unidade e mobiliza\u00e7\u00e3o foram determinantes para isso.<\/p>\n<p>Houve diferen\u00e7a na postura dos bancos nessa campanha?<\/p>\n<p>Os bancos trabalham muito com a conjuntura. No ano passado, com a conjuntura eleitoral, tentaram criar um v\u00ednculo entre nossa campanha e a elei\u00e7\u00e3o. Nesse ano, de 2011, eles viram a conjuntura econ\u00f4mica, com a crise externa e a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tentaram se aproveitar desse debate para nos impor uma derrota. Por muito pouco n\u00e3o levaram a solu\u00e7\u00e3o da campanha para o TST (Tribunal Superior do Trabalho) \u2013 o que o Banco da Amaz\u00f4nia fez, assim como tamb\u00e9m aconteceu na greve dos Correios. Os bancos esticaram a corda e tentaram nos derrotar.<\/p>\n<p>O impressionante foi a resposta madura dos banc\u00e1rios e dos sindicatos, que aumentaram a mobiliza\u00e7\u00e3o. A categoria teve uma sabedoria muito grande de aumentar gradativamente a greve e derrotar os bancos.<\/p>\n<p>Houve avan\u00e7os nas mesas tem\u00e1ticas esse ano?<\/p>\n<p>Conseguimos retomar mesas permanentes nas v\u00e9speras da campanha, num esfor\u00e7o da Contraf-CUT. Ficamos um ano sem reunir as mesas de sa\u00fade e igualdade, por exemplo.<\/p>\n<p>O principal avan\u00e7o que tivemos foi a retomada. Nas discuss\u00f5es, tivemos avan\u00e7os pequenos, mas tamb\u00e9m desdobramentos durante a campanha, com nas \u00e1reas de sa\u00fade e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>E para 2012, quais os desafios das mesas tem\u00e1ticas?<\/p>\n<p>Nosso desafio para 2012 \u00e9 come\u00e7ar o ano implementando tanto as quatro mesas tem\u00e1ticas com a Fenaban (sa\u00fade do trabalhador, igualdade de oportunidades, terceiriza\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a banc\u00e1ria) quanto \u00e0s espec\u00edficas com cada banco.<\/p>\n<p>Vamos tratar temas importantes para a categoria. N\u00e3o s\u00f3 remunera\u00e7\u00e3o, como a discuss\u00e3o de plano de cargos e sal\u00e1rios tamb\u00e9m nos bancos privados, mas tamb\u00e9m de sa\u00fade, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, seguran\u00e7a e previd\u00eancia complementar.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o grande problema da categoria?<\/p>\n<p>O grande problema hoje \u00e9 o emprego, e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Como enfrentar a rotatividade, que eu chamo de jabuticaba, porque s\u00f3 existe no Brasil neste n\u00edvel. \u00c9 uma vergonha, uma viol\u00eancia praticada pelas empresas, e em especial pelos bancos, para reduzir custos: trocam de trabalhador para baixar o salario m\u00e9dio. Em outros setores no Brasil tamb\u00e9m h\u00e1 rotatividade, mas o sal\u00e1rio n\u00e3o cai como nos bancos.<\/p>\n<p>Os bancos s\u00e3o o setor que tem a maior diferen\u00e7a salarial entre demitidos e<br \/>contratados. No caso do Ita\u00fa e Santander, n\u00e3o \u00e9 apenas a rotatividade, mas houve tamb\u00e9m a redu\u00e7\u00e3o de postos de trabalho em 2011, mesmo com grandes lucros. Se o Bradesco contrata por que o Ita\u00fa demite? Por que o Santander, mesmo tendo aqui 25% do seu lucro mundial, continua demitindo? Isso n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p>Outro grave problema s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de trabalho nos bancos, sobretudo o ass\u00e9dio moral e as metas abusivas, que t\u00eam trazido estresse, adoecimento de milhares de trabalhadores e pedidos de demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Como mudar essa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 hoje a sexta economia do mundo, mas \u00e9 o d\u00e9cimo pior em distribui\u00e7\u00e3o de renda. Temos que fazer uma disputa muito grande na sociedade, que passa pela reforma tribut\u00e1ria, para discutir o tamanho do Estado; a reforma pol\u00edtica, para debater qual Congresso vai nos representar; e a reforma do sistema financeiro. Isso nas quest\u00f5es macro.<\/p>\n<p>Nas negocia\u00e7\u00f5es com os bancos, n\u00e3o tem como o Ita\u00fa, que se diz maior banco do Hemisf\u00e9rio Sul, pagar piores sal\u00e1rios no Brasil do que em outros pa\u00edses mesmo da Am\u00e9rica Latina, ainda mais num momento de crescimento do pa\u00eds, com a Copa do Mundo, Olimp\u00edadas. \u00c9 importante melhorar sal\u00e1rios, dar prote\u00e7\u00e3o ao emprego. Nas quest\u00f5es de sa\u00fade, \u00e9 preciso discutir as metas abusivas, debater o futuro dos banc\u00e1rios, com a previd\u00eancia complementar para todos, e principalmente mais contrata\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O sistema financeiro \u00e9 o setor da economia que mais lucra no Brasil. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>O lucro dos bancos vem de quatro fontes. Primeiro: 25% vem, em m\u00e9dia, da<br \/>remunera\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos p\u00fablicos, pagos com nossos tributos. Tira-se dinheiro de programas sociais para pagar a d\u00edvida p\u00fablica. Outros 25% vem das tarifas banc\u00e1rias, que antes cobriam cerca de 30% da folha de pagamento dos bancos e hoje cobrem, em m\u00e9dia, 170%.<\/p>\n<p>Outra parte vem das seguradoras, que s\u00e3o dos bancos. E a \u00faltima parte<br \/>vem de onde deveria vir, ou seja, da intermedia\u00e7\u00e3o financeira, que \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do sistema financeiro. E essa vem do spread banc\u00e1rio, que \u00e9 alt\u00edssimo. O grande desafio \u00e9 baixar os juros, que s\u00e3o muito altos em rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo.<\/p>\n<p>A sociedade sabe disso?<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio discutir essa quest\u00e3o, e da\u00ed vem a necessidade da Confer\u00eancia<br \/>Nacional sobre o Sistema Financeiro, justamente para discutirmos que banco temos hoje e que banco queremos. As fus\u00f5es entre Ita\u00fa e Unibanco, Santander e Real, por exemplo, tiveram consequ\u00eancias p\u00e9ssimas para a sociedade: reduziram emprego, fecharam ag\u00eancias, aumentaram tarifas e juros. Quem teve vantagem foram os bancos, que aumentaram os lucros.<\/p>\n<p>Qual a principal diferen\u00e7a entre a bancariza\u00e7\u00e3o, pregada pelos bancos, e a inclus\u00e3o banc\u00e1ria, defendida pelos banc\u00e1rios?<\/p>\n<p>Temos que discutir qual o papel dos bancos. Est\u00e1 colocada a quest\u00e3o da<br \/>bancariza\u00e7\u00e3o proposta pelos bancos frente \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os<br \/>banc\u00e1rios que defendemos. Se o banco \u00e9 uma concess\u00e3o p\u00fablica, todo cidad\u00e3o tem o direito de ter uma conta. Por que s\u00f3 pode ter a partir de certa remunera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Por que s\u00f3 a partir de certa renda o cliente pode ser atendido na ag\u00eancia e o resto \u00e9 empurrado para as lot\u00e9ricas? Todo cidad\u00e3o tem o direito de ter conta e n\u00e3o pode ser discriminado. E todo atendimento deve ser feito por banc\u00e1rio \u2013 sem atendimento de segunda ou terceira categoria.<\/p>\n<p>Isso passa pelo debate dos correspondentes banc\u00e1rios, que s\u00e3o uma terceiriza\u00e7\u00e3o porca para reduzir custos dos bancos \u2013 os trabalhadores dos correspondentes ganham, em m\u00e9dia, um ter\u00e7o do sal\u00e1rio de um banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>Tivemos uma interven\u00e7\u00e3o boa no Congresso Nacional sobre este tema e vamos ter que qualificar essa interven\u00e7\u00e3o para combater o modelo de exclus\u00e3o feito pelo sistema financeiro e pelo governo.<\/p>\n<p>Estamos conversando com a CNBB, a CUT e outras entidades para fazer essa discuss\u00e3o com toda a sociedade sobre a necessidade da confer\u00eancia nacional do sistema financeiro.<\/p>\n<p>A sociedade tem dificuldade de se apropriar desse debate sobre o sistema financeiro?<\/p>\n<p>\u00c9 um debate muito distante de todo mundo, parece complexo e as pessoas se afastam. Mas na verdade n\u00e3o \u00e9. Tem um servi\u00e7o que deve ser prestado pelos bancos. A sociedade desconhece que nossos impostos est\u00e3o remunerando os lucros dos bancos.<\/p>\n<p>A Contraf e a CUT precisam se esfor\u00e7ar para popularizar esse debate. A sociedade est\u00e1 distribuindo dinheiro para os bancos por meio dos t\u00edtulos p\u00fablicos. O que se gasta anualmente com juros da d\u00edvida \u00e9 equivalente a 18 vezes o or\u00e7amento do Bolsa Fam\u00edlia. Se perguntarmos para a sociedade, o que ela responderia sobre a \u201ctransfus\u00e3o de sangue\u201d dos recursos dos trabalhadores para o bolso dos banqueiros?<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o do cr\u00e9dito, o que est\u00e1 colocado hoje \u00e9 o modelo Casas Bahia. Voc\u00ea financia e paga a prazo \u2013 mas no final est\u00e1 pagando tr\u00eas geladeiras, tr\u00eas carros. Precisamos fazer uma cartilha, um gibi, mostrando que os bancos est\u00e3o tirando dinheiro da sociedade. Mostrar que o Santander e o HSBC, por exemplo, cobram juros de 7% ao ano em seus pa\u00edses de origem e aqui cobram 70%. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que agora o Santander diz que pretende tirar 30% do lucro do Brasil. Aqui eles podem cobrar esses juros, mas l\u00e1 fora n\u00e3o, l\u00e1 a sociedade est\u00e1 mais atenta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, falta solidariedade entre as entidades da sociedade civil. Cada um fica preocupado com sua \u00e1rea, mas o debate do sistema financeiro vale para toda a sociedade, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o corporativa de banc\u00e1rio. Ele afeta o emprego, o desenvolvimento. Precisamos convencer outros atores da sociedade civil da import\u00e2ncia de uma confer\u00eancia sobre o tema e de mudar o papel dos bancos. N\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento econ\u00f4mico e social sem a atua\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos e privados, fomentando cr\u00e9dito justo e direcionado para a gera\u00e7\u00e3o de melhores empregos e renda.<\/p>\n<p>Qual a proposta dos banc\u00e1rios para tornar o sistema financeiro mais justo?<\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o do artigo 192 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, proposta<br \/>que est\u00e1 desenhada h\u00e1 algum tempo e tem inclusive um projeto no Congresso.<br \/>Queremos regulamentar o sistema financeiro com democratiza\u00e7\u00e3o e controle da sociedade.<\/p>\n<p>Uma das coisas importantes \u00e9 que todo mundo tenha direito a ter conta em banco. Que haja cr\u00e9dito direcionado para o desenvolvimento, para gerar empregos. N\u00e3o adianta pegar cr\u00e9dito, que \u00e9 dinheiro p\u00fablico, e os bancos emprestarem para uma empresa desmatar a Amaz\u00f4nia, fazer fus\u00e3o de empresas que fechem postos de trabalho, projetos que n\u00e3o gerem empregos nem renda. Queremos que os recursos sejam canalizados, carimbados para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Defendemos tamb\u00e9m a amplia\u00e7\u00e3o do Conselho Monet\u00e1rio Nacional, com a<br \/>participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil e dos trabalhadores. \u00c9 ali que se define a<br \/>politica monet\u00e1ria, a taxa de juros e hoje s\u00f3 se olha a infla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se olha para a gera\u00e7\u00e3o de empregos, o aumento do cr\u00e9dito. Queremos participar e garantir contrapartidas sociais na defini\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas macroecon\u00f4micas.<\/p>\n<p>Queremos que o Congresso crie a Comiss\u00e3o Parlamentar Mista do Sistema Financeiro. Podemos n\u00e3o concordar com os parlamentares que l\u00e1 est\u00e3o, mas eles representam a sociedade e \u00e9 importante que haja uma comiss\u00e3o para fiscalizar o sistema financeiro. Queremos definir claramente que o papel dos bancos, e n\u00e3o s\u00f3 dos bancos p\u00fablicos, \u00e9 fornecer cr\u00e9dito para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Por que o sal\u00e1rio dos trabalhadores, que \u00e9 depositado nos bancos<br \/>privados, tem que ter destino diferente do sal\u00e1rio de um trabalhador de<br \/>banco p\u00fablico? Os bancos p\u00fablicos devem liderar esse processo de direcionamento do cr\u00e9dito com juros baixos, pressionando os privados nessa dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 um absurdo os bancos federais e privados cobrem essa taxa alt\u00edssima de juros. Queremos bancos servindo \u00e0 sociedade e n\u00e3o se servindo dela.<\/p>\n<p>Qual o papel do Banco Central nesse contexto?<\/p>\n<p>Ele poderia ter outro papel. Ao contr\u00e1rio do que prega a grande m\u00eddia, defendemos que o BC tem que ser dependente da sociedade e n\u00e3o do mercado. O que vemos hoje \u00e9 um BC voltado para o sistema financeiro. As medidas tomadas s\u00e3o para os bancos \u2013 o correspondente banc\u00e1rio, por exemplo, que foi feito na surdina e tomando o lugar do Congresso Nacional. O BC hoje \u00e9 o sindicato nacional dos bancos no Brasil.<\/p>\n<p>Temos que enfrentar esse debate e acabar com esse modelo de BC. O papel \u00e9<br \/>fiscalizar e punir os maus gestores do sistema financeiro, ouvir a sociedade e fazer uma pol\u00edtica de universaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os banc\u00e1rios, al\u00e9m de reduzir o spread e promover o cr\u00e9dito, ou seja, tudo na contram\u00e3o do que ele vem fazendo.<\/p>\n<p>At\u00e9 ca\u00edram os juros, mas o spread banc\u00e1rio se mant\u00e9m alt\u00edssimo. Por que o BC n\u00e3o enfrenta os bancos? Isso \u00e9 um cartel e \u00e9 papel dele enfrentar. A Selic caiu, foi aprovada a Lei de Fal\u00eancias, a inadimpl\u00eancia caiu, todas as condi\u00e7\u00f5es colocadas para a queda do spread aconteceram \u2013 e o spread n\u00e3o baixou, assim como as tarifas n\u00e3o ca\u00edram. O BC tem que enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Houve avan\u00e7os na internacionaliza\u00e7\u00e3o da luta dos banc\u00e1rios?<\/p>\n<p>Olhando a categoria, tivemos alguns avan\u00e7os. Conseguimos um acordo marco global com o Banco do Brasil, atrav\u00e9s da UNI Sindicato Global, com apoio da Contraf-CUT. Ele garante que todos os trabalhadores do BB nas Am\u00e9ricas e nos demais continentes tenham direito a se organizarem em sindicatos, com negocia\u00e7\u00e3o coletiva e sindicaliza\u00e7\u00e3o, ou seja, os princ\u00edpios est\u00e3o garantidos. Nos EUA, por exemplo, hoje bancos n\u00e3o permitem que os banc\u00e1rios tenham um sindicato. Nesse sentido, o acordo \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o das redes sindicais internacionais de cada banco, tivemos avan\u00e7os importantes. Come\u00e7amos, mesmo que timidamente, um processo de negocia\u00e7\u00e3o com os bancos, realizando reuni\u00f5es com Ita\u00fa, HSBC, BB e Santander. Em outros momentos isso n\u00e3o era poss\u00edvel. Hav\u00edamos avan\u00e7ado muito na organiza\u00e7\u00e3o dos banc\u00e1rios, com as redes sindicais de cada banco e neste ano, conseguimos que os bancos tivessem um di\u00e1logo com essas redes.<\/p>\n<p>Estamos ampliando a organiza\u00e7\u00e3o com as jornadas internacionais de luta, com<br \/>processos de troca de informa\u00e7\u00f5es sobre cada pa\u00eds. Tenho certeza de que em 2012 teremos mais avan\u00e7os<\/p>\n<p>A crise financeira interferiu nesse processo?<\/p>\n<p>\u00c9 um trabalho anterior \u00e0 crise internacional. As crises s\u00e3o c\u00edclicas, entram e saem. A crise na Europa n\u00e3o tem consequ\u00eancia na Am\u00e9rica Latina ainda, os bancos est\u00e3o bem, com altos lucros. Mas temos tamb\u00e9m debatido a import\u00e2ncia de sermos solid\u00e1rios com os trabalhadores dos pa\u00edses da Europa que est\u00e3o sendo atingidos por esses problemas.<\/p>\n<p>Como tem sido a rela\u00e7\u00e3o com o Congresso Nacional?<\/p>\n<p>Foi um campo em que avan\u00e7amos nesse ano. Fizemos uma reuni\u00e3o com parlamentares banc\u00e1rios e apresentamos nossas preocupa\u00e7\u00f5es para o momento, como as quest\u00f5es dos correspondentes banc\u00e1rios, da seguran\u00e7a, da regulamenta\u00e7\u00e3o do artigo 192 que trata do sistema financeiro, e da terceiriza\u00e7\u00e3o. Depois, por conta da conjuntura, o debate ficou focado nos correspondentes.<\/p>\n<p>V\u00e1rios parlamentares apoiaram nossas demandas, em especial os deputados Ricardo Berzoini (PT-SP) e Cl\u00e1udio Putty (PT-PA), que se mobilizaram nas discuss\u00f5es dos correspondentes e da Confer\u00eancia Nacional sobre o Sistema Financeiro. Faremos em 2012 outro encontro com os parlamentares e queremos ampliar, fazer um caderno com os principais projetos de lei correndo no Congresso que queremos acompanhar.<\/p>\n<p>Queremos levar em 2012 a proposta da Confer\u00eancia Nacional do Sistema Financeiro para a presidenta Dilma Rousseff. Temos que ampliar nossas rela\u00e7\u00f5es institucionais com o parlamento e o Executivo.<\/p>\n<p>Quais as perspectivas da Contraf-CUT para 2012?<\/p>\n<p>A partir dessa conjuntura, acho que os sindicatos de banc\u00e1rios t\u00eam que ocupar espa\u00e7o junto com as centrais e se tornarem de fato refer\u00eancias dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o aproveitarmos este momento de crescimento econ\u00f4mico e da renda do<br \/>trabalhador, vamos ficar para tr\u00e1s. Temos que ser a refer\u00eancia na discuss\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria, da reforma pol\u00edtica, da reforma do sistema financeiro e na disputa de renda que teremos daqui pra frente. Temos que disputar outro patamar de emprego, que passa pelo debate da terceiriza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 ocorrendo no Congresso.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta apenas resistir e lutar contra, mas buscar outro modelo que d\u00ea ao<br \/>trabalhador seguranca e estabilidade no emprego. Isso passa por acabar com a terceiriza\u00e7\u00e3o e com a rotatividade e colocar medidas de combate \u00e0s demiss\u00f5es. Ser\u00e1 um ano de muita luta e acho que nossos sindicatos est\u00e3o preparados para essa disputa. Temos que ter interven\u00e7\u00f5es mais qualificadas, talvez.<\/p>\n<p>E o 4\u00ba Congresso da Contraf-CUT que deve ocorrer at\u00e9 meados de abril?<\/p>\n<p>O congresso vai definir a estrat\u00e9gia para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos e quais os temas mais importantes. O tema da sa\u00fade ser\u00e1 central para os trabalhadores e vou defender no congresso da Contraf-CUT que seja o ano da sa\u00fade dos banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos s\u00f3 olhar a quest\u00e3o econ\u00f4mica. Precisamos ter avan\u00e7os nessa quest\u00e3o da sa\u00fade. Ser\u00e1 inclusive o tema da Campanha da Fraternidade da CNBB (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Bispos do Brasil) e vamos fazer esse debate interno.<\/p>\n<p>Eu pessoalmente acho que devemos aprender com a Campanha da Fraternidade e escolher um tema para trabalhar o ano inteiro com os trabalhadores. Fazer estudos sobre o tema, convidar a academia, realizar debates, produzir materiais, revistas, livros. Se ficarmos o ano inteiro com o tema, criaremos uma base muito mais s\u00f3lida para transformar a situa\u00e7\u00e3o que a gente vive.<\/p>\n<p>Acho que temos que nos articular mais com a sociedade. N\u00e3o podemos olhar s\u00f3 para o nosso umbigo. Se estivermos articulados, nossa chance de mudar \u00e9 muito maior.<\/p>\n<p>Que a\u00e7\u00f5es a Contraf-CUT dever\u00e1 realizar no pr\u00f3ximo ano?<\/p>\n<p>A Contraf-CUT tem que se aproximar ainda mais dos sindicatos e dos dirigentes sindicais. Dar condi\u00e7\u00f5es para que a nossa interven\u00e7\u00e3o seja mais qualificada. Para isso, investimos pesado na forma\u00e7\u00e3o sindical, na elabora\u00e7\u00e3o de documentos, como os Cadernos Contraf, e vamos ter que aprofundar isso. N\u00e3o s\u00f3 continuar, mas fazer mais e melhor. Talvez tenhamos cursos de especializa\u00e7\u00e3o em temas importantes.<\/p>\n<p>Acredito que os dirigentes sindicais precisam se especializar para ter interven\u00e7\u00e3o mais incisiva na sociedade. Temos um ex\u00e9rcito de quase 5 mil dirigentes no Pa\u00eds e temos que contribuir para que eles tenham interven\u00e7\u00e3o mais qualificada. Os empres\u00e1rios se organizam, os bancos tamb\u00e9m, e temos que ter organiza\u00e7\u00e3o ainda maior para atingir os nossos objetivos.<\/p>\n<p>S\u00f3 vamos ser refer\u00eancia para os trabalhadores se levarmos esses debates de dentro para fora dos sindicatos. Os dirigentes t\u00eam que estar engajados nessas grandes reformas necess\u00e1rias, estar mais qualificados para ganhar essa disputa sobre que o tipo de pa\u00eds que precisamos.<\/p>\n<p>Esse processo de forma\u00e7\u00e3o j\u00e1 deu resultados nesse per\u00edodo?<\/p>\n<p>\u00c9 percept\u00edvel que alguns companheiros que participaram desse processo mudaram sua maneira de atuar. Passaram a procurar outros horizontes, articular com outras entidades, ocupar espa\u00e7os dentro das suas entidades e isso \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Para terminar, qual \u00e9 a mensagem que voc\u00ea deixa aos banc\u00e1rios e \u00e0s banc\u00e1rias para 2012?<\/p>\n<p>Vivemos um momento de grandes oportunidades em nosso pa\u00eds. A unidade, a<br \/>mobiliza\u00e7\u00e3o e a solidariedade entre os trabalhadores de diversas categorias<br \/>ser\u00e3o elementos centrais para vencermos os desafios em 2012, com mais e melhores empregos e com distribui\u00e7\u00e3o de renda. Desta forma, conseguiremos transformar este momento que o Brasil vive de crescimento econ\u00f4mico em desenvolvimento com inclus\u00e3o social para todos e todas.<\/p>\n<p>Fonte: Contraf-CUT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O funcion\u00e1rio do Ita\u00fa Unibanco e presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, o Carl\u00e3o, concedeu uma entrevista exclusiva neste final de ano, fazendo um balan\u00e7o das lutas e conquistas dos banc\u00e1rios em 2011 e projetando desafios e novas jornadas para 2012. 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