{"id":3571,"date":"2017-12-21T16:45:40","date_gmt":"2017-12-21T18:45:40","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/temer-ignora-realidade-da-mulher-na-reforma-da-previdencia\/"},"modified":"2017-12-21T16:45:40","modified_gmt":"2017-12-21T18:45:40","slug":"temer-ignora-realidade-da-mulher-na-reforma-da-previdencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/temer-ignora-realidade-da-mulher-na-reforma-da-previdencia\/","title":{"rendered":"Temer ignora realidade da mulher na reforma da Previd\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>As mulheres s\u00e3o as que mais sofrem com as pol\u00edticas de desmonte do Estado promovidas pelo ileg\u00edtimo e golpista de Michel Temer (PMDB-SP), em especial as negras, as rurais e as professoras. Como um rolo compressor, o governo j\u00e1 devastou direitos sociais e trabalhistas e agora amea\u00e7a acabar com a aposentadoria.<\/p>\n<p>Atualmente, dois ter\u00e7os das mulheres s\u00f3 conseguem se aposentar por idade aos 60 anos \u00a0e muitas n\u00e3o conseguem atingir o tempo m\u00ednimo necess\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o de 15 anos. Na nova proposta de reforma da Previd\u00eancia, al\u00e9m de aumentar a idade m\u00ednima para 62 anos e reduzir o valor dos benef\u00edcios, para ter direito a aposentadoria integral, as mulheres ter\u00e3o de contribuir por 40 anos.<\/p>\n<p>\u00a0\u201cEste \u00e9 um governo completamente desfocado do mundo real, que prejudicar\u00e1 em cheio as mulheres se elevar para 62 anos a idade m\u00ednima para aposentadoria\u201d, diz a economista e pesquisadora do Cesit\/Unicamp, Marilane Teixeira. \u00a0<\/p>\n<p>A pesquisadora da Unicamp explica que as mulheres t\u00eam dupla jornada, est\u00e3o mais sujeitas a trabalhos prec\u00e1rios, intermitentes, s\u00e3o for\u00e7adas a abandonar o emprego por conta da maternidade, passam mais tempo desempregadas em tempos de crise e demoram mais a retornar ao mercado de trabalho. \u201cE quando isso acontece, os sal\u00e1rios s\u00e3o reduzidos, ou seja, elas voltam a trabalhar ganhando menos\u201d, diz Marilane<\/p>\n<p>Os dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio), de 2014, confirmam a afirma\u00e7\u00e3o da pesquisadora: a soma das jornadas de trabalho das mulheres \u00e9 de 56,3 horas, enquanto o dos homens \u00e9 de 51,3. Elas gastam com afazeres dom\u00e9sticos, 21,2 horas semanais, enquanto os homens gastam somente 10 horas semanais.<\/p>\n<p>Para o IPEA, Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada, \u201cconferir valor ao trabalho reprodutivo n\u00e3o pago significa reconhecer import\u00e2ncia econ\u00f4mica para a din\u00e2mica produtiva da vida social\u201d. Ou seja, ao tratar de forma diferente homens e mulheres, o Estado reconhece que h\u00e1 desigualdade social no que diz respeito ao valor do trabalho. E, nesse caso, a Previd\u00eancia Social compensa a mulher pelo sobretrabalho feminino ao longo de sua vida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os dados da PNAD apontam que as mulheres tamb\u00e9m est\u00e3o, majoritariamente, na informalidade. Em 2015, das mulheres ocupadas, 35,5% tinham trabalho sem carteira assinada. Entre os homens, o percentual \u00e9 de 18,3%. \u00a0E o desemprego tamb\u00e9m atinge mais o sexo feminino: 11,6% contra 7,7% dos homens. E quando est\u00e3o empregadas, o sal\u00e1rio \u00e9, em m\u00e9dia, 24% menor do que o sal\u00e1rio dos homens.<\/p>\n<p>\u201cO governo acha que elas j\u00e1 conquistaram seu lugar no mercado de trabalho, o que n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d, afirma Marilane.<\/p>\n<p><strong>Mulheres negras<\/strong><\/p>\n<p>As mulheres negras ser\u00e3o ainda mais prejudicadas, porque grande parte delas se encontra em trabalhos prec\u00e1rios e sem registro. \u00c9 o caso das trabalhadoras dom\u00e9sticas, em que cerca de 70% s\u00e3o negras. Apesar de todos os esfor\u00e7os dos governos Lula e Dilma para que as trabalhadoras dom\u00e9sticas tivessem acesso a direitos, um percentual m\u00ednimo \u00e9 de mensalistas. A maior parte ainda \u00e9 de diaristas, o que dificulta o acesso \u00e0 Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>A economista Marilane Teixeira ainda cita ainda outro agravante: com a crise, houve uma queda no n\u00famero de trabalhadoras mensalistas. Em S\u00e3o Paulo, no per\u00edodo de 2015 a 2016, a redu\u00e7\u00e3o foi de 4%. Significa que mais trabalhadoras passaram \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de trabalho informal, portanto, sem contribuir \u00e0 Previd\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Professoras\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>No caso das professoras do setor p\u00fablico, a economista avalia que a aposentadoria ser\u00e1 \u201cquase imposs\u00edvel\u201d. A categoria ter\u00e1 de cumprir os 25 anos de tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o e a idade m\u00ednima das professoras subir\u00e1 de 50 para 60 anos.<\/p>\n<p>Para Marilane, \u00e9 quase imposs\u00edvel imaginar tal situa\u00e7\u00e3o, dadas as condi\u00e7\u00f5es de trabalho oferecidas. \u201cElas entram no mercado de trabalho, em m\u00e9dia, aos 23 anos e, para se aposentarem com benef\u00edcio integral, ter\u00e3o de dar aula at\u00e9 73 anos\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da professora de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, Marta Cristina dos Santos, que hoje tem 41 anos e lamenta a inseguran\u00e7a sobre o futuro. \u201cEstou h\u00e1 20 anos em sala de aula. Se eu tiver de ir at\u00e9 os 60, terei de trabalhar mais 19, para contribuir os 40 anos. Com as condi\u00e7\u00f5es atuais, \u00e9 quase imposs\u00edvel\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cAs professoras se aposentam mais cedo. E isso foi uma conquista da nossa categoria, que sofre com cansa\u00e7o mental e tem a profiss\u00e3o reconhecida como penosa\u201d, explica Marta Cristina, que completa: \u201cdar aula mexe muito com a sa\u00fade e n\u00e3o acredito que com 60 anos, esgotada, vou conseguir dar conta\u201d.<\/p>\n<p><strong>Trabalhadoras rurais<\/strong><\/p>\n<p>Outro caso \u00e9 o das trabalhadoras rurais, que sofrer\u00e3o consequ\u00eancias dr\u00e1sticas. A nova proposta iguala as regras das trabalhadoras assalariadas rurais \u00e0s urbanas e ainda exige das agricultoras familiares (pequenas produtoras) uma contribui\u00e7\u00e3o mensal e individual, o que praticamente acaba com o sistema de prote\u00e7\u00e3o diferenciado dos rurais.<\/p>\n<p>A vice-presidenta da CUT, Carmen Foro, explica que, no caso das agricultoras familiares, a regra inviabilizar\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o h\u00e1 regularidade na renda dessas trabalhadoras \u2013 elas n\u00e3o ganham \u201cpor m\u00eas\u201d. Al\u00e9m disso, se a fam\u00edlia fizer uma op\u00e7\u00e3o por quem ser\u00e1 o contribuinte, provavelmente ser\u00e1 o homem, o que causar\u00e1 um impacto na autonomia econ\u00f4mica dessas mulheres.<\/p>\n<p>\u201cFoi gra\u00e7as a esse empoderamento que muitas mulheres conseguiram se livrar de condi\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica\u201d, destaca.<\/p>\n<p>A expectativa, segundo ela, caso a reforma seja aprovada, \u00e9 de que, neste caso, elas voltem a depender completamente de seus maridos e continuem acumulando suas fun\u00e7\u00f5es, em casa e no campo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>FONTE: <a title=\"CUT Rio de Janeiro\" href=\"http:\/\/www.cutrj.org.br\/\">CUT Rio de Janeiro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres s\u00e3o as que mais sofrem com as pol\u00edticas de desmonte do Estado promovidas pelo ileg\u00edtimo e golpista de Michel Temer (PMDB-SP), em especial as negras, as rurais e as professoras. 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