{"id":3361,"date":"2017-11-10T16:24:47","date_gmt":"2017-11-10T18:24:47","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/negros-enfrentam-mais-dificuldades-que-brancos-no-mercado-de-trabalho-diz-mpt\/"},"modified":"2017-11-10T16:24:47","modified_gmt":"2017-11-10T18:24:47","slug":"negros-enfrentam-mais-dificuldades-que-brancos-no-mercado-de-trabalho-diz-mpt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/negros-enfrentam-mais-dificuldades-que-brancos-no-mercado-de-trabalho-diz-mpt\/","title":{"rendered":"Negros enfrentam mais dificuldades que brancos no mercado de trabalho, diz MPT"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"text-decoration: underline;\">Negros sofrem tr\u00eas tipos de discrimina\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho: ocupacional, salarial e pela imagem<\/span><\/em><\/p>\n<p>Os negros enfrentam dificuldade na progress\u00e3o de carreira, na igualdade de sal\u00e1rios e s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis ao ass\u00e9dio moral no ambiente de trabalho, apesar da prote\u00e7\u00e3o constitucional contra o racismo e a discrimina\u00e7\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT).<\/p>\n<p>Segundo a coordenadora da Coordigualdade do MPT e procuradora do trabalho Valdirene Silva de Assis, por causa do preconceito, os negros t\u00eam tamb\u00e9m dificuldade de ocupar cargos de maior exposi\u00e7\u00e3o, como rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, caixa banc\u00e1rio, secret\u00e1rios e recepcionistas.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que nosso texto constitucional traz prote\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00f3s temos v\u00e1rios dispositivos, alguns espec\u00edficos sobre a quest\u00e3o trabalhista, que versam sobre os direitos sociais e que mencionam expressamente a veda\u00e7\u00e3o de toda e qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o, de diferencia\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, e o crime de racismo tamb\u00e9m \u00e9 tipificado pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Apesar disso, a sociedade nos mostra que essa estrutura legal n\u00e3o consegue fazer com que se caminhe em uma situa\u00e7\u00e3o diversa [da discrimina\u00e7\u00e3o e da exclus\u00e3o racial]\u201d, disse Valdirene na tarde desta quarta-feira (8), ao participar do Semin\u00e1rio Racismo no Mundo do Trabalho, na sede do MPT em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A procuradora destacou que o percentual de negros na popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 superior a 50%, embora o \u00edndice n\u00e3o se reflita em uma representa\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>O professor Cleber Santos Vieira, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), que \u00e9 membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores Negros, apontou tr\u00eas tipos de discrimina\u00e7\u00e3o frequentes no ambiente de trabalho: a primeira \u00e9 a ocupacional, que questiona a capacidade do negro de desempenhar tarefas mais complexas, mesmo que este profissional seja capacitado para tais fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o salarial, com o desrespeito \u00e0 equipara\u00e7\u00e3o na remunera\u00e7\u00e3o de brancos e negros, sugerindo que o trabalho feito pelo negro tem menor valor. E a terceira \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o pela imagem, na qual a pele escura e os cabelos crespos s\u00e3o alvo de preconceito e deixam os negros de fora de diversas oportunidades de trabalho.<\/p>\n<p><strong><em>Problema hist\u00f3rico<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u201cO trabalho foi inicialmente usado no pa\u00eds como ferramenta de opress\u00e3o e aprisionamento da popula\u00e7\u00e3o negra. A invisibilidade dos trabalhadores negros resulta diretamente da forma como a divis\u00e3o social do trabalho foi constitu\u00edda entre n\u00f3s\u201d, afirmou Cleber Vieira. Segundo o professor, o sistema escravista \u201cracializou\u201d toda a estrutura da sociedade brasileira, e a perman\u00eancia do racismo \u00e9 um tra\u00e7o estruturante fundamental.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil escravista, os pap\u00e9is dados aos indiv\u00edduos eram determinados pela cor da pele. Enquanto o trabalho na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, pol\u00edtica, justi\u00e7a, nas atividades comerciais, era reservado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o branca, o trabalho manual das matas, fazendas e minas era realizado por por negros\u201d, disse Vieira. Ele acrescentou que os trabalhos mais qualificados, considerados nobres, eram exercidos por uma minoria branca. J\u00e1 o trabalho bra\u00e7al e mal remunerados cabia aos negros, primeiramente os escravos e os negros chamados livres ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no papel, enfatizou.<\/p>\n<p>A representante da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) no evento, Tha\u00eds Faria, apresentou dados que mostram a continuidade desse modelo de discrimina\u00e7\u00e3o e racismo. \u201cQuando olhamos os dados sobre sal\u00e1rios e sobre informalidade, vemos como a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente real e cruel. A m\u00e9dia de sal\u00e1rio do homem branco \u00e9 R$ 2.507; a da mulher branca, R$ 1.810; a do homem negro, R$ 1.458; e a da mulher negra, R$ 1.071\u201d, disse Tha\u00eds, que \u00e9\u00a0 oficial t\u00e9cnica em princ\u00edpios e direitos fundamentais no trabalho da OIT.<\/p>\n<p>Quando o recorte \u00e9 o trabalho informal, a mulher negra tem a maior taxa de informalidade no mercado de trabalho no Brasil. \u201cVemos, por exemplo, que, na categoria das trabalhadoras dom\u00e9sticas, quase 90% s\u00e3o mulheres negras\u201d, ressaltou a representante da OIT. Ela acrescentou que grande dessas mulheres \u00e9 chefe de fam\u00edlia e que a categoria das dom\u00e9sticas \u00e9 uma das que mais sofrem de depress\u00e3o, inclusive pela instabilidade no trabalho.<\/p>\n<p>\u201cPorque, se ela \u00e9 chefe de fam\u00edlia, tem filhos para criar e est\u00e1 na informalidade, se adoecer, n\u00e3o recebe dinheiro. Como \u00e9 que cria sua pr\u00f3pria fam\u00edlia? Qualquer crise que a pessoa tenha e perca o emprego, como \u00e9 que vai criar a fam\u00edlia? S\u00e3o pessoas que t\u00eam um n\u00famero muito grande acidentes de trabalho e que tamb\u00e9m est\u00e3o envolvidas em casos de ass\u00e9dio sexual e outros tipos de viol\u00eancia\u201d, disse Tha\u00eds.<\/p>\n<p>A representante da OIT destacou que n\u00e3o existe desenvolvimento econ\u00f4mico sem justi\u00e7a social. \u201c[\u00c9 preciso] promover a justi\u00e7a social e a diminui\u00e7\u00e3o da pobreza. N\u00e3o se diminui a pobreza sem dar condi\u00e7\u00f5es iguais a\u00a0 todas as pessoas, para que possam produzir, ter um trabalho decente, um trabalho digno. Por fim, \u00e9 um tema de desenvolvimento social e econ\u00f4mico, porque estamos falando de for\u00e7a de trabalho de igual valor. E quando exclu\u00edmos essa juventude [negra] de participar da for\u00e7a de trabalho e produtividade do Brasil, perdemos dinheiro, perdemos na economia, perdemos no desenvolvimento econ\u00f4mico, perdemos na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>Setor banc\u00e1rio<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o, como mostra a hist\u00f3ria do Brasil, ocorre em diversos setores, inclusive no banc\u00e1rio, destacou a secret\u00e1ria-geral do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, Osasco e Regi\u00e3o, Neiva Santos. O sindicato realizou dois censos, em 2008 e 2014, para avaliar a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e cor no setor banc\u00e1rio. \u201cNo topo da pir\u00e2mide [cargos mais altos] n\u00e3o tem mulheres, n\u00e3o tem negros nem mulher negra. De forma alguma. Porque n\u00e3o haver\u00e1 ascens\u00e3o enquanto n\u00e3o quebrarmos o preconceito e o racismo no setor financeiro\u201d, afirmou a sindicalista.<\/p>\n<p>Segundo as informa\u00e7\u00f5es mais atualizadas, do censo de 2014, as mulheres no setor banc\u00e1rio ganham 77% da remunera\u00e7\u00e3o dos homens. \u201cMelhoramos esse indicador desde 2008 em 1,5%. Conforme c\u00e1lculo do Dieese [Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos], se a cada seis anos conseguirmos melhorar 1,5%, vamos demorar 88 anos para ter sal\u00e1rios iguais aos dos homens, se continuar neste ritmo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cSe olharmos o rendimento m\u00e9dio dos banc\u00e1rios por cor, a m\u00e9dia mensal dos negros \u00e9 84% em rela\u00e7\u00e3o ao dos brancos. No mesmo ritmo [considerado entre 2008 e 2014], n\u00f3s demorar\u00edamos 23 anos para ter equipara\u00e7\u00e3o salarial entre negros e brancos\u201d, acrescentou Neiva.<\/p>\n<p>Para a sindicalista, outra quest\u00e3o grave \u00e9 que as mulheres negras recebem o equivalente a 68% do rendimento dos homens brancos. \u201cSe voc\u00ea olhar o setor financeiro, \u00e9 muito raro voc\u00ea ver uma gerente negra. Ent\u00e3o os bancos, v\u00e3o contratar [negras] para \u00e1reas invis\u00edveis.\u201d<\/p>\n<p>No censo de 2008, os negros representavam em torno de 18% da categoria dos banc\u00e1rios. No \u00faltimo levantamento, em 2014, o percentual passou para 24,7% (21,3% pardos e 3,4% pretos), o que ainda n\u00e3o reflete o presen\u00e7a dos negros na sociedade brasileira. Apesar desse aumento na participa\u00e7\u00e3o em cargos no setor banc\u00e1rio, Neiva afirmou que a ascens\u00e3o na carreira continua dif\u00edcil.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Negros sofrem tr\u00eas tipos de discrimina\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho: ocupacional, salarial e pela imagem Os negros enfrentam dificuldade na progress\u00e3o de carreira, na igualdade de sal\u00e1rios e s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis ao ass\u00e9dio moral no ambiente de trabalho, apesar da prote\u00e7\u00e3o constitucional contra o racismo e a discrimina\u00e7\u00e3o. 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