{"id":3297,"date":"2017-11-01T02:43:39","date_gmt":"2017-11-01T04:43:39","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/policia-nao-esta-preparada-para-casos-de-violencia-contra-a-mulher\/"},"modified":"2017-11-01T02:43:39","modified_gmt":"2017-11-01T04:43:39","slug":"policia-nao-esta-preparada-para-casos-de-violencia-contra-a-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/policia-nao-esta-preparada-para-casos-de-violencia-contra-a-mulher\/","title":{"rendered":"Pol\u00edcia n\u00e3o est\u00e1 preparada para casos de viol\u00eancia contra a mulher"},"content":{"rendered":"<p>Em 2016, 49.497 pessoas foram estupradas no Brasil; 90% das v\u00edtimas eram mulheres. A taxa nacional de estupros cresceu 3,8%, chegando a 24 casos a cada 100 mil habitantes, revelam dados do 11\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro da Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgado ontem pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, que mostrou piora generalizada em todos os indicadores nacionais de criminalidade. &#8220;S\u00e3o dados impressionantes, que refor\u00e7am a necessidade de mudan\u00e7as urgentes na maneira como fazemos pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica no Brasil&#8221;, afirmou Renato S\u00e9rgio de Lima, diretor-presidente do F\u00f3rum.<\/p>\n<p>Estima-se que o n\u00famero de estupros seja muito maior, j\u00e1 que trata-se de um crime extremamente subnotificado, entre outros motivos, porque a pol\u00edcia n\u00e3o est\u00e1 preparada para atender mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia sexual e dom\u00e9stica, alertam especialistas do F\u00f3rum.\u00a0 &#8220;Assim como o policial aprende a atirar na academia, ele precisa aprender a atender uma mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia&#8221;, afirmou a diretora-executiva do F\u00f3rum, Samira Bueno.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m aponta que foram assassinadas 4.657 mulheres no ano passado, o que representa uma diminui\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s 4.845 mortes registradas em 2015. Mas s\u00f3 533 casos &#8211; 3,5% do total &#8211; foram enquadrados como feminic\u00eddio, conforme determina a lei.<\/p>\n<p>Sancionada em 2015 pela ex-presidente Dilma Rousseff, a Lei do Feminic\u00eddio, que define situa\u00e7\u00f5es em que o homic\u00eddio \u00e9 determinado por quest\u00f5es de g\u00eanero, foi sancionada em mar\u00e7o de 2015. Assim, 2016 foi o primeiro ano completo em que esses crimes foram contabilizados. &#8220;Como lei de feminic\u00eddio \u00e9 recente, n\u00e3o h\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o clara em muitas pol\u00edcias por registro adequado&#8221;, afirmou Olaya Hanashiro, coordenadora de projetos do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, que defendeu a cria\u00e7\u00e3o de protocolos espec\u00edficos para o atendimento. &#8220;O feminic\u00eddio \u00e9 s\u00f3 o desfecho fatal de uma s\u00e9rie de viol\u00eancias que a mulher sofre, como o estupro&#8221;, afirmou a especialista.<\/p>\n<p>Segundo Olaya, o caminho para reduzir esses \u00edndices de criminalidade \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o, que passa por criar uma rede de atendimento preparada para receber a mulher que sofreu a viol\u00eancia. &#8220;A mulher muitas vezes n\u00e3o denuncia porque tem medo de sofrer uma viol\u00eancia ainda maior&#8221;, disse. Na apresenta\u00e7\u00e3o dos dados, os representantes do F\u00f3rum citaram estudos acad\u00eamicos que indicam que s\u00f3 10% dos estupros s\u00e3o notificados no Brasil.<\/p>\n<p>Olaya afirmou que prevenir a viol\u00eancia contra a mulher passa por ensinar desde cedo sobre equidade de g\u00eanero. &#8220;Falar de acordo com a idade de cada crian\u00e7a e a capacidade que ela tem, que meninos e meninas t\u00eam que ser respeitados da mesma maneira.&#8221;<\/p>\n<p>Samira citou como exemplo recente do despreparo das pol\u00edcias a morte de uma mulher no Estado de Minas Gerais. Ao denunciar seu ex-companheiro como agressor, foi colocada em uma viatura policial junto com ele e morta quando estavam sendo levados para a delegacia para prestar depoimento. &#8220;Isso \u00e9 um tipo de epis\u00f3dio que jamais n\u00e3o poderia ter acontecido&#8221;, afirmou Samira, que defendeu a cria\u00e7\u00e3o de protocolos b\u00e1sicos entre os profissionais de seguran\u00e7a para atendimento de uma mulher v\u00edtima de viol\u00eancia sexual e dom\u00e9stico. &#8220;N\u00e3o podemos continuar revitimizando a mulher em situa\u00e7\u00f5es em que ela fica muito exposta&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Outro aspecto destacado pelo F\u00f3rum \u00e9 a baixa presen\u00e7a das mulheres nas corpora\u00e7\u00f5es policiais, estimada em torno de 10%. &#8220;Como \u00e9 que a gente vai imaginar que essa corpora\u00e7\u00e3o vai estar apropriada para atender a mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia? Em 2017, n\u00e3o faz sentido limitar a entrada de mulheres nessas carreiras, hoje baseadas em intelig\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pra\u00e7as (Anaspra), cabo Elisandro Lotin, afirmou que, al\u00e9m da pouca presen\u00e7a das mulheres nas pol\u00edcias, cerca de 40% das profissionais da seguran\u00e7a p\u00fablica relatam sofrer ass\u00e9dio moral e sexual durante o trabalho. &#8220;As mulheres s\u00e3o aviltadas em seus direitos mais b\u00e1sicos&#8221;, afirmou Lotin.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2016, 49.497 pessoas foram estupradas no Brasil; 90% das v\u00edtimas eram mulheres. 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