{"id":3273,"date":"2017-10-26T15:18:38","date_gmt":"2017-10-26T17:18:38","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/lgbt-nao-e-preciso-ser-para-sentir\/"},"modified":"2017-10-26T15:18:38","modified_gmt":"2017-10-26T17:18:38","slug":"lgbt-nao-e-preciso-ser-para-sentir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/lgbt-nao-e-preciso-ser-para-sentir\/","title":{"rendered":"\u200bLGBT: N\u00e3o \u00e9 preciso ser para sentir"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"text-decoration: underline;\">A sociedade vem percebendo a import\u00e2ncia de valorizar a diversidade e respeitar os LGBTs, mas os retrocessos e os enfrentamentos de grupos conservadores ainda s\u00e3o constantes<\/span><\/em><\/p>\n<p>A uni\u00e3o civil entre pessoas do mesmo sexo, a viol\u00eancia e as discrimina\u00e7\u00f5es sofridas pela popula\u00e7\u00e3o LGBT s\u00e3o os principais enfoques da discuss\u00e3o que envolve a orienta\u00e7\u00e3o sexual e a identidade de g\u00eanero. Seja nas rodas de amigos ou no Congresso Nacional, a falta de igualdade de direitos na sociedade \u00e9 facilmente notada. O embate \u00e9 travado em convic\u00e7\u00f5es religiosas, tabus e preconceitos, varrendo para baixo do tapete toda a laicidade e a igualdade de nosso Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n<p>As Paradas do Orgulho de LGBT, que s\u00e3o realizadas no Brasil desde 1995, s\u00e3o grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares democr\u00e1ticas, festivas e de afirma\u00e7\u00f5es de direitos. Tendo como ponto de partida a cidade do Rio de Janeiro, as paradas acontecem atualmente de Norte a Sul, nas principais cidades do pa\u00eds e ampliam a visibilidade e o debate da tem\u00e1tica para al\u00e9m dos grupos LGBTs. Cada vez mais, os grupos de defesa dos direitos LGBT t\u00eam se empoderado e utilizado a Parada como forma de press\u00e3o pol\u00edtica junto ao Estado e \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a popula\u00e7\u00e3o LGBT obteve algumas conquistas, como o reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da rela\u00e7\u00e3o familiar entre casais do mesmo sexo. A decis\u00e3o garantiu aos casais homoafetivos os mesmos direitos e deveres dos casais heterossexuais, conforme definido pelo C\u00f3digo Civil.<\/p>\n<p>Outra conquista importante foi a proibi\u00e7\u00e3o de os cart\u00f3rios recusarem a celebra\u00e7\u00e3o de casamento civil ou a convers\u00e3o da uni\u00e3o est\u00e1vel em casamento entre pessoas do mesmo sexo.<\/p>\n<p>Mas, se por um lado, a sociedade vem percebendo a import\u00e2ncia de valorizar a diversidade e respeitar os LGBTs, por outro, os retrocessos e os enfrentamentos de grupos conservadores ainda s\u00e3o barreiras constantes.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o Projeto de Lei (PL) 1151\/95, que regulamenta a uni\u00e3o civil entre pessoas do mesmo sexo. Apesar de estar pronto para vota\u00e7\u00e3o, n\u00e3o segue para aprecia\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados devido \u00e0 press\u00e3o de grupos religiosos e fundamentalistas. Fen\u00f4meno similar ocorre com o PL de Criminaliza\u00e7\u00e3o da Homofobia (122\/06), com o PL de Identidade de G\u00eanero Jo\u00e3o Nery (PL 5002\/13) e demais projetos de lei envolvendo direitos LGBT.<\/p>\n<p>Soma-se \u00e0 falta de vontade pol\u00edtica do Legislativo e do Executivo e \u00e0 falta de garantia dos direitos adquiridos por decis\u00f5es judiciais, os problemas decorrentes do mercado de trabalho e da iniciativa privada. As consequ\u00eancias s\u00e3o dr\u00e1sticas para toda a sociedade, gerando preju\u00edzos n\u00e3o apenas sociais, mas tamb\u00e9m econ\u00f4micos, como a perda de for\u00e7a de trabalho e fuga de talentos.<\/p>\n<p>As taxas de desemprego, pobreza, inseguran\u00e7a alimentar e depress\u00e3o s\u00e3o todas mais altas na comunidade LGBT, segundo os dados da ONU.<\/p>\n<p>Pelo menos metade dos jovens LGBTs s\u00e3o v\u00edtimas de \u201cbullying\u201d na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, o que faz com que um a cada tr\u00eas deles abandone os estudos. Outros e outras jovens ainda s\u00e3o rejeitados pelos pais, familiares e at\u00e9 expulsos de casa, o que tem levado muitos LGBTs \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com jovens heterossexuais, os jovens LGBTs s\u00e3o quatro vezes mais propensos a cometer suic\u00eddio. Os e as jovens trans t\u00eam quase dez vezes mais chances de cometer suic\u00eddio do que a popula\u00e7\u00e3o em geral, alerta a ONU. Al\u00e9m disso, 90% das travestis brasileiras est\u00e3o fora do mercado de trabalho formal de acordo com dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Trata-se de uma popula\u00e7\u00e3o cuja expectativa de vida m\u00e9dia \u00e9 de 35 anos no Brasil, um pa\u00eds que lidera o assassinato de travestis e pessoas trans, de acordo com dados do Transgender Europe (TGEU) e do Grupo Gay da Bahia (GGB).<\/p>\n<p>Segundo levantamento do GGB, at\u00e9 o dia 20 de setembro, haviam sido registrados 277 homic\u00eddios de LGBTs em 2017. Em m\u00e9dia, segundo o levantamento, ocorreu no per\u00edodo 1,05 assassinato de LGBT por dia. \u00c9 a maior m\u00e9dia desde 1980, quando os dados passaram a ser contabilizados pela entidade baiana. Os dados do GGB s\u00e3o usados como refer\u00eancia sobre crimes relacionados a preconceito \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual no pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 leis que tutelem de forma assertiva os direitos LGBT a n\u00edvel nacional e as decis\u00f5es judiciais, apesar de constitu\u00edrem vit\u00f3rias do movimento social, n\u00e3o asseguram que os direitos sejam mantidos. \u00c9, portanto, uma popula\u00e7\u00e3o vulnerabilizada, que ainda \u00e9 submetida a situa\u00e7\u00f5es de precariza\u00e7\u00e3o de direitos, subemprego e\/ou desemprego e desamparo das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas.<\/p>\n<p>No Brasil, estudos divulgados pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) apontam que uma a cada cinco pessoas LGBT relatam experi\u00eancias discriminat\u00f3rias em seu ambiente de trabalho. De acordo com levantamento do Banco Mundial, a discrimina\u00e7\u00e3o das pessoas LGBT pode custar, mundialmente, US$ 32 bilh\u00f5es por ano, o que equivale a uma economia como a da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Essas perdas se convertem em menores receitas com arrecada\u00e7\u00e3o de impostos para os governos, o que significa menos dinheiro para sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e outros servi\u00e7os essenciais. Representam tamb\u00e9m um enorme desperd\u00edcio de potencial humano \u2013 em talento, criatividade e produtividade, que pesam gravemente sobre os trabalhadores e trabalhadoras LGBT, sobre a sociedade e a economia como um todo.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es recentes que envolvem o sistema financeiro, um gerente de banco foi demitido depois de ter postado um v\u00eddeo com seu namorado em sua rede social privada. Em outro caso, teve grande repercuss\u00e3o a retira de cartaz de uma exposi\u00e7\u00e3o fomentada pelo setor cultural de um banco devido a protestos de grupos religiosos e liberais-conservadores.<\/p>\n<p>S\u00e3o exemplos como estes que demonstram a import\u00e2ncia e a atualidade da luta pelos direitos LGBTs em contextos de ascens\u00e3o conservadora. Trata-se de uma luta a ser encampada por todas e todos, LGBTs ou n\u00e3o, na medida em que se trata da defesa de uma sociedade mais democr\u00e1tica, plural e justa. N\u00e3o \u00e9 preciso ser LGBT para sentir a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito!<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sociedade vem percebendo a import\u00e2ncia de valorizar a diversidade e respeitar os LGBTs, mas os retrocessos e os enfrentamentos de grupos conservadores ainda s\u00e3o constantes A uni\u00e3o civil entre pessoas do mesmo sexo, a viol\u00eancia e as discrimina\u00e7\u00f5es sofridas pela popula\u00e7\u00e3o LGBT s\u00e3o os principais enfoques da discuss\u00e3o que envolve a orienta\u00e7\u00e3o sexual e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3272,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-3273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3273\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}