{"id":2250,"date":"2015-09-01T00:00:00","date_gmt":"2015-09-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/ha-32-anos-nascia-a-central-unica-dos-trabalhadores-cut\/"},"modified":"2015-09-01T00:00:00","modified_gmt":"2015-09-01T03:00:00","slug":"ha-32-anos-nascia-a-central-unica-dos-trabalhadores-cut","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/ha-32-anos-nascia-a-central-unica-dos-trabalhadores-cut\/","title":{"rendered":"H\u00e1 32 anos nascia a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT)"},"content":{"rendered":"<p>Neste 28 de agosto de 2015, a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) completa 32 anos. Fundada em meio \u00e0 efervesc\u00eancia da luta por democracia, a entidade foi protagonista na queda da ditadura militar, com milhares de trabalhadores organizados indo \u00e0s ruas contra o governo.<\/p>\n<p>Foi durante o 1\u00ba Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em S\u00e3o Bernardo do Campo, em S\u00e3o Paulo, que a CUT foi criada. Intensas discuss\u00f5es marcaram a forma\u00e7\u00e3o da primeira Executiva, que culminou com a nomea\u00e7\u00e3o do metal\u00fargico Jair Meneguelli como primeiro presidente da Central.<\/p>\n<p>A CUT se consagrou como a grande representante da classe trabalhadora brasileira, tornando-se a maior central do Brasil e da Am\u00e9rica Latina e a quinta do mundo. Com quase quatro mil entidades filiadas, a CUT representa mais de 24 milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras em todo o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Durante seus 32 anos, a CUT teve seis presidentes, \u00e0 frente de in\u00fameras conquistas \u00e0 classe trabalhadora brasileira. Confira agora, por per\u00edodo, os principais avan\u00e7os capitaneados pela Central:<\/p>\n<p><strong>Jair Meneguelli (1983-1994)<\/strong><\/p>\n<p>Uma recess\u00e3o econ\u00f4mica, aliada ao desemprego profundo, eram os maiores desafios da classe trabalhadora nos idos de 1983. Delfim Netto e o presidente \u00e0 \u00e9poca, o militar Jo\u00e3o Batista Figueiredo, insistiam no curvar de cabe\u00e7as ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), que ditava as regras no Brasil.<\/p>\n<p>No dia 6 de julho de 1983, os petroleiros organizaram um dia de paralisa\u00e7\u00e3o contra os rumos da economia, a submiss\u00e3o ao FMI e por garantias de direitos \u00e0 classe trabalhadora. Em resposta, o regime militar interviu em diversos sindicatos, destituindo suas diretorias e entregando a administra\u00e7\u00e3o das entidades para representantes dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo sindicatos que prestaram solidariedade aos petroleiros, como os metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo e Diadema, foram alvos de ataques dos militares e interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Nacional Pr\u00f3-CUT foi protagonista na constru\u00e7\u00e3o da greve geral do dia 21 de julho de 1983, que parou o Pa\u00eds. Ao todo, mais de dois milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras cruzaram os bra\u00e7os.<br \/>A greve geral sedimentou o caminho e trouxe for\u00e7a pol\u00edtica para a cria\u00e7\u00e3o da CUT, pouco mais de um m\u00eas depois. Desde o princ\u00edpio, a Central demonstrava seu compromisso com a classe trabalhadora, organizada a partir da base e consolidando um sindicalismo classista.<\/p>\n<p><strong>Vicentinho (1994-2000)<\/strong><\/p>\n<p>Eleito presidente da CUT em 1993, o ent\u00e3o metal\u00fargico Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, foi respons\u00e1vel por comandar a Central durante a ascens\u00e3o do soci\u00f3logo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao poder. Com o tucano, veio tamb\u00e9m o avan\u00e7o do neoliberalismo, que intensificou o desemprego, com pol\u00edticas favor\u00e1veis aos empres\u00e1rios e cumprindo a cartilha do FMI.<\/p>\n<p>Em 1997, Fernando Henrique Cardoso se isolava na pol\u00edtica nacional, entregando o Pa\u00eds \u00e0s multinacionais, por meio de privatiza\u00e7\u00f5es, que seguem mal explicadas at\u00e9 os dias de hoje, e cumprindo as metas estabelecidas pelo FMI. Foi quando a CUT encabe\u00e7ou o \u201cF\u00f3rum Nacional de Lutas\u201d, que uniu diversos movimentos sindical e sociais.<br \/>Na pauta, a defesa pela retomada dos empregos, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, aumento de sal\u00e1rios, reforma agr\u00e1ria, o fim das privatiza\u00e7\u00f5es, auditoria nas empresas j\u00e1 privatizadas e a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida externa.<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Fel\u00edcio (2000-2003) e (2005-2006)<\/strong><\/p>\n<p>Ainda na esteira do neoliberalismo promovido por Fernando Henrique Cardoso, o mandato do professor Jo\u00e3o Fel\u00edcio conseguiu uma das mais importantes vit\u00f3rias contra o governo do tucano, que queria flexibilizar a CLT.<\/p>\n<p>Com atua\u00e7\u00e3o importante do presidente da C\u00e2mara dos Deputados \u00e0 \u00e9poca, A\u00e9cio Neves (PSDB-MG), FHC tentou aprovar o projeto \u2013 de sua autoria \u2013 que alterava o artigo 618 da CLT, em 2001, permitindo modifica\u00e7\u00f5es em direitos b\u00e1sicos dos trabalhadores, como as f\u00e9rias e o 13\u00ba sal\u00e1rio.<br \/>\u00c9 f\u00e1cil entender, hoje, de onde vem a conduta autorit\u00e1ria e antidemocr\u00e1tica do atual presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A\u00e9cio Neves n\u00e3o apenas trabalhou contra os trabalhadores como fechou as galerias, impedindo que os trabalhadores acompanhassem as discuss\u00f5es do projeto. Somente ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o do STF, a C\u00e2mara foi aberta ao povo.<\/p>\n<p>A CUT, aliada aos movimentos sociais, impediu a aprova\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p><strong>Luiz Marinho (2003 \u2013 2005)<\/strong><\/p>\n<p>O ex-presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC assumiu a Presid\u00eancia da CUT em um momento singular na hist\u00f3ria da Central. Pela primeira vez, um governo apoiado pela CUT havia sido eleito, meses antes. O desafio era aproveitar o momento para implementar o m\u00e1ximo poss\u00edvel de propostas constru\u00eddas ao longo de 20 anos e, ao mesmo tempo, manter a independ\u00eancia e cobrar quando preciso.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a principal marca do mandato de Luiz Marinho foi imaginar e concretizar as Marchas Nacionais do Sal\u00e1rio M\u00ednimo que, a partir de 2004, levam milhares de trabalhadores e trabalhadoras a Bras\u00edlia para cobrar um mecanismo de aumento real do piso nacional.<br \/>Essa press\u00e3o, sempre ao final do ano, \u00e0s v\u00e9speras da vota\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, serviu para que Lula passasse a aprovar aumentos acima da infla\u00e7\u00e3o, por meio de medidas provis\u00f3rias. Come\u00e7ava ali a se consolidar a f\u00f3rmula atual da pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo: infla\u00e7\u00e3o + resultado do PIB = \u00edndice de reajuste.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois, em 2007, a f\u00f3rmula seria transformada em lei, em vota\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional. Luiz Marinho deixou a CUT em julho de 2005, ap\u00f3s convite de Lula para assumir o Minist\u00e9rio do Trabalho, em meio \u00e0 crise pol\u00edtica instalada naquele ano.<\/p>\n<p><strong>Artur Henrique (2006 \u2013 2012)<\/strong><\/p>\n<p>Resist\u00eancia e di\u00e1logo podem ser duas palavras definidoras dos dois mandatos do trabalhador do setor el\u00e9trico Artur Henrique. Um dos momentos mais marcantes de sua gest\u00e3o, e que teria reflexos positivos para o Brasil como um todo, foi a decis\u00e3o da CUT de n\u00e3o participar de um acordo pretendido e anunciado pela Fiesp e pela For\u00e7a Sindical para reduzir sal\u00e1rios e suspender contratos em todos os setores de atividade, antes mesmo que os temidos efeitos da crise internacional de 2008 chegassem por aqui.<\/p>\n<p>A recusa da CUT implodiu o acordo, defendido pelo empresariado e por setores da grande m\u00eddia. A partir da\u00ed, a CUT passa a costurar acordos com propostas para manter os empregos e os sal\u00e1rios.<br \/>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que a posi\u00e7\u00e3o da Central deu suporte para que o governo Lula enfrentasse com sucesso a crise financeira e impedisse que o desemprego contaminasse a vida brasileira.<\/p>\n<p>Com Artur \u00e0 frente, a CUT conquistou a ratifica\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o 151 da OIT- que garante negocia\u00e7\u00e3o no setor p\u00fablico -; a aprova\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo; a entrada em vigor de uma reivindica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da Central, o fator acident\u00e1rio previdenci\u00e1rio (FAP); uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para garantir direitos trabalhistas \u00e0s trabalhadoras dom\u00e9sticas, e a regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho aos domingos no com\u00e9rcio, entre outros pontos.<\/p>\n<p>Por interm\u00e9dio do di\u00e1logo e da proposi\u00e7\u00e3o, a CUT, junto com sua FUP (Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros) tamb\u00e9m deu importante contribui\u00e7\u00e3o para o atual marco regulat\u00f3rio de explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p><strong>Vagner Freitas (2012)<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida alguma que a gest\u00e3o do banc\u00e1rio Vagner Freitas se destaca pela atual disputa pol\u00edtica, nas ruas, em defesa da democracia e da manuten\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o dos direitos sociais.<br \/>A CUT tem sido protagonista na convoca\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de atos nacionais para se contrapor \u00e0 maior onda reacion\u00e1ria vista no Brasil desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Faz parte dessa onda a pauta reacion\u00e1ria do atual Congresso Nacional. A Central combateu o projeto de terceiriza\u00e7\u00e3o sem limites de diversas formas, conseguindo que o Senado, onde a proposta ser\u00e1 analisada, se colocasse majoritariamente contra a ideia.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia se intensifica \u00e0 medida que a pauta do retrocesso sai da toca e apresenta projetos como redu\u00e7\u00e3o da idade penal e a rec\u00e9m-apresentada Agenda Brasil, restritiva \u00e0 classe trabalhadora.<br \/>Entre as conquistas para o trabalhador, a CUT registra neste per\u00edodo a isen\u00e7\u00e3o de imposto de renda para a participa\u00e7\u00e3o nos lucros e resultados (PLR) recebida pelos trabalhadores, a manuten\u00e7\u00e3o da corre\u00e7\u00e3o da tabela do imposto de renda e a continuidade da pol\u00edtica nacional de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo. <\/p>\n<p>Fonte: CUT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste 28 de agosto de 2015, a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) completa 32 anos. 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