{"id":17359,"date":"2026-08-06T19:58:19","date_gmt":"2026-08-06T22:58:19","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/banco-central-reduz-selic-para-14-ao-ano-mas-juros-seguem-elevados-e-favorecendo-apenas-o-mercado-financeiro\/"},"modified":"2026-08-06T19:58:19","modified_gmt":"2026-08-06T22:58:19","slug":"banco-central-reduz-selic-para-14-ao-ano-mas-juros-seguem-elevados-e-favorecendo-apenas-o-mercado-financeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/banco-central-reduz-selic-para-14-ao-ano-mas-juros-seguem-elevados-e-favorecendo-apenas-o-mercado-financeiro\/","title":{"rendered":"Banco Central reduz Selic para 14% ao ano, mas juros seguem elevados e favorecendo apenas o mercado financeiro"},"content":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) de 14,25% para 14% ao ano. Este \u00e9 o quarto corte consecutivo promovido pela autoridade monet\u00e1ria e ocorre em um cen\u00e1rio de desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o. Apesar da redu\u00e7\u00e3o, a taxa continua em um patamar elevado, mantendo o Brasil entre os pa\u00edses com os maiores juros reais do mundo.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi un\u00e2nime e, segundo o Banco Central, reflete a desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e os primeiros sinais de arrefecimento da atividade econ\u00f4mica. Ainda assim, a institui\u00e7\u00e3o evitou sinalizar novos cortes nas pr\u00f3ximas reuni\u00f5es, afirmando que a continuidade do ciclo depender\u00e1 da evolu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, do cen\u00e1rio internacional e das condi\u00e7\u00f5es da economia brasileira.<\/p>\n<p>Para a Contraf-CUT, o corte representa um avan\u00e7o, mas ainda insuficiente para reduzir de forma significativa o custo do cr\u00e9dito para fam\u00edlias e empresas e estimular o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>&#8220;A redu\u00e7\u00e3o da Selic \u00e9 positiva, mas uma taxa de 14% ao ano ainda imp\u00f5e um custo muito elevado para quem precisa de cr\u00e9dito, desestimula investimentos e limita a gera\u00e7\u00e3o de empregos. O Brasil precisa continuar reduzindo os juros de forma respons\u00e1vel, acompanhando a queda da infla\u00e7\u00e3o, para fortalecer a economia e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o secret\u00e1rio de Assuntos Socioecon\u00f4micos da Contraf-CUT, Walcir Previtale.<br \/>Juros altos continuam alimentando lucros bilion\u00e1rios<br \/>Para a Confedera\u00e7\u00e3o, a manuten\u00e7\u00e3o da Selic em n\u00edveis elevados tamb\u00e9m ajuda a explicar os resultados extraordin\u00e1rios registrados pelos grandes bancos brasileiros. Com o dinheiro mais caro, as institui\u00e7\u00f5es financeiras ampliam suas receitas com opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e aplica\u00e7\u00f5es em t\u00edtulos p\u00fablicos, preservando elevados n\u00edveis de rentabilidade mesmo em per\u00edodos de desacelera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>Os balan\u00e7os divulgados pelos principais bancos ao longo deste ano confirmam essa realidade: enquanto seguem registrando lucros bilion\u00e1rios, as institui\u00e7\u00f5es continuam fechando ag\u00eancias, reduzindo postos de trabalho e aumentando a sobrecarga das equipes.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio tamb\u00e9m est\u00e1 no centro da Campanha Nacional dos Banc\u00e1rios 2026. A categoria reivindica aumento real dos sal\u00e1rios, valoriza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e avan\u00e7os nas cl\u00e1usulas sociais. At\u00e9 o momento, por\u00e9m, a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Bancos (Fenaban) ainda n\u00e3o apresentou respostas \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da categoria.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 contradit\u00f3rio que os bancos apresentem resultados t\u00e3o expressivos e, ao mesmo tempo, resistam a reconhecer quem produz essa riqueza. Os banc\u00e1rios s\u00e3o fundamentais para esses resultados e esperam da Fenaban uma proposta que contemple aumento real, valoriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e avan\u00e7os nas demais reivindica\u00e7\u00f5es da campanha nacional. N\u00e3o faltam recursos aos bancos; falta disposi\u00e7\u00e3o para distribuir de forma mais justa os ganhos obtidos&#8221;, destaca Walcir Previtale.<br \/>O que muda com a Selic em 14%<br \/>A Selic \u00e9 a principal refer\u00eancia para as taxas de juros cobradas em empr\u00e9stimos, financiamentos e diversas modalidades de cr\u00e9dito. Quando ela cai, a tend\u00eancia \u00e9 que o custo do dinheiro diminua gradualmente para consumidores e empresas, embora esse movimento n\u00e3o aconte\u00e7a de forma imediata.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, uma taxa de 14% ao ano significa que o cr\u00e9dito continua caro. Financiamentos imobili\u00e1rios, empr\u00e9stimos pessoais, cr\u00e9dito para empresas e financiamentos de ve\u00edculos permanecem com juros elevados, limitando o consumo das fam\u00edlias e os investimentos produtivos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, aplica\u00e7\u00f5es financeiras indexadas \u00e0 Selic e ao CDI, como Tesouro Selic e CDBs, continuam oferecendo elevada rentabilidade aos investidores.<br \/>Infla\u00e7\u00e3o desacelera, mas Banco Central mant\u00e9m cautela<br \/>O Copom informou que a decis\u00e3o foi influenciada pela desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o. O IPCA-15 de julho registrou alta de apenas 0,06%, reduzindo a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses para 4,52%, \u00edndice ainda ligeiramente acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional.<\/p>\n<p>Apesar da melhora dos indicadores, o Banco Central afirmou que seguir\u00e1 acompanhando atentamente o comportamento da infla\u00e7\u00e3o, da atividade econ\u00f4mica e do cen\u00e1rio internacional antes de promover novos cortes.<\/p>\n<p>Entre os fatores de preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e3o as tens\u00f5es geopol\u00edticas, a volatilidade dos pre\u00e7os das commodities e a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria nas principais economias do mundo.<br \/>Redu\u00e7\u00e3o dos juros \u00e9 importante para trabalhadores e para o pa\u00eds<br \/>Na avalia\u00e7\u00e3o da Contraf-CUT, a continuidade da redu\u00e7\u00e3o da Selic \u00e9 fundamental para estimular o crescimento econ\u00f4mico, ampliar os investimentos produtivos, fortalecer a gera\u00e7\u00e3o de empregos e reduzir o custo do cr\u00e9dito para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o ressalta, entretanto, que a pol\u00edtica monet\u00e1ria precisa caminhar ao lado da valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho. Em um momento em que os bancos seguem acumulando lucros bilion\u00e1rios, a expectativa da categoria \u00e9 que a Fenaban apresente propostas compat\u00edveis com essa realidade nas mesas de negocia\u00e7\u00e3o da Campanha Nacional dos Banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para a entidade, n\u00e3o h\u00e1 justificativa para que institui\u00e7\u00f5es que seguem entre as empresas mais lucrativas do pa\u00eds resistam a atender reivindica\u00e7\u00f5es como aumento real dos sal\u00e1rios, valoriza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Afinal, s\u00e3o justamente os banc\u00e1rios e banc\u00e1rias que garantem, todos os dias, os resultados expressivos divulgados pelo setor financeiro.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) de 14,25% para 14% ao ano. 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