{"id":1717,"date":"2013-11-18T00:00:00","date_gmt":"2013-11-18T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/emprego-e-remuneracao-comprovam-racismo-nos-bancos-diz-dieese\/"},"modified":"2013-11-18T00:00:00","modified_gmt":"2013-11-18T02:00:00","slug":"emprego-e-remuneracao-comprovam-racismo-nos-bancos-diz-dieese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/emprego-e-remuneracao-comprovam-racismo-nos-bancos-diz-dieese\/","title":{"rendered":"Emprego e remunera\u00e7\u00e3o comprovam racismo nos bancos, diz Dieese"},"content":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 incontest\u00e1vel a exist\u00eancia de racismo no sistema financeiro.\u201d A afirma\u00e7\u00e3o foi feita por B\u00e1rbara Vasquez, t\u00e9cnica do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), durante palestra no II F\u00f3rum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro, encerrado nesta quinta-feira (14), no Hotel S\u00e3o Francisco, no centro do Rio de Janeiro. O evento foi promovido pela Contraf-CUT em parceria com o Sindicato dos Banc\u00e1rios do Rio e a Fetraf RJ-ES.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>B\u00e1rbara comparou os n\u00fameros do Censo Demogr\u00e1fico do IBGE de 2010 com os do Mapa da Diversidade da Febraban em 2008. No censo, as pessoas de cor negra (pardas e pretas) eram 50,7% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, as de cor branca 47,7%; amarela, 1,1%; e ind\u00edgena, 0,4%.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nos bancos, segundo a pesquisa da pr\u00f3pria Febraban, essa situa\u00e7\u00e3o se inverte: os banc\u00e1rios de cor branca s\u00e3o 77,4%; somente 19% s\u00e3o de cor negra (2,3% preta e 16,7% parda); 3,3%, amarela; e 0,3%, ind\u00edgena. \u201cH\u00e1, portanto, uma subrepresenta\u00e7\u00e3o dos negros nos bancos, confirmando o racismo\u201d, observou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RAIS confirma racismo<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica do Dieese apresentou tamb\u00e9m dados do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE), extra\u00eddos do Registro Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (RAIS), de 2012, que confirmam o racismo: 79,9% dos banc\u00e1rios s\u00e3o de cor branca; apenas 17,1%, negra (14,9%, parda, e 2,2% preta); 2,8%, amarela; e 0,2%, ind\u00edgena.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Segundo a RAIS, a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 maior nos bancos privados, mas tamb\u00e9m \u00e9 grande nos p\u00fablicos. Nos primeiros, 80,7% dos banc\u00e1rios s\u00e3o de cor branca; 16,5% de cor negra (14%, parda e 2,5%, preta); e 2,1% de cor amarela. Nos p\u00fablicos, 74,8% s\u00e3o de cor branca; 21,9%, negra (19,4%, parda e 2,5% preta); e 3% amarela.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mas o que mais assusta \u00e9 que os bancos est\u00e3o \u201cembranquecendo\u201d ainda mais o corpo de funcion\u00e1rios, tanto no setor p\u00fablico quanto no privado. B\u00e1rbara comprovou isto tamb\u00e9m atrav\u00e9s da RAIS de 2012: o n\u00famero de negros admitidos em bancos p\u00fablicos foi de 4.552, enquanto o de brancos foi mais que o dobro, 10.923. Nos privados a diferen\u00e7a \u00e9 ainda mais assustadora. Foram admitidos naquele ano, 4.364 negros, e um n\u00famero quase 5 vezes maior de brancos: 19.923.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mesmo com dados t\u00e3o alarmantes, na mesa tem\u00e1tica sobre Igualdade de Oportunidades, os bancos dizem que est\u00e3o fazendo um esfor\u00e7o para mudar essa situa\u00e7\u00e3o. O n\u00famero de negros demitidos tamb\u00e9m \u00e9 maior nos privados: 5.169 banc\u00e1rios contra 1.331 nos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Negros ganham menos<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>B\u00e1rbara enfatizou que o Mapa da Diversidade mostra o tratamento diferenciado tamb\u00e9m na remunera\u00e7\u00e3o. Mesmo trabalhando na mesma fun\u00e7\u00e3o, os negros recebem, em m\u00e9dia, 84% do sal\u00e1rio dos brancos. O n\u00famero de negros \u00e9 menor quanto mais alto \u00e9 o cargo na hierarquia banc\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No posto de auxiliares de escrit\u00f3rio 30% s\u00e3o negros e 69% n\u00e3o negros; no de gerente, 14% s\u00e3o negros e 86% n\u00e3o negros; j\u00e1 no de auditores 88% s\u00e3o n\u00e3o negros e 11% negros; nos cargos de diretores, 95% s\u00e3o n\u00e3o negros e apenas 4%, negros.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Entre banc\u00e1rios e terceirizados, s\u00e3o 1.023.120 trabalhadores no sistema financeiro. Deste total, 301.654 s\u00e3o negros, sendo 146.909 homens e 154.745 mulheres. Os n\u00e3o negros totalizam 721.766 pessoas. Destes, 356.408 s\u00e3o homens e 365.058, mulheres. Ao todo, s\u00e3o 503.317 homens e 519.803 mulheres.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O rendimento m\u00e9dio mensal das mulheres negras \u00e9 de R$ 1.752,26; e dos negros, R$ 2.845,15. Entre os n\u00e3o negros, o sal\u00e1rio m\u00e9dio \u00e9 de R$ 4.254,19 e entre as n\u00e3o negras, R$ 2.630,60.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Comparando-se apenas os g\u00eaneros, os homens recebem uma remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de R$ 3.840,19 e as mulheres R$ 2.360, 69. \u201cDesde 1999, os banc\u00e1rios colocaram o tema da exist\u00eancia da discrimina\u00e7\u00e3o racial na mesa de negocia\u00e7\u00f5es, exigindo mudan\u00e7as, e cl\u00e1usulas para mudar esta realidade foram inclu\u00eddas na Conven\u00e7\u00e3o Coletiva. Para resolver o problema \u00e9 necess\u00e1rio insistir e pressionar cada vez mais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Fonte: Contraf-CUT com Olyntho Contente (Seeb Rio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 incontest\u00e1vel a exist\u00eancia de racismo no sistema financeiro.\u201d A afirma\u00e7\u00e3o foi feita por B\u00e1rbara Vasquez, t\u00e9cnica do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), durante palestra no II F\u00f3rum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro, encerrado nesta quinta-feira (14), no Hotel S\u00e3o Francisco, no centro do Rio de Janeiro. 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