{"id":16453,"date":"2025-06-04T17:04:44","date_gmt":"2025-06-04T20:04:44","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mes-do-orgulho-lgbtqia-visibilidade-respeito-e-dignidade-para-todas-as-idades\/"},"modified":"2025-06-04T17:04:44","modified_gmt":"2025-06-04T20:04:44","slug":"mes-do-orgulho-lgbtqia-visibilidade-respeito-e-dignidade-para-todas-as-idades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mes-do-orgulho-lgbtqia-visibilidade-respeito-e-dignidade-para-todas-as-idades\/","title":{"rendered":"M\u00eas do Orgulho LGBTQIA+: visibilidade, respeito e dignidade para todas as idades"},"content":{"rendered":"<p>Junho \u00e9 o M\u00eas do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em mem\u00f3ria da Revolta de Stonewall (1969), que marcou um ponto de virada na luta por direitos civis da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+. Mais do que celebra\u00e7\u00e3o, a data \u00e9 um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia, o preconceito e as desigualdades. A LGBTQIA+fobia, entendida como o preconceito, a hostilidade, a exclus\u00e3o ou agress\u00e3o contra pessoas em raz\u00e3o de sua identidade de g\u00eanero ou orienta\u00e7\u00e3o sexual, ainda \u00e9 uma realidade cotidiana no Brasil.<\/p>\n<p>A CUT, neste m\u00eas refor\u00e7a a import\u00e2ncia de pautar o trabalho decente, a inclus\u00e3o no mundo do trabalho formal, a visibilidade das pessoas LGBTQIA+ e as necessidades espec\u00edficas da comunidade, em especial, diante do envelhecimento dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Trabalho decente e inclus\u00e3o: bandeiras da CUT no M\u00eas do Orgulho<\/strong><\/p>\n<p>A principal bandeira da CUT neste m\u00eas \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o do trabalho decente, ou seja, empregos com direitos, seguran\u00e7a, dignidade e igualdade de oportunidades. &#8220;Estamos priorizando a discuss\u00e3o sobre a inclus\u00e3o das pessoas LGBTQIA+ que est\u00e3o fora do mercado formal de trabalho. Mas isso n\u00e3o significa apenas inserir no mercado, \u00e9 garantir que sejam reconhecidas e respeitadas como pessoas LGBTQIA+ dentro dos espa\u00e7os de trabalho\u201d, secret\u00e1rio de Pol\u00edticas LGBTQIA+ da CUT, Walmir Siqueira, o professor Wal.<\/p>\n<p>A luta, portanto, \u00e9 tamb\u00e9m contra a precariza\u00e7\u00e3o, que atinge de forma desproporcional as popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 marginalizadas, como negros e negras, mulheres, jovens, pessoas com defici\u00eancia, idosos e, sendo essas pessoas da comunidade LGBTQIA+, a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 dobrada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o institucional nos locais de trabalho, sindicatos como os de professores e professoras, profissionais da sa\u00fade e metal\u00fargicos est\u00e3o promovendo encontros e a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre diversidade e direitos LGBTQIA+ ao longo do m\u00eas. \u201cOs banc\u00e1rios tamb\u00e9m v\u00e3o fazer uma mesa de negocia\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre a diversidade\u201d, acrescenta o professor Wal.<\/p>\n<p><strong>Envelhecer sendo LGBTQIA+: o duplo peso da exclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O tema do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ ganhou centralidade neste ano, inclusive sendo o mote da Parada do Orgulho de S\u00e3o Paulo, a maior do mundo. A CUT reconhece a relev\u00e2ncia e endossa a urg\u00eancia do debate. &#8220;O idoso LGBT est\u00e1 15 passos atr\u00e1s. \u00c9 discriminado pela idade e tamb\u00e9m pela orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero&#8221;, afirma Wal.<br \/>Ainda que haja uma car\u00eancia de dados oficiais sobre o tema, a invisibilidade das pessoas idosas LGBTQIA+ \u00e9 fato e \u00e9 alimentada tanto pelo etarismo (preconceito por idade) como pela estrutura familiar tradicional, que muitas vezes exclui afetivamente essas pessoas. Muitos s\u00e3o for\u00e7ados a esconder sua identidade para poderem acessar servi\u00e7os de sa\u00fade, institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia ou mesmo para receber cuidados em casa.<\/p>\n<p>Por outro lado, muitas pessoas LGBTQIA+ acabam assumindo o cuidado de familiares idosos ou com defici\u00eancia. S\u00e3o rela\u00e7\u00f5es de afeto e responsabilidade que nem sempre s\u00e3o reconhecidas pelo Estado, mas que revelam o papel ativo da comunidade LGBTQIA+ no tecido social.<\/p>\n<p><strong>Direito de acesso \u00e0 sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ \u2013 especialmente das pessoas trans \u2013 \u00e9 um dos maiores gargalos quando se fala em direitos b\u00e1sicos. Homens trans que necessitam de atendimento ginecol\u00f3gico ou obst\u00e9trico enfrentam barreiras desde a marca\u00e7\u00e3o de consultas at\u00e9 o acolhimento adequado nas unidades de sa\u00fade. Mulheres trans, por sua vez, muitas vezes precisam de acompanhamento urol\u00f3gico ou endocrinol\u00f3gico, mas encontram resist\u00eancia, desconhecimento ou at\u00e9 viol\u00eancia institucional.<\/p>\n<p>As cirurgias de afirma\u00e7\u00e3o de g\u00eanero (tamb\u00e9m conhecidas como redesigna\u00e7\u00e3o sexual), quando dispon\u00edveis pelo SUS, ainda s\u00e3o de acesso extremamente limitado, e a aus\u00eancia de profissionais capacitados agrava esse cen\u00e1rio. Como alerta o Walmir Siqueira, \u201ca gente n\u00e3o conseguiu discutir nem ginecologista e urologista para pessoas trans; imagina quando essas pessoas envelhecem e precisam de cuidados geri\u00e1tricos especializados?\u201d.<\/p>\n<p>O envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o trans \u00e9 um ponto cr\u00edtico: essas pessoas foram historicamente privadas de acesso a direitos como educa\u00e7\u00e3o, emprego formal e assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, o que gera impacto direto na qualidade de vida na velhice. O Brasil ainda \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas trans no mundo, o que torna cada idosa ou idoso LGBTQIA+ um s\u00edmbolo de resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Trabalho e aposentadoria: lacunas que precisam de resposta<\/strong><\/p>\n<p>Outro ponto sens\u00edvel diz respeito \u00e0 aposentadoria de pessoas trans. \u201cA gente precisa discutir como se aposenta um homem trans que fez a transi\u00e7\u00e3o e trabalhou sob um nome e g\u00eanero anterior. N\u00e3o h\u00e1 uma regra definida, nem no INSS, nem no STF\u201d, explica Wal.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para aposentadorias de pessoas trans gera inseguran\u00e7a jur\u00eddica e exclus\u00e3o. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a necessidade urgente de formar profissionais e criar servi\u00e7os p\u00fablicos que considerem as viv\u00eancias da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ idosa \u2013 como geriatras capacitados para lidar com a diversidade de corpos, identidades e hist\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>Mobiliza\u00e7\u00f5es, confer\u00eancias e a primeira marcha nacional LGBTQIA+ da CUT<\/strong><\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o da CUT no M\u00eas do Orgulho n\u00e3o se restringe aos ambientes sindicais. A entidade participa ativamente da \u201cfeirinha\u201d da Parada de S\u00e3o Paulo, com distribui\u00e7\u00e3o de materiais informativos, rodas de conversa e mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Al\u00e9m disso, est\u00e1 prevista a realiza\u00e7\u00e3o da primeira Marcha Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+, em S\u00e3o Paulo, marcada para o dia 18 de junho, da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica \u00e0 Pra\u00e7a Ramos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um come\u00e7o, a marcha ainda ser\u00e1 pequena, mas marca nossa posi\u00e7\u00e3o e abre espa\u00e7o para que nos pr\u00f3ximos anos ela cres\u00e7a\u201d, projeta Wal. \u201cQueremos trazer um tom mais politizado para a semana da Parada.\u201d<\/p>\n<p>Outro destaque \u00e9 a 5\u00aa Confer\u00eancia Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, que acontece em outubro. A CUT vem participando ativamente das etapas municipais e estaduais, articulando a inser\u00e7\u00e3o de propostas com foco no mundo do trabalho, forma\u00e7\u00e3o sindical e prote\u00e7\u00e3o social. \u201cNossa expectativa \u00e9 que muitos delegados e delegadas sejam militantes da CUT, para que possamos levar nossa vis\u00e3o \u00e0 confer\u00eancia nacional.\u201d<\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3xima parada: S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>O tema da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de S\u00e3o Paulo, a maior do mundo, em 2025 \u00e9\u00a0&#8220;Envelhecer LGBT+: Mem\u00f3ria, Resist\u00eancia e Futuro&#8221;.\u00a0A parada, que acontecer\u00e1 em 22 de junho, ser\u00e1 uma homenagem \u00e0s viv\u00eancias das pessoas LGBTQIA+ de 60 anos ou mais, que abriram caminho para as conquistas atuais atrav\u00e9s da resist\u00eancia e do combate ao preconceito.\u00a0<\/p>\n<p>Temas destaque:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Envelhecer LGBT+:\u00a0<\/strong>A parada se prop\u00f5e a celebrar as experi\u00eancias e a hist\u00f3ria das pessoas LGBTQIA+ mais velhas, reconhecendo a import\u00e2ncia de sua resist\u00eancia e luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/li>\n<li><strong>Mem\u00f3ria :\u00a0<\/strong>O tema busca lembrar a hist\u00f3ria e a import\u00e2ncia da mem\u00f3ria da comunidade LGBTQIA+ para o presente e para o futuro.\u00a0<\/li>\n<li><strong>Resist\u00eancia:\u00a0<\/strong>A Parada homenageia a resist\u00eancia e a for\u00e7a de quem lutou por direitos e conquistas, mesmo diante de dificuldades e opress\u00e3o.\u00a0<\/li>\n<li><strong>Futuro:\u00a0<\/strong>O tema tamb\u00e9m olha para o futuro, buscando garantir que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es LGBTQIA+ possam envelhecer com dignidade e orgulho, com o apoio de pol\u00edticas p\u00fablicas e o respeito da sociedade.\u00a0<\/li>\n<li><strong>Local:\u00a0<\/strong>A Parada do Orgulho LGBTQIA+ de S\u00e3o Paulo acontece na Avenida Paulista<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Fonte: CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Junho \u00e9 o M\u00eas do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em mem\u00f3ria da Revolta de Stonewall (1969), que marcou um ponto de virada na luta por direitos civis da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+. 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