{"id":15970,"date":"2024-11-19T19:24:08","date_gmt":"2024-11-19T22:24:08","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/dia-nacional-de-zumbi-e-da-consciencia-negra-e-conquista-dos-movimentos-sociais\/"},"modified":"2024-11-19T19:24:08","modified_gmt":"2024-11-19T22:24:08","slug":"dia-nacional-de-zumbi-e-da-consciencia-negra-e-conquista-dos-movimentos-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/dia-nacional-de-zumbi-e-da-consciencia-negra-e-conquista-dos-movimentos-sociais\/","title":{"rendered":"Dia Nacional de Zumbi e da Consci\u00eancia Negra \u00e9 conquista dos movimentos sociais"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Entre 2012 e 2022 foram assassinadas 111 pessoas negras por dia, em m\u00e9dia, no Brasil. O n\u00famero \u00e9 2,7 vezes maior quando comparado ao assassinato de pessoas n\u00e3o negras. Os dados s\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia, divulgado em junho deste ano. Foram registrados 609.697 homic\u00eddios no per\u00edodo, desse total, 445.442 eram pretos ou pardos. O que corresponde a 73% dos homic\u00eddios contabilizados no pa\u00eds, informa o documento elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP).<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o negra tamb\u00e9m \u00e9 a que mais sofre com o desemprego. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua, divulgada em fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), indicam que pretos, com 8,9%, e pardos, 8,5%, superaram a m\u00e9dia nacional da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o de 5,9% para pessoas brancas.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o poucos os n\u00fameros que comprovam o racismo arraigado na sociedade brasileira e sofrido diariamente pelas pessoas pretas e pardas. Da\u00ed a import\u00e2ncia de ter uma data, um feriado nacional, voltado a ampliar o debate sobre essa absurda situa\u00e7\u00e3o. E este ano, pela primeira vez, o 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consci\u00eancia Negra ser\u00e1 feriado em todo o Brasil. A Lei 14.759\/2023 foi sancionada pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva em dezembro do ano passado. A proposta, do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), foi relatada pelo senador Paulo Paim (PT-RS), e passou pela aprova\u00e7\u00e3o do C\u00e2mara dos Deputados e do Senado, em 2021 e 2023.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 dia de celebra\u00e7\u00e3o, mas uma data de reflex\u00e3o para debater esse legado para a sociedade brasileira. A contribui\u00e7\u00e3o cultural dos negros, das negras, dos escravizados. Viveram a cruel escraviza\u00e7\u00e3o, mas sempre mantiveram a resist\u00eancia, tanto na sa\u00edda da \u00c1frica, quanto na chegada ao Brasil, e deixaram muitos legados\u201d, salienta o secret\u00e1rio de Combate ao Racismo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar.<\/p>\n<p>O Dia Nacinoal de Zumbi e da Consci\u00eancia Negra foi institu\u00eddo oficialmente pela Lei n.\u00ba 12.519, de 10 de novembro de 2011, no governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), com o objetivo de conscientizar sobre o combate ao racismo e \u00e0s desigualdades sociais a partir da quest\u00e3o \u00e9tnica.<\/p>\n<p>\u201cDesde ent\u00e3o, lutamos para que o 20 de novembro, que era celebrado em mais de mil cidades brasileiras e em alguns estados, como Alagoas, Amazonas, Mato Grosso, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, fosse feriado nacional\u201d, lembra Almir. \u201cEsse \u00e9 o primeiro Dia Nacional de Zumbi e da Consci\u00eancia Negra como feriado nacional e vamos ver ganhar for\u00e7a o debate sobre as consequ\u00eancias da escravid\u00e3o e do racismo que ainda assolam a sociedade brasileira.\u201d<\/p>\n<h2>Mem\u00f3ria de Zumbi<\/h2>\n<p>O secret\u00e1rio de Combate ao Racismo destaca, ainda, a import\u00e2ncia do 20 de novembro no reconhecimento de Zumbi e Dandara dos Palmares como\u00a0<a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/noticias\/tentativa-de-barrar-homenagem-a-joao-candido-expressa-ressentimento-das-elites-diz-almir-aguiar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">her\u00f3is da democracia no pa\u00eds<\/a>. E refor\u00e7a que, ao longo da hist\u00f3ria, muitos negros e muitas negras n\u00e3o tiveram o justo reconhecimento nos livros e nas mat\u00e9rias escolares que trazem os eventos que marcaram mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cIsso demonstra a import\u00e2ncia de reconhecer o 20 de novembro tamb\u00e9m para falar da vida e luta de Zumbi dos Palmares, pela liberdade, ao lado de outra lideran\u00e7a que precisa ser lembrada, que \u00e9 Dandara dos Palmares. Aprender e memorizar a hist\u00f3ria de Zumbi e Dandara \u00e9 melhorar a nossa consci\u00eancia no combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, ao preconceito e pelos direitos civis. A\u00e7\u00f5es que possibilitam um futuro melhor, para todos e todas, independente de ra\u00e7a\u201d, afirma Almir, completando que a <strong>data foi criada por causa da luta dos movimentos negros, com o prop\u00f3sito de fortalecer as reivindica\u00e7\u00f5es\u00a0das negras e negros de todo o pa\u00eds<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<h2>Como tudo come\u00e7ou<\/h2>\n<p>Um grupo de jovens negros, em 1971, reunia-se no centro da cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, com o objetivo de estudar a hist\u00f3ria de seus ancestrais e refletir sobre o 13 de maio, data da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Desses debates surgiu a ideia de instituir o 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, como um marco de resist\u00eancia e luta pela liberdade do povo negro.<\/p>\n<p>Dessa forma nasceu o Grupo Palmares, associa\u00e7\u00e3o voltada ao estudo da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira. O nome homenageia o Quilombo dos Palmares, s\u00edmbolo de resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o que perdurou por quase um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Foi uma longa luta at\u00e9 o Dia da Consci\u00eancia Negra ser incorporado ao calend\u00e1rio escolar, em 2003, com a san\u00e7\u00e3o pelo ent\u00e3o presidente Lula da lei 10.639. A legisla\u00e7\u00e3o tornava obrigat\u00f3rio, ainda, o ensino da hist\u00f3ria e da cultura afro-brasileira nas escolas, fortalecendo o reconhecimento da contribui\u00e7\u00e3o negra para a forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Para a doutora em comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de Bras\u00edlia e consultora de g\u00eanero e ra\u00e7a, Kelly Quirino, a data \u00e9 uma forma de a sociedade reconhecer o protagonismo dos negros na forma\u00e7\u00e3o do Brasil. \u201cE uma lei como essa impacta muito, porque \u00e9 um dia que a gente celebra a import\u00e2ncia que a popula\u00e7\u00e3o negra tem na forma\u00e7\u00e3o cultural do nosso pa\u00eds, na forma\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica, como for\u00e7a de trabalho\u201d, diz. \u201cPorque foi trabalho da popula\u00e7\u00e3o negra, durante a escravid\u00e3o, que possibilitou o ac\u00famulo de riquezas. Esse dia mostra que \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o que sempre teve um protagonismo, que sempre ter sempre lutou e que a liberdade n\u00e3o foi dada, que ela foi conquistada \u00e0 base de muita luta, a base de muitas mortes a partir de muita viol\u00eancia que a popula\u00e7\u00e3o negra sofreu durante os praticamente quatro s\u00e9culos de escravid\u00e3o no nosso pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>Kelly Quirino acredita que o maior impacto desse feriado nacional \u00e9 melhorar a autoestima das pessoas negras. \u201cPorque voc\u00ea mostra que h\u00e1 um protagonismo, que h\u00e1 uma celebra\u00e7\u00e3o positiva, desse l\u00edder negro, que lutou a e que faz parte da hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>O presidente da Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares, Jo\u00e3o Jorge Rodrigues cita a inclus\u00e3o de outros homenageados, al\u00e9m de Zumbi e Dandara. \u201cAcotirene, Aqualtune, mulheres e homens que fizeram daquela experi\u00eancia da Rep\u00fablica Negra, da Rep\u00fablica Popular Brasileira, entre 1595 e 1695, uma experi\u00eancia exitosa.\u201d E ressalta que a transforma\u00e7\u00e3o do 20 de novembro em data nacional de conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma conquista de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, que incluem pioneiros abolicionistas Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, Joaquim Nabuco, Lu\u00eds Gama, o ex-escravizado que se tornou advogado. Tamb\u00e9m Maria Tom\u00e1sia Figueira Lima, a aristocrata que lutou para adiantar a aboli\u00e7\u00e3o no Cear\u00e1; Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, o engenheiro que queria dar terras aos libertos; Adelina, a charuteira que atuava como &#8216;espi\u00e3&#8217;; Drag\u00e3o do Mar, o jangadeiro que se recusou a transportar escravizados para os navios; e Maria Firmina dos Reis, a primeira escritora abolicionista.<\/p>\n<p><b>Fonte: Contraf-CUT<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 2012 e 2022 foram assassinadas 111 pessoas negras por dia, em m\u00e9dia, no Brasil. O n\u00famero \u00e9 2,7 vezes maior quando comparado ao assassinato de pessoas n\u00e3o negras. Os dados s\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia, divulgado em junho deste ano. Foram registrados 609.697 homic\u00eddios no per\u00edodo, desse total, 445.442 eram pretos ou pardos. 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