{"id":15307,"date":"2024-05-16T14:10:21","date_gmt":"2024-05-16T17:10:21","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mulheres-jovens-e-negras-sao-as-mais-afetadas-pelo-desemprego-e-informalidade\/"},"modified":"2024-05-16T14:10:21","modified_gmt":"2024-05-16T17:10:21","slug":"mulheres-jovens-e-negras-sao-as-mais-afetadas-pelo-desemprego-e-informalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mulheres-jovens-e-negras-sao-as-mais-afetadas-pelo-desemprego-e-informalidade\/","title":{"rendered":"Mulheres jovens e negras s\u00e3o as mais afetadas pelo desemprego e informalidade"},"content":{"rendered":"<p>Em 2023, a taxa de desemprego para jovens mulheres negras (faixa et\u00e1ria entre 18 e 24 anos) era de 18,3%, tr\u00eas vezes maior que o percentual de homens brancos (5,1%) fora do mercado de trabalho. O alerta \u00e9 do\u00a0<a href=\"https:\/\/acaoeducativa.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2023Relat%C3%B3rioMudecomElas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">relat\u00f3rio \u201cMude com Elas\u201d<\/a>, do projeto hom\u00f4nimo conduzido pela ONG A\u00e7\u00e3o Educativa, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD), divulgada pelo IBGE.<\/p>\n<p>O trabalho ressalta que, no final de 2023, o pa\u00eds contava com 8,1 milh\u00e3o de pessoas desocupadas, ou cerca de 7,4% das pessoas com idade de trabalhar. \u201cO n\u00famero \u00e9 o menor desde 2014, mas, a partir do recorte da ONG, revela que as jovens e negras seguem sendo as mais prejudicadas no mercado de trabalho, e isso \u00e9 reflexo de quest\u00f5es hist\u00f3ricas racistas e machistas\u201d, observa a secret\u00e1ria da Mulher da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Fernanda Lopes. \u201cIsso fica evidente, quando analisamos que,\u00a0<a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/noticias\/mulheres-recebem-223-menos-que-os-homens-no-mercado-de-trabalho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mesmo com o mesmo grau de escolaridade e exercendo a mesma fun\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0dos homens, elas ainda t\u00eam remunera\u00e7\u00e3o menor do que seus pares masculinos\u201d, completa.<\/p>\n<p>Outros dados levantados pela entidade mostram ainda que:<\/p>\n<p>\u2013 A\u00a0<strong>taxa de informalidade\u00a0<\/strong>\u00e9 maior entre as jovens e negras: 42% do grupo, 9 pontos percentuais (p.p.) a mais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres jovens brancas (33%);<br \/>\u2013 A\u00a0<strong>renda delas<\/strong>\u00a0(R$ 1.582,00) \u00e9 47% menor que a m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o (R$ 2.982,00) e 2,7 vezes menor que dos homens brancos (R$ 4.270,00);<br \/>\u2013 Enquanto apenas 44% delas t\u00eam\u00a0<strong>carteira assinada<\/strong>, esse n\u00famero passa de 50% no caso de homens brancos;<br \/>\u2013 O\u00a0<strong>acesso ao ensino superior\u00a0<\/strong>\u00e9 menor entre as mulheres jovens e negras: 3,4% desse perfil frequenta ou j\u00e1 terminou uma gradua\u00e7\u00e3o. Enquanto o percentual de mulheres brancas na mesma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 39,8%;<br \/>\u2013 No grupo de pessoas de 14 a 29 anos, 10,6% das mulheres negras\u00a0<strong>trabalham e estudam<\/strong>, enquanto 23,3% est\u00e3o fora do mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, n\u00e3o estudam. Por outro lado, entre as mulheres brancas na mesma faixa et\u00e1ria, 15,4% trabalham e estudam e 15,4% est\u00e3o fora do mercado de trabalho e n\u00e3o estudam.<br \/>\u2013\u00a0<strong>Horas em fazeres dom\u00e9sticos<\/strong>: jovens e negras se dedicam, em m\u00e9dia, 22 horas semanais, comparado \u00e0 m\u00e9dia de homens negros e brancos (11,7 horas).<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, refor\u00e7a que a popula\u00e7\u00e3o negra, em idade ativa, \u00e9 a mais afetada pelo desemprego, mesmo diante da melhora do mercado de trabalho, observado no primeiro ano (2023) do terceiro mandato do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>\u201cApesar de sermos 56,1% da popula\u00e7\u00e3o em idade de trabalhar, em 2023, os negros correspondiam a mais da metade dos desocupados (65,1%). A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o dos negros era, na ocasi\u00e3o, de 9,5%, sendo 3,2 pontos percentuais acima da taxa dos n\u00e3o negros\u201d, disse com base em levantamento do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), tamb\u00e9m realizado a partir da PNAD.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio \u201cMude com Elas\u201d, a ONG A\u00e7\u00e3o Educativa, ressalta tamb\u00e9m que \u201cos jovens s\u00e3o o seguimento com menos acesso ao trabalho com carteira assinada\u201d, sendo que \u201cmenos de 40,4% t\u00eam contrato de CLT com menos de um ano\u201d. Por\u00e9m, com o recorte feito no levantamento da entidade, \u00e9 poss\u00edvel confirmar o diagn\u00f3stico de que a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 mais aprofundada no mercado de trabalho \u00e0s mulheres jovens e negras.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/universa\/noticias\/redacao\/2024\/05\/08\/jovens-negras-tem-menos-protecao-clt-e-ganham-menos-que-jovens-brancos.htm?utm_source=whatsapp-network&amp;utm_medium=compartilhar_conteudo&amp;utm_campaign=organica&amp;utm_content=geral\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">depoimento para o site Universa<\/a>, Emily Santos de Lima, de 18 anos, contou que frequentemente \u00e9 questionada sobre seu cabelo, nas entrevistas de emprego. \u201cQuerendo ou n\u00e3o, ningu\u00e9m fala sobre o cabelo de pessoas que t\u00eam os fios lisos. Mas uma pessoa de cabelo afro grande, mostrando o cabel\u00e3o, a gente recebe coment\u00e1rios. J\u00e1 ouvi coisas como \u2018mas voc\u00ea quer que cres\u00e7a mais?\u2019, referindo-se ao cabelo\u201d.<\/p>\n<h3>Para mudar o cen\u00e1rio<\/h3>\n<p>A partir desse diagn\u00f3stico do relat\u00f3rio, a ONG A\u00e7\u00e3o Educativa aponta como estrat\u00e9gia a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que priorizem jovens mulheres. A entidade cita como exemplo de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica j\u00e1 em curso o Plano de A\u00e7\u00e3o do Pacto Nacional de Preven\u00e7\u00e3o aos Feminic\u00eddios, de articula\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Mulheres, com medidas para prevenir formas de discrimina\u00e7\u00e3o, misoginia e viol\u00eancia de g\u00eanero contra mulheres e meninas. Mas a organiza\u00e7\u00e3o reflete que \u00e9 preciso o envolvimento de todos os setores, principalmente de empresas para haver uma mudan\u00e7a real.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 urgente o empoderamento dessas mulheres, e esse compromisso s\u00f3 ser\u00e1 efetivo por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas e pelo comprometimento com o real prop\u00f3sito da transforma\u00e7\u00e3o\u201d, explica a coordenadora do projeto Mude com Elas, Fernanda Nascimento. \u201cA desigualdade \u00e9 um fen\u00f4meno que infelizmente aparece nos mais diversos aspectos da sociedade brasileira, nas quest\u00f5es jur\u00eddicas, econ\u00f4micas e no mercado de trabalho\u201d, completou.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria da Juventude da Contraf-CUT, Bianca Garbelini, avalia que \u00e9 preciso investimentos robustos na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. \u201cEsses investimentos s\u00e3o necess\u00e1rios para o estabelecimento de mais pol\u00edticas afirmativas voltadas \u00e0s jovens negras, para que elas possam acessar a universidade\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>\u201cPara al\u00e9m disso, precisamos entender que h\u00e1 uma intersec\u00e7\u00e3o entre a quest\u00e3o do trabalho de cuidados e a realidade apresentada, de que entre essas jovens h\u00e1 uma propor\u00e7\u00e3o maior das que n\u00e3o estudam e ao mesmo tempo n\u00e3o trabalham. Ou seja, o volume de jovens negras nesta situa\u00e7\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com a responsabilidade maior que recai sobre elas, no cuidando de seus familiares, sejam irm\u00e3os mais novos, filhos ou idosos. Portanto, a socializa\u00e7\u00e3o do cuidado como pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 fundamental\u201d, completou.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2023, a taxa de desemprego para jovens mulheres negras (faixa et\u00e1ria entre 18 e 24 anos) era de 18,3%, tr\u00eas vezes maior que o percentual de homens brancos (5,1%) fora do mercado de trabalho. 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