{"id":1505,"date":"2013-09-23T00:00:00","date_gmt":"2013-09-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/bancos-usam-praticas-antissindicais-para-cercear-direito-de-greve\/"},"modified":"2013-09-23T00:00:00","modified_gmt":"2013-09-23T03:00:00","slug":"bancos-usam-praticas-antissindicais-para-cercear-direito-de-greve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/bancos-usam-praticas-antissindicais-para-cercear-direito-de-greve\/","title":{"rendered":"Bancos usam pr\u00e1ticas antissindicais para cercear direito de greve"},"content":{"rendered":"<p>O Centro Administrativo Brigadeiro (CA Brigadeiro), do Ita\u00fa, em S\u00e3o Paulo, onde trabalham cerca de 2 mil pessoas, entre banc\u00e1rios e terceirizados, amanheceu \u201cmisteriosamente\u201d vazio, em plena sexta-feira 20, segundo dia de paralisa\u00e7\u00e3o da categoria banc\u00e1ria. Os poucos que apareceram no local, na Avenida Brigadeiro Lu\u00eds Ant\u00f4nio, relataram que desde a v\u00e9spera foram convocados a trabalhar em outro lugar.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os bancos fazem isso para evitar o contato dos trabalhadores com as comiss\u00f5es de esclarecimento, que exercem o leg\u00edtimo direito, previsto da Lei de Greve (lei 7.783\/89), de convencer os colegas a aderir ao movimento. A lei, em seu artigo sexto assegura ao grevista o direito de empregar \u201cmeios pac\u00edficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem \u00e0 greve\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos muitos exemplos de pr\u00e1tica antissindical das dire\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es financeiras, que pressionam, de todas as formas para que os banc\u00e1rios n\u00e3o participem do movimento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Cart\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios do HSBC est\u00e3o sendo obrigados a registrar em cart\u00f3rio que foram impedidos de entrar no banco por conta da greve da categoria, mesmo que n\u00e3o tenham sidos. A den\u00fancia partiu de um banc\u00e1rio, que n\u00e3o ser\u00e1 identificado para evitar repres\u00e1lias.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Segundo ele, ordens de cima chegam aos gerentes gerais das ag\u00eancias paralisadas para que eles escolham um funcion\u00e1rio para cumprir a miss\u00e3o. \u201cOs banc\u00e1rios n\u00e3o querem ir, mas est\u00e3o sendo for\u00e7ados\u201d, conta o trabalhador.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o diretor do Sindicato e funcion\u00e1rio do HSBC, Nelson Nascimento, a pr\u00e1tica \u00e9 comum no banco, que j\u00e1 usou desse artif\u00edcio contra a paralisa\u00e7\u00e3o em anos anteriores. \u201cO banco for\u00e7a esses \u2018depoimentos\u2019 para depois usar como falso embasamento para interditos proibit\u00f3rios, que s\u00e3o uma forma de impedir o direito de greve dos trabalhadores\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Interdito<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O interdito proibit\u00f3rio \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o judicial prevista no C\u00f3digo de Processo Civil que visa repelir algum tipo de amea\u00e7a \u00e0 posse. Mas \u00e9 usada de forma inapropriada pelos bancos, que a utilizam com o \u00fanico prop\u00f3sito de impedir que os trabalhadores exer\u00e7am seu direito constitucional de greve.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO interdito proibit\u00f3rio \u00e9 um instrumento totalmente estranho \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do trabalho. Querem impedir a presen\u00e7a dos grevistas como se fossem tomar os pr\u00e9dios ou como se os pr\u00f3prios trabalhadores fossem propriedade dos banqueiros\u201d, argumenta o advogado trabalhista Ericson Crivelli.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Circulando\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Outro artif\u00edcio muito utilizado durante a greve \u00e9 transferir os banc\u00e1rios de ag\u00eancias ou departamentos paralisados para outros locais do banco que estejam funcionando. Foi o que aconteceu na Regional Centro do Santander, que funciona em pr\u00e9dio da Prefeitura de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOs gerentes t\u00eam de ficar circulando pela cidade at\u00e9 achar um lugar onde possam trabalhar. E eles ficam pressionando pelo celular, amea\u00e7ando funcion\u00e1rios, cobrando metas. Isso \u00e9 um atentado ao direito de greve e um desrespeito da empresa espanhola ao trabalhador brasileiro. H\u00e1 pouco tempo encontrei uma gerente que chorou na minha frente, devido \u00e0 press\u00e3o\u201d, conta o diretor do Sindicato e funcion\u00e1rio do banco, Marcelo Gon\u00e7alves, o Marcelinho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Den\u00fancias chegaram ao Sindicato de que a dire\u00e7\u00e3o do Casa 2, concentra\u00e7\u00e3o do Santander, teria distribu\u00eddo notebooks para que os banc\u00e1rios trabalhassem em casa ou em outros locais do banco, assim como j\u00e1 aconteceu no Ita\u00fa e no Banco do Brasil.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Paulista\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A reportagem tamb\u00e9m encontrou na Avenida Paulista, durante o primeiro dia de greve, diversos banc\u00e1rios que sa\u00edam de uma ag\u00eancia fechada pelo movimento com a orienta\u00e7\u00e3o de procurar outro local para trabalhar. Duas delas, do Bradesco, estavam em p\u00e9 no autoatendimento sem nada para fazer. \u201cAqui n\u00e3o temos nem mesa pra trabalhar, mas n\u00e3o podemos sair\u201d, contou a trabalhadora.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Cidade de Deus<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Neste segundo dia de greve, os funcion\u00e1rios da concentra\u00e7\u00e3o Cidade de Deus, do Bradesco, aderiram ao movimento. Mas o banco j\u00e1 havia providenciado o contingenciamento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOs funcion\u00e1rios do Fone F\u00e1cil, SAC e outros departamentos est\u00e3o sendo obrigados a vir para Santa Cec\u00edlia, onde n\u00e3o h\u00e1 estrutura nenhuma para nos abrigar, p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, lugares apertados e quem n\u00e3o viesse pra c\u00e1 foi amea\u00e7ado de perder o<\/p>\n<p>emprego ou sofrer retalia\u00e7\u00f5es por participar da greve\u201d, denunciou uma banc\u00e1ria por e-mail ao Sindicato.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<br \/>Fonte: Contraf-CUT com Seeb S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Centro Administrativo Brigadeiro (CA Brigadeiro), do Ita\u00fa, em S\u00e3o Paulo, onde trabalham cerca de 2 mil pessoas, entre banc\u00e1rios e terceirizados, amanheceu \u201cmisteriosamente\u201d vazio, em plena sexta-feira 20, segundo dia de paralisa\u00e7\u00e3o da categoria banc\u00e1ria. 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