{"id":14685,"date":"2023-10-27T16:08:55","date_gmt":"2023-10-27T19:08:55","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/audiencia-publica-destaca-adoecimento-bancario-no-senado\/"},"modified":"2023-10-27T16:08:55","modified_gmt":"2023-10-27T19:08:55","slug":"audiencia-publica-destaca-adoecimento-bancario-no-senado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/audiencia-publica-destaca-adoecimento-bancario-no-senado\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia p\u00fablica destaca adoecimento banc\u00e1rio no Senado"},"content":{"rendered":"<p>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho insalubres nos bancos e os altos \u00edndices de adoecimento da categoria banc\u00e1ria foram o tema de audi\u00eancia p\u00fablica realizada pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Legisla\u00e7\u00e3o Participativa do Senado Federal, nesta quinta-feira (26).<\/p>\n<p>O debate foi pedido pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) \u00e0 senadora Augusta Brito (PT\/CE). \u201c\u00c9 muito bom ter uma mulher senadora conduzindo essa audi\u00eancia p\u00fablica. Nos sentimos representadas. Somos 52% da popula\u00e7\u00e3o brasileira e no parlamento temos uma presen\u00e7a pequena ainda. N\u00f3s esperamos que essa realidade mude e que, de fato, todos os espa\u00e7os representem o que \u00e9 a sociedade brasileira\u201d, afirmou Juvandia Moreira, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT Nacional.<\/p>\n<p>A senadora, por sua vez, lamentou o fato de algumas pautas prejudicarem mais as mulheres. \u201cEla [a mulher] \u00e9 sempre julgada, em qualquer espa\u00e7o que seja, e percebi que tamb\u00e9m entre os banc\u00e1rios isso acontece. Como ela se veste, como pinta o cabelo, se faze a unha, se fala alto, se fala baixo, como se comporta. Esse julgamento sobre n\u00f3s, mulheres, e a nossa participa\u00e7\u00e3o, seja em qual espa\u00e7o for, \u00e9 um fator que adoece, por ser uma grande viol\u00eancia contra n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Augusta Brito disse que o debate foi muito importante para a constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres dentro das institui\u00e7\u00f5es financeiras. \u201cAss\u00e9dio moral, ass\u00e9dio sexual acontece tamb\u00e9m, exatamente por essa constru\u00e7\u00e3o do machismo, que obriga \u00e0 mulher a ter sempre que provar mais do que o homem, provar que ela pode estar naquele espa\u00e7o, que ela est\u00e1 ali porque ela realmente tem capacidade e compet\u00eancia para estar e n\u00e3o porque ela vai ser uma figura decorativa\u201d.\u00a0<\/p>\n<h3>Adoecimento mental<\/h3>\n<p>Para a presidenta da Contraf-CUT, \u201c\u00e9 importante debater nessa casa legislativa a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do trabalhador e da trabalhadora, mesmo que olhando para o aspecto de uma categoria. Um debate que nos fa\u00e7a ver o todo e refletir sobre solu\u00e7\u00f5es, pol\u00edticas p\u00fablicas e avan\u00e7os na legisla\u00e7\u00e3o, nas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es de trabalho e nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas\u201d, completou.<\/p>\n<p>Juvandia lembrou que os trabalhadores do ramo financeiro t\u00eam uma mesa \u00fanica de negocia\u00e7\u00e3o para debater a renova\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o Coletiva de Trabalho (CCT), que \u00e9 complementada por reuni\u00f5es tem\u00e1ticas para acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o dos problemas de sa\u00fade na categoria. \u201cN\u00f3s j\u00e1 avan\u00e7amos em algumas [dessas reuni\u00f5es] e, em muitas outras estamos longe de avan\u00e7ar, principalmente no reconhecimento do adoecimento mental na categoria. \u00c9 imposs\u00edvel que seja uma mera coincid\u00eancia que a principal causa de afastamento dos bancos seja adoecimento mental\u201d, apontou. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para culpar o mundo moderno, como \u00e9 dito reiteradamente na mesa [de conversa com os bancos], onde dizem \u2018n\u00e3o, o mundo moderno \u00e9 assim, tem muita depress\u00e3o\u2019, mas na categoria temos muito mais casos de adoecimento mental, em compara\u00e7\u00e3o a outras categorias\u201d.<\/p>\n<h3>Gest\u00e3o dos bancos adoece<\/h3>\n<p>Mauro Salles, secret\u00e1rio de Sa\u00fade da Contraf-CUT, destacou a relev\u00e2ncia do tema e a gravidade da situa\u00e7\u00e3o de adoecimento que passa a categoria vivencia. \u201c\u00c9 um tema que n\u00e3o tem a visibilidade necess\u00e1ria, n\u00e3o s\u00f3 na nossa categoria, mas em toda a sociedade. Acidente de trabalho e doen\u00e7as ocupacionais n\u00e3o t\u00eam a visibilidade necess\u00e1ria e mata mais do que outras doen\u00e7as\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Mauro resgatou uma cita\u00e7\u00e3o do Papa Francisco que, h\u00e1 algumas semanas, afirmou que \u201cas trag\u00e9dias no local de trabalho come\u00e7am quando o foco n\u00e3o est\u00e1 mais no homem, mas na produtividade e o homem se transforma numa m\u00e1quina de produ\u00e7\u00e3o\u201d. De acordo com ele, o Papa atribui a culpa dos acidentes de trabalho \u00e0 procura excessiva por lucros e \u00e0 idolatria ao mercado. \u201cA reponsabilidade para com os trabalhadores \u00e9 uma prioridade. A vida n\u00e3o pode ser negociada por qualquer motivo, especialmente se for a vida dos pobres, prec\u00e1rios, fr\u00e1geis. Somos seres humanos e n\u00e3o m\u00e1quinas, somos pessoas \u00fanicas e n\u00e3o pe\u00e7as sobressalentes\u201d.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio justificou a cita\u00e7\u00e3o por entender que o Papa resume bem que \u201co problema que n\u00f3s tratamos n\u00e3o s\u00e3o os indiv\u00edduos, n\u00e3o \u00e9 a pandemia, n\u00e3o \u00e9 um problema individual do trabalhador. \u00c9 [um problema] da gest\u00e3o. A gest\u00e3o dos bancos \u00e9 um verdadeiro mecanismo adoecedor\u201d, arrematou.<\/p>\n<h3>O que \u00e9 ass\u00e9dio?<\/h3>\n<p>Rachel de Ara\u00fajo Weber, diretora de Pol\u00edticas Sociais da Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Associa\u00e7\u00f5es do Pessoal da Caixa Econ\u00f4mica Federal (Fenae), apresentou uma pesquisa realizada pela entidade e que mostra o agravamento da situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade dos empregados da Caixa, entre 2018 e 2022.<\/p>\n<p>\u201cLan\u00e7amos uma campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ass\u00e9dio, pois a percebemos que as pessoas nem sabem o que \u00e9 ass\u00e9dio. Elas n\u00e3o sabem nem o que elas est\u00e3o praticando. Porque, muitas vezes, \u00e9 um processo silencioso, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o individual. Geralmente acontece como uma quest\u00e3o c\u00edclica, institucional. \u00c9 a forma como os bancos atuam e a forma como a gente aprende como cumprir as metas e dar aquele lucro necess\u00e1rio. E isso vai passando de cima para baixo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Maria Maeno, pesquisadora da Fundacentro, disse que \u201cpara muitos segmentos sociais, os banc\u00e1rios podem parecer trabalhadores privilegiados, na compara\u00e7\u00e3o com outros, que enfrentam perigos e insalubridade tradicionais. No entanto, estudos mostram que os trabalhadores do banco, ao longo dos \u00faltimos mais de 30 anos, s\u00e3o v\u00edtimas diretas de sistemas econ\u00f4mico-financeiros onipresentes em nossa sociedade, que tamb\u00e9m penalizam a maioria dos segmentos sociais\u201d.<\/p>\n<h3>Observat\u00f3rio de Sa\u00fade e Seguran\u00e7a do Trabalho<\/h3>\n<p>A procuradora do Trabalho Cirlene Luiza Zimmermann, representante da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), disse que \u201ca sa\u00fade dos trabalhadores dessa categoria \u00e9 algo que nos tem preocupado muito, especialmente num cen\u00e1rio em que o setor \u00e9 ainda caracterizado com um grau de risco 1, mesmo sendo o oitavo setor com o maior n\u00famero de afastamento acident\u00e1rios pelo INSS\u201d.<\/p>\n<p>Cirlene revelou que os dados de adoecimento do setor est\u00e3o fortemente retratados pelo Observat\u00f3rio de Sa\u00fade e Seguran\u00e7a do Trabalho, que traz informa\u00e7\u00f5es que podem subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas em todo o Brasil. \u201c\u00c9 muito importante que a gente reforce que esses dados est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todas as pessoas que t\u00eam interesse e, principalmente, de todos os gestores que queiram adotar pol\u00edticas p\u00fablicas e no que se a sa\u00fade dos trabalhadores. \u00c9 importante que essa ferramenta seja difundida e utilizada\u201d.<\/p>\n<h3>Ass\u00e9dio moral organizacional<\/h3>\n<p>A auditora-Fiscal do Trabalho Odete Reis, representante do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego, disse que, at\u00e9 o ano passado, nunca tinha visto um programa de sa\u00fade e seguran\u00e7a do trabalho que abordasse fatores de risco psicossociais. \u201cA partir deste ano, a gente come\u00e7ou a ver alguns programas, mas ainda de forma muito inadequada ou muito superficial, que n\u00e3o trazem nenhuma mudan\u00e7a\u201d, lamentou. \u201cPor isso, precisamos chamar aten\u00e7\u00e3o para o ass\u00e9dio moral organizacional, que \u00e9 a forma de gest\u00e3o adotada pela empresa, pautada por cobran\u00e7a de metas abusivas e aspectos que geram adoecimento dos trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>Para Luciene de Aguiar Dias, coordenadora-geral de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Trabalhador do Departamento de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade Ambiental e Sa\u00fade do Trabalhador, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, todas as vezes que o trabalho for pauta de discuss\u00e3o, \u00e9 muito importante que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e o SUS tenham acento no debate. \u201cA gente considera o trabalho como um determinante social da sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p>Luciene lamentou a falta de efic\u00e1cia do m\u00e9todo de trabalho para o controle de notifica\u00e7\u00f5es de doen\u00e7as dos trabalhadores nos \u00faltimos anos. \u201cPara debater a quest\u00e3o do adoecimento dos trabalhadores do setor banc\u00e1rio, demanda uma abordagem muito maior do que a abordagem atual. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso fazer o reconhecimento de que a sa\u00fade no trabalho \u00e9 um direito humano\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><b>Fonte: Contraf-CUT<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho insalubres nos bancos e os altos \u00edndices de adoecimento da categoria banc\u00e1ria foram o tema de audi\u00eancia p\u00fablica realizada pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Legisla\u00e7\u00e3o Participativa do Senado Federal, nesta quinta-feira (26). O debate foi pedido pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) \u00e0 senadora Augusta Brito (PT\/CE). 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