{"id":14329,"date":"2023-07-26T14:52:51","date_gmt":"2023-07-26T17:52:51","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/julho-das-pretas-de-2023-exige-reparacao-historica\/"},"modified":"2023-07-26T14:52:51","modified_gmt":"2023-07-26T17:52:51","slug":"julho-das-pretas-de-2023-exige-reparacao-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/julho-das-pretas-de-2023-exige-reparacao-historica\/","title":{"rendered":"Julho das Pretas de 2023 exige repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"<p>Neste ano, com o tema \u201cMulheres Negras em Marcha por Repara\u00e7\u00e3o e Bem Viver\u201d, o Julho das Pretas est\u00e1 realizando pelo menos 446 atividades, organizadas por 230 entidades em 20 estados e o Distrito Federal. O movimento busca promover o debate sobre a necess\u00e1ria repara\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o negra, v\u00edtima de injusti\u00e7as desde a origem de sua trajet\u00f3ria hist\u00f3rica, com comunidades inteiras sequestradas em sua terra de origem, a \u00c1frica, para serem escravizadas nas Am\u00e9ricas. Outro ponto \u00e9 a difus\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da 2\u00aa Marcha Nacional das Mulheres Negras, que ser\u00e1 em 2025. A 1\u00aa Marcha ocorreu em 2015, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cO Julho das Pretas \u00e9 importante porque refor\u00e7a que nossas vozes devem ser escutadas. E, nesse processo de di\u00e1logo de gera\u00e7\u00f5es, vamos, cada vez mais, abrindo as portas para que as mulheres negras das gera\u00e7\u00f5es futuras continuem o processo iniciado por tantas de n\u00f3s, na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. Como a gente sempre fala: quando uma mulher negra se movimenta, toda a sociedade se movimenta com ela\u201d, explica a Anaide Silva (N\u00e3na), mulher preta e secretaria de pol\u00edticas sociais da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores em Empresas de Cr\u00e9dito de S\u00e3o Paulo (Fetec-SP).\u00a0<\/p>\n<p>Ela destaca tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do m\u00eas de luta no fortalecimento das companheiras pretas, pelo reconhecimento de sua atua\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar espa\u00e7os de poder. \u201cQuando eu conheci o movimento sindical, n\u00e3o sabia que mulheres negras tamb\u00e9m poderiam ocupar espa\u00e7os de poder, porque, para n\u00f3s, historicamente, sempre foram delegados os lugares mais hostis da sociedade. Mas, gra\u00e7as a essa luta incans\u00e1vel, hoje assistimos mulheres, como tantas de n\u00f3s, como grande refer\u00eancia na sociedade, como ponta de lan\u00e7a para mudar a realidade da nossa gente\u201d, completa.<\/p>\n<h3><strong>Desigualdade \u00e9 evidente<\/strong><\/h3>\n<p>Como refor\u00e7a o secret\u00e1rio de Combate ao Racismo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, \u201cessa data remete \u00e0 luta e resist\u00eancia internacional da mulher negra contra o racismo e o sexismo, \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e ra\u00e7a e \u00e0 falta de oportunidades no mercado de trabalho\u201d. Como pontua Almir, \u201cas estat\u00edsticas mostram as desigualdades contra as mulheres negras, como as mais de 40% das mulheres negras que hoje est\u00e3o subutilizadas no mercado de trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das profundas distor\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho, o secret\u00e1rio tamb\u00e9m aponta problemas arraigados na sociedade brasileira, que afetam a mulher negra em decorr\u00eancia do racismo estrutural. \u201c\u00c9 o caso da pol\u00edtica de encarceramento em massa, que levou \u00e0s pris\u00f5es brasileiras a quarta maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria feminina do mundo, e 62% delas s\u00e3o negras; e do feminic\u00eddio, que atinge muito mais as mulheres negras no pa\u00eds\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, Almir adverte que \u201ca sociedade brasileira precisa estar atenta \u00e0 luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher\u201d. Para o secret\u00e1rio, \u201c\u00e9 hora de a sociedade refletir e criar mecanismos para p\u00f4r fim nessa desigualdade, que atinge toda popula\u00e7\u00e3o negra, mas \u00e9 ainda mais incisiva contra as mulheres negras\u201d.<\/p>\n<h3><strong>N\u00fameros da viol\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo relat\u00f3rio divulgado recentemente pela Anistia Internacional, com dados de 150 pa\u00edses, no primeiro semestre de 2022, quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil, totalizando 699 feminic\u00eddios, sendo que as mulheres negras representam 62% do total de v\u00edtimas. \u201cEsse cen\u00e1rio, que infelizmente comprova que o Brasil est\u00e1 longe de exterminar o racismo estrutural, refor\u00e7a a raz\u00e3o do Julho das Pretas, que \u00e9 dar visibilidade \u00e0s pautas e pol\u00edticas p\u00fablicas necess\u00e1rias para uma sociedade livre de viol\u00eancia contra todas as mulheres\u201d, destaca a secret\u00e1ria da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes.<\/p>\n<p>No setor banc\u00e1rio, a mulher preta representa somente 1,1% das que est\u00e3o em cargos de lideran\u00e7a. Al\u00e9m disso, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da mulher preta banc\u00e1ria \u00e9, em m\u00e9dia, 40,6% inferior \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o do homem banc\u00e1rio branco. \u201cEssa tamanha desigualdade \u00e9 outro tipo de viol\u00eancia contra a mulher negra\u201d, complementa Na\u00f1a.<\/p>\n<h3><strong>Origem<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2023 est\u00e1 sendo realizada a 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Julho das Pretas. Lan\u00e7ado em 2013, pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/institutoodara.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Odara \u2013 Instituto da Mulher Negra<\/a>, o per\u00edodo de celebra\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e fortalecimento da luta de combate ao racismo voltado para as causas da mulher tem seu ponto alto no dia 25, o Dia de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Institu\u00edda em 2014, por decreto da presidenta Dilma Rousseff, a data coincide com o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/?s=Dia+Internacional+da%C2%A0Mulher+Negra+Latino+Americana+e+Caribenha.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dia Internacional da\u00a0Mulher Negra Latino Americana e Caribenha<\/a>, institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em 1992.<\/p>\n<p>Tereza de Benguela foi l\u00edder do quilombo de Quariter\u00ea, violentamente destru\u00eddo em junho de 1770 (conhe\u00e7a mais sobre ela no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/?s=Tereza+de+Benguela%C2%A0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Portal Geled\u00e9s<\/a>\u00a0e na reportagem\u00a0<a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/noticias\/comemorar-o-julho-das-pretas-e-questao-de-resistencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Comemorar o Julho das Pretas \u00e9 quest\u00e3o de resist\u00eancia<\/a>). Acesse a\u00a0<a href=\"https:\/\/institutoodara.org.br\/agenda-reune-atividades-do-julho-das-pretas-nas-escolas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agenda 2023 do Julho das Pretas<\/a>\u00a0para se informar das atividades em todo o Brasil.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, com o tema \u201cMulheres Negras em Marcha por Repara\u00e7\u00e3o e Bem Viver\u201d, o Julho das Pretas est\u00e1 realizando pelo menos 446 atividades, organizadas por 230 entidades em 20 estados e o Distrito Federal. 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