{"id":13400,"date":"2022-11-23T14:00:25","date_gmt":"2022-11-23T17:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/todos-os-problemas-do-mercado-de-trabalho-afetam-mais-negras-e-negros\/"},"modified":"2022-11-23T14:00:25","modified_gmt":"2022-11-23T17:00:25","slug":"todos-os-problemas-do-mercado-de-trabalho-afetam-mais-negras-e-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/todos-os-problemas-do-mercado-de-trabalho-afetam-mais-negras-e-negros\/","title":{"rendered":"Todos os problemas do mercado de trabalho afetam mais negras e negros"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo quando ocorrem movimentos econ\u00f4micos que estimulam a gera\u00e7\u00e3o de vagas de trabalho, como a retomada das atividades produtivas e de servi\u00e7os ap\u00f3s o fim da emerg\u00eancia de sa\u00fade por causa da pandemia de covid-19, as condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores n\u00e3o melhoram no Brasil, e pior, s\u00e3o agravadas quando se consideram quest\u00f5es raciais. \u00c9 o que mostra o estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/a-persistente-desigualdade-entre-negros-e-nao-negros-no-mercado-de-trabalho-boletim-especial-2022-dieese-consciencia-negra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>A persistente desigualdade entre negros e n\u00e3o negros no mercado de trabalho<\/em><\/a>, feito pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), a prop\u00f3sito do Dia da Consci\u00eancia Negra de 2022, celebrado em 20 de novembro.<\/p>\n<p>Ao comparar os dados do segundo trimestre de 2019 com o de 2022, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PnadC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e considerando \u201ca perspectiva de crescimento de cerca de 2,5%\u201d neste \u00faltimo ano, o Dieese observa que \u201chouve eleva\u00e7\u00e3o da informalidade, da subocupa\u00e7\u00e3o e queda dos rendimentos, efeitos sentidos mais intensamente pelo homem e pela mulher negra\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Desocupa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Um dos itens a comprovar essa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 a desocupa\u00e7\u00e3o. A taxa de quem n\u00e3o conseguia atividade remunerada, sempre considerada no segundo semestre de cada ano mencionado, cresceu de modo acentuado na pandemia: passou de 12,1%, em 2019, a 13,6%, no ano seguinte, e depois a 14,2%, em 2021.<\/p>\n<p>Com a normaliza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e consequente retomada das atividades econ\u00f4micas, como era de se esperar, essa taxa caiu para 9,3%, em 2022. No entanto, a retomada da produ\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o do desemprego mantiveram as marcas da discrimina\u00e7\u00e3o racial no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estudo do Dieese denuncia que \u201cs\u00e3o vis\u00edveis as dificuldades que as mulheres negras enfrentam no mercado de trabalho\u201d, uma vez que \u201celas vivenciavam taxa de desocupa\u00e7\u00e3o de 13,9%\u201d, no segundo trimestre deste ano, enquanto esse \u00edndice era de 8,9% para mulheres n\u00e3o negras e de 6,1% para homens n\u00e3o negros e de 8,7% para homens negros.<\/p>\n<h3><strong>Subutiliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o similar se verifica entre os subocupados por insufici\u00eancia de horas, pessoas que precisam e gostariam de trabalhar mais horas, por\u00e9m n\u00e3o encontram oportunidades. No per\u00edodo analisado do ano de 2022, 6,7% da popula\u00e7\u00e3o total ocupada procurava mais atividades para incrementar sua renda, enquanto a taxa para a trabalhadora negra saltava para 10%. A do trabalhador negro se encontrava na m\u00e9dia, em 6,5%, por\u00e9m muito acima da do homem n\u00e3o negro, que ficou em 4%.<\/p>\n<p>A subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, que aos desocupados e subocupados soma os trabalhadores em desalento (que precisam trabalhar, mas perderam esperan\u00e7a de conseguir uma coloca\u00e7\u00e3o) e aqueles que est\u00e3o buscando trabalho, mas est\u00e3o indispon\u00edveis para iniciar no momento, ficou em 21,2% no segundo trimestre de 2022, menor que os 29,3% de 2020, momento em que a quarentena por causa da pandemia estava em vigor. Entre as mulheres negras, por\u00e9m a taxa era de assustadores 31,5%, depois de ter batido os 41,6% durante a pandemia, bastante acima dos 20,6% das mulheres n\u00e3o negras. Entre os homens negros era de 19,7% e entre os n\u00e3o negros, de 13%.<\/p>\n<h3><strong>Renda<\/strong><\/h3>\n<p>A queda nos rendimentos, em m\u00e9dia de 4,8%, afetou os trabalhadores de todos os segmentos da popula\u00e7\u00e3o. Os dados estat\u00edsticos mostram que os trabalhadores n\u00e3o negros tiveram perda maior, de 7,6% para as mulheres e 5,4% para os homens, enquanto os trabalhadores negros perderam 3,6% e as trabalhadoras negras, 0,8%.<\/p>\n<p>Entretanto, o estudo do Dieese constata que esse fen\u00f4meno, que em um olhar superficial pode parecer que privilegiou profissionais negros e negras, na verdade \u201cse deveu a efeito estat\u00edstico perverso: enquanto os trabalhadores que ganhavam mais foram atuar em\u00a0<em>home office<\/em>, aqueles com menor remunera\u00e7\u00e3o perderam as ocupa\u00e7\u00f5es\u201d. Nesse processo, \u201cas mulheres negras, que, em geral, recebem os menores rendimentos, foram as mais penalizadas e ficaram sem renda durante o per\u00edodo mais intenso de isolamento social\u201d.<\/p>\n<p>O estudo do Dieese constata que os rendimentos m\u00e9dios, no segundo semestre deste ano, \u201ctamb\u00e9m comprovam a desigualdade de remunera\u00e7\u00e3o por ra\u00e7a\/cor\u201d. Nesse per\u00edodo, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do trabalhador negro no Brasil foi de R$ 2.142 e a da trabalhadora negra, de R$ 1.715, enquanto a do trabalhador n\u00e3o negro alcan\u00e7ou R$ 3.708 e a da trabalhadora n\u00e3o negra, R$ 2.774. Assim, em m\u00e9dia, o profissional negro recebeu 58,8% e a profissional negra, 46,3% do que o homem branco.<\/p>\n<p>Conforme o estudo, essa situa\u00e7\u00e3o decorre de processo estrutural que \u201c\u00e9 constante nos dados do mercado de trabalho e precisa ser modificada a partir de pol\u00edticas p\u00fablicas e sensibiliza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d. Ainda segundo a institui\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio \u201csensibilizar a sociedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o existente no mercado de trabalho, que penaliza parcela expressiva de brasileiros\u201d.<\/p>\n<p>Para o secret\u00e1rio de Combate ao Racismo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, \u201cos n\u00fameros do mercado de trabalho mostram que o racismo n\u00e3o est\u00e1 presente apenas nas ruas e nos ambientes de conviv\u00eancia das pessoas, mas na estrutura econ\u00f4mica do pa\u00eds, e de modo descarado\u201d. O secret\u00e1rio entende que \u201cesse \u00e9 um mal que n\u00e3o afeta apenas os mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o que s\u00e3o afrodescendentes, mas degenera toda a sociedade brasileira, e o enfrentamento a esse crime \u00e9 dever de todo cidad\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo quando ocorrem movimentos econ\u00f4micos que estimulam a gera\u00e7\u00e3o de vagas de trabalho, como a retomada das atividades produtivas e de servi\u00e7os ap\u00f3s o fim da emerg\u00eancia de sa\u00fade por causa da pandemia de covid-19, as condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores n\u00e3o melhoram no Brasil, e pior, s\u00e3o agravadas quando se consideram quest\u00f5es raciais. \u00c9 o que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13399,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-13400","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13400","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13400"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13400\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13399"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}