{"id":13386,"date":"2022-11-18T17:24:07","date_gmt":"2022-11-18T20:24:07","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/sociedade-livre-requer-o-fim-da-discriminacao-racial\/"},"modified":"2022-11-18T17:24:07","modified_gmt":"2022-11-18T20:24:07","slug":"sociedade-livre-requer-o-fim-da-discriminacao-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/sociedade-livre-requer-o-fim-da-discriminacao-racial\/","title":{"rendered":"Sociedade livre requer o fim da discrimina\u00e7\u00e3o racial"},"content":{"rendered":"<p>Em novembro, as for\u00e7as progressistas da sociedade brasileira voltam sua aten\u00e7\u00e3o e suas a\u00e7\u00f5es para denunciar a discrimina\u00e7\u00e3o racial no pa\u00eds, bem como para promover o seu combate. Dia 20 \u00e9 dedicado \u00e0 Consci\u00eancia Negra. \u201cO enfrentamento ao racismo \u00e9 uma luta ampla que busca n\u00e3o apenas justi\u00e7a para a enorme parcela de afrodescendentes da popula\u00e7\u00e3o brasileira, mas tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade fraterna e igualit\u00e1ria, que garanta direitos fundamentais a todas as pessoas\u201d, resume o secret\u00e1rio de Combate ao Racismo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar.<\/p>\n<h3><strong>Tra\u00e7o nacional infeliz<\/strong><\/h3>\n<p>O descaso social, a desigualdade e o desrespeito aos direitos humanos aos afrodescendentes remontam ao descobrimento e n\u00e3o se limitam a uma p\u00e1gina infeliz, como costuma se dizer, mas acompanham toda a hist\u00f3ria do Brasil. Conforme a plataforma digital\u00a0<a href=\"http:\/\/www.slavevoyages.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Trans-Atlantic Slave Trade Database<\/a>, uma a\u00e7\u00e3o colaborativa internacional que disponibiliza informa\u00e7\u00f5es de pelo menos 35 mil viagens de tr\u00e1fico humano do continente africano, entre 1520 e 1866, estima-se que das 12,5 milh\u00f5es de pessoas sequestradas em sua terra natal e trazidas para as Am\u00e9ricas, 5,8 milh\u00f5es foram escravizadas no Brasil.<\/p>\n<p>Aqui tamb\u00e9m foi onde a escravid\u00e3o mais demorou para ser extinta, tendo ocorrido apenas em 1888, quando, nos demais pa\u00edses da Am\u00e9rica, j\u00e1 vinha sendo extinta muitas d\u00e9cadas antes. Embora o discurso oficial diga que uma a\u00e7\u00e3o da Monarquia, pelas bondosas m\u00e3os da princesa Isabel, tenha dado \u00e0 na\u00e7\u00e3o a liberta\u00e7\u00e3o dos que eram oprimidos por aquele regime de exce\u00e7\u00e3o, o fim da escravid\u00e3o ocorreu por conta de muita press\u00e3o interna, dos pr\u00f3prios negros e negras oprimidos e dos chamados abolicionistas; e externa, pelos pa\u00edses que criavam barreiras \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do Brasil no com\u00e9rcio liberal internacional, liderados pela Inglaterra.<\/p>\n<h3><strong>Resist\u00eancia hist\u00f3rica<\/strong><\/h3>\n<p>Aqui mentes progressistas, como Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, Lu\u00eds Gama e Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, entre outros militantes abolicionistas, exigiam o fim daquele regime de exce\u00e7\u00e3o por respeito humano e social. O tema tamb\u00e9m sensibilizou escritores, como Castro Alves, Machado de Assis e Olavo Bilac, que o registraram em sua arte. A press\u00e3o que vinha de fora queria a transforma\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra escrava em assalariada, com a amplia\u00e7\u00e3o do mercado capaz de consumir a produ\u00e7\u00e3o multiplicada pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Ou seja, al\u00e9m da aberra\u00e7\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es humanas e sociais, o Brasil vivia deslocamento no cen\u00e1rio pol\u00edtico de ent\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Lei para ingl\u00eas ver<\/strong><\/h3>\n<p>A Lei \u00c1urea formalizou legalmente o fim da escravid\u00e3o, mas a opress\u00e3o permaneceu. Um s\u00e9culo depois, em 1988, enquanto a Rep\u00fablica celebrava de modo ufanista o centen\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o, os movimentos negros, liderados pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/ipcnbrasil.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN)<\/a>, organizavam a Marcha Contra a Farsa da Aboli\u00e7\u00e3o. O protesto mobilizou, no dia 11 de maio, milhares de pessoas no Rio de Janeiro, que foram intimidadas pelo Ex\u00e9rcito, que obrigou que o trajeto da manifesta\u00e7\u00e3o fosse alterado, para n\u00e3o passar em frente ao pante\u00e3o onde se encontram os restos mortais de Duque de Caxias.<\/p>\n<p>O cartaz do movimento tinha a frase \u201c1888 Lei \u00c1urea, 1988 nada mudou, vamos mudar\u201d e trazia duas fotos: uma com cena de escravizados sendo agredidos no s\u00e9culo XIX, outra com jovens negros amarrados pelo pesco\u00e7o com uma corda, fiscalizados por um policial em 1988. Nessa ocasi\u00e3o, Zumbi dos Palmares e a data de sua morte, 20 de novembro de 1695, foram escolhidos como os verdadeiros s\u00edmbolos hist\u00f3ricos da luta da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2299903\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Projeto de Lei<\/a>, do senador Randolfe Rodrigues (Rede\/AP), j\u00e1 aprovado no Senado Federal e em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados, reconhece a data e a transforma em feriado nacional.<\/p>\n<h3><strong>O racismo em n\u00fameros<\/strong><\/h3>\n<p>Desde aquele momento, quando a redemocratiza\u00e7\u00e3o estava come\u00e7ando, at\u00e9 hoje, essa luta tem avan\u00e7ado e enfrentado grandes obst\u00e1culos, como mostra o secret\u00e1rio Almir Aguiar, em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bancariosrio.org.br\/index.php\/opinioes\/item\/9623-a-vitoria-de-lula-e-apenas-o-recomeco-da-luta-negra-pela-igualdade-e-emancipacao-popular\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo publicado recentemente<\/a>. A discrimina\u00e7\u00e3o e as desigualdades sociais continuam a oprimir a popula\u00e7\u00e3o afrodescendente praticamente com a mesma for\u00e7a no Brasil. Conforme o relat\u00f3rio\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/media\/com_mediaibge\/arquivos\/ded2949e6fb4ddf386c7e61f06afcd73.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Desigualdades sociais por cor ou ra\u00e7a no Brasil<\/em><\/a>, publicado no \u00faltimo dia 11 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), as desigualdades sociais que fustigam a popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil \u201cseguem evidentes\u201d.<\/p>\n<p>Conforme o estudo, todos os indicadores sociais confirmam as disparidades. A taxa de pobreza entre brancos (18,6%) quase dobra entre pretos (34,5%) e pardos (38,4%). Entre estes \u00faltimos, o n\u00famero de homic\u00eddios \u00e9 praticamente o triplo. O desemprego, de 11,3% para trabalhadores brancos, sobe a 16,2% entre pardos e a 16,5% entre pretos. \u00cdndices com distor\u00e7\u00e3o semelhante tamb\u00e9m ocorrem no subemprego e na subutiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, enquanto a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de brancos \u00e9 de R$ 19 por hora, a de pretos cai para R$ 10,90 e a de pardos, para R$ 11,30. Trabalhadores negros ocupam 29,5% dos cargos gerenciais e apenas 14,6% est\u00e3o na faixa de renda mais elevada, mesmo sendo maioria no mercado de trabalho (53,8% do total). As diferen\u00e7as sociais se acentuam com os dados de extrema pobreza, que classificam pessoas que vivem com US$ 1,90 por dia: 5% para brancos, 9% para pretos e 11,4% para pardos. As profundas diferen\u00e7as tamb\u00e9m s\u00e3o identificadas nas \u00e1reas de moradia, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cOs dados s\u00e3o de fato evidentes, \u00e9 f\u00e1cil de observar que quanto mais melanina, maior a discrimina\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d, denuncia Almir. \u201cQuanto mais escura a pele, maior a opress\u00e3o social; \u00e9 urgente que isso mude, pois sem isso n\u00e3o podemos construir uma sociedade livre e justa, pois enquanto houver racismo, n\u00e3o h\u00e1 democracia\u201d, completa o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em novembro, as for\u00e7as progressistas da sociedade brasileira voltam sua aten\u00e7\u00e3o e suas a\u00e7\u00f5es para denunciar a discrimina\u00e7\u00e3o racial no pa\u00eds, bem como para promover o seu combate. 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