{"id":13260,"date":"2022-10-18T17:09:53","date_gmt":"2022-10-18T20:09:53","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/queda-da-renda-atinge-maioria-dos-trabalhadores\/"},"modified":"2022-10-18T17:09:53","modified_gmt":"2022-10-18T20:09:53","slug":"queda-da-renda-atinge-maioria-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/queda-da-renda-atinge-maioria-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Queda da renda atinge maioria dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m do desemprego, da subutiliza\u00e7\u00e3o e da informalidade, que crescem sistematicamente no mercado de trabalho no Brasil, como foi detalhado em\u00a0<a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/noticias\/falta-de-politica-publica-gera-multidao-de-desempregados\/?swcfpc=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reportagem anterior<\/a>, a queda da renda \u00e9 outro entrave da economia brasileira, que, neste caso, empobrece o trabalhador que ainda consegue se manter ocupado.<\/p>\n<p>A Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) Cont\u00ednua de agosto de 2022 aponta que o rendimento m\u00e9dio real dos trabalhadores no Brasil chegou a R$ 2.713, um dos menores patamares desde 2012. O valor real \u00e9 2,3% menor ao do per\u00edodo imediatamente anterior \u00e0 reforma trabalhista (em vigor desde novembro de 2017) e 5% inferior ao observado antes da pandemia de covid-19.<\/p>\n<p>Os trabalhadores com melhores condi\u00e7\u00f5es (aqueles que t\u00eam carteira assinada e ganho m\u00e9dio de R$ 2.546, al\u00e9m de servidores p\u00fablicos com remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de R$ 4.792) perderam espa\u00e7o. Por outro lado, cresce no pa\u00eds o emprego com pior remunera\u00e7\u00e3o (m\u00e9dia de R$ 1.809) e sem carteira assinada, bem como o trabalho por conta pr\u00f3pria com ganho m\u00e9dio de R$ 2.122.<\/p>\n<p>Com isso, a massa de rendimentos no Brasil chegou a R$ 263,5 bilh\u00f5es ao m\u00eas em 2022, volume 0,3% menor do que o registrado antes da pandemia. Isso representa R$ 834 milh\u00f5es a menos todo m\u00eas no or\u00e7amento das fam\u00edlias.<\/p>\n<h3><strong>Precariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Dados da\u00a0<em>Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (<\/em>Rais) indicam uma queda dos sal\u00e1rios m\u00e9dios dos empregados com carteira assinada, desde o in\u00edcio de 2018, per\u00edodo logo ap\u00f3s a reforma trabalhista.<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas anos seguintes \u00e0 reforma, de 2018 a 2020, os reajustes dos sal\u00e1rios m\u00e9dios dos empregados com carteira, sempre abaixo da infla\u00e7\u00e3o, geraram perda m\u00e9dia de 10% em termos reais. Nesse per\u00edodo houve eleva\u00e7\u00e3o substancial das vagas com remunera\u00e7\u00e3o de um sal\u00e1rio m\u00ednimo ou menos, e queda do emprego na faixa que recebe entre um e tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n<p>Esse movimento foi o inverso do que se deu entre 2003 e 2014, quando o sal\u00e1rio m\u00ednimo real acumulou crescimento de quase 60% e houve aumento do n\u00famero de trabalhadores com remunera\u00e7\u00e3o de um a tr\u00eas m\u00ednimos. Ou seja, al\u00e9m da forte eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, cresciam as ocupa\u00e7\u00f5es com ganhos mais altos.<\/p>\n<p>De 2018 a 2020, o valor real do sal\u00e1rio m\u00ednimo cresceu menos de 1%, ou seja, quase n\u00e3o houve aumento real. Isso deveria facilitar a participa\u00e7\u00e3o de postos que recebem acima de um m\u00ednimo. Entretanto, aconteceu o contr\u00e1rio, com o incremento dos v\u00ednculos de que recebem apenas um m\u00ednimo ou menos.<\/p>\n<h3><strong>Mal generalizado<\/strong><\/h3>\n<p>Ainda que a economia brasileira caminhe a passos lentos, ap\u00f3s mais de dois anos e meio do in\u00edcio da pandemia, o n\u00famero de brasileiros ocupados cresceu 9,9% entre o segundo trimestre de 2021 e o de 2022, superando o per\u00edodo anterior \u00e0 crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O que se constata, por\u00e9m, \u00e9 que, nos \u00faltimos 12 meses, a ocupa\u00e7\u00e3o tem aumentado em posi\u00e7\u00f5es que requerem menos escolaridade e pagam menos, o que revela um mercado de trabalho empobrecido, com baixa perspectiva de ascens\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>O grupamento com a maior expans\u00e3o foi o de trabalhadores dos servi\u00e7os, vendedores dos com\u00e9rcios e mercados (17,9%), seguido pelos operadores de instala\u00e7\u00f5es e m\u00e1quinas e montadores (15,8%).<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o cresceu menos entre diretores e gerentes (3%) e profissionais das ci\u00eancias e intelectuais (3,4%), que, em geral, s\u00e3o atividades que exigem diploma de n\u00edvel superior.<\/p>\n<p>O maior crescimento ocorreu entre as pessoas com menor escolaridade, como as sem instru\u00e7\u00e3o e com menos de um ano de estudo (31,4%) e entre as que possuem ensino m\u00e9dio incompleto ou equivalente (14%).<\/p>\n<p>J\u00e1 entre quem tem superior completo, a quantidade de ocupados aumentou apenas 3,6%. Ainda assim, o crescimento se deu em grande medida nas chamadas ocupa\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00edpicas, ou seja, que n\u00e3o exigem n\u00edvel superior.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao rendimento, os ocupados com superior completo tiveram a maior perda (-5,6%), seguido por aqueles com ensino m\u00e9dio incompleto (-1,8%). Ocupados sem instru\u00e7\u00e3o e com menos de um ano de estudo tiveram aumento da renda m\u00e9dia (3,2%), assim como aqueles que t\u00eam fundamental completo ou equivalente (0,8%).<\/p>\n<p><strong><em>Fonte<\/em><\/strong><em>: Dados sistematizados pela subse\u00e7\u00e3o do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos na Contraf-CUT.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m do desemprego, da subutiliza\u00e7\u00e3o e da informalidade, que crescem sistematicamente no mercado de trabalho no Brasil, como foi detalhado em\u00a0reportagem anterior, a queda da renda \u00e9 outro entrave da economia brasileira, que, neste caso, empobrece o trabalhador que ainda consegue se manter ocupado. 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