{"id":13140,"date":"2022-09-15T15:08:40","date_gmt":"2022-09-15T18:08:40","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/fome-atinge-30-das-familias-e-e-mais-grave-nos-lares-com-criancas-abaixo-de-10-anos\/"},"modified":"2022-09-15T15:08:40","modified_gmt":"2022-09-15T18:08:40","slug":"fome-atinge-30-das-familias-e-e-mais-grave-nos-lares-com-criancas-abaixo-de-10-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/fome-atinge-30-das-familias-e-e-mais-grave-nos-lares-com-criancas-abaixo-de-10-anos\/","title":{"rendered":"Fome atinge 30% das fam\u00edlias e \u00e9 mais grave nos lares com crian\u00e7as abaixo de 10 anos"},"content":{"rendered":"<p>Em apenas um ano, quando o n\u00famero de brasileiros sem ter o que comer saltou de 19 milh\u00f5es para 33,1 milh\u00f5es, foram os lares em que vivem crian\u00e7as com menos de 10 anos que mais sofreram com o aumento da fome no pa\u00eds. A conclus\u00e3o \u00e9 da segunda etapa do Inqu\u00e9rito Nacional sobre Seguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (14), pela\u00a0Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, 37,8% dos domic\u00edlios onde moram essas crian\u00e7as enfrentam inseguran\u00e7a alimentar grave ou moderada. Ou seja, passam fome ou t\u00eam uma dieta insuficiente. O percentual \u00e9 maior do que a m\u00e9dia nacional, de 30,7%, considerando a soma dos 15,2% dos brasileiros que est\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar moderada e dos 15,5% em inseguran\u00e7a alimentar grave.\u00a0<\/p>\n<p>O inqu\u00e9rito \u00e9 executado em campo pelo Vox Populi e conta com o apoio da\u00a0A\u00e7\u00e3o da Cidadania, a ActionAid Brasil, a Funda\u00e7\u00e3o Friedrich Ebert Brasil, o Ibirapitanga, a Oxfam Brasil e o Sesc. Os resultados s\u00e3o referentes aos dados que foram coletados de novembro de 2021 at\u00e9 abril deste ano. As entrevistas foram realizadas em 12.745 domic\u00edlios, em \u00e1reas urbanas e rurais de 577 munic\u00edpios, nos 26 estados e no Distrito Federal.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Aux\u00edlio Brasil sem impacto<\/strong><\/h3>\n<p>Em junho, a primeira fase da pesquisa j\u00e1 havia revelado que o Brasil havia regressado a um patamar equivalente ao da d\u00e9cada de 1990 ao atingir mais de 33 milh\u00f5es de pessoas com fome. Em n\u00fameros absolutos, s\u00e3o 125,2 milh\u00f5es em inseguran\u00e7a alimentar. Ou ainda, 30% das fam\u00edlias brasileiras. Agora, com a informa\u00e7\u00e3o de que a fome \u00e9 maior nas casas com crian\u00e7as, os pesquisadores apontam para uma rela\u00e7\u00e3o direta\u00a0de quanto maior a quantidade de crian\u00e7as em uma casa, maior a chance de ter inseguran\u00e7a alimentar.\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center has-pale-cyan-blue-background-color has-background\"><strong><a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/cidadania\/2022\/06\/fome-se-alastra-no-brasil-6-em-cada-10-familias-nao-tem-acesso-pleno-a-alimentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fome se alastra no Brasil: 6 em cada 10 fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam acesso pleno a alimentos<\/a><\/strong><\/p>\n<p>O diretor da ONG A\u00e7\u00e3o da Cidadania, uma das integrantes da rede Penssan, Kiko Afonso v\u00ea reflexos do novo recorte do Aux\u00edlio Brasil no drama, conforme destacou em entrevista ao\u00a0<em><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/carlos-madeiro\/2022\/09\/14\/fome-no-pais-e-maior-em-lares-com-criancas-menores-de-10-anos-diz-pesquisa.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">UOL<\/a><\/em>. Isso porque o programa social, ao substituir o Bolsa Fam\u00edlia, desconsiderou o n\u00famero de crian\u00e7as em uma casa. Atualmente, uma resid\u00eancia com um adulto recebe o mesmo valor \u2013 de R$ 600 por m\u00eas \u2013 que um lar onde morem mais crian\u00e7as e a m\u00e3e. \u201cO valor do Aux\u00edlio Brasil n\u00e3o \u00e9 suficiente para tirar a fam\u00edlia da inseguran\u00e7a. Elas continuam sofrendo, e isso mostra quanto a renda \u00e9 muito importante\u201d, contesta.\u00a0<\/p>\n<p>Ele acrescenta que o governo de Jair Bolsonaro (PL) constantemente usa o valor de R$ 600 em campanha para falar que aumentou o benef\u00edcio. \u201cMas esquece de falar quem congelou at\u00e9 2021 esse valor para o governo. N\u00f3s temos n\u00fameros assustadores de fam\u00edlias com crian\u00e7as, com v\u00e1rios estados com mais de 60% de crian\u00e7as em casas com inseguran\u00e7a alimentar\u201d, adverte Kiko Afonso.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Dados regionais<\/strong><\/h3>\n<p>O recorte regional da pesquisa mostra que a maior propor\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias nessa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas regi\u00f5es Norte e Nordeste do pa\u00eds. Nas resid\u00eancias com ao menos um morador de at\u00e9 nove anos de idade no Norte, 51,9% passam por inseguran\u00e7a alimentar grave ou moderada. No Nordeste, essa m\u00e9dia \u00e9 de 49,4%. Entre os estados, contudo, a maior popula\u00e7\u00e3o de famintos, em n\u00fameros absolutos, se concentra em S\u00e3o Paulo, onde 6,8 milh\u00f5es de pessoas passam fome. O Rio de Janeiro \u00e9 o segundo colocado, com 2,7 milh\u00f5es de pessoas com fome.\u00a0<\/p>\n<p>Considerando toda a popula\u00e7\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar, nos diferentes graus de leve, a moderada e grave, S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m lidera com 26 milh\u00f5es e famintos. O estado \u00e9 seguido por Minas Gerais, com 11,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m constata que o problema da fome se agravou ap\u00f3s com a pandemia de covid-19, com queda na renda das fam\u00edlias e o aumento do custo de vida. As fam\u00edlias com renda inferior a meio sal\u00e1rio-m\u00ednimo por pessoa est\u00e3o mais sujeitas \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar, ainda segundo o estudo. Outra conclus\u00e3o \u00e9 que a renda, al\u00e9m de ser hoje insuficiente para suprir o compra de alimentos, tamb\u00e9m vem precisando ser utilizada para custear endividamentos com outras necessidades b\u00e1sicas.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Desmonte bolsonarista<\/strong><\/h3>\n<p>O total de fam\u00edlias endividadas \u00e9 maior tamb\u00e9m principalmente no Nordeste (45%). Com destaque tamb\u00e9m para estados no Norte, como Amazonas (52,6%). O dado \u00e9 ainda mais alarmante no Distrito Federal, onde 55,6% das fam\u00edlias lidam com d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, todo esse contexto de fome tem rela\u00e7\u00e3o direta com o fim de pol\u00edticas sociais no governo Bolsonaro, como o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA).\u00a0Criado em 2003 no \u00e2mbito do Fome Zero, no primeiro governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), o PAA chegou a comprar quase R$ 1 bilh\u00e3o em alimentos produzidos sem agrot\u00f3xicos em pequenos estabelecimentos, beneficiando de um lado ind\u00edgenas, quilombolas, extrativistas e pescadores artesanais. E de outro, escolas, asilos e outras institui\u00e7\u00f5es que atendem pessoas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>\u201cEssas pol\u00edticas p\u00fablicas\u00a0eram a mola mestra da seguran\u00e7a alimentar. Hoje voc\u00ea tem pol\u00edticas com foco no agroneg\u00f3cio em detrimento do pequeno produtor\u201d, observa o diretor da A\u00e7\u00e3o da Cidadania ao\u00a0<em>UOL<\/em>. Com a segunda etapa da pesquisa conclu\u00edda, os respons\u00e1veis est\u00e3o repassando os dados a todos os governos estaduais. O objetivo \u00e9 pressionar os entes federativos por pol\u00edticas p\u00fablicas de enfrentamento \u00e0 fome.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Fonte: Rede Brasil Atual\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em apenas um ano, quando o n\u00famero de brasileiros sem ter o que comer saltou de 19 milh\u00f5es para 33,1 milh\u00f5es, foram os lares em que vivem crian\u00e7as com menos de 10 anos que mais sofreram com o aumento da fome no pa\u00eds. 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