{"id":13063,"date":"2022-08-30T01:22:41","date_gmt":"2022-08-30T04:22:41","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/visibilidade-lesbica-pelo-fim-da-violencia-e-pela-vida\/"},"modified":"2022-08-30T01:22:41","modified_gmt":"2022-08-30T04:22:41","slug":"visibilidade-lesbica-pelo-fim-da-violencia-e-pela-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/visibilidade-lesbica-pelo-fim-da-violencia-e-pela-vida\/","title":{"rendered":"Visibilidade L\u00e9sbica: pelo fim da viol\u00eancia e pela vida"},"content":{"rendered":"<p>Agosto \u00e9 o m\u00eas do Orgulho L\u00e9sbico, e nesta segunda-feira (29) \u00e9 celebrado o dia da Visibilidade L\u00e9sbica. A data marca a primeira grande manifesta\u00e7\u00e3o dessa comunidade no Brasil, ocorrida em 1983, movimento que ficou conhecido com o \u201cStonewall Brasileiro\u201d (conhe\u00e7a o que foi a \u201c<a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/noticias\/dia-internacional-do-orgulho-lgbtqia-para-reflexao-e-respeito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rebeli\u00e3o de Stonewall Inn<\/a>\u201d).<\/p>\n<p>Para a secret\u00e1ria da Juventude da Contraf-CUT, Bianca Garbelini, a Bia, \u201ca visibilidade \u00e9 fundamental, pois n\u00f3s ainda n\u00e3o somos vistas dentro de nossa sexualidade, de nossas identidades visuais, pois existe aquele senso comum de que a mulher l\u00e9sbica n\u00e3o \u00e9 l\u00e9sbica de verdade, e que ela ainda n\u00e3o conheceu um homem que a fa\u00e7a virar uma mulher realmente, o que acaba nos invisibilizando como sujeitos\u201d.<\/p>\n<p>Como ressalta Bia, que tamb\u00e9m \u00e9 militante pelos direitos da mulher l\u00e9sbica, isso ocorre \u201cmesmo dentro da comunidade LGBTQIA+, apesar de todos os avan\u00e7os em geral, nos \u00faltimos 20 ou 30 anos\u201d. Por conta desse estigma, os atos de 29 de agosto buscam o reconhecimento social, a garantia de seus direitos e a luta pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher l\u00e9sbica. Segundo poucos levantamentos a respeito, cresce a cada ano o n\u00famero de lesboc\u00eddios \u2013 assassinatos e a\u00e7\u00f5es de abuso que culminam com a morte da mulher l\u00e9sbica.<\/p>\n<h3><strong>Dados raros, por\u00e9m alarmantes<\/strong><\/h3>\n<p>A invisibilidade alcan\u00e7a inclusive os dados de lesboc\u00eddios e outras formas de viol\u00eancia. Como observa Bia, \u201csomente agora estamos come\u00e7ando a ter dados sobre a viol\u00eancia, pois at\u00e9 muito pouco tempo existia o mito de que a mulher l\u00e9sbica n\u00e3o sofria viol\u00eancia, quando o que ocorria era que n\u00e3o existiam dados sobre isso\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de escassos, os levantamentos e estudos sobre a quest\u00e3o s\u00e3o preocupantes. Em 1983, por exemplo, o Grupo Gay da Bahia identificou um lesboc\u00eddio no pa\u00eds. Anos depois, pesquisa feita pelo Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o levantou 16 casos em 2014, 26 em 2015, 30 em 2016 e 54 em 2017, uma escalada alarmante, com 126 mortes em apenas quatro anos. O estudo tamb\u00e9m estima que 89% desses crimes s\u00e3o causados por homens e que 29% deles s\u00e3o cometidos por algu\u00e9m que mora na mesma casa da v\u00edtima. Conhe\u00e7a aqui o\u00a0<a href=\"https:\/\/dossies.agenciapatriciagalvao.org.br\/fontes-e-pesquisas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/04\/Dossi%C3%AA-sobre-lesboc%C3%ADdio-no-Brasil.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dossi\u00ea Sobre Lesboc\u00eddio no Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Diante desses n\u00fameros, Bia observa que a data da Visibilidade L\u00e9sbica \u00e9 fundamental para a luta por direitos, \u201cpois n\u00e3o existe nenhuma iniciativa do Estado para levantamento de dados, nenhuma iniciativa de prote\u00e7\u00e3o para n\u00f3s; sabe-se que a maior parte de viol\u00eancia contra a mulher l\u00e9sbica vem de homens, e n\u00e3o h\u00e1 nenhum mecanismo espec\u00edfico contra isso; ent\u00e3o a Visibilidade \u00e9 importante, sim, para cobrarmos do Estado a responsabilidade pela nossa seguran\u00e7a, pelo nosso bem estar, pelo nosso direito de viver, de ser e de amar quem a gente quiser\u201d.<\/p>\n<h3><strong>No trabalho<\/strong><\/h3>\n<p>Entre as reivindica\u00e7\u00f5es apresentadas aos bancos, na Campanha Nacional 2022, a categoria banc\u00e1ria incluiu cl\u00e1usulas espec\u00edficas em respeito aos trabalhadores e trabalhadoras LGBTQIA+. Conforme explica Bia, \u201ccom rela\u00e7\u00e3o ao trabalho no setor banc\u00e1rio, uma quest\u00e3o fundamental \u00e9 o direito \u00e0 identidade visual, como cada um se expressa para o mundo\u201d. Com rela\u00e7\u00e3o a esse item, a secret\u00e1ria pontua que \u201cexiste a mulher l\u00e9sbica que \u00e9 mais feminilizada ou menos\u201d, e ambas devem ser respeitadas. Bia denuncia que \u201ca mulher menos feminilizada, que se expressa dentro dessa identidade sapat\u00e3o, que chamam de masculina, mas que \u00e9 apenas menos feminina, acaba sofrendo muito mais discrimina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>De um modo geral, Bia indica que, por ser muito machista, \u201co ambiente banc\u00e1rio exige aquela coisa de a mulher ter que se enfeitar para ser uma boa vendedora, ent\u00e3o, ela tem que usar salto, se maquiar, usar decote, e a mulher l\u00e9sbica que n\u00e3o \u00e9 muito feminilizada, ao n\u00e3o corresponder com a essa expectativa, acaba sendo v\u00edtima de mais preconceito, escondida e jogada aos piores postos de trabalho, e isso n\u00e3o acontece s\u00f3 nos bancos, mas no mercado como um todo\u201d.<\/p>\n<p>Para Adilson Barros, da dire\u00e7\u00e3o executiva da Contraf-CUT, \u201cas mulheres l\u00e9sbicas, mesmo com d\u00e9cadas de luta, ainda sofrem duplo preconceito e s\u00e3o levadas para uma invisibilidade em diversos espa\u00e7os da sociedade\u201d. Por isso, conforme diz Adilson, que tamb\u00e9m \u00e9 militante LGBTQIA+, \u201cser\u00e1 preciso valorizar sempre a visibilidade l\u00e9sbica como uma luta fundamental dentro e fora da comunidade LGBTQIA+, com direito a voz, ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o e igualdade de oportunidades\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Canais de den\u00fancia<\/strong><\/h3>\n<p>Den\u00fancias de casos de lesbofobia, outras formas de LGBTfobia ou viol\u00eancia contra mulher, crian\u00e7as, adolescentes, idosos ou qualquer pessoa vulner\u00e1vel, podem ser feitas pelo Disque 100, pelo portal do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/ondh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos<\/a>, ou pelo 190, telefone da Pol\u00edcia Militar.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agosto \u00e9 o m\u00eas do Orgulho L\u00e9sbico, e nesta segunda-feira (29) \u00e9 celebrado o dia da Visibilidade L\u00e9sbica. 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