{"id":12855,"date":"2022-07-22T18:41:41","date_gmt":"2022-07-22T21:41:41","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/comemorar-o-julho-das-pretas-e-questao-de-resistencia\/"},"modified":"2022-07-22T18:41:41","modified_gmt":"2022-07-22T21:41:41","slug":"comemorar-o-julho-das-pretas-e-questao-de-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/comemorar-o-julho-das-pretas-e-questao-de-resistencia\/","title":{"rendered":"Comemorar o Julho das Pretas \u00e9 quest\u00e3o de resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>O Julho das Pretas \u00e9 uma iniciativa em homenagem ao 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A ONU reconhece a data desde 1992, quando ocorreu o 1\u00ba Encontro de Mulheres Negras da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. No Brasil, a data foi aprovada em 2014 e decretada nacionalmente pela ent\u00e3o presidenta Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma data muito importante, primeiro porque n\u00f3s, mulheres latino-americanas e caribenhas, nos conectamos umas com as outras. E podemos dar visibilidade \u00e0s nossas pautas, pol\u00edticas p\u00fablicas que queremos para tirar nossas irm\u00e3s desse lugar subalterno que a sociedade insiste em colocar. Sabemos que as mulheres negras s\u00e3o as primeiras atingidas numa crise, numa recess\u00e3o, s\u00e3o as primeiras a ocupar esse lugar de desemprego e tamb\u00e9m s\u00e3o as que ocupam esse imagin\u00e1rio de objetifica\u00e7\u00e3o dos nossos corpos\u201d, explicou a secret\u00e1ria de Assuntos da Mulher da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Nordeste (Fetrafi\/NE), C\u00e2ndida Chay.<\/p>\n<h3><strong>N\u00fameros da viol\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>O total de mulheres negras v\u00edtimas de homic\u00eddios subiu de 2.419, em 2009, para 2.468 em 2019, um crescimento de 2%. No mesmo per\u00edodo, o n\u00famero de mulheres n\u00e3o negras assassinadas caiu 26,9%, passando de 1.636 para 1.196. Os dados s\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/arquivos\/artigos\/1375-atlasdaviolencia2021completo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">do Atlas da Viol\u00eancia, publicado pelo IPEA em 2021<\/a>. \u201cPor isso que o 25 de Julho \u00e9 t\u00e3o importante, para que a gente possa debater sobre o espa\u00e7o do negro no pa\u00eds e avan\u00e7ar na conscientiza\u00e7\u00e3o, para uma sociedade antirracista e que nos permita viver e viver com pleno acesso \u00e0 felicidade e \u00e0 dignidade, como diz a Constitui\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou Chay.<\/p>\n<p>O secretario de Combate ao Racismo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, completou que a marca\u00e7\u00e3o de uma data tem fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica na \u201cluta das mulheres pretas contra o preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e todos os tipos de viol\u00eancia\u201d, lembrando que, em 2021, o pa\u00eds registrou 1.319 casos de feminic\u00eddio,\u00a0<a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/violencia-contra-mulher-2021-v5.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">segundo relat\u00f3rio do F\u00f3rum de Seguran\u00e7a<\/a>.<\/p>\n<h3><strong>Desigualdade no setor banc\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cNo setor banc\u00e1rio, a mulher preta representa somente 1,1% das que est\u00e3o em cargos de lideran\u00e7a, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das mulheres pretas banc\u00e1rias \u00e9 59% da m\u00e9dia de remunera\u00e7\u00e3o dos homens brancos. Isso precisa mudar, esse \u00e9 um ano eleitoral, \u00e9 fundamental elegermos mais mulheres pretas para o parlamento, empoderar para avan\u00e7ar\u201d, prosseguiu o dirigente. Em termos de sal\u00e1rio no setor banc\u00e1rio, enquanto um homem branco ganha, em m\u00e9dia, R$ 10 mil, a mulher branca recebe R$ 7,8 mil e a mulher negra apenas R$ 5,9 mil, como mostra\u00a0<a href=\"https:\/\/contrafcut.com.br\/noticias\/campanha-nacional-bancarias-pretas-recebem-59-da-media-dos-homens-brancos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)<\/a>.<\/p>\n<h3><strong>Tereza, a rainha<\/strong><\/h3>\n<p>Tereza de Benguela viveu no s\u00e9culo XVIII e foi casada com Jos\u00e9 Piolho, chefe do Quilombo Quariter\u00ea, localizado na divisa do Brasil com a Bol\u00edvia no atual estado do Mato Grosso. Com a morte do marido, ela passou a reinar a comunidade negra e ind\u00edgena, resistindo \u00e0 escravid\u00e3o por duas d\u00e9cadas, at\u00e9 por volta de 1770, quando, ap\u00f3s v\u00e1rias incurs\u00f5es, o quilombo foi destru\u00eddo pelas for\u00e7as da capitania mato-grossense.<\/p>\n<p>\u201cEstudar a hist\u00f3ria de Tereza de Benguela \u00e9 muito importante para as mulheres negras contempor\u00e2neas e para as nossas crian\u00e7as, principalmente quando a gente tem uma lei que garante o estudo da hist\u00f3ria africana, mas que n\u00e3o \u00e9 respeitada\u201d, observa C\u00e2ndida Chay. \u201cAs meninas s\u00e3o fortalecidas com a hist\u00f3ria de uma negra que, no s\u00e9culo XVIII, foi tratada como rainha, que estruturava o quilombo econ\u00f4mica e politicamente, ainda mais ao lembrarmos que a menina de hoje ainda carrega o peso de estar numa sociedade patriarcal que tenta limitar suas atua\u00e7\u00f5es e, enquanto menina negra, tamb\u00e9m \u00e9 atingida pelo racismo\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Tereza implantou novos modelos de produ\u00e7\u00e3o, como o uso de ferro na agricultura. Na parte de defesa, ela liderou as a\u00e7\u00f5es contra os bandeirantes, como mostra\u00a0<a href=\"https:\/\/almapreta.com\/sessao\/cotidiano\/tereza-de-benguela-a-lideranca-negra-brasileira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo do portal Alma Preta, assinado por Pedro Borges<\/a>: \u201cO quilombo, territ\u00f3rio de dif\u00edcil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as a\u00e7\u00f5es da comunidade, que vivia do cultivo de algod\u00e3o, milho, feij\u00e3o, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos\u201d, escreveu ele.<\/p>\n<h3><strong>Bra\u00e7os que constru\u00edram o pa\u00eds<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cN\u00f3s precisamos trazer para essa discuss\u00e3o o reconhecimento de que foram nossos bra\u00e7os que constru\u00edram esse pa\u00eds, que estruturaram essa sociedade, que possibilitam que outras pessoas possam hoje lutar para ocupar outros espa\u00e7os, na academia, nas diretorias de grandes empresas, na pol\u00edtica, para que as nossas irm\u00e3s n\u00e3o sofram pela falta de acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas que tragam dignidade, creche, mobilidade urbana. O m\u00ednimo para que a gente possa ter as mesmas oportunidades que a branquitude tem\u201d, concluiu Chay.<\/p>\n<h3><strong>Podcast<\/strong><\/h3>\n<p>O Podcast Contraf-CUT desta segunda-feira (25) aborda o tema Julho das Pretas, com entrevistas da secret\u00e1ria de Assuntos da Mulher da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Nordeste (Fetrafi\/NE), C\u00e2ndida Chay, e da dirigente do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo (Seeb-SP) e banc\u00e1ria do Santander, Susana Malu Cordoba.<\/p>\n<p>Os podcasts Contraf-CUT ficam dispon\u00edveis na plataforma\u00a0<a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/user-470462729\/reposts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SoundCloud<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Julho das Pretas \u00e9 uma iniciativa em homenagem ao 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. 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