{"id":12729,"date":"2022-06-28T14:42:48","date_gmt":"2022-06-28T17:42:48","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/em-2020-sete-em-cada-10-assalariados-que-perderam-o-emprego-eram-mulheres\/"},"modified":"2022-06-28T14:42:48","modified_gmt":"2022-06-28T17:42:48","slug":"em-2020-sete-em-cada-10-assalariados-que-perderam-o-emprego-eram-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/em-2020-sete-em-cada-10-assalariados-que-perderam-o-emprego-eram-mulheres\/","title":{"rendered":"Em 2020, sete em cada 10 assalariados que perderam o emprego eram mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Em 2020, primeiro ano da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/tag\/covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pandemia de covid-19<\/a>\u00a0no Brasil, a perda de emprego atingiu majoritariamente as mulheres em compara\u00e7\u00e3o aos postos de trabalho perdido pelos homens. Enquanto naquele ano o n\u00famero de homens ocupados assalariados caiu 0,9%, o de mulheres caiu 2,9%. Do total de 825,3 mil empregos perdidos entre 2019 e 2020, cerca de 593,6 mil (ou 71,9%) eram ocupados por mulheres. Com isso, pela primeira vez desde 2009, houve queda na participa\u00e7\u00e3o feminina na parcela da popula\u00e7\u00e3o ocupada e assalariada: de 44,8% em 2019, para 44,3% em 2020. Os dados fazem parte de\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/34132-cempre-2020-numero-de-assalariados-cai-enquanto-aumenta-o-numero-de-empresas-sem-empregados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisa<\/a>\u00a0divulgada na semana passada pelo IBGE.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento, mesmo diante do agravamento da crise econ\u00f4mica naquele ano, alguns setores que historicamente empregam mais homens tiveram aumento de pessoal \u2013 caso de entregadores em geral e constru\u00e7\u00e3o. Por outro lado, aqueles que ocupam mais mulheres se retra\u00edram.<\/p>\n<p>Foi o que ocorreu, por exemplo, com a educa\u00e7\u00e3o, em que elas respondem por cerca de dois ter\u00e7os do pessoal. Com a suspens\u00e3o das atividades escolares, os estabelecimentos de ensino executaram corte de 1,6% do seu pessoal assalariado. J\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o, setor em que 90,6% dos empregos s\u00e3o homens, houve aumento de 4,3% no n\u00famero de assalariados.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio, outro setor que sofreu durante a pandemia, teve queda de 2,5% no total de pessoal ocupado assalariado.\u00a0Mas os cortes tamb\u00e9m se distribu\u00edram de forma desigual. Para elas, que representam cerca de 20% do setor, a redu\u00e7\u00e3o foi 3,2%, contra 1,9% dos homens. O segmento com a maior queda de assalariados foi alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o, que fechou 373,2 mil vagas no per\u00edodo, retra\u00e7\u00e3o de 19,4%. Nesse setor, as mulheres respondem por 55,7% do emprego assalariado.<\/p>\n<h2><span style=\"text-decoration: underline;\">Problema estrutural<\/span><\/h2>\n<p>De acordo com a economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Cesit-Unicamp), mesmo em per\u00edodos de crescimento, as mulheres s\u00e3o as menos procuradas para ocupar vagas regulares de emprego. Trata-se de um \u201cproblema estrutural\u201d, segundo ela, que se agrava em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/cidadania\/2022\/03\/mulheres-sofreram-mais-os-efeitos-da-pandemia-no-mercado-de-trabalho-principalmente-as-negras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">momentos de crise<\/a>, ainda mais diante da falta de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam a perman\u00eancia delas no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o v\u00e1rios os fatores, a come\u00e7ar pela aus\u00eancia do Estado e da garantia de pol\u00edticas p\u00fablicas como creches e ensino integral. Somente no ano passado, 70% das crian\u00e7as mais pobres, de zero a tr\u00eas anos, estavam sem vagas em creches. Isso \u00e9 um problema gigantesco para as mulheres que precisam\u00a0ter um emprego\u201d, diz a economista\u201d, disse a economista em entrevista ao\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/mais-de-70-das-vagas-de-trabalho-perdidas-em-2020-eram-ocupadas-por-mulheres-d88c\">Portal CUT<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Outra dificuldade comum entre as mulheres que precisam deixar seus filhos em creche, \u00e9 que elas procuram trabalho perto de suas casas para terem mais tempo de levar e buscar seus filhos em hor\u00e1rios compat\u00edveis com sua carga hor\u00e1ria. Nesse sentido, trabalhos mais distantes, que implicam longo tempo de deslocamento, se tornam invi\u00e1veis para a maioria.<\/p>\n<p>Marilane tamb\u00e9m destaca que, durante a pandemia, as mulheres enfrentaram aumento da sobrecarga do trabalho dom\u00e9stico. Isso porque, al\u00e9m de normalmente serem elas que cuidam dos enfermos, das crian\u00e7as e dos idosos, muitas tamb\u00e9m passaram a \u201ccuidar\u201d dos maridos. Essa situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se agravou com o abandono da pol\u00edtica de cuidados durante os governos Temer e, sobretudo, de Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Por fim, a economista destaca que, no auge da pandemia, foram perdidas quase 1 milh\u00e3o de vagas de trabalhos dom\u00e9sticos, dados que n\u00e3o aparecem na pesquisa.<\/p>\n<h2><span style=\"text-decoration: underline;\">Na pele<\/span><\/h2>\n<p>Julia Margarida Gomes da Silva, de 38 anos, divorciada, m\u00e3e de tr\u00eas filhos e moradora de S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma das mulheres que comp\u00f5em essa triste estat\u00edstica. Rec\u00e9m-formada como t\u00e9cnica de enfermagem, ela conta que sobrevive com empregos tempor\u00e1rios e informais. Enquanto isso, procura por uma ocupa\u00e7\u00e3o com carteira assinada. \u201cJ\u00e1 fiz bordados, fui cuidadora de idoso e faxineira, tudo para colocar o arroz na panela pros meus filhos.\u201d Ela relata que, atualmente, quem lhe ajuda a pagar as contas s\u00e3o sua m\u00e3e e o padrasto, ambos aposentados.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Rede Brasil Atual<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2020, primeiro ano da\u00a0pandemia de covid-19\u00a0no Brasil, a perda de emprego atingiu majoritariamente as mulheres em compara\u00e7\u00e3o aos postos de trabalho perdido pelos homens. Enquanto naquele ano o n\u00famero de homens ocupados assalariados caiu 0,9%, o de mulheres caiu 2,9%. 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