{"id":12594,"date":"2022-06-01T12:53:52","date_gmt":"2022-06-01T15:53:52","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/como-as-redes-sociais-podem-fomentar-o-extremismo-em-jovens\/"},"modified":"2022-06-01T12:53:52","modified_gmt":"2022-06-01T15:53:52","slug":"como-as-redes-sociais-podem-fomentar-o-extremismo-em-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/como-as-redes-sociais-podem-fomentar-o-extremismo-em-jovens\/","title":{"rendered":"Como as redes sociais podem fomentar o extremismo em jovens?"},"content":{"rendered":"<p>Os sinais estavam todos l\u00e1, bastante claros, mas como o pior cego \u00e9 aquele que n\u00e3o quer ver, continuamos de olhos bem fechados para o extremismo e a viol\u00eancia online, sobretudo aquela que afeta \u2013 e mata \u2013\u00a0crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>Muito antes de invadir uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/05\/27\/com-discurso-de-trump-texas-sedia-evento-pro-armas-3-dias-apos-chacina-de-criancas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">escola no Texas<\/a>\u00a0e abrir fogo contra seus ocupantes, matando duas professoras e 19 alunos, um jovem de 18 anos deixou rastros digitais. No Instagram, por exemplo, pode-se ver no perfil do atirador a foto de uma m\u00e3o segurando uma revista sobre armas. No TikTok, uma mensagem alertando crian\u00e7as para &#8220;terem cuidado&#8221;, e a imagem de dois rifles semi-autom\u00e1ticos.\u00a0<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia de Uvalde n\u00e3o come\u00e7ou na manh\u00e3 do dia 24 de maio; come\u00e7ou quando passamos a negligenciar o impacto das redes e da m\u00eddia na sa\u00fade mental dos usu\u00e1rios, especialmente os menores de idade.<\/p>\n<p>&#8220;Crian\u00e7as e jovens s\u00e3o naturalmente fascinados por tudo que \u00e9 estranho, \u00fanico e extremo, e as m\u00eddias sociais podem ser um perigo, porque os algoritmos potencializam certos comportamentos, explica ao\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0a pesquisadora Linda Charmaraman, diretora do Laborat\u00f3rio de M\u00eddia, Juventude e Bem-Estar do Wellesley Centers for Women. &#8220;Essas redes come\u00e7am a sugerir influencers e conte\u00fados com interesses similares, de forma que o sistema seja estruturado para lhe dar o que quer \u2013 mesmo que n\u00e3o seja bom&#8221;, completa.\u00a0<\/p>\n<p>O problema fica mais grave quando passamos a analisar as redes sociais como um espelho; um reflexo perfeito da sociedade, o que n\u00e3o \u00e9 o caso. &#8220;As redes sociais s\u00e3o um prisma, n\u00e3o um espelho: no Twitter, por exemplo, 6% dos usu\u00e1rios s\u00e3o respons\u00e1veis por 73% dos posts pol\u00edticos nos Estados Unidos, mas esses 6% mais &#8216;barulhento&#8217; \u00e9 tamb\u00e9m bastante extremista&#8221;, pontua Chris Bail, professor de sociologia da Duke University<\/p>\n<p>Essa superexposi\u00e7\u00e3o a argumentos extremos tende a normalizar as coisas, ou pelo menos flexibilizar uma r\u00e9gua moral, tornando-se um coquetel explosivo para quem procura valida\u00e7\u00e3o externa. &#8220;Estamos constantemente examinando nosso ambiente social em busca de pistas sobre como pertencer, como nos encaixamos, quem \u00e9 amigo e quem \u00e9 inimigo e, infelizmente, quando a m\u00eddia social distorce com quem interagimos, quando interagimos com esses extremistas, passamos a entend\u00ea-los como moderados&#8221;, explica.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/09\/um-estranho-no-ninho-como-o-odio-a-estrangeiros-existe-e-cresce-nos-estados-unidos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">:: Um estranho no ninho: como o \u00f3dio a estrangeiros existe e cresce nos Estados Unidos ::<\/a><\/p>\n<p>O professor continua: &#8220;Muita gente que se sente isolada no mundo offline recorre \u00e0 internet para obter o t\u00e3o sonhado senso de comunidade, e os\u00a0<em>likes<\/em>, a intera\u00e7\u00e3o, os compartilhamentos e o reconhecimento de outros usu\u00e1rios, que s\u00e3o mais frequentes em posts e atividades extremistas, refor\u00e7am esse comportamento&#8221;.\u00a0 Em contrapartida, pessoas mais moderadas se sentem acanhadas em falar sobre pol\u00edtica e assuntos pol\u00eamicos online, &#8220;porque se tornam alvos de quem pensa de forma diferente e, \u00e0s vezes, at\u00e9 de quem pensa de forma parecida, mas que acha errado n\u00e3o ser t\u00e3o extremo&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Ainda segundo o professor, \u00e9 necess\u00e1rio reestruturar toda a din\u00e2mica social, porque a atual apenas incentiva discursos extremistas. Foi pensando nisso que a Calif\u00f3rnia passou a estudar um projeto de lei que permite a pais processar as redes sociais pelo v\u00edcio de seus filhos.<\/p>\n<p>Alegando que o uso deliberado traz consequ\u00eancias f\u00edsicas, emocionais, psicol\u00f3gicas e at\u00e9 financeiras a crian\u00e7as e adolescentes, a Calif\u00f3rnia entende que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o das grandes empresas de tecnologia desabilitar mecanismos que possam provocar seu uso exacerbado por adolescentes.<\/p>\n<p>Caso seja aprovada, qualquer indiv\u00edduo exercendo a parentalidade de um jovem menor de 18 anos, que tenha vontade de diminuir a intera\u00e7\u00e3o com as telas, mas que seja incapaz de faz\u00ea-lo por fatores emocionais ou psicol\u00f3gicos, pode abrir um processo de at\u00e9 US$ 25 mil por caso.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/05\/25\/alimentada-por-republicanos-e-fox-news-tese-conspiratoria-racista-fomenta-violencia-nos-eua\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">:: Alimentada por republicanos e Fox News, tese conspirat\u00f3ria racista fomenta viol\u00eancia nos EUA ::<\/a><\/p>\n<p>Essa medida \u00e9 contestada por alguns pesquisadores, que questionam a fiscaliza\u00e7\u00e3o das propostas, bem como a interpreta\u00e7\u00e3o de v\u00edcio e de preju\u00edzo assinalada no projeto. Enquanto os parlamentares estadunidenses discutem a medida, Linda diz que \u00e9 muito comum a delega\u00e7\u00e3o da &#8220;culpa&#8221; pelo fracasso social. &#8220;Pais culpam a tecnologia, a tecnologia culpa o governo, o governo culpa as escolhas e por a\u00ed vai. No final, n\u00e3o \u00e9 uma coisa ou outra. Todos esses atores t\u00eam um papel importante no desenvolvimento dos jovens&#8221;, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>Importante ressaltar que quando falamos em educa\u00e7\u00e3o e comportamento online, o bom ou mau desempenho de uma pessoa em ambiente digital nada tem a ver com a sua forma\u00e7\u00e3o ou vida acad\u00eamica. &#8220;Um estudo que analisou a atividade online de diferentes pessoas constatou que a habilidade cognitiva de uma pessoa pouco tem a ver com a sua postura nas redes sociais&#8221;, diz Bail, &#8220;o fator n\u00famero um para que algu\u00e9m compartilhe uma not\u00edcia falsa, por exemplo, \u00e9 a sua cren\u00e7a. Ou seja, as palavras s\u00e3o usadas como armas para defender sua vis\u00e3o de mundo, mesmo que sejam palavras falsas&#8221;.<\/p>\n<p>Alheio ao caos online, jovens americanos passam mais tempo do que nunca em frente \u00e0s telas. Durante a pandemia de covid-19, as atividades digitais de crian\u00e7as e adolescentes, nos Estados Unidos, passaram de 3,8 horas por dia, para 7,7 horas di\u00e1rias.\u00a0<\/p>\n<p>Mais tempo conectado, num pa\u00eds que n\u00e3o aprendeu a lidar com o discurso e o posicionamento extremista,\u00a0<em>on e offline<\/em>, tende a ser uma equa\u00e7\u00e3o perigoso para um pa\u00eds que sequer fez o &#8220;<em>logout<\/em>&#8221; da posse de armas.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Brasil de Fato<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sinais estavam todos l\u00e1, bastante claros, mas como o pior cego \u00e9 aquele que n\u00e3o quer ver, continuamos de olhos bem fechados para o extremismo e a viol\u00eancia online, sobretudo aquela que afeta \u2013 e mata \u2013\u00a0crian\u00e7as e adolescentes. 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