{"id":12488,"date":"2022-05-06T03:46:09","date_gmt":"2022-05-06T06:46:09","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/artigo-maio-mes-do-trabalhador-reforcar-nossa-identidade-coletiva-e-de-luta\/"},"modified":"2022-05-06T03:46:09","modified_gmt":"2022-05-06T06:46:09","slug":"artigo-maio-mes-do-trabalhador-reforcar-nossa-identidade-coletiva-e-de-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/artigo-maio-mes-do-trabalhador-reforcar-nossa-identidade-coletiva-e-de-luta\/","title":{"rendered":"Artigo | Maio, m\u00eas do trabalhador: refor\u00e7ar nossa identidade coletiva e de luta!"},"content":{"rendered":"<p>Neste ano os sindicatos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/05\/01\/em-ato-do-1-de-maio-trabalhadores-denunciam-inflacao-e-emprego-precario-administrando-caos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">voltaram \u00e0s pra\u00e7as para comemorar o 1\u00ba de maio<\/a>. Retomar as ruas, mesmo com o corte de financiamento promovido por Temer e Bolsonaro, mostra como os sindicatos est\u00e3o vivos!<\/p>\n<p>O ato das Centrais Sindicais na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/04\/27\/foco-dos-atos-de-1-de-maio-reforma-trabalhista-fez-crescer-trabalho-informal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pra\u00e7a Charles Miller<\/a>\u00a0completou o conjunto de atos do Dia do Trabalhador realizados desde o aprofundamento, com a posse de Jair Bolsonaro, da escalada recessiva e conservadora. Nos quatro anos desta gest\u00e3o presidencial marcada por um perfil antitrabalhador fizemos bem em unir nossas for\u00e7as para enfrentar todos os males que tivemos e ainda temos que enfrentar. Realizamos dois atos online nos anos em que a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/minuto-a-minuto\/coronavirus-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pandemia<\/a>\u00a0estava mais forte, 2020 e 2021, e presenciais, um no in\u00edcio e outro no fim do desgoverno.<\/p>\n<p>Compara\u00e7\u00f5es que alguns insistem em fazer com os megaeventos realizados na Pra\u00e7a Campo de Bagatelle, com shows populares e sorteios de pr\u00eamios para a popula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o incorretas. Desde 2017 as comemora\u00e7\u00f5es expressam nossa resist\u00eancia, nosso pesar com a pandemia, al\u00e9m de reafirmar nossas lutas.<\/p>\n<p>Importante trazer esse contexto para desfazer interpreta\u00e7\u00f5es que usam m\u00e9tricas de compara\u00e7\u00e3o incompat\u00edveis com a realidade atual. Importante porque os atos do 1\u00ba de Maio servem como um term\u00f4metro pol\u00edtico e isso tem um peso muito grande em um ano eleitoral. A falsa compara\u00e7\u00e3o do 1\u00ba de Maio de 2022 com outros eventos e a cobran\u00e7a de uma linearidade que n\u00e3o existe induz a uma avalia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica errada, de esvaziamento, quando na verdade estamos atuando em prol das mudan\u00e7as que o pa\u00eds precisa.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos deixar de fazer aqui um balan\u00e7o daquilo que podemos melhorar. Para al\u00e9m dos discursos sobre nossas pautas, que s\u00e3o necess\u00e1rios, mas que precisam fluir melhor, a comemora\u00e7\u00e3o do Dia do Trabalhador deve, antes de tudo, atrair o povo. E n\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade em fazer um evento popular com um n\u00edvel pol\u00edtico elevado.<\/p>\n<p>Podemos, n\u00f3s sindicalistas, mudar algumas coisas, mexer aqui e ali, fazer juntos ou separados, convidar artistas de sucesso e at\u00e9 mesmo realizar sorteios para que o p\u00fablico compare\u00e7a para prestigiar, se divertir e se envolver nos debates acerca dos rumos do pa\u00eds. Avan\u00e7amos em nosso papel de mobilizar e de atualizar o movimento sindical.<\/p>\n<p>Mas, \u00e0 parte todo e esfor\u00e7o e boa vontade, devemos considerar, e muitos analistas escondem ou n\u00e3o se d\u00e3o conta, que existem quest\u00f5es de fundo que dizem respeito \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o no senso comum de uma campanha antissindical. Campanha que tem a mesma raiz da mentalidade escravocrata que se perpetua no Brasil, mesmo ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o de 1888. Isso est\u00e1 no centro dos problemas que pavimentaram as reformas liberais de Michel Temer, a vit\u00f3ria de Jair Bolsonaro,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/especiais\/desemprego-e-pobreza-o-retrato-do-brasil-dois-anos-apos-o-golpe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a pobreza, o desemprego, a precariza\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Hoje a mentalidade antissindical se traveste de um discurso moderno. Os defensores da reforma trabalhista, por exemplo, dizem que devemos olhar para a frente e n\u00e3o olhar para tr\u00e1s. Como se restituir direitos fosse olhar para tr\u00e1s e aprofundar a reforma, olhar para frente, quando na verdade \u00e9 a reforma, com sua ampla retirada de direitos que \u00e9 o retrocesso ao Brasil pr\u00e9-CLT.<\/p>\n<p>Mais do que isso, a fantasia p\u00f3s-moderna que prega um discurso antissindical mascara ideias conservadoras que n\u00e3o ajudam os trabalhadores. Estamos falando da exalta\u00e7\u00e3o de discursos que incentivam a divis\u00e3o do movimento social e pol\u00edtico em pautas individuais baseadas em diferen\u00e7as em detrimento da uni\u00e3o de for\u00e7as daqueles que querem e precisam se organizar para a luta. Esta \u00e9 uma arma que atualmente os neoliberais usam para colocar os trabalhadores uns contra os outros e, sobretudo, contra o movimento sindical. Est\u00e1 claro quem ganha com isso. E, percebendo sua decad\u00eancia, os arautos do liberalismo tender\u00e3o a ficar ainda mais agressivos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a longa pandemia e com a crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica, entretanto, a realidade se imp\u00f5e, a consci\u00eancia sobre a import\u00e2ncia dos sindicatos e da luta pelos direitos ganha espa\u00e7o e cada vez mais pessoas percebem a falsidade do discurso meramente identit\u00e1rio sem base social e de classe. A funda\u00e7\u00e3o do sindicato na Amazon nos EUA e as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista na Espanha s\u00e3o alguns exemplos.\u00a0<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as quest\u00f5es de fundo que n\u00e3o s\u00f3 desafiam o nosso 1\u00ba de Maio, mas que tentam nos liquidar dia a dia. Por tudo isso, aproveitando o ensejo do m\u00eas inaugurado com o Dia do Trabalhador, al\u00e9m de continuar avan\u00e7ando em nossos atos e exerc\u00edcios de di\u00e1logo e de unidade, precisamos tamb\u00e9m refor\u00e7ar o discurso pr\u00f3-trabalhador e empreender um esfor\u00e7o para elevar a consci\u00eancia pol\u00edtica do povo brasileiro.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ar o m\u00eas do trabalhador \u00e9 uma forma de valorizar e refor\u00e7ar nossa identidade oper\u00e1ria para que todos e todas tenham em mente tudo pelo que devemos lutar: jornada de trabalho decente, valoriza\u00e7\u00e3o salarial, sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho, aposentadoria digna, conven\u00e7\u00e3o coletiva. Nosso movimento \u00e9 agregador, promove a diversidade e aproxima a todos. E \u00e9 com ele que vamos superar a crise, o desgoverno e criar condi\u00e7\u00f5es para um pa\u00eds melhor.<\/p>\n<p><em>*Jo\u00e3o Carlos Gon\u00e7alves \u00e9 metal\u00fargico, secret\u00e1rio Geral da For\u00e7a Sindical e vice-presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Paulo; Ronaldo Leite \u00e9 carteiro, secret\u00e1rio geral da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Conselheiro Fiscal dos Correios no Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n<p><em>**Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o. A vis\u00e3o do autor n\u00e3o necessariamente expressa a linha editorial do jornal\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano os sindicatos\u00a0voltaram \u00e0s pra\u00e7as para comemorar o 1\u00ba de maio. Retomar as ruas, mesmo com o corte de financiamento promovido por Temer e Bolsonaro, mostra como os sindicatos est\u00e3o vivos! 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