{"id":12391,"date":"2022-04-08T03:02:00","date_gmt":"2022-04-08T06:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/no-dia-mundial-da-saude-a-realidade-dos-empregados-da-caixa-e-o-adoecimento-mental\/"},"modified":"2022-04-08T03:02:00","modified_gmt":"2022-04-08T06:02:00","slug":"no-dia-mundial-da-saude-a-realidade-dos-empregados-da-caixa-e-o-adoecimento-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/no-dia-mundial-da-saude-a-realidade-dos-empregados-da-caixa-e-o-adoecimento-mental\/","title":{"rendered":"No Dia Mundial da Sa\u00fade, a realidade dos empregados da caixa \u00e9 o adoecimento mental"},"content":{"rendered":"<p>Neste 7 de abril, dia Mundial da Sa\u00fade, os trabalhadores da Caixa n\u00e3o t\u00eam motivos para celebrar. Os resultados da pesquisa da Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Associa\u00e7\u00f5es do Pessoal da Caixa (Fenae) sobre sa\u00fade e os impactos da pandemia mostram que boa parte do adoecimento dos empregados est\u00e1 relacionado ao trabalho no banco. Entre os dados mais assustadores, est\u00e3o os de sa\u00fade mental. Em 2021, 42% dos empregados afirmaram ter problemas de sa\u00fade associados \u00e0 atividade que desempenha na Caixa. Destes, 75% est\u00e3o relacionados \u00e0 sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>A pesquisadora e doutora em Psicologia Social, do Trabalho e das Organiza\u00e7\u00f5es, Fernanda Duarte, participou da pesquisa e apontou os principais achados do levantamento. \u201cO cen\u00e1rio \u00e9 bem cr\u00edtico. Em geral, foi poss\u00edvel perceber tr\u00eas tend\u00eancias principais nesses dados. Uma \u00e9 que os resultados s\u00e3o iguais ou piores. O problema \u00e9 que j\u00e1 era muito ruim antes. A outra quest\u00e3o \u00e9 o adoecimento mental com uma presen\u00e7a muito predominante\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O terceiro fator que chamou a aten\u00e7\u00e3o da pesquisadora \u00e9 a \u201cmedicaliza\u00e7\u00e3o e farmaceuticaliza\u00e7\u00e3o de conflitos sociais\u201d \u2013 tratar um problema social e de rela\u00e7\u00f5es no trabalho de forma individualizada. \u201cA gente tem a preocupa\u00e7\u00e3o em diagnosticar transtornos, mas n\u00e3o necessariamente entender fatores sociais que est\u00e3o relacionados \u00e0 imin\u00eancia desses transtornos. Uma coisa \u00e9 a gente falar que est\u00e1 cheio de gente deprimida no banco, outra \u00e9 entender que estes fatores est\u00e3o relacionados com o banco. E tem muito a ver\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Os dados que confirmam essa avalia\u00e7\u00e3o se referem \u00e0 busca por tratamentos psicol\u00f3gicos e psiqui\u00e1tricos relacionados ao trabalho. De acordo com a pesquisa, 34% dos empregados informaram que fazem ou fizeram acompanhamento psiqui\u00e1trico; destes, 65% afirmaram que a procura pelo tratamento foi motivada por quest\u00f5es profissionais. Dos 47% que realizam ou realizaram tratamento com psic\u00f3logo, 49% foram, tamb\u00e9m, por motivos relacionados \u00e0 Caixa.<\/p>\n<p>Em um outro recorte da pesquisa, o adoecimento mental tamb\u00e9m \u00e9 a principal causa de afastamento por licen\u00e7a m\u00e9dica. Em 2021, 6% dos banc\u00e1rios estavam afastados, sendo 33% por depress\u00e3o, 26% por ansiedade, 13% pela s\u00edndrome de Burnout e 11% por S\u00edndrome do P\u00e2nico.<\/p>\n<p>As causas do adoecimento mental envolvem situa\u00e7\u00f5es de press\u00e3o, ansiedade e ass\u00e9dio, constantemente sofridas pelos empregados, segundo aponta a pesquisa. Mais de 90% dizem que j\u00e1 sentiram muita press\u00e3o ou ansiedade no trabalho. 56% j\u00e1 sofreram ass\u00e9dio moral no banco e quase 70% j\u00e1 testemunharam algum epis\u00f3dio desta situa\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, \u00e9 indiscut\u00edvel que a forma de gest\u00e3o, a press\u00e3o pelo cumprimento de metas e o ass\u00e9dio provocam o adoecimento. \u201cInfelizmente os relatos que recebemos s\u00e3o muito caracter\u00edsticos. \u00c9 um adoecimento sistem\u00e1tico provocado por uma gest\u00e3o que pune, que assedia e que n\u00e3o se importa com o sofrimento do seu trabalhador\u201d, criticou.<\/p>\n<h3><strong>Medo de perder fun\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>J\u00e9ssica Morais (nome fict\u00edcio), T\u00e9cnico Banc\u00e1rio Novo (TBN) relata que tem depress\u00e3o, ansiedade, e ataques de p\u00e2nico desde 2021. Faz tratamento com psiquiatra, tem acompanhamento com psic\u00f3logo e toma rem\u00e9dios controlados. \u201cCome\u00e7ou com aumento do estresse no trabalho, pois estamos sobrecarregados com a falta de empregados; com isso, trabalhamos muito mais e as metas s\u00e3o absurdas. J\u00e1 me afastei duas vezes, cada uma no per\u00edodo de 60 dias\u201d. Ela conta que precisou sair de grupos do WhatsApp do trabalho porque \u201cn\u00e3o conseguia nem ver o s\u00edmbolo da Caixa que come\u00e7avam as crises de p\u00e2nico\u201d. E nunca se sentiu acolhida pelo banco. \u201cSempre temos medo de perder a fun\u00e7\u00e3o, pois ningu\u00e9m aceita depress\u00e3o e estresse como doen\u00e7as, falam que \u00e9 frescura\u201d, desabafou.<\/p>\n<p>Outra empregada, Mariana Silva (nome fict\u00edcio), viveu um luto em 2009 e teve depress\u00e3o. Depois do tratamento voltou a se sentir melhor. Em 2015, entretanto, os quadros de depress\u00e3o voltaram, dessa vez, o adoecimento foi atribu\u00eddo aos problemas no banco. \u201cEu tive um epis\u00f3dio muito ruim que piorou muito a minha condi\u00e7\u00e3o. Entrei num processo seletivo para concorrer a uma vaga porque insistiram que eu tinha perfil. Eu j\u00e1 estava fragilizada, e recebi um feedback de um superintendente. Ele disse que eu era vazia, que eu n\u00e3o tinha conte\u00fado. Isso ficou na minha cabe\u00e7a\u201d, disse.<\/p>\n<p>A sobrecarga de trabalho potencializou o problema \u2013 durante a pandemia, ficou em home office e trabalhava sem controle de jornada, at\u00e9 22h. \u201cComecei a cometer erros que nunca tinham acontecido, atrasos em processos em que sempre fui muito \u00e1gil\u201d, disse Juliana, pausando a fala como se precisasse se justificar. \u201cMas s\u00e3o muitos atendimentos telef\u00f4nicos, pelo WhatsApp. Meu nome e dos colegas eram expostos em reuni\u00f5es, colocavam a gente em ranking\u201d, lembrou. A banc\u00e1ria disse que n\u00e3o aguentou, procurou seu psiquiatra e agora est\u00e1 afastada. \u201cTenho medo de perder a fun\u00e7\u00e3o e, mesmo agora, afastada, minha cabe\u00e7a gira em torno da Caixa. Quando penso que preciso voltar, sinto uma ang\u00fastia, um aperto no peito\u201d, relatou Mariana.<\/p>\n<p>\u201cMe adoeceram a ponto de quase me convencer que eu era realmente um profissional in\u00fatil\u201d, disse outro empregado, que tamb\u00e9m prefere n\u00e3o se identificar por medo de sofrer persegui\u00e7\u00e3o. Ele conta que j\u00e1 passou por momentos insuport\u00e1veis, que afetou v\u00e1rios aspectos da sua vida profissional e pessoal. Desenvolveu ansiedade e outras doen\u00e7as que relaciona ao trabalho e \u00e0 press\u00e3o no banco. \u201cEm todos os casos fiz den\u00fancia com gestores e com a Cored [Corregedoria] antes da situa\u00e7\u00e3o piorar, nunca tive resultados. Entrei em LIP [Licen\u00e7a por Interesse Pessoal] porque n\u00e3o aguentava mais. Fui convocado para retornar no ano passado e voltei a ter crise de ansiedade\u201d.<\/p>\n<p>Para a diretora de Sa\u00fade e Previd\u00eancia da Fenae, Fabiana Matheus, estes relatos s\u00e3o exemplos do adoecimento causado pela Caixa. \u201cSem acolhimento do banco, os trabalhadores come\u00e7am a criar estrat\u00e9gias individuais para enfrentar um problema que foi provocado pelo empregador. Obviamente os tratamentos psiqui\u00e1trico e psicol\u00f3gico s\u00e3o fundamentais, mas acabam sendo uma forma de lidar com os conflitos que emergem do trabalho\u201d, avalia. \u201c\u00c9 preciso combater a causa. E essa pesquisa vai ajudar a nortear a\u00e7\u00f5es de mobiliza\u00e7\u00e3o e de cobran\u00e7a por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para os empregados\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fenae.org.br\/portal\/fenae-portal\/no-dia-mundial-da-saude-a-realidade-dos-empregados-da-caixa-e-o-adoecimento-mental.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fenae<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste 7 de abril, dia Mundial da Sa\u00fade, os trabalhadores da Caixa n\u00e3o t\u00eam motivos para celebrar. Os resultados da pesquisa da Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Associa\u00e7\u00f5es do Pessoal da Caixa (Fenae) sobre sa\u00fade e os impactos da pandemia mostram que boa parte do adoecimento dos empregados est\u00e1 relacionado ao trabalho no banco. 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