{"id":12260,"date":"2022-03-09T15:14:12","date_gmt":"2022-03-09T18:14:12","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mulheres-sao-as-mais-afetadas-pelo-desemprego-e-baixos-salarios\/"},"modified":"2022-03-09T15:14:12","modified_gmt":"2022-03-09T18:14:12","slug":"mulheres-sao-as-mais-afetadas-pelo-desemprego-e-baixos-salarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/mulheres-sao-as-mais-afetadas-pelo-desemprego-e-baixos-salarios\/","title":{"rendered":"Mulheres s\u00e3o as mais afetadas pelo desemprego e baixos sal\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>As trabalhadoras brasileiras ainda t\u00eam muito a lutar pela igualdade de direitos, especialmente no mercado de trabalho. Mesmo sendo maioria \u2013 52% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 formada por mulheres -, e em geral estudem mais, elas t\u00eam menos oportunidades no mercado de trabalho, n\u00e3o progridem nas carreiras como os homens; em \u00e9pocas de crise s\u00e3o as\u00a0primeiras a serem demitidas\u00a0e as \u00faltimas a serem recontratadas, com sal\u00e1rios mais baixos; e sofrem com o machismo, com ass\u00e9dios morais e sexuais.<\/p>\n<p>E em governos de direita, mais preocupados com cortes de gastos do que com o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do governo de Jair Bolsonaro (PL), as mulheres sofrem tamb\u00e9m com a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas mais assertivas que as contemplem para que possam exercer suas atividades profissionais. Exemplos dessas pol\u00edticas s\u00e3o o aumento no n\u00famero de creches e maior estabilidade no emprego ap\u00f3s a volta da licen\u00e7a maternidade.<\/p>\n<p><strong>Falta de oportunidades e igualdade<\/strong><\/p>\n<p>Dados atualizados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNDA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), at\u00e9 o 4\u00ba trimestre de 2021, mostra que mulheres com 14 anos ou mais de idade representam apenas 43,8% do total de pessoas na for\u00e7a de trabalho e 41,6% entre o total de ocupados e ocupadas.<\/p>\n<p>Por outro lado, entre as pessoas desocupadas as mulheres representam 52,2% e entre as pessoas fora da for\u00e7a de trabalho s\u00e3o 64,2%.<\/p>\n<p>De acordo com um levantamento do Dieese, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piorou nos \u00faltimos sete anos. A recess\u00e3o, em 2015 e 2016, seguida de baixo crescimento nos tr\u00eas anos seguintes, restabeleceu e aprofundou caracter\u00edsticas como alta taxa de desemprego, crescente informalidade, desigualdade de oportunidades e aumento do n\u00famero de pessoas subutilizadas da for\u00e7a de trabalho, diz o estudo sobre mercado de trabalho feminino feito pela coordenadora do Dieese Nacional Patr\u00edcia Pelatiere e pela t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o do Dieese da CUT Nacional Adriana Marcolino. \u201cMesmo em ciclos de crescimento econ\u00f4mico a desigualdade entre mulheres e homens se mant\u00e9m est\u00e1vel porque ela \u00e9 estrutural\u201d, explica a t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Segundo ela, para complicar, \u201cainda h\u00e1 o preconceito de que mulher engravida, deixa de trabalhar para cuidar dos filhos e, claro, h\u00e1 o machismo que elas enfrentam para conseguir evoluir na carreira\u201d.<\/p>\n<p>Segundo uma\u00a0<a href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv101784_informativo.pdf\">pesquisa do IBGE<\/a>, em 2019, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres sem filhos na for\u00e7a de trabalho \u00e9 35,2% maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o daquelas com filhos. Ao contr\u00e1rio, os homens que t\u00eam filhos n\u00e3o enfrentam nenhuma\u202fdesvantagem.<\/p>\n<p><strong>O que o governo deveria fazer para reduzir essa desigualdade no mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>As primeiras medidas a serem tomadas para mudar este cen\u00e1rio de desigualdade e preconceito com as trabalhadoras, em especial as gr\u00e1vidas ou nas chamadas \u2018idades f\u00e9rteis\u2019, \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de atendimento das creches, o aumento no n\u00famero de vagas dispon\u00edveis no mercado de trabalho para as m\u00e3es trabalhadoras e o fim das demiss\u00f5es ap\u00f3s o t\u00e9rmino da licen\u00e7a maternidade, pontua Adriana Marcolino.<\/p>\n<p>\u201cOs hor\u00e1rios de atendimento das creches n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com os hor\u00e1rios em que essas m\u00e3es saem do trabalho, o que acaba provocando mais demiss\u00f5es\u201d, diz a t\u00e9cnica, que critica outra pol\u00edtica muito comum das empresas que \u00e9 demitir a mulher quando ela volta da licen\u00e7a maternidade. \u201c\u00c9 preciso uma pol\u00edtica de estabilidade maior no emprego para que as mulheres possam readequar suas vidas ao trabalho\u201d, diz.<\/p>\n<p>Outra pol\u00edtica p\u00fablica defendida por Adriana Marcolino para que as mulheres tenham mais oportunidades no mercado de trabalho \u00e9 cria\u00e7\u00e3o de empregos emergenciais com percentuais reservados a elas.<\/p>\n<p>\u201cCom este trip\u00e9 mais creches, empregos emergenciais e maior estabilidade na volta da licen\u00e7a maternidade creio que melhoraria a inser\u00e7\u00e3o de vagas para as mulheres\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Reformas Trabalhista e da Previd\u00eancia pioraram a vida das mulheres<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para o mercado de trabalho, as reformas neoliberais: a trabalhista (2017, no governo do ileg\u00edtimo Michel Temer, do MDB) e a previdenci\u00e1ria (2019, de Bolsonaro) pioraram a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. A primeira retirou, flexibilizou e\/ou desregulamentou direitos trabalhistas, criou um ambiente desfavor\u00e1vel \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva, procurou desarticular a estrutura sindical, reduziu o acesso \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho, entre outros pontos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a segunda dificultou o acesso aos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios e reduziu o valor do benef\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Pandemia tamb\u00e9m agravou o mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>O estudo\u202f\u201cSem Parar \u2013 O trabalho e a vida das mulheres na pandemia\u201d, da G\u00eanero e N\u00famero e da Sempreviva Organiza\u00e7\u00e3o Feminista, realizado entre abril e maio de 2020, j\u00e1\u00a0 apontava que 50% das mulheres\u202fpassaram a se responsabilizar pelo cuidado de algu\u00e9m\u202fna pandemia. Entre as que cuidam de crian\u00e7as, 72% afirmaram que aumentou a necessidade de monitoramento\u202fdentro do domic\u00edlio. \u202fEssa responsabiliza\u00e7\u00e3o pelos cuidados da casa e dos membros da fam\u00edlia\u202f\u2013\u202fcomo crian\u00e7as e idosos \u2013 ficou ainda mais presente na pandemia, o que dificultou a participa\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Segundo a t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o do Dieese da CUT Nacional, Adriana Marcolino, podemos observar tamb\u00e9m que as caracter\u00edsticas negativas da participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho foram aprofundadas na pandemia.<\/p>\n<p>O crescimento demogr\u00e1fico foi bastante semelhante para homens e mulheres, no entanto, elas sofreram uma redu\u00e7\u00e3o no contingente de pessoas na for\u00e7a de trabalho e entre o total de ocupados, uma redu\u00e7\u00e3o maior do que a registrada entre os homens \u2013 isso tamb\u00e9m se repete entre o total de desocupados e de pessoas fora do mercado de trabalho, na taxa de participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho (soma de ocupados e desocupados), n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o e na taxa de desocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os rendimentos das mulheres s\u00e3o em torno de 75% daquilo que ganha um homem n\u00e3o negro.<\/p>\n<p>J\u00e1 as mulheres negras\u00a0chegam a receber 47% da remunera\u00e7\u00e3o paga para um homem branco, disse a economista Isabela Mendes, em entrevista ao Brasil de Fato.<\/p>\n<p>Por fim, Marcolino e Pelatiere apontam que somado ao baixo crescimento e ao desmonte do Estado h\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o recorrente da mais alta autoridade do Estado brasileiro, o Presidente da Rep\u00fablica, que dissemina um repert\u00f3rio machista, racista e mis\u00f3gino, amplificado na sociedade por seus seguidores.<\/p>\n<p><strong>Fonte: CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As trabalhadoras brasileiras ainda t\u00eam muito a lutar pela igualdade de direitos, especialmente no mercado de trabalho. 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