{"id":12121,"date":"2022-02-07T17:00:26","date_gmt":"2022-02-07T20:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/justica-por-moise-cidades-se-levantam-contra-racismo-e-xenofobia\/"},"modified":"2022-02-07T17:00:26","modified_gmt":"2022-02-07T20:00:26","slug":"justica-por-moise-cidades-se-levantam-contra-racismo-e-xenofobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/justica-por-moise-cidades-se-levantam-contra-racismo-e-xenofobia\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a por Mo\u00efse: cidades se levantam contra racismo e xenofobia"},"content":{"rendered":"<p>Com cartazes dizendo \u201cvidas negras importam\u201d, \u201cjusti\u00e7a por Mo\u00efse\u201d e \u201cimigrantes importam\u201d, milhares de manifestantes ocuparam as ruas de diversas cidades brasileiras neste s\u00e1bado (05), para cobrar justi\u00e7a pelo assassinato do congol\u00eas Mo\u00efse Kabagambe, morto no \u00faltimo dia 24, no Rio de Janeiro. O ato foi organizado por comunidades de imigrantes, coletivos e movimentos populares, em especial o movimento negro.<\/p>\n<p>Mo\u00efse Kabagambe foi espancado por tr\u00eas homens no quiosque Tropic\u00e1lia onde trabalhava, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Ele havia ido cobrar o pagamento de di\u00e1rias atrasadas por servi\u00e7os prestados ao estabelecimento, segundo relato de familiares. O caso ficou aproximadamente uma semana sem grandes repercuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ap\u00f3s den\u00fancia de familiares, movimentos populares convocaram um ato unificado e nacional para denunciar o racismo, xenofobia e a viol\u00eancia, expl\u00edcitos no caso, com o mote \u201c#Justi\u00e7aPorMo\u00efse\u201d. Ocorreram mobiliza\u00e7\u00f5es no Rio de Janeiro, local do crime, e em S\u00e3o Paulo, Recife, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Maranh\u00e3o, Rio Grande do Norte e no Distrito Federal.<\/p>\n<p>No Rio, o ato se concentrou em frente ao quiosque Tropic\u00e1lia, onde Mo\u00efse foi assassinado, e reuniu familiares do congol\u00eas, al\u00e9m de dezenas de organiza\u00e7\u00f5es defensoras dos direitos humanos e do movimento negro.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Combate ao Racismo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, que participou do ato no Rio, disse que a trag\u00e9dia vivida pela fam\u00edlia africana n\u00e3o \u00e9 um caso isolado, mas \u00e9 fruto de uma sociedade racista que hoje conta com um expl\u00edcito movimento pol\u00edtico que levou Jair Bolsonaro ao Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>\u201cA morte de Mo\u00efse \u00e9 mais um assassinato fruto de uma sociedade racista e n\u00e3o podemos aceitar, em hip\u00f3tese alguma, esta realidade de matan\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o negra em nosso pa\u00eds. Dados da ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) mostram que, no Brasil, a cada 23 minutos morre um negro ou negra no Brasil. Queremos justi\u00e7a para o Mo\u00efse, mas tamb\u00e9m para todos os negros que est\u00e3o sendo mortos em nosso pa\u00eds todos os dias\u201d, disse o sindicalista, lembrando tamb\u00e9m da morte de mais um negro, Durval Filho, na \u00faltima quarta-feira (2) com tr\u00eas tiros por um militar que \u201cconfundiu\u201d o seu vizinho com um bandido, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, regi\u00e3o metropolitana do Rio.<\/p>\n<p>Durante o protesto, a prefeitura da cidade anunciou que transformar\u00e1 o quiosque em um estabelecimento voltado para a cultura africana. A proposta \u00e9 que o local seja administrado pela fam\u00edlia de Mo\u00efse e se transforme num reduto de empregos para refugiados.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, que concentra um grande contingente de refugiados e imigrantes, os manifestantes se reuniram no v\u00e3o livre do Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Pelo menos 2 mil pessoas estiveram presentes, segundo a Coaliza\u00e7\u00e3o Negra por Direitos, uma das organizadoras do ato.<\/p>\n<p>Participaram membros de comunidades angolanas e congolesas, que cobraram seguran\u00e7a e garantia de direitos para imigrantes. Em discursos, eles denunciaram o racismo, o desemprego e a viol\u00eancia como principais obst\u00e1culos para reconstruir a vida no Brasil.<\/p>\n<h3>Precariza\u00e7\u00e3o do trabalho<\/h3>\n<p>Almir criticou ainda a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho fruto da reforma trabalhista criada pelo presidente Michel Temer e aprofundada no governo Bolsonaro na qual quem mais sofre s\u00e3 os negros e as mulheres, sem direito \u00e0 carteira assinada, f\u00e9rias remunerada, FGTS, 13\u00ba sal\u00e1rio e bem sequer aposentadoria. \u201cQuando um trabalhador n\u00e3o tem direito a nada beiramos ao trabalho quase escravo em que o empregado tem que ficar cobrando de seu patr\u00e3o at\u00e9 mesmo o sal\u00e1rio pelo trabalho realizado. Esta \u00e9 a l\u00f3gica da negocia\u00e7\u00e3o direta do empregado com o empregador como propagam estes governos neoliberais\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com cartazes dizendo \u201cvidas negras importam\u201d, \u201cjusti\u00e7a por Mo\u00efse\u201d e \u201cimigrantes importam\u201d, milhares de manifestantes ocuparam as ruas de diversas cidades brasileiras neste s\u00e1bado (05), para cobrar justi\u00e7a pelo assassinato do congol\u00eas Mo\u00efse Kabagambe, morto no \u00faltimo dia 24, no Rio de Janeiro. 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