{"id":12021,"date":"2022-01-17T04:08:41","date_gmt":"2022-01-17T07:08:41","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/sindrome-de-burnout-entra-na-lista-de-doencas-ocupacionais\/"},"modified":"2022-01-17T04:08:41","modified_gmt":"2022-01-17T07:08:41","slug":"sindrome-de-burnout-entra-na-lista-de-doencas-ocupacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/sindrome-de-burnout-entra-na-lista-de-doencas-ocupacionais\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome de Burnout entra na lista de doen\u00e7as ocupacionais"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1\u00ba de janeiro, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/trabalho\/2019\/10\/sindrome-do-esgotamento-profissional-e-agravada-pela-precarizacao-do-trabalho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">s\u00edndrome de Burnout<\/a>, tamb\u00e9m conhecida como s\u00edndrome do esgotamento profissional,\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/concursos-e-emprego\/noticia\/2022\/01\/11\/sindrome-de-burnout-e-reconhecida-como-doenca-ocupacional-veja-o-que-muda-para-o-trabalhador.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">passou a ser considerada doen\u00e7a ocupacional<\/a>\u00a0ap\u00f3s ser inclu\u00edda na Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID) da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). O reconhecimento assegura que o trabalhador diagnosticado com a s\u00edndrome poder\u00e1 ter os mesmos direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios que outras doen\u00e7as relacionadas ao emprego.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com pesquisa realizada pela Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Gerenciamento de Estresse (ISMA-BR), o Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds com o maior n\u00famero de pessoas afetadas pela s\u00edndrome de Burnout. Al\u00e9m de ter tamb\u00e9m a maior taxa de pessoas que sofrem com ansiedade e ser o quinto pa\u00eds em casos de depress\u00e3o, conforme a OMS. No caso do esgotamento profissional, a psic\u00f3loga Renata Paparelli, professora da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), explica que a s\u00edndrome de Burnout nada mais \u00e9 que uma estafa proveniente do excesso de trabalho. De acordo com ela, o profissional se sente cansado, deprimido e sem vontade de continuar a trabalhar.<\/p>\n<p>\u201cA s\u00edndrome de Burnout pode ser entendida tamb\u00e9m como uma esp\u00e9cie desist\u00eancia. (A pessoa) n\u00e3o consegue mais, ela sucumbiu na verdade. Muitas vezes essa s\u00edndrome se d\u00e1 em pessoas que realizam trabalhos que exigem grandes vincula\u00e7\u00f5es ou engajamento. Isso pode ser um trabalho no qual a pessoa \u00e9 tanto seduzida para bater metas abusivas, quanto um trabalho no setor de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social\u201d, explica. \u201cAs pessoas, em geral, falam de algo do tipo \u2018uma chama que se apagou\u2019, que ela tinha uma for\u00e7a que desapareceu.\u201d<\/p>\n<h2><strong>\u2018Perdi minha pot\u00eancia\u2019<\/strong><\/h2>\n<p>Vitor, que preferiu se identificar apenas pelo primeiro nome, confirma a an\u00e1lise da professora. Profissional da educa\u00e7\u00e3o, ele conta que nesse per\u00edodo de pandemia sentiu que o<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/educacao\/2020\/10\/pandemia-saude-mental-professores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0peso do trabalho na escola<\/a>\u00a0nunca acabava. Vitor descreve ter atingido o \u00e1pice de seu esgotamento quando as aulas presenciais foram retomadas.<\/p>\n<p>\u201cMeu ambiente de trabalho \u00e9 a escola que, principalmente nesse retorno na pandemia, foi algo muito pesado para a gente. Era muito trabalho e nunca dava tempo de fazer tudo. E a\u00ed\u00a0lev\u00e1vamos\u00a0o trabalho para casa, para fazer no final de semana e no feriado. Ent\u00e3o nunca consegu\u00edamos realmente se desconectar do trabalho e parecia que mesmo assim a gente estava sempre atrasado. Voc\u00ea n\u00e3o consegue dormir direito, dorme e acorda de madrugada, sempre cansado. Psicologicamente, emocionalmente e at\u00e9 fisicamente voc\u00ea come\u00e7a a perder sua pot\u00eancia\u201d, relata Vitor.<\/p>\n<p>Apesar da sobrecarga profissional, o educador destaca que n\u00e3o houve apoio em seu trabalho e ele s\u00f3 conseguiu sair do esgotamento com ajuda psicol\u00f3gica. \u201cMeu trabalho n\u00e3o me apoiou nessa situa\u00e7\u00e3o. Simplesmente meio que faziam aquelas frases motivacionais de \u2018vamos juntos\u2019 e \u2018vamos dar doce para comemorar\u2019, mas n\u00e3o lidavam ou apoiavam realmente a situa\u00e7\u00e3o. O que funcionou para mim foi ir atr\u00e1s de uma terapeuta, conversar sobre isso e come\u00e7ar a internamente mudar a maneira como eu lido\u201d, relembra.\u00a0<\/p>\n<h2><strong>Burnout entre banc\u00e1rios<\/strong><\/h2>\n<p>Secret\u00e1rio de Sa\u00fade e Condi\u00e7\u00f5es de Trabalho do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo,\u00a0Carlos Miguel Damarindo\u00a0observa que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/trabalho\/2022\/01\/bancarios-com-covid-agravamento-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entre a categoria \u00e9 comum a s\u00edndrome de Burnout<\/a>. Mas os bancos tratam a doen\u00e7a como \u201cfachada\u201d, inclusive tentando negar os laudos dos m\u00e9dicos, segundo o dirigente sindical.<\/p>\n<p>\u201cNo caso dos banc\u00e1rios, a s\u00edndrome \u00e9 bem comum entre os trabalhadores e trabalhadoras devido ao processo que \u00e9 muito n\u00edtido na categoria de metas abusivas, uma forma de press\u00e3o, e isso acarreta o adoecimento. Na pandemia, isso foi escancarado\u201d, aponta. \u201cTanto \u00e9 que muitos dos bancos tentam negar os laudos dos m\u00e9dicos e assistentes dos banc\u00e1rios e existe dentro da conven\u00e7\u00e3o e dos acordos a previs\u00e3o de reabilita\u00e7\u00e3o ou readapta\u00e7\u00e3o desses trabalhadores que adoecem para qualquer tipo de doen\u00e7a. Mas no caso da s\u00edndrome de Burnout, da depress\u00e3o e da s\u00edndrome do p\u00e2nico a gente v\u00ea uma fachada que os bancos fazem\u201d, aponta.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cMuitos desses trabalhadores quando retornam do afastamento do INSS, ou est\u00e3o em tratamento m\u00e9dico e tentando levar o trabalho sem ser afastado, ficam sempre no mesmo local onde adoeceram. E as empresas n\u00e3o t\u00eam normalmente esse costume de fazer uma avalia\u00e7\u00e3o porque eles n\u00e3o querem ser responsabilizadas\u201d, completa.<\/p>\n<h3>Trabalhar n\u00e3o \u00e9 para adoecer<\/h3>\n<p>Para a secret\u00e1ria de Sa\u00fade do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida da Silva, \u00e9 um avan\u00e7o que a s\u00edndrome de Burnout seja considerada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/saude-e-ciencia\/2020\/09\/covid-19-contaminacao-trabalho-doenca-ocupacional\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doen\u00e7a ocupacional<\/a>. \u201cIsso possibilita que os trabalhadores e trabalhadoras n\u00e3o tenham medo de expor o problema e lutem cada dia mais por seus direitos\u201d, destaca.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Sa\u00fade e Condi\u00e7\u00f5es de Trabalho do Sindicato dos Banc\u00e1rios conclui que \u00e9 preciso\u00a0\u201cquebrar a regra de que trabalhar \u00e9 para adoecer\u201d. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 comum, n\u00e3o podemos aceitar como normalidade. \u00c9 um caminho que temos que construir coletivamente para quebrar a tal da normalidade sobre a doen\u00e7a do presente, que \u00e9 a doen\u00e7a do futuro, dos transtornos mentais.\u201d<\/p>\n<p><strong>Fonte: Rede Brasil Atual<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1\u00ba de janeiro, a\u00a0s\u00edndrome de Burnout, tamb\u00e9m conhecida como s\u00edndrome do esgotamento profissional,\u00a0passou a ser considerada doen\u00e7a ocupacional\u00a0ap\u00f3s ser inclu\u00edda na Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID) da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). 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