{"id":11255,"date":"2021-07-27T04:01:50","date_gmt":"2021-07-27T07:01:50","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/estado-racista-distanciou-brasil-da-paz\/"},"modified":"2021-07-27T04:01:50","modified_gmt":"2021-07-27T07:01:50","slug":"estado-racista-distanciou-brasil-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/estado-racista-distanciou-brasil-da-paz\/","title":{"rendered":"Estado racista distanciou Brasil da paz"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos em um estado que distanciou o Brasil da possibilidade de ser uma rep\u00fablica da paz. Essa \u00e9 a opini\u00e3o da escritora e poeta Ana Cruz, coordenadora do Movimento Cultural Mulheres Negras Construindo Visibilidade. Ana Cruz avalia que o Julho das Pretas reafirma as bandeiras de luta do movimento negro.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o bandeiras como implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativas; den\u00fancias \u00e0s viol\u00eancias e repress\u00f5es praticadas pelas institui\u00e7\u00f5es do Estado. Tamb\u00e9m reafirma o feminismo negro interseccional e do quilombismo. Ambos tiveram suas bases te\u00f3ricas e sociol\u00f3gicas constru\u00eddas ao longo da d\u00e9cada de 1980 por ativistas e intelectuais negras de v\u00e1rios lugares do pa\u00eds. Vale ressaltar que o Julho das Mulheres Negras tamb\u00e9m t\u00eam criado espa\u00e7os importantes de reflex\u00f5es sobre os rumos dos ativismos negro, e como os mesmos t\u00eam despertado a consci\u00eancia individual e coletiva na perspectiva de uma constru\u00e7\u00e3o mais hegem\u00f4nica\u201d, avalia Ana Cruz. O Julho das Pretas est\u00e1 em sua nona edi\u00e7\u00e3o e visa mostrar mulheres negras como as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia, da pandemia, do racismo e do machismo no Brasil.<\/p>\n<p>A escritora lembra que pesquisa do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada.(Ipea) revela que 28% da popula\u00e7\u00e3o brasileira<strong>\u00a0<\/strong>s\u00e3o compostas por<strong>\u00a0<\/strong>mulheres negras. \u201cS\u00e3o dados tamb\u00e9m que revelam a tr\u00e1gica realidade de uma imensa popula\u00e7\u00e3o que h\u00e1 s\u00e9culos est\u00e1 exposta \u00e0s diferentes formas de viol\u00eancia e mecanismo de exclus\u00e3o dentro e fora das pol\u00edticas p\u00fablicas resultado com que o racismo e o sexismo incidem e estruturam a sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Ana Cruz ressalta que as batalhas das mulheres negras na maioria das vezes s\u00e3o tratadas sob indiferen\u00e7as e descasos pela a sociedade racista brasileira. \u201cMesmo assim elas perseguem com toda convic\u00e7\u00e3o o objetivo de transformar o potencial desse enorme percentual estat\u00edstico negro num tamb\u00e9m contingente em que reside o poder de desestabilizar as engrenagens pol\u00edticas e jur\u00eddicas que suportam os pilares do Estado racista, que h\u00e1 mais de quinhentos anos mata, aniquila e tenciona a exist\u00eancia de toda a comunidade negra. Este mesmo Estado tamb\u00e9m distanciou o Brasil da possibilidade de ser uma rep\u00fablica da paz, sem os v\u00edcios anti\u00e9ticos da coloniza\u00e7\u00e3o\u201d, destaca.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Hist\u00f3ria<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O Julho das Pretas come\u00e7ou a surgir 1992, quando a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) realizou na Rep\u00fablica Dominicana o 1\u00ba Encontro de Mulheres Afro-latinoamericanas e Caribenhas. No Brasil, o 25 de julho tamb\u00e9m \u00e9 o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra. \u00c9 uma refer\u00eancia \u00e0 l\u00edder quilombola, que comandou a luta do quilombo de Quariter\u00ea, no s\u00e9culo 18.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos em um estado que distanciou o Brasil da possibilidade de ser uma rep\u00fablica da paz. 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